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Archive for junho \01\UTC 2013

PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS [*]

4 – Onde podemos encontrar a prova da existência de Deus?

– Num axioma que aplicais às vossas ciências: não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem, e a vossa razão vos responderá.

Para acreditar em Deus, basta ao homem lançar os olhos sobre as obras da criação. O universo existe, portanto ele tem uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que todo efeito tem uma causa e admitir que o nada pode fazer alguma coisa.

5 – Que conclusão podemos tirar do sentimento intuitivo que todos os homens trazem em si mesmos da existência de Deus?

– A de que Deus existe; de onde lhes viria esse sentimento se repousasse sobre o nada? É ainda uma consequência do princípio de que não há efeito sem causa.

6 – O sentimento íntimo que temos em nós da existência de Deus não seria o efeito da educação e das ideias adquiridas?

– Se fosse assim, por que vossos selvagens teriam também esse sentimento?

Se o sentimento da existência de um ser supremo fosse o produto de um ensinamento, não seria universal. Somente existiria naqueles que tivessem recebido esse ensinamento, como acontece com os conhecimentos científicos.

7 – Poderemos encontrar a causa primária da formação das coisas nas propriedades íntimas da matéria?

– Mas, então, qual teria sido a causa dessas propriedades? Sempre é preciso uma causa primária.

Atribuir a formação primária das coisas às propriedades íntimas da matéria seria tomar o efeito pela causa, porque essas propriedades são elas mesmas um efeito que deve ter uma causa.

8 – O que pensar da opinião que atribui a formação primária a uma combinação acidental e imprevista da matéria, ou seja, ao acaso?

– Outro absurdo! Que homem de bom senso pode conceber o acaso como um ser inteligente? E, além de tudo, o que é o acaso? Nada.

A harmonia que regula as atividades do universo revela combinações e objetivos determinados e, por isso mesmo, um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso seria um contrasenso, porque o acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz. Um acaso inteligente não seria mais um acaso.

9 – Onde é que se vê na causa primária a manifestação de uma inteligência suprema e superior a todas as inteligências?

– Tendes um provérbio que diz: “Pela obra reconhece-se o autor.” Pois bem: olhai a obra e procurai o autor. É o orgulho que causa a incredulidade. O homem orgulhoso não admite nada acima dele; é por isso que se julga um espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater!

Julga-se o poder de uma inteligência por suas obras. Como nenhum ser humano pode criar o que a natureza produz, a causa primária é, portanto, uma inteligência superior à humanidade.

Quaisquer que sejam os prodígios realizados pela inteligência humana, essa inteligência tem ela mesma uma causa e, quanto mais grandioso foro que ela realize, maior deve ser a causa primária. É essa inteligência superior que é a causa primária de todas as coisas, qualquer que seja o nome que o homem lhe queira dar.

[*] Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Parte Primeira, Cap. I.

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ATRIBUTOS DA DIVINDADE [*]

10 – O homem pode compreender a natureza íntima de Deus?

– Não, falta-lhe, para isso, um sentido.

11 – Um dia será permitido ao homem compreender o mistério da Divindade?

– Quando seu Espírito não estiver mais obscurecido pela matéria e, pela sua perfeição, estiver mais próximo de Deus, então o verá e o compreenderá.

A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da humanidade, o homem O confunde muitas vezes com a criatura, da qual lhe atribui as imperfeições; mas, à medida que o senso moral nele se desenvolve, seu pensamento compreende melhor o fundo das coisas e ele faz uma ideia de Deus mais justa e mais conforme ao seu entendimento, embora sempre incompleta.

12 – Se não podemos compreender a natureza íntima de Deus, podemos ter ideia de algumas de suas perfeições?

– Sim, de algumas. O homem as compreende melhor à medida que se eleva acima da matéria. Ele as pressente pelo pensamento.

13 – Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, não temos uma ideia completa de seus atributos?

