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Archive for outubro \01\UTC 2013

Semeando o Evangelho

Click no link abaixo para conhecer o livro:

https://clubedeautores.com.br/book/150935–SEMEANDO_O_EVANGELHO

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DO LABORATÓRIO DO MUNDO INVISÍVEL [*]

Vestuário dos Espíritos

126. Temos dito que os Espíritos se apresentam vestidos de túnicas, envoltos em largos panos, ou mesmo com os trajes que usavam em vida. O envolvimento em panos parece costume geral no mundo dos Espíritos. Mas, onde irão eles buscar vestuários semelhantes em tudo aos que traziam quando vivos, com todos os acessórios que os completavam? E fora de qualquer dúvida que não levaram consigo esses objetos, pois que os objetos reais temo-los ainda sob as vistas. Donde então provêm os de que usam no outro mundo? Esta questão deu sempre muito que pensar. Para muitas pessoas, porém, era simples motivo de curiosidade. A ocorrência, todavia, confirmava uma questão de princípio, de grande importância, porquanto sua solução nos fez entrever uma lei geral, que também encontra aplicação no nosso mundo corpóreo. Múltiplos fatos a vieram complicar e demonstrar a insuficiência das teorias com que tentaram explicá-la.

Até certo ponto, poder-se-ia compreender a existência do traje, por ser possível considerá-lo como, de alguma sorte, fazendo parte do indivíduo. O mesmo, porém, não se dá com os objetos acessórios, qual, por exemplo, a caixa de rapé do visitante da senhora doente, de quem falamos no n. 116. Notemos, a este propósito, que ali não se tratava de um morto, mas de um vivo, e que tal senhor, quando voltou em pessoa, trazia na mão uma caixa de rapé semelhante em tudo à da aparição. Onde encontrara seu Espírito a que tinha consigo, quando sentado junto ao leito da doente? Poderíamos citar grande número de casos em que Espíritos, de mortos ou de vivos, apareceram com diversos objetos, tais como bengalas, armas, cachimbos, lanternas, livros, etc.

Veio-nos então uma ideia: a de que, possivelmente, aos corpos inertes da terra correspondem outros, análogos, porém etéreos, no mundo invisível; de que a matéria condensada, que forma os objetos, pode ter uma parte quintessenciada, que nos escapa aos sentidos. Não era destituída de verossimilhança esta teoria, mas se mostrava impotente para explicar todos os fatos. Um há, sobretudo, que parecia destinado a frustrar todas as interpretações.

Até então, não se tratara senão de imagens, ou aparências. Vimos perfeitamente bem que o perispírito pode adquirir as propriedades da matéria e tornar-se tangível, mas essa tangibilidade é apenas momentânea e o corpo sólido se desvanece qual sombra. Já é um fenômeno muito extraordinário; porém, o que o é ainda mais é produzir-se matéria sólida persistente, conforme o provam numerosos fatos autênticos, notadamente o da escrita direta, de que falaremos minuciosamente em capítulo especial. Todavia, como este fenômeno se liga intimamente ao assunto de que agora tratamos, constituindo uma de suas mais positivas aplicações, antecipar-nos-emos, colocando-o antes do lugar em que, pela ordem, deveria ser explanado.

Formação espontânea de objetos tangíveis

127. A escrita direta, ou pneumatografia, é a que se produz espontaneamente, sem o concurso, nem da mão do médium, nem do lápis. Basta tomar-se de uma folha de papel branco, o que se pode fazer com todas as precauções necessárias, para se ter a certeza da ausência de qualquer fraude, dobrá-la e depositá-la em qualquer parte, numa gaveta, ou simplesmente sobre um móvel. Feito isso, se a pessoa estiver nas devidas condições, ao cabo de mais ou menos longo tempo encontrar-se-ão, traçados no papel, letras, sinais diversos, palavras, frases e até dissertações, as mais das vezes com uma substância acinzentada, análoga à plumbagina, doutras vezes com lápis vermelho, tinta comum e, mesmo, tinta de imprimir.

Eis o fato em toda a sua simplicidade e cuja reprodução, se bem pouco comum, não é, contudo, muito rara, porquanto pessoas há que a obtêm com grande facilidade. Se ao papel se juntasse um lápis, poder-se-ia supor que o Espírito se servira deste para escrever. Mas, desde que o papel é deixado inteiramente só, evidente se torna que a escrita se formou por meio de uma matéria depositada sobre ele. De onde tirou o Espírito essa matéria? Tal o problema, a cuja solução fomos levados pela caixa de rapé a que há pouco nos referíamos.

128. Foi o Espírito São Luís quem nos deu essa solução, mediante as respostas seguintes:

1ª – Citamos um caso de aparição do Espírito de uma pessoa viva. Esse Espírito tinha uma caixa de rapé, do qual tomava pitadas. Experimentava ele a sensação que experimenta um indivíduo que faz o mesmo?

“Não.”

2ª – Aquela caixa de rapé tinha a forma da de que ele se servia habitualmente e que se achava guardada em sua casa. Que era a dita caixa nas mãos da aparição?

“Uma aparência. Era para que a circunstância fosse notada, como realmente foi, e não tomassem a aparição por uma alucinação devida ao estado de saúde da vidente. O Espírito queria que a senhora em questão acreditasse na realidade da sua presença e, para isso, tomou todas as aparências da realidade.”

3ª – Dizes que era uma aparência; mas, uma aparência nada tem de real, é como uma ilusão de ótica. Desejáramos saber se aquela caixa de rapé era apenas uma imagem sem realidade, ou se nela havia alguma coisa de material?

“Certamente. E com o auxílio deste princípio material que o perispírito toma a aparência de vestuários semelhantes aos que o Espírito usava quando vivo.”

NOTA. É evidente que a palavra aparência deve ser aqui tomada no sentido de aspecto, imitação. A caixa de rapé real não estava lá; a que o Espírito deixava ver era apenas a representação daquela: era, pois, com relação ao original, uma simples aparência, embora formada de um princípio material.