– Do vosso ponto de vista, sim, porque acreditais abranger tudo. Mas ficai sabendo bem que há coisas acima da inteligência do homem mais inteligente e que a vossa linguagem, limitada às vossas ideias e sensações, não tem condições de explicar. A razão vos diz, de fato, que Deus deve ter essas perfeições em grau supremo, porque se tivesse uma só de menos, ou que não fosse de um grau infinito, não seria superior a tudo e, por conseguinte, não seria Deus. Por estar acima de todas as coisas, Ele não pode estar sujeito a qualquer instabilidade e não pode ter nenhuma das imperfeições que a imaginação possa conceber.

Deus é eterno. Se Ele tivesse tido um começo teria saído do nada, ou teria sido criado por um ser anterior. É assim que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e à eternidade.

É imutável; se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o universo não teriam nenhuma estabilidade.

É imaterial, ou seja, sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria; de outro modo não seria imutável, porque estaria sujeito às transformações da matéria.

É único; se houvesse vários deuses, não haveria unidade de desígnios, nem unidade de poder na ordenação do universo.

É todo-poderoso, porque é único. Se não tivesse o soberano poder, haveria alguma coisa mais ou tão poderosa quanto Ele; não teria feito todas as coisas e as que não tivesse feito seriam obras de um outro Deus.

É soberanamente justo e bom. A sabedoria providencial das Leis Divinas se revela nas menores como nas maiores coisas, e essa sabedoria não permite duvidar de sua justiça nem de sua bondade.

[*] Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Parte Primeira, Cap. I.

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CONSIDERAÇÕES E CONCORDÂNCIAS BÍBLICAS 

A RESPEITO DA CRIAÇÃO [*]

59 – Os povos formaram ideias muito divergentes a respeito da Criação, conforme o grau de seus conhecimentos. A razão, apoiada na ciência, reconheceu a impossibilidade e a contradição de algumas teorias. O ensinamento dos Espíritos a esse respeito confirma a opinião desde há muito tempo admitida pelos homens mais esclarecidos.

A objeção que se pode fazer a essa teoria é que está em contradição com o texto dos livros bíblicos, mas um exame sério fará reconhecer que essa contradição é mais aparente do que real e resulta da interpretação dada a certas passagens dos textos que em geral têm um sentido alegórico, figurado.

A questão do primeiro homem, Adão, ter sido a única fonte que originou a humanidade não é o único ponto sobre o qual as crenças religiosas tiveram que se modificar. O movimento da Terra pareceu, em certa época, de tal modo oposto ao texto bíblico que não houve forma de perseguição da qual essa teoria não tenha sido o pretexto e, entretanto, a Terra gira, apesar dos anátemas, e ninguém hoje poderia contestá-lo sem depreciar a sua própria razão e submeter-se ao ridículo.

A Bíblia diz igualmente que o mundo foi criado em seis dias e fixa a época da criação por volta de 4.000 anos antes da Era Cristã. Antes disso, a Terra não existia, ela foi tirada do nada; o texto é formal, é claro.

Mas, eis que a ciência positiva, a ciência inabalável, vem provar o contrário. A formação do globo está gravada em caracteres nítidos e indiscutíveis no mundo fóssil, e está provado que os seis dias da criação representam períodos que podem constituir-se, cada um, de centenas de milhares de anos. Isso não é um sistema, doutrina, ou opinião isolada; é um fato tão constatado quanto o movimento da Terra, que a teologia não pode recusar-se a admitir, prova evidente do erro em que se está sujeito a cair por tomar ao pé da letra as expressões de uma linguagem frequentemente figurada. Devemos por isso concluir que a Bíblia está errada? Não. Mas podemos concluir que os homens, em muitos pontos, se enganaram ao interpretá-la.

A ciência, ao escavar os arquivos da Terra, descobriu a ordem em que os diferentes seres vivos apareceram na sua superfície, e essa ordem está de acordo com a que é indicada na Gênese9, com a diferença de que toda a Criação, em vez de ter saído miraculosamente das mãos de Deus em algumas horas, conforme está escrito no Gênese, se realizou sempre pela Sua vontade, mas de acordo com a lei das forças da natureza, em alguns milhões de anos. Deus é por isso menor e menos poderoso? Sua obra é menos sublime por não ter o prestígio da instantaneidade? Evidente que não. Seria preciso fazer da Divindade uma ideia bem mesquinha para não reconhecer Seu grande poder nas leis eternas que estabeleceu para reger os mundos. A ciência, longe de diminuir a obra divina, mostra-a sob um aspecto mais grandioso e mais em conformidade com as noções que temos do poder e da majestade de Deus, em razão de ter se realizado sem anular as leis da natureza.

A ciência, neste ponto concordante com Moisés, coloca o homem em último lugar na ordem da criação dos seres vivos; mas, enquanto Moisés, no Gênese, põe o dilúvio universal no ano de 1.654 após a Criação, a Geologia nos mostra o grande cataclismo anterior ao aparecimento do homem na Terra. Até hoje não se encontrou nas camadas primitivas do globo nenhum indício nem da presença do homem nem de animais da mesma categoria do ponto de vista físico. Mas nada prova que isso seja impossível. Muitas descobertas já lançaram dúvidas a esse respeito. Pode-se, portanto, de um momento para outro, adquirir a certeza material dessa anterioridade da raça humana, e então se reconhecerá que, sobre esse ponto, como em outros, o texto bíblico é um símbolo, uma representação. A questão é saber se o cataclismo geológico é o mesmo que atingiu Noé. O certo é que a duração necessária à formação das camadas fósseis não permite confundi-los, e a partir do momento que se tiverem encontrado traços da existência do homem antes da grande catástrofe, ficará provado ou que Adão não foi o primeiro homem, ou que sua criação se perde na noite dos tempos. Contra fatos não há argumentos possíveis e será preciso aceitar esses fatos, como se aceitou o do movimento da Terra e os seis períodos da Criação.

A existência do homem antes do dilúvio geológico, na verdade, ainda é hipotética, mas eis aqui um detalhe que revela que não é assim. Ao admitir que o homem tenha aparecido pela primeira vez sobre a Terra 4.000 anos antes de Cristo, e que, 1.650 anos mais tarde, toda a raça humana tenha sido destruída, com exceção de uma única família, resulta que o povoamento da Terra ocorreu somente a partir de Noé, ou seja, 2.350 anos antes de nossa era. Porém, quando os hebreus emigraram para o Egito no décimo oitavo século, encontraram esse país muito povoado e já muito avançado em civilização. A História prova que nessa época também a Índia e outros países estavam igualmente florescentes, sem mesmo se levar em conta a cronologia de alguns outros povos que remonta a uma época ainda bem mais antiga. Teria sido preciso, portanto, que do vigésimo quarto ao décimo oitavo século, ou seja, no espaço de 600 anos, não somente os descendentes de um único homem pudessem povoar todos os imensos países então conhecidos, supondo que os outros não o fossem, mas também que, nesse curto espaço de tempo, a espécie humana pudesse se elevar da ignorância absoluta do estado primitivo ao mais alto grau do desenvolvimento intelectual, o que é contrário a todas as leis antropológicas.

A diversidade das raças vem, ainda, em apoio a essa opinião. O clima e os costumes, sem dúvida, produzem modificações no caráter físico, mas sabe-se até onde pode chegar a influência dessas causas, e o exame fisiológico prova que há entre algumas raças diferenças mais profundas do que o clima pode produzir na constituição física do homem. O cruzamento das raças origina os tipos intermediários. Ele tende a apagar os caracteres extremos, primitivos, mas não os produz; apenas cria variedades. Portanto, em vista disso, para que houvesse cruzamento de raças, seria preciso que houvesse raças distintas. Como explicar a existência de raças tão distintas se lhes dermos uma origem comum e, sobretudo tão próxima? Como admitir que, em poucos séculos, alguns descendentes de Noé fossem transformados a ponto de produzir, por exemplo, a raça etíope? Uma transformação desse porte é tão pouco admissível quanto a hipótese de terem uma mesma origem o lobo e o cordeiro, o elefante e o pulgão, o pássaro e o peixe. Mais uma vez: nada pode prevalecer contra a evidência dos fatos.