A experiência ensina que nem sempre se deve dar significação literal a certas expressões de que usam os Espíritos. Interpretando-as de acordo com as nossas ideias, expomo-nos a grandes equívocos. Daí a necessidade de aprofundar-se o sentido de suas palavras, todas as vezes que apresentem a menor ambiguidade. É esta uma recomendação que os próprios Espíritos constantemente fazem. Sem a explicação que provocamos, o termo aparência, que de contínuo se reproduz nos casos análogos, poderia prestar-se a uma interpretação falsa.

4ª – Dar-se-á que a matéria inerte se desdobre? Ou que haja no mundo invisível uma matéria essencial, capaz de tomar a forma dos objetos que vemos? Numa palavra, terão estes um duplo etéreo no mundo invisível como os homens são nele representados pelos Espíritos?

“Não é assim que as coisas se passam. Sobre os elementos materiais disseminados por todos os pontos do espaço, na vossa atmosfera, têm os Espíritos um poder que estais longe de suspeitar. Podem, pois, eles concentrar à sua vontade esses elementos e dar-lhes a forma aparente que corresponda à dos objetos materiais.”

NOTA. Esta pergunta, como se pode ver, era a tradução do nosso pensamento, isto é, da idéia que formávamos da natureza de tais objetos. Se as respostas, conforme alguns o pretendem, fossem o reflexo do pensamento, houvéramos obtido a confirmação da nossa teoria e não uma teoria contrária.

5ª – Formulo novamente a questão, de modo categórico, a fim de evitar todo e qualquer equívoco: São alguma coisa as vestes de que os Espíritos se cobrem?

“Parece-me que a minha resposta precedente resolve a questão. Não sabes que o próprio perispírito é alguma coisa?”

6ª – Resulta, desta explicação, que os Espíritos fazem passar a matéria etérea pelas transformações que queiram e que, portanto, com relação à caixa de rapé, o Espírito não a encontrou completamente feita, fê-la ele próprio, no momento em que teve necessidade dela, por ato de sua vontade. E, do mesmo modo que a fez, pôde desfazê-la. Outro tanto naturalmente se dá com todos os demais objetos, como vestuários, jóias, etc. Será assim?

“Mas, evidentemente.”

7ª – A caixa de rapé se tornou tão visível para a senhora de que se trata, que lhe produziu a ilusão de uma tabaqueira material. Teria o Espírito podido torná-la tangível para a mesma senhora?

“Teria.”

8ª – Tê-la-ia a senhora podido tomar nas mãos, crente de estar segurando uma caixa de rapé verdadeira?

“Sim.”

9ª – Se a abrisse, teria achado nela rapé? E, se aspirasse esse rapé, ele a faria espirrar?

“Sem dúvida.”

10ª – Pode então o Espírito dar a um objeto, não só a forma, mas também propriedades especiais?

“Se o quiser. Baseado neste princípio foi que respondi afirmativamente às perguntas anteriores. Tereis provas da poderosa ação que os Espíritos exercem sobre a matéria, ação que estais longe de suspeitar, como eu disse há pouco.

11ª – Suponhamos, então, que quisesse fazer uma substância venenosa. Se uma pessoa a ingerisse, ficaria envenenada?

“Teria podido, mas não faria, por não lhe ser isso permitido.”

12ª – Poderá fazer uma substância salutar e própria para curar uma enfermidade? E já se terá apresentado algum caso destes?

“Já, muitas vezes.”

13ª – Então, poderia também fazer uma substância alimentar? Suponhamos que tenha feito uma fruta, uma iguaria qualquer: se alguém pudesse comer a fruta ou a iguaria, ficaria saciado?

“Ficaria, sim; mas, não procures tanto para achar o que é tão fácil de compreender. Um raio de sol basta para tornar perceptíveis aos vossos órgãos grosseiros essas partículas materiais que enchem o espaço onde viveis. Não sabes que o ar contém vapores d’água? Condensa-os e os farás voltar ao estado normal. Priva-as de calor e eis que essas moléculas impalpáveis e invisíveis se tornarão um corpo sólido e bem sólido, e, assim, muitas outras substâncias de que os químicos tirarão maravilhas ainda mais espantosas. Simplesmente, o Espírito dispõe de instrumentos mais perfeitos do que os vossos: a vontade e a permissão de Deus.”

NOTA. A questão da saciedade é aqui muito importante. Como pode produzir a saciedade uma substância cuja existência e propriedades são meramente temporárias e, de certo modo, convencionais? O que se dá é que essa substância, pelo seu contacto com o estômago, produz a sensação da saciedade, mas não a saciedade que resulta da plenitude. Desde que uma substância dessa natureza pode atuar sobre a economia e modificar um estado mórbido, também pode, perfeitamente. atuar sobre o estômago e produzir a’ a impressão da saciedade. Rogamos, todavia, aos senhores farmacêuticos e inventores de reconstituintes que não se encham de zelos, nem creiam que os Espíritos lhes venham fazer concorrência. Esses casos são raros, excepcionais e nunca dependem da vontade. Doutro modo, toda a gente se alimentaria e curaria a preço baratíssimo.

14ª – Os objetos que, pela vontade do Espírito, se tornam tangíveis, poderiam permanecer com esse caráter e tornarem-se de uso?

“Isso poderia dar-se, mas não se faz. Está fora das leis.”

15ª – Têm todos os Espíritos, no mesmo grau, o poder de produzir objetos tangíveis?

“É fora de dúvida que quanto mais elevado é o Espírito, tanto mais facilmente o consegue. Porém, ainda aqui, tudo depende das circunstâncias. Desse poder também podem dispor os Espíritos inferiores.”

16ª – O Espírito tem sempre o conhecimento exato do modo por que compõe suas vestes, ou os objetos cuja aparência ele faz visível?

“Não; muitas vezes concorre para a formação de todas essas coisas, praticando um ato instintivo, que ele próprio não compreende, se já não estiver bastante esclarecido para isso.”