Tudo se explica, ao contrário, se admitirmos que a existência do homem é anterior à época que lhe é vulgarmente assinalada; a diversidade das origens; que Adão, que viveu há seis mil anos, tenha povoado uma região ainda desabitada; que o dilúvio de Noé foi uma catástrofe parcial e que foi considerada como um cataclismo geológico e, finalmente, atentando para o fato da forma de linguagem alegórica própria do estilo oriental e que se encontra nos livros sagrados de todos os povos. Por isso é prudente não acusar apressadamente de falsas as doutrinas que podem cedo ou tarde, como tantas outras, desmentir aqueles que as combatem. As ideias religiosas, em vez de perder, se engrandecem ao marchar com a ciência. Esse é o único meio de não mostrar ao ceticismo um lado vulnerável.

 [*] Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Parte Primeira, Cap. III.

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O Filho Pródigo

Disse Jesus: Um homem tinha dois filhos. O mais moço disse a seu pai: Meu pai, dá-me a parte do patrimônio que me toca. O pai então repartiu entre eles os haveres. Poucos dias depois ajuntando tudo o que lhe pertencia, partiu o filho mais moço para um país muito distante, e lá dissipou sua herança vivendo dissolutamente. Depois de ter esbanjado tudo, sobreveio àquela região uma grande fome: e ele começou a passar penúria. Foi pôr-se a serviço de um dos senhores daquela região, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Desejava ele fartar-se das vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Entrando então em si e refletiu: “Quantos empregados há na casa de meu pai, que têm pão em abundância, e eu, aqui, a morrer de fome! Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como a um dos teus empregados”. Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai. Estava ainda longe, quando seu pai o viu, e, movido pela misericórdia, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. O filho lhe disse então: “Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho”. Mas o pai disse aos servos: “Trazei-me depressa a melhor (primeira) veste e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e calçado nos pés. Trazei também o bezerro cevado e matai-o; comamos e festejemos. Este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido e foi achado”. E começaram a festa. O filho mais velho estava no campo. Ao voltar e aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um servo e perguntou-lhe o que havia. Ele lhe explicou: Voltou teu irmão. E teu pai mandou matar um novilho gordo, porque o reencontrou são e salvo. Encolerizou-se ele e não queria entrar; mas seu pai saiu e insistiu com ele. Ele, então, respondeu ao pai: há tantos anos que te sirvo, sem jamais transgredir ordem alguma tua, e nunca me deste um cabrito, para festejar com os meus amigos. E agora, que voltou este teu filho, que gastou os teus bens com as meretrizes, logo lhe mandas-te matar um novilho gordo! Explicou-lhe o pai: Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu; convinha, porém, fazermos festa, pois que este teu irmão estava morto e reviveu, tinha-se perdido e foi achado. (LUCAS, 15: 11-32).

Esclarecimentos iniciais

Pródigo (do Latim prodigiu), adjetivo, significa: Que depende com excesso, esbanjador, dissipador.

Parábola (do grego parabolé), s.f., significa: Narração alegórica na qual o conjunto de elementos evoca, por comparação, outras realidades de ordem superior.

Alegoria (do Latim allegoria e do Grego Allégoría), s.f., segundo o Novo Dicionário Aurélio (1986) significa: Exposição de um pensamento sob forma figurada; Ficção que representa uma coisa para dar a ideia de outra; Série de metáforas que significam uma coisa nas palavras e outra no sentido; e Obra de arte representando uma ideia abstrata.

Os discípulos aproximaram-se dEle, então, para dizer-lhe: “Por que lhes falas em parábolas?” Respondeu Jesus: “Porque a vós é dado compreender os mistérios do reino dos céus, mas a eles não”. (MATEUS, 13: 10-11).

O Sentido oculto dos Evangelhos

Ao propor seus ensinamentos através de parábolas, o Mestre não tinha o propósito de abolir a lei ou os profetas, mas sim leva-los à perfeição. Dar-lhes novo entendimento (MATEUS, 5: 17).

É evidente que toda parábola, se compõe invariavelmente, de um símbolo material e de um simbolizado espiritual.

No sermão, proferido em dezembro de 399, a respeito desta parábola, Santo Agostinho trata principalmente do arrependimento humano e do perdão de Deus, fazendo o seguinte paralelo: o homem que tem dois filhos é Deus que tem dois povos: o filho mais velho é o povo judeu; o menor, os gentios.

Em linhas gerais podemos dizer que o patrimônio que eles receberam do Pai é a inteligência, o raciocínio, e tudo o mais necessário para que O conhecessem.

Atualizando aquele sermão para os dias atuais, podemos fazer as seguintes reflexões:

O Pai

É curioso como Jesus associa o amor incondicional de Deus à figura do pai. Não seria melhor uma mãe? Não é ela que geralmente está associada à saudade, a braços abertos e ao perdão? Jesus provoca e quer desinstalar as ideias que se têm de paternidade e de Deus.

A parábola ensina uma nova imagem de Deus. O propósito de Jesus, ao acrescentar o Amor e a Caridade às Leis, é que entendêssemos Deus como Pai de amor, tirando-Lhe aquele ar austero e distante, tão necessários aos tempos de Moisés.

O Deus que Jesus nos apresenta é um pai amoroso; que disciplina, mas ama o perdão. Um Deus bem diferente daquele, até então, entendido pelo Judaísmo.

A parábola também ensina e provoca uma nova imagem de pai, alicerçada no perdão e no amor incondicional. Esse pai zela pela disciplina na educação dos filhos, mas não a confunde com agressividade ou violência. Coloca limites necessários, mas não os confunde com restrição da liberdade. É um pai que às vezes se fecha e diz não, mas que também arrisca, confia, abre os braços e solta o filho.

É grande e bela a tarefa da paternidade, pois está associada à imagem de Deus. Ter boa imagem do pai colabora para que se tenha uma bela imagem de Deus. Se o filho pródigo tivesse medo do pai, como poderia voltar para casa e pedir perdão? Se tivermos medo de Deus, como teremos coragem de pedir-Lhe perdão?

O Filho que ficou em casa

Mais um ponto interessante para reflexão reside no comportamento do filho que ficou em casa.

Em um primeiro momento, ele parece mais equilibrado do que o seu irmão. Satisfeito com a disciplina da casa paterna, não se entusiasma com a perspectiva de festas e desfrutes.

Enquanto o denominado filho pródigo ganha o mundo, ele permanece vivendo de forma equilibrada. Entretanto, esse equilíbrio é colocado à prova quando seu irmão retorna sofrido e humilhado.

Então, em vez de se alegrar com o retorno do companheiro de folguedos infantis, ele se indigna. Recusa-se a entrar em casa e a participar da festa.

Instado pelo pai a retificar o comportamento, dá mostras de rancor ao falar de sua prolongada obediência, a seu ver sem recompensas.

O filho que ficou em casa representa uma parcela muito significativa da Humanidade. Trata-se das pessoas bastante focadas em viver sem escândalos, mas também sem generosidade.     Elas se esmeram em cumprir regras, em fazer o que parece correto, em termos pessoais ou sociais.

Contudo, o seu viver não tem bondade. Porque conseguem domar algumas paixões, criticam asperamente quem a elas sucumbe. Muitas chegam a desejar a dor e a desgraça para aquele que comete pequenos deslizes ou se permite viver de forma desregrada.

Essas pessoas, em sua severidade, não entendem o essencial das leis divinas. Essas leis não existem para cercear todos os passos das criaturas. Elas são um roteiro de liberdade e felicidade. Uma vida digna e profícua é resultado da internalização dos códigos divinos. Mas essa internalização é incompatível com um coração rancoroso e ressequido.

É preciso bondade e leveza para uma correta compreensão da Lei de Amor que rege os mundos. Embora com necessidade de experiências diversas, todos os homens são irmãos e se assemelham, em sua essência.

Para viver em paz, urge identificar-se com o próximo e ser feliz com a felicidade dele. A vida trata de providenciar as reparações e as lições necessárias.

O papel dos homens consiste no auxílio mútuo e na vivência da fraternidade.

O Filho pródigo

É um alegorismo do cristão que se afasta da observância das Leis Divinas e que tem uma sequência progressiva de falhas, ou seja: a soberba, que afronta ao Pai; o desamor, que abandona a casa paterna.

Dos dois filhos o mais moço, o inexperiente, exige a sua parte na herança. Tendo recebido o seu patrimônio, em sua irreflexão, fascinado pelos prazeres do mundo, ajunta tudo e parte para um país muito distante: o esquecimento de seu Criador.