17ª – Uma vez que o Espírito pode extrair do elemento universal os materiais que lhe são necessários à produção de todas essas coisas e dar-lhes uma realidade temporária, com as propriedades que lhes são peculiares, também poderá tirar dali o que for preciso para escrever, possibilidade que nos daria a explicação do fenômeno da escrita direta?

“Até que, afinal, chegaste ao ponto.”

NOTA. Era, com efeito, aí que queríamos chegar com todas as nossas questões preliminares. A resposta prova que o Espírito lera o nosso pensamento.

18ª – Pois que a matéria de que se serve o Espírito carece de persistência, como é que não desaparecem os traços da escrita direta?

“Não faças jogo de palavras. Primeiramente, não empreguei o termo – nunca. Tratava-se de um objeto material volumoso, ao passo que aqui se trata de sinais que, por ser útil conservá-los, são conservados. O que quis dizer foi que os objetos assim compostos pelos Espíritos não poderiam tornar-se objetos de uso comum por não haver neles, realmente, agregação de matéria, como nos vossos corpos sólidos.”

Modificação das propriedades da matéria

129. A teoria acima se pode resumir desta maneira: o Espírito atua sobre a matéria; da matéria cósmica universal tira os elementos de que necessite para formar, a seu bel-prazer, objetos que tenham a aparência dos diversos corpos existentes na Terra. Pode igualmente, pela ação da sua vontade, operar na matéria elementar uma transformação íntima, que lhe confira determinadas propriedades. Esta faculdade é inerente à natureza do Espírito, que muitas vezes a exerce de modo instintivo, quando necessário, sem disso se aperceber. Os objetos que o Espírito forma, têm existência temporária, subordinada à sua vontade, ou a uma necessidade que ele experimenta. Pode fazê-los e desfazê-los livremente. Em certos casos, esses objetos, aos olhos de pessoas vivas, podem apresentar todas as aparências da realidade, isto é, tornarem-se momentaneamente visíveis e até mesmo tangíveis. Há formação; porém, não criação, atento que do nada o Espírito nada pode tirar.

130. A existência de uma matéria elementar única está hoje quase geralmente admitida pela Ciência, e os Espíritos, como se acaba de ver, a confirmam. Todos os corpos da Natureza nascem dessa matéria que, pelas transformações por que passa, também produz as diversas propriedades desses mesmos corpos. Daí vem que uma substância salutar pode, por efeito de simples modificação, tornar-se venenosa, fato de que a Química nos oferece numerosos exemplos. Toda gente sabe que, combinadas em certas proporções, duas substâncias inocentes podem dar origem a uma que seja deletéria. Uma parte de oxigênio e duas de hidrogênio, ambos inofensivos, formam a água. Juntai um átomo de oxigênio e tereis um liquido corrosivo. Sem mudança nenhuma das proporções, às vezes, a simples alteração no modo de agregação molecular basta para mudar as propriedades. Assim é que um corpo opaco pode tornar-se transparente e vice-versa. Pois que ao Espírito é possível tão grande ação sobre a matéria elementar, concebe-se que lhe seja dado não só formar substâncias, mas também modificar-lhes as propriedades, fazendo para isto a sua vontade o efeito de reativo.

Ação magnética curadora

131. Esta teoria nos fornece a solução de um fato bem conhecido em magnetismo, mas inexplicado até hoje: o da mudança das propriedades da água, por obra da vontade. O Espírito atuante é o do magnetizador, quase sempre assistido por outro Espírito. Ele opera uma transmutação por meio do fluido magnético que, como atrás dissemos, e a substância que mais se aproxima da matéria cósmica, ou elemento universal. Ora, desde que ele pode operar uma modificação nas propriedades da água, pode também produzir um fenômeno análogo com os fluidos do organismo, donde o efeito curativo da ação magnética, convenientemente dirigida.

Sabe-se que papel capital desempenha a vontade em todos os fenômenos do magnetismo. Porém, como se há de explicar a ação material de tão sutil agente? A vontade não é um ser, uma substância qualquer; não é, sequer, uma propriedade da matéria mais etérea que exista. A vontade é atributo essencial do Espírito, isto é, do ser pensante. Com o auxílio dessa alavanca, ele atua sobre a matéria elementar e, por uma ação consecutiva, reage sobre seus compostos, cujas propriedades íntimas vêm assim a ficar transformadas.

Tanto quanto do Espírito errante, a vontade é igualmente atributo do Espírito encarnado; daí o poder do magnetizador, poder que se sabe estar na razão direta da força de vontade. Podendo o Espírito encarnado atuar sobre a matéria elementar, pode do mesmo modo mudar-lhe as propriedades, dentro de certos limites. Assim se explica a faculdade de cura pelo contacto e pela imposição das mãos, faculdade que algumas pessoas possuem em grau mais ou menos elevado. (Veja-se, no capítulo dos Médiuns, o parágrafo referente aos Médiuns curadores. Veja-se também a Revue Spirite, de julho de 1859, págs. 184 e 189: O zuavo de Magenta; Um oficial do exército da Itália.)

[*] Allan Kardec. O Livro dos Médiuns. Cap. VIII, Do Laboratório do Mundo Invisível.

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A Família de Jesus

A Família de Jesus

Chegaram então seus irmãos e sua mãe; e, estando de fora, mandaram-no chamar. E a multidão estava assentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos te procuram, e estão lá fora. E ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos? E, olhando em redor para os que estavam assentados junto dele disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Porquanto qualquer que fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe. (MARCOS, 3: 31-35).

Sobre a família terrena de Jesus, os Evangelhos trazem as seguintes informações: primeiro, a família de Jesus descendia de Davi (MARCOS, 12: 35-37), Maria, sua mãe (MATEUS, 1: 1-16) e José, seu pai (LUCAS, 3: 23-38), eram descendentes de Davi e as profecias anunciavam que um filho de Davi se sentaria no trono eternamente (ISAIAS, 9: 5); segundo, sobre o parentesco com João Batista, Jesus era deste primo – provavelmente primo de “segundo grau” – (LUCAS, 1: 36); e, terceiro, Jesus, o primogênito de José e Maria, teve seis irmãos, sendo eles Tiago, José, Judas, Simão e mais duas irmãs (MARCOS, 6: 3) – referências sobre os irmãos de Jesus podem ainda ser encontrados nos seguintes textos: MATEUS, 13: 55; JOÃO, 7: 1-9 e 10-13; ATOS, 1: 14; e, I CORÍNTIOS, 15: 7.

Os Evangelhos também trazem informações sobre quem eram os amigos de Jesus: os seus discípulos (MARCOS, 3: 13-19), Simão, Lázaro, Maria e Marta (JOÃO, 12: 1-3).

Compreendida a composição da família terrena de Jesus, a qual família se referia o Mestre nos versículos selecionados no preâmbulo deste capítulo (MARCOS, 3: 31-35), à terrena ou à espiritual?

O contexto desta passagem evangélica dá conta de que Jesus falava à multidão, quando sua mãe e seus irmãos chegam ao local da pregação, e ainda do lado de fora, fazem-se anunciar a Jesus – “Chegaram então seus irmãos e sua mãe; e, estando de fora, mandaram-no chamar. E a multidão estava assentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos te procuram, e estão lá fora”.

Jesus então respondeu àquele que lhe falava e anunciava a chegada de sua família: “Quem é minha mãe e meus irmãos?”.

Obviamente que Jesus não desdenhava de sua família, ao contrário, mais uma vez aproveitava a oportunidade para nos legar outro inolvidável ensinamento.

A esta pergunta de Jesus, Carlos Torres Pastorino (PASTORINO, Carlos Torres. Sabedoria do Evangelho, A Família de Jesus), nos esclarece afirmando que “A pergunta, aparentemente desrespeitosa para com Sua mãe, vem demonstrar que Jesus, em sua missão, não está preso pelos laços sanguíneos, tão frágeis que só vigoram numa dada encarnação. A família espiritual é muito mais sólida, pois os vínculos são espirituais (sintônicos) e não materiais (sangue e células perecíveis). Jesus não pode subordinar-se as exigências do parentesco terreno, mesmo em se tratando de Sua mãe. Com o olhar benévolo sobre os que O rodeavam, Jesus lança Sua doutrina nítida: o ideal é superior aos laços de sangue; a família espiritual é mais importante que a natural e sobreleva a ela. Nem se diga que há mais obrigação de cuidar dos “próximos” consanguíneos, mais do que dos estranhos, já que aqueles constituem uma “obrigação” (e por isso os romanos os designavam com a palavra “necessários”), e os outros “apenas” amizade. Não vale isso: pois se os parentes consanguíneos realmente amam o idealista e querem sua presença e assistência constante, por que também não se tornam seus discípulos espirituais e o acompanham por toda parte como os demais adeptos?”

Corroborando tal entendimento, os textos evangélicos confirmam que Jesus referia-se sim, à família espiritual.

Vejamos. “E estendendo a mão para seus discípulos, disse: Eis minha mãe e meus irmãos; porque aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe!’” (MATEUS, 12: 49-50); e, “Ele perguntou-lhes dizendo: ‘quem é minha mãe ou meus irmãos?’ E olhando em torno para os que estavam sentados em roda, disse: ‘eis minha mãe e meus irmãos’; pois quem fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe” (MARCOS, 34-35); e, “Ele, porém, respondendo, disse-lhes: ‘minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a praticam’’ (LUCAS, 8: 21).

A lição do Mestre é hoje e será sempre muito valiosa, pois nos ensina que o laço consanguíneo, por mais forte que seja não será óbice ao desenvolvimento do espírito. O parentesco espiritual de fraternidade é e será sempre muito mais forte, afinal somos todos filhos do mesmo pai e, nesse sentido, Jesus é categórico: “a ninguém na Terra chameis vosso Pai, porque só um sois vosso Pai: aquele que está nos céus” (MATEUS, 23-9).

Outrossim, ainda sobre a parentela corporal e a parentela espiritual, os espíritos superiores, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 14, nos trazem, e de forma clara e objetiva, a real distinção entre uma e outra. Vejamos.

“Os laços do sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porquanto o Espírito já existia antes da formação do corpo. Não é o pai quem cria o Espírito de seu filho; ele mais não faz do que lhe fornecer o invólucro corpóreo, cumprindo-lhe, no entanto, auxiliar o desenvolvimento intelectual e moral do filho, para fazê-lo progredir.

“Os que encarnam numa família, sobretudo como parentes próximos, são, as mais das vezes, Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações, que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena. Mas, também pode acontecer sejam completamente estranhos uns aos outros esses Espíritos, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por um mútuo antagonismo, que aí lhes serve de provação. Não são os da consanguinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de ideias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações. Segue-se que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito, do que se o fossem pelo sangue. Podem então atrair-se, buscar-se, sentir prazer quando juntos, ao passo que dois irmãos consanguíneos podem repelir-se, conforme se observa todos os dias: problema moral que só o Espiritismo podia resolver pela pluralidade das existências. (cap. 4, item 13.).

“Há, pois, duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. Duráveis, as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos, através das várias migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e muitas vezes se dissolvem moralmente, já na existência atual. Foi o que Jesus quis tornar compreensível, dizendo de seus discípulos: Aqui estão minha mãe e meus irmãos, isto é, minha família pelos laços do Espírito, pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

“A hostilidade que lhe moviam seus irmãos se acha claramente expressa em a narração de São Marcos, que diz terem eles o propósito de se apoderarem do Mestre, sob o pretexto de que este perdera o espírito. Informado da chegada deles, conhecendo os sentimentos que nutriam a seu respeito, era natural que Jesus dissesse, referindo-se a seus discípulos, do ponto de vista espiritual: ‘Eis aqui meus verdadeiros irmãos’. Embora na companhia daqueles estivesse sua mãe, ele generaliza o ensino que de maneira alguma implica haja pretendido declarar que sua mãe segundo o corpo nada lhe era como Espírito, que só indiferença lhe merecia. Provou suficientemente o contrário em várias outras circunstâncias.