Em terra distante, esbanja seus “bens” vivendo dissolutamente, gastando e não ajuntando; malbaratando tudo o que tinha e não adquirindo o que não tinha, isto é, consumindo toda sua capacidade em luxúria, em ídolos, rituais, enfim, em todo tipo de desejos desajustados e não adquirindo nenhum novo conhecimento construtivo.

Na tentativa de buscar a motivação que impulsionou o filho a tomar tal decisão e sair de casa, poderíamos presumir que esta não foi outra senão pelos atrativos do mundo.

Infelizmente, podemos nos imaginar cerceado em nossa liberdade quando a serviço do Pai, privado dos “prazeres” intensos e oprimidos por um jugo insuportável: a reforma íntima. Assim sendo, rebelando-nos, afastamo-nos de Deus, atraímos miséria e sofrimento.

Os bens que levara o rapaz chegaram ao fim em um tempo que não conhecemos. Desprovido deles, perdeu os amigos de orgia. À margem de Deus – por entregar-se a seus próprios recursos, sua falência financeira foi constatada por conta de seu novo emprego. Oprimido pelas necessidades foi apascentar porcos, os animais imundos detestados pelos judeus. O Senhor, quando expulsou a legião dos demônios, permitiu que entrassem na piara de porcos.

Sua fome é tamanha ao extremo a ponto de desejar alimentar-se das vagens dos porcos sem poder saciar-se. Vagens são as vistosas doutrinas do mundo: servem para ostentar, mas não para sustentar.

Até que, por fim, nesse desprezível trabalho, constatando a tristeza de sua vida, tomou consciência do lugar em que tinha caído, do quanto tinha perdido. Reparamos o que diz o evangelho: “Entrando então em si…”; primeiramente, voltou-se para si e só assim pode voltar para o Pai.

A Bíblia diz: “Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho… porque, que filho há a quem o pai não corrija?” (HEBREUS, 12: 6-7).

Com efeito, o moço, fustigado pela provação, caiu em si. Sua fome fê-lo lembrar-se da abundância da casa paterna. A disciplina abre sua mente e ele se recorda do pai e toma uma decisão movido pelo arrependimento. “Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai” (LUCAS, 15: 19).

Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más. (Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVII, item 4). Arrependimento seguido de ação. Estas atitudes fizeram toda diferença na vida do moço rebelde, ingrato e esfomeado de esclarecimentos que não encontrou naquele país distante.

Em sua mente, como filme, passavam cenas da casa onde ele via seu pai honrando os funcionários. Ninguém passava fome onde ele nasceu e viveu por um período de sua vida. Entretanto, ele se via, agora, numa situação de constrangimento, miséria (seu comportamento e suas ações) e fome (de esclarecimentos de suas dúvidas e de maiores conhecimentos).

Na sequência ele volta exatamente para o ponto onde caiu. Ensaia um lindo discurso verdadeiro para enfrentar a situação: “Pai, pequei contra o céu e perante ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros” (LUCAS, 15: 19).

Amor e perdão. Foram estas as atitudes do pai que esperançoso aguardava a volta de seu filho. O pai tinha todos os motivos para exortar o filho fujão com um longo sermão. Contudo, não o fez! Abdicou-se do direito de acusações, para dar lugar ao perdão e a alegria por ver seu filho de volta ao convívio da família. Assim é Deus em sua infinita misericórdia.

Referências:

(1) A Parábola do Filho Pródigo, A Lei dos Ciclos, Maximino Paulo Vanin;

(2) Livro Pão Nosso, Cap. II; O Filho que ficou em casa, Redação Momento Espírita; e,

(3) Nota Introdutória ao Sermão de Santo Agostinho, proferido em dezembro de 399, sobre a Parábola do Filho Pródigo, tradução de Jean Lauand.

A Parábola do filho pródigo, por Marcos J. F. da Cruz Machado. Fonte: www.doutrinaespirita.com.br/?q=node/47.

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O Verbo se fez carne

O Verbo se Fez Carne

No princípio era o verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi dito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; (JOÃO, 1: 1-4).