Por derradeiro, convém recuperar a lição de Carlos Torres Pastorino (obra citada): “A cena evangélica, neste passo, mostra-nos como a individualidade deve tratar seus veículos. Muitas vezes o Espírito se retira ou trabalha, na meditação ou no estudo; e os veículos físicos vêm chamá-lo, porque o acham “fora de si”, desequilibrado. Mas o Espírito, de acordo com a lição de Jesus, precisa colocá-los em seu devido lugar. Eles têm que ser veículos que façam a vontade do Pai (Centelha Divina) e conduzam à espiritualização. Se quiserem atrapalhar, conclamando o Espírito para satisfação dos apelos do físico, das sensações do etérico, das emoções desequilibradas do astral e dos prazeres puramente intelectuais, não devem ser atendidos, mas rejeitados, quanto o Espírito busca seus pares, os que estão na mesma faixa vibratória”.

Segue Pastorino: “As exigências fisiológicas tendem sempre a afastar o Espírito de sua ascensão evolutiva, e por isso a personalidade é, realmente, um ‘satanás’ ou ‘diabo’, que tenta desviar todos os impulsos que levam ao Sistema, ao polo positivo – que é árduo de conquistar – para arrastá-lo para o polo negativo, onde tudo é mais fácil, agradável e satisfatório. Mas o Espírito prevenido pelo ensino do Mestre recusa ouvir-lhe essas exigências, e lhe responde autoritariamente que, se quiserem algo dele, o acompanhem na sua evolução, como servos dóceis e eficientes”.

A Família de Jesus, por José Márcio de Almeida; do livro Semeando o Evangelho, p. 63-71.

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As Pedras Falarão

AS PEDRAS FALARÃO [*]

Os seguidores do Cristo, que buscam compreender Seus ditos, nem sempre conseguem entender, de pronto, a ideia que se oculta por trás das letras.

Um exemplo disso é quando Jesus fala aos fariseus que, se os Seus discípulos se calassem, as pedras falariam.

Ora, como entender que as pedras pudessem falar, sendo objetos inanimados?

É imperioso extrair o espírito da letra para que possamos compreender tal assertiva.

Considerando-se que, naquele tempo, os mortos eram sepultados em buracos cavados nas rochas e, entendendo que Jesus se referiu às pedras como túmulos, fica mais fácil o entendimento.

Mas se as pedras não podem falar, tampouco os túmulos falariam.

Se ponderarmos que Jesus se referia aos mortos, então penetraremos o verdadeiro sentido das Suas palavras.

Se os discípulos se calassem, os Espíritos falariam. Como de fato falaram e falam até hoje.

Em todos os tempos e nas mais variadas religiões, a História registrou a manifestação dos Espíritos a se comunicarem com os homens.

Eles têm buscado mostrar-se de muitas maneiras. Desde uma simples aparição até às interferências mais ostensivas.

Tais comunicações são sempre interpretadas segundo a crença a que pertença aquele que as percebe. Mas seja como for, sempre há uma manifestação de além-túmulo.

São os Espíritos dos homens que já morreram, que voltam a se comunicar com os ditos vivos.

Não é outro o motivo pelo qual há, hoje, espalhados pelo Mundo, muitos santuários construídos onde alguém, algum dia, viu uma dessas aparições.

Algumas pessoas acreditam que somente os santos ou o Espírito Santo pode se manifestar, mas não são poucos os casos de aparições menos agradáveis. É que, tanto os bons quanto os Espíritos infelizes se comunicam, de alguma forma, conosco.

No caso desses últimos, não se constroem santuários onde eles foram vistos. Diz-se que são lugares assombrados.

A realidade é que os ditos mortos se comunicam conosco. Seja para orientar, para perturbar ou para buscar socorro.

Hitler os ouvia a tal ponto, que passava noites sem dormir por causa das vozes perturbadoras.

Francisco de Assis ouviu uma voz que lhe falou da missão que lhe competia.

Joana d´Arc ouvia as vozes do Além, a orientá-la nas decisões que deveria tomar.

Sócrates, o grande filósofo grego, ouvia vozes inaudíveis aos demais, que o acompanhavam sempre.

Tanto o Antigo como o Novo Testamento estão repletos de manifestações de Espíritos, que se comunicaram em diversas ocasiões. São os chamados anjos que foram registrados em vários momentos da Bíblia.

Se verificarmos a História da Humanidade, constataremos que em todos os tempos foram registradas as comunicações de além-túmulo.

E, nos dias de hoje, não poderia ser diferente. As pedras ou os ditos mortos, continuam a falar conforme a afirmativa do Cristo aos fariseus.

Você sabia?

…que, se elevamos o pensamento ao santo de nossa devoção estamos buscando a comunicação com almas do além-túmulo?

É que os santos são homens e mulheres que viveram na Terra e, de alguma forma, ajudaram as pessoas que hoje os buscam em oração.

E você sabia que se estiver ao seu alcance, os santos ou Espíritos Superiores, sempre buscam atender as preces que lhes são dirigidas?

[*] Fonte: Redação do Momento Espírita com base no cap. 19, versículo 40 de O evangelho segundo Lucas.

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Espíritos maus visitam os nossos lares e atrapalham as relações afetivas familiares? Temos médiuns em casa, receptivos a essas entidades? Quem são elas, afinal, e porque nos perseguem? Que podemos fazer para nos proteger de tais investidas? Assista a entrevista concedida pelo médium Jairo Avellar ao site EspiritismoBH e conheça mais o assunto. (Entrevista realizada em 03/02/2012).

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ENTREVISTA COM CLÁUDIO FAJARDO: O ESTUDO DO EVANGELHO PELO ESPÍRITA [*]

01. No capítulo XVII do Evangelho de S. Mateus, está evidente a reencarnação, porque as pessoas não espíritas não concordam?