João, o Evangelista, a quem Jesus se referia como o “Filho do Trovão”, irmão de Tiago (Maior), filho de Zebedeu e Salomé, era o mais jovem dos discípulos do Mestre. Foi o único apóstolo que acompanhou Jesus até o calvário e a quem o Mestre confiou sua mãe, Maria.

O seu Evangelho é considerado o da intimidade de Jesus, pois, além de haver pertencido ao Colégio Apostólico, viveu com Maria, mãe do Mestre, na cidade de Éfeso, para onde a levara fugindo das perseguições sofridas em Jerusalém e depois em Betânia.

Diferentemente dos denominados Evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), o Evangelho de João é o que reconhece a origem divina do Mestre: “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus”.

Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, questão n.º 113, apresenta Jesus como o modelo e guia para a humanidade e nos informa tratar-se de um espírito que já percorrera todos os graus da escala espírita e que, havendo atingido o mais elevado grau de perfeição possível, desfrutava a vida no seio de Deus (1).

O Espírito Emmanuel, na obra “A Caminho da Luz”, psicografia de Francisco Cândido Xavier, nos revela, em seu capítulo I, “A Gênese Planetária”, que “Rezam as tradições do mundo espiritual que na direção de todos os fenômenos, do nosso sistema, existe uma comunidade de espíritos puros e eleitos pelo Senhor Supremo do Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias. Essa comunidade de seres angélicos e perfeitos, da qual é Jesus um dos membros divinos, ao que nos foi dado saber, apenas já se reuniu, nas proximidades da Terra, para a solução de problemas decisivos da organização e da direção do nosso planeta, por duas vezes no curso dos milênios conhecidos. A primeira, verificou-se quando o orbe terrestre se desprendia da nebulosa solar, a fim de que se lançassem, no tempo e no espaço, as balizas do nosso sistema cosmogônico e os pródromos da vida na matéria em ignição, do planeta, e a segunda, quando se decidia a vinda do Senhor à face da terra, trazendo à família humana a lição imortal de seu Evangelho de amor e redenção” (2).

O mesmo benfeitor espiritual, mais adiante, obra citada, nos assevera que “Sim, Ele havia vencido todos os pavores das energias desencadeadas; com as suas legiões de trabalhadores divinos, lançou o escopro da sua misericórdia sobre o bloco de matéria informe, que a Sabedoria do Pai deslocara do Sol para as suas mãos augustas e compassivas. Operou a escultura geológica do orbe terreno, talhando a escola abençoada e grandiosa, na qual o seu coração haveria de expandir-se em amor, claridade e justiça. Com os seus exércitos de trabalhadores devotados, estatuiu os regulamentos dos fenômenos físicos da Terra, organizando-lhes o equilíbrio futuro na base dos corpos simples de matéria, cuja unidade substancial os espectroscópios terrenos puderam identificar por toda a parte no universo galáctico. Organizou o cenário da vida, criando, sob as vistas de Deus, o indispensável à existência dos seres do porvir. Fez a pressão atmosférica adequada ao homem, antecipando-se ao seu nascimento no mundo, no curso dos milênios; estabeleceu os grandes centros de força da ionosfera e da estratosfera, onde se harmonizam os fenômenos elétricos da existência planetária, e edificou as usinas de ozone a 40 e 60 quilômetros de altitude, para que filtrassem convenientemente os raios solares, manipulando-lhes a composição precisa à manutenção da vida organizada no orbe. Definiu todas as linhas de progresso da humanidade futura, engendrando a harmonia de todas as forças físicas que presidem ao ciclo das atividades planetárias” (3).

Ora, Ele, Jesus, no princípio estava com Deus, por ser um espírito puro e perfeito, ou seja, por já haver atingido o mais elevado grau de perfeição e alcançado o topo da escala espírita. Assim é que já desfrutava a vida espiritual junto ao Criador, daí a afirmativa de João de que “Ele estava no princípio com Deus”. “No princípio” quer significar o momento inicial de criação e formação do planeta Terra.

Outrossim, conforme nos revela Emmanuel, fora Ele, Jesus, quem pessoalmente comandou e geriu a criação e formação do obre terrestre, informação esta que corrobora o relato de João de que “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”; fora Ele também, Jesus, quem cuidou de organizar as condições para a vida na Terra: “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens”.