Resposta: Todos nós, no decorrer de nosso processo evolutivo, criamos pontos de vistas e temos enorme dificuldade de aceitar algo novo, principalmente se nossos interesses mais imediatos são atingidos; mesmo que as coisas se tornem claras insistimos na rebeldia de não enxergar o que é natural. Foi referindo-se a estes, que Jesus disse: “eles vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem, nem compreendem.” (Mateus, 13: 13)

02. O espírita deve seguir apenas a decodificação do Evangelho trazida no Evangelho Segundo o Espiritismo, ou deve procurar ampliar o trabalho começado por Kardec?

Resposta: A Doutrina Espírita é uma doutrina evolucionista, o próprio Kardec deixou claro que a Codificação era o princípio e não o fim. Desta forma, entendo, que não só no que diz respeito ao Evangelho, mas em todos os seus aspectos, devemos ampliar o trabalho do ilustre codificador.

03. Qual a melhor forma para estudar o Evangelho Segundo o Espiritismo?

Resposta: O Espiritismo por ser a chave que nos permite compreender com mais clareza a mensagem deixada pelo Meigo Rabi da Galiléia, deve ser sempre levado em conta no estudo da Boa Nova. Assim, é preciso aplicar seus princípios a nortear-nos no entendimento do texto evangélico. Outra questão importante é realizar esse estudo em grupo para que várias ideias possam ser levadas em conta na interpretação dos textos, pois não podemos fechar questão num único modo de compreender determinada passagem, pois o entendimento se amplia à medida que evoluímos e um grupo de pessoas voltadas para um interesse comum no bem, tem sempre mais a contribuir para um melhor andamento do estudo. No livro Renúncia, do Espírito Emmanuel psicografado por Francisco Cândido Xavier, nas páginas 331 a 333 temos ótima referência de como realizar o estudo do Evangelho à luz da Doutrina Espírita. Ainda podemos sugerir o Livro “Luz Imperecível” editado pela União Espírita Mineira, e um estudo de nossa autoria disponibilizado para download no site do CEPAK, sobre como estudar o Evangelho:

http://br.groups.yahoo.com/group/CEPAK/files/Novo%20Testamento/Evangelho.zip

04. Existem numerosos livros e metodologias de estudo do Evangelho na atualidade. Em sua opinião, quais são mais enriquecedores: aqueles que exploram mais minuciosamente os textos evangélicos ou os que partem da interpretação Kardequiana, expressa na Codificação?

Resposta: As duas formas se completam, como dissemos anteriormente é preciso levarmos em conta os princípios espíritas na interpretação evangélica, e do mesmo modo interpretarmos minuciosamente os versículos, pois como nos diz Alcíone na obra de Emmanuel citada:

“Chegamos à conclusão de que o Evangelho, em sua expressão total, é um vasto caminho ascensional, cujo fim não poderemos atingir, legitimamente, sem conhecimento e aplicação de todos detalhes. Muitos estudiosos presumem haver alcançado o termo da lição do Mestre, com uma simples leitura vagamente raciocinada. Isso contudo, é erro grave. A mensagem do Cristo precisa ser conhecida, meditada, sentida e vivida. Nesta ordem de aquisições, não basta estar informado. Um preceptor do mundo nos ensinará a ler; o Mestre, porém, nos ensina a proceder, tornando-se-nos, portanto, indispensável a cada passo da existência. Eis por que, excetuados os versículos de saudação apostólica, qualquer dos demais conterá ensinamentos grandiosos e imorredouros, que impende conhecer e empregar, a benefício próprio.” (Renúncia, pág. 333)

05. Por que a obra de Kardec é chamada Evangelho “Segundo o Espiritismo”?

Resposta: Na questão 625 de O Livro dos Espíritos, os Espíritos nos afirmam ser Jesus, o Guia e o Modelo mais perfeito para que a humanidade se espelhasse na condução de seu processo evolucional. Na conclusão do mesmo livro, dizem ser a moral espírita e a moral cristã, a mesma. Assim, era preciso estudar o Evangelho, mas não da mesma forma em que ele até então vinha sendo estudado, era necessário dar um novo entendimento ao mesmo usando os avanços da ciência espiritual. Por isso, Evangelho “segundo o Espiritismo”, ou seja, Evangelho segundo a ótica espírita.

06. Se Herodes morreu no ano 4 a.c, isso significa que Jesus nasceu entre o ano 4 e o ano 7 a.c, e morreu entre o ano 26 e 30. Como se explica que no livro Há Dois Mil Anos, Publio Lentulus coloque a data da morte de Jesus no ano 33 (o convencional)? Se ele viveu na época de Jesus, narrando os acontecimentos, jamais poderia errar a data da morte de Jesus.

Resposta: Eu confesso que não sei responder essa questão com a precisão necessária, porém tenho algumas opiniões, opiniões essas que é bom que fique claro, são pessoais. Segundo entendemos, Emmanuel tem uma missão muito grande de evangelizador no Brasil. Conforme palavras do próprio Chico Xavier em entrevista à Folha Espírita, ele foi um dos Espíritos colaboradores na época da Codificação. Sendo assim, Emmanuel não é um Espírito qualquer, e sim alguém não só bem informado, como de boa evolução espiritual. Portanto, Emmanuel sabe quando foi que Jesus desencarnou. Então por que diz ele algo contrário à tendência dos estudos científicos atuais? Como já disse, não sei, porém pensemos:

Pode ter havido erro por parte do médium. Segundo os próprios Espíritos, em matéria de mediunidade, quando o médium é excelente, ele retrata numa proporção de 50% o que o Espírito quer dizer, os outros 50% é por conta do médium. O livro “Há Dois Mil Anos” foi um dos primeiros dos Chico, ele ainda tinha muito a amadurecer. Outra coisa que precisa ser levado em conta, é que nem a Ciência nem os historiadores têm conclusão fechada sobre a morte de Jesus. Dizem alguns que não há nem mesmo prova que ele tenha morrido na cruz. Dizem estes que o corpo não foi encontrado, e se não há corpo, como comprovar a morte? Ou seja, nem eles mesmos se entendem, desta forma, os Espíritos podem estar aguardando, para no momento oportuno revelarem as coisas como realmente aconteceram. Muita coisa poderia ainda ser dita sobre o assunto, mas talvez sem tanta importância. Por isso preferimos priorizar o aspecto moral do Evangelho.

O próprio Emmanuel afirma no prefácio do Livro Paulo e Estevão:

“Desde já, vejo os críticos consultando textos e combinando versículos para trazerem à tona os erros do nosso tentame singelo. Aos bem intencionados agradecemos sinceramente, por conhecer a nossa expressão de criatura falível, declarando que este livro modesto foi grafado por um Espírito para que os que vivam em espírito; e ao pedantismo dogmático, ou literário, de todos os tempos, recorremos ao próprio Evangelho para repetir que, se a letra mata, o espírito vivifica.”

07. Será que eu como simpatizante e participante das palestras de um centro espírita posso estudar o evangelho em casa, sozinha? Se posso, qual o procedimento correto a ser tomado?

Resposta: Pode sim, apesar de que, o estudo em grupo é sempre mais aconselhável. Não existe um procedimento único, correto ou incorreto. É preciso alguns quesitos, porém nada radical, como por exemplo: um estudo constante dos princípios espíritas, uma mente aberta para aceitar o novo, uma boa disposição para o autoconhecimento e para o estudo de obras ligadas ao Evangelho, entre outros.

08. O estudo pelo espírita do evangelho, deve-se apenas proceder através do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”,ou tem algum livro de apoio que servirá de complemento didático para maior fixação do assunto estudado, como no caso de perguntas e respostas de O Livro dos Espíritos?

Resposta: O Evangelho Segundo o Espiritismo é um livro imprescindível no estudo do Evangelho de Jesus, entretanto existem outros também importantes, como a série de Emmanuel sobre o Evangelho, Estudando o Evangelho de Martins Peralva, Jesus Terapeuta editado pela AME de Belo Horizonte, o já citado Luz Imperecível, alguns livros do Djalma Mota Argolo, Vinícius, entre outros; inclusive os 6 Volumes Sabedoria do Evangelho do Pastorino, que infelizmente já se acham entre os livros raros e não mais editados.

09. Como deve ser feito o estudo do Evangelho em grupo?

Resposta: Creio já ter respondido essa pergunta, quando da resposta da questão n° 3.

10. Pode acontecer de haver alguma manifestação espiritual, uma vez que um grupo se reúna apenas para se fazerem estudos através do Evangelho? E já se sabendo de antemão que dentre os participantes desse grupo se encontrem médiuns já desenvolvidos? Uma vez que isso venha a acontecer, e que o médium sinta a presença de um espírito, deve ele deixar que esse se manifeste?

Resposta: Pode acontecer sim, todavia não acho aconselhável. Deve-se deixar manifestações mediúnicas para reuniões específicas dentro da Casa Espírita. A reunião de estudos deve ser só para estudo, apesar de servir de apoio para as próprias reuniões mediúnicas.

11. Por que o Velho Testamento não é abordado no Evangelho Segundo o Espiritismo?

Resposta: Por não ser essa a proposta dos Espíritos codificadores para aquela obra, apesar de nele (ESE), existirem algumas citações do Velho Testamento. Kardec ainda cita o Velho Testamento no Livro dos Espíritos, e faz um estudo mais amplo no livro A Gênese.

12. Acho difícil o Velho Testamento. Por isso me dedico a leitura do novo, onde os ensinamentos de Jesus são melhor absorvidos. Isto está correto?

Resposta: Não é que esteja correto ou incorreto, pode ser um caminho. No Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec fala nas 3 revelações, sendo que a 1a está contida no Velho Testamento. Desta forma é importante estudá-lo; ele é útil até mesmo para compreensão de algumas passagens do Novo Testamento, porém, como você mesmo disse, sua compreensão não é simples, assim podemos num primeiro momento estudar mais o Novo Testamento, e quando estivermos mais preparados, estudarmos o Velho. Há muitos espíritas que têm excelente interpretação dos textos do Velho Testamento, podendo deste modo, nos auxiliarem.

13. Por que Jesus disse a Maria Madalena: “Não me toques, porque ainda não subi ao Pai”? E ainda: Se Maria Madalena o tivesse tocado, o que poderia ter acontecido? Como o espírita deve entender essa passagem?

Resposta: Se me permite, para comentar esse versículo prefiro citar o texto conforme a tradução de Almeida: “Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.” (João, 20: 17).

Pensemos na cena como ela aconteceu segundo a narrativa dos evangelistas.

Jesus, a quem Maria amava, tinha sido sacrificado. Eles, os discípulos, estavam profundamente tristes com a perda daquele que eles consideravam como uma referência, aquele com quem há três anos ladeavam numa ampla relação de amizade. É de se compreender, deste modo, a tristeza que reinava entre eles. Quem já viu um ser amado partir para o além, sabe como é esse momento.

Neste clima Maria foi visitar o túmulo do Senhor, e não vendo o corpo no sepulcro chora, pois pensava que tinham roubado o corpo do Rabi. Após uma conversa com dois espíritos, ela viu Jesus e se certificou que ele não havia morrido, apenas mudado de plano, pois a morte não existe. Imagine o que ela sentiu nesse momento. Ela que já estava sensibilizada deve ter transbordado de emoção. Segundo a narrativa de Mateus (Mt, 28:9), as mulheres que visitaram o túmulo abraçaram os pés do Senhor. É aí que ele diz: “Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai.”

Jesus queria dizer que ele já havia cumprido sua excelente missão de educador, cabia a ela, agora, continuar seu processo autoeducativo, ele,a partir daquele momento, realizaria sua missão de um outro modo, não mais da mesma forma que vinha desempenhando no corpo físico.Fica para nós a lição de que não devemos nos vincular às pessoas a ponto de prejudicá-las quando do seu desencarne, retendo-as emocionalmente a nós que aqui ficamos. A separação às vezes é necessária e cada um terá que cumprir sua nova missão, não podendo um prejudicar o outro no andamento natural da vida. Se a vinculação é o meio, a desvinculação é o fim.