Assim é que esta passagem do Evangelho de João, analisada à luz da Doutrina Espírita, nos revela, primeiro, a grandeza e o estágio de evolução do Mestre, e, segundo, qual era e ainda é a sua missão: criar um mundo compatível com o nosso estágio evolutivo e cuidar para que ele, segundo a lei de progresso, se desenvolva, nos revelar as verdades eternas e nos conduzir a todos ao progresso espiritual.

Referências:

(1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, tradução de Salvador Gentile. 182.ª ed. Araras: IDE, 2009, p. 65;

(2) XAVIER, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, pelo Espírito Emmanuel. 37.ª ed. – 3.ª reimpressão – Rio de Janeiro: FEB, 2010. p. 19 e 20; e,

(3) XAVIER, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, pelo Espírito Emmanuel. 37.ª ed. – 3.ª reimpressão – Rio de Janeiro: FEB, 2010. p. 24 e 25.

O Verbo se fez carne, por José Márcio de Almeida; do livro Semeando o Evangelho, p. 33-38.

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Paulo e Estêvão

PAULO E ESTÊVÃO

Paulo e Estevão

Obra psicografada através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier, ditada pelo espírito de Emmanuel em 1942. Esta obra é apresentada como “Episódios Históricos do Cristianismo Primitivo”, que conta o período histórico a partir do ano de 34 d.C. (um ano após a morte de Jesus Cristo) até 67 d.C. (provável ano do falecimento de Paulo de Tarso). O livro traz revelações históricas nunca antes mencionadas, seguindo rigorosamente a ordem cronológica do livro bíblico Atos dos Apóstolos, dando também um sentido mais profundo para as citações pessoais de Paulo em suas Epístolas. A história de Paulo de Tarso é narrada neste romance que apresenta informações preciosas sobre a vida deste apóstolo que dedicou sua vida à divulgação do Evangelho. “Oferecendo, pois, este humilde trabalho aos nossos irmãos da Terra, formulamos votos para que o exemplo do Grande Convertido se faça mais claro em nossos corações, a fim de que cada discípulo possa entender quanto lhe compete trabalhar e sofrer, por amor a Jesus Cristo” (Emmanuel). Viajando pelas cidades ditas dos gentios (ou pagãos não circuncidados), já que muito de seus conterrâneos (os fariseus), na época não compreenderam a grandeza da vinda de Jesus Cristo, o apóstolo Paulo com muito trabalho, persistência e inspiração do alto, pôde fundar igrejas em várias cidades, inaugurando uma era de trabalhos fraternos aos deserdados da sorte, sob a aquiescência direta de Jesus e se espalhou por todo o planeta. Muitas vezes, Paulo incompreendido em sua nobre missão era surpreendido com intuições e sonhos vindos de Santo Estêvão (primeiro mártir cristão), jovem dotado da capacidade de pregar o reino de amor e que fora apedrejado e morto pelas mãos do próprio Saulo (antigo nome do apóstolo quando este ainda era doutor da lei e perseguidor voraz dos cristãos). Toda essa história está registrada em Atos dos Apóstolos, mas quando se lê o romance de Emmanuel é que se tem a real dimensão da importância do trabalho do convertido de Damasco para a história do Cristianismo. Essa importante obra encerra a mensagem de que é possível mudar a qualquer tempo, porém, toda mudança congrega muitas consequências. Autor: Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel. Editora: FEB.

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O Novo Testamento

O NOVO TESTAMENTO

O Novo Testamento

Tradução dos originais gregos, realizada por Haroldo Dutra Dias, O Novo Testamento apresenta o texto das escrituras sagradas estruturado de tal forma que respeita as questões culturais, históricas e teológicas da época em que Jesus viveu entre nós. Enriquecida com notas auxiliares à ambientação de expressões idiomáticas e às tradições religiosas, a obra aborda os temas direta e sucintamente, o que favorece o entendimento textual e conserva a pureza comum aos sentimentos e conselhos ofertados por Espíritos superiores. Tradução: Haroldo Dutra Dias. Editora: FEB.

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