14. Nas casas espíritas ouço muito falar sobre “Ensinamento da Doutrina e do Evangelho para as Crianças” mas nunca vi um programa aberto a todos direcionado ao Adulto. No Centro que frequento só pode passar por orientação se achar que necessita, temos as palestra do dia e depois tomamos o passe. Mas sinto falta de ESTUDAR o Evangelho, “A BÍBLIA”, a palavra de DEUS e debatê-las.

Resposta: Você tem razão, Centro Espírita é local de trabalho e de estudo, é preciso que os dirigentes das Casas Espíritas se apercebam disto. Além das importantes palestras, dos passes, e da distribuição de água fluídica, é preciso que se crie nas CEs grupos onde possa ser estudado com mais profundidade os temas doutrinários e evangélicos. Há casas que já os possuem, porém é imperioso que se criem grupos de estudos para que seja estudado o Evangelho de Jesus, pois é nele que temos os fundamentos para nossa reeducação; e o principal objetivo da Doutrina Espírita segundo Kardec e os Espíritos envolvidos na Codificação é a melhoria moral do ser humano.

15. Se o espiritismo não se baseia nos Evangelhos e é aberto a todos as religiões, porque um livro da codificação dedicado somente ao Cristianismo.

Resposta: Os Espíritos Codificadores entendem ser a moral cristã a mais elevada entre todas. Dizem eles ser a mesma, a moral espírita e a moral cristã. Jesus quando nos falou do Consolador disse que ele, o Consolador, nos faria lembrar de tudo que ele estava ensinando. Desta forma, é grande a ligação entre cristianismo e espiritismo. O Espiritismo é uma filosofia cristã, por isso um livro dedicado ao Evangelho. O que é preciso que não se confunda, é o que é cristianismo conforme os ensinamentos de Jesus, e o que os homens fizeram dele. É aí que está a diferença. A missão do Espiritismo é reviver na essência os ensinamentos de Jesus.

16. O estudo da parte histórica dos evangelhos é importante para o espírita?

Resposta: Importante sim, digo mesmo, importantíssimo; porém, não prioritário. Estou com Kardec quando diz que o essencial é o aspecto moral do Evangelho. Devemos no estudo dos textos da Boa Nova buscar sempre o componente reeducacional contido nos mesmos. No entanto, por experiência própria, digo que o estudo da parte histórica, dos costumes, e da geografia do Evangelho ajudam e muito no objetivo maior de melhorar-nos a todo instante.

[*] Fonte: http://casadeemmanuel.org.br/entrevista_claudio_fajardo.html. Cláudio Fajardo é autor dos livros O Sermão do Monte, Jesus Terapeuta I, Jesus Terapeuta II, O Sermão Profético e o Sermão do Cenáculo, todos publicados pela Itapuã Editora.

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Ante a Injustiça

ANTE A INJUSTIÇA [*]

O missionário do bem se mostrava muito triste. Há dias, não conciliava o sono.

Tendo se dedicado ao próximo, de forma integral, recebia as pedradas de uma grande injustiça.

E sofria. Doía-lhe a cabeça. A alma sangrava.

Rogando o socorro dos benfeitores da vida, seu Guia Espiritual lhe apareceu e, ouvindo-lhe a mágoa, recordou-lhe que o mal não deve ser valorizado.

Tu é quem estás dando valor à injustiça. Se dás valor à mentira, deves sofrer o efeito da mentira.

Se tu sabes que não é verdade, por que estás sofrendo?

E para o confortar, lhe narrou a seguinte parábola:

Havia uma fonte pequena e insignificante, perdida num bosque. Um dia, um viajante passou por ali, atirou um balde, retirou água e acabou com a sede.

A fonte ficou feliz e disse para si mesma:

“Como eu gostaria de poder dessedentar os viandantes, já que sou uma água preciosa.”

E Deus permitiu que ela viesse à tona, de forma que as aves e os animais pudessem dela se servir.

“Que bom é ser útil. Gostaria de ir além, umedecer as raízes das árvores. Correr a céu aberto.” – pensou a fonte.

Veio a chuva, ela transbordou e se transformou num córrego.

Feliz, desejou chegar ao mar, porque o destino dos córregos e dos rios é atingir o mar.

E o riacho se tornou um rio. O rio avolumou as águas. Mas, numa curva do caminho, havia um toro de madeira, impedindo-lhe a passagem.

O rio tentou passar por baixo, contornar. Sem êxito. Então o rio cresceu e transpôs o obstáculo com firmeza.

No seu percurso, foi levando seixos, pedras, pequenos empecilhos que encontrou.

Quando algo imovível se apresentava à frente, ele crescia e o transpunha, até alcançar o mar.

E concluiu o benfeitor espiritual:

Todos nós somos fontes de Deus. Um dia, alguém se acercou de ti e pediu para beber da água que tinhas.

A felicidade te encheu a alma e pediste a Deus para servir mais. Então, transbordaste de amor e cresceste.

A alegria cantava hinos aos teus ouvidos. Agora, quando uma dificuldade se apresenta, tu choras?

Faze como o rio. Transpõe as pedras das dificuldades. Não fiques a te lamentar.

Tua fatalidade é o mar, o grande oceano da misericórdia Divina.

* * *

Pode ser que, em tua vida, estejas a passar por algo semelhante.

Aproveita a lição. Não permitas que os maus te entravem a trilha por onde segues.

Confiante, ora e suplanta as dificuldades.

Injustiças te perseguem? Não faças caso, não as valorizes, porque somente a verdade é imperecível.

Os homens que cometem as injustiças, logo mais não estarão mais na Terra.

Como tu mesmo. Preocupa-te somente em oferecer as águas do teu amor a quem necessita.

Não permitas que a inveja e a maldade empanem o brilho das tuas conquistas.

O que importa é a tua semeadura nobre, digna, de cada dia, para que, ao final da jornada, possas olhar para trás e ver somente o rastro de bênçãos que deixaste em tua caminhada.

Fonte: Redação do Momento Espírita com base no cap. A parábola, do livro A veneranda Joanna de Ângelis, de Celeste Santos e Divaldo Pereira Franco, Editora Leal.

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