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Archive for the ‘Evangelho’ Category

Paulo de Tarso

A cidade de Corinto estava localizada na Grécia meridional, na Província de Acaia, a cerca de 70 km a oeste de Atenas. À época de Paulo era um grande e importante centro comercial.

Como a maioria das cidades gregas de então, Corinto era uma acrópole, ou seja, uma “cidade alta”, elevada a 600 metros. Nela havia um templo dedicado a Afrodite, a deusa grega do amor.

A igreja em Corinto foi fundada por Paulo quando de sua segunda viagem missionária (At 18:1ss). Paulo iniciou o seu ministério na sinagoga local, auxiliado por dois cristãos judeus: Priscila e Áquila. Algum tempo depois, juntaram-se a eles, Silas e Timóteo.

Os estudiosos dos textos Paulinos aceitam a tese de que esta carta tenha sido escrita na primeira metade do ano 55 d.C., em Éfeso (16:8-9,19), durante a terceira viagem missionária de Paulo.

A igreja em Corinto era extremamente faccionária. Quatro grupos distintos se formaram: o primeiro, leal a Apolo, um talentoso orador que por lá passou; o segundo, declarava lealdade a Pedro; o terceiro, declarava lealdade exclusiva ao Cristo; e o quarto, leal a Paulo. (Ver 1:10-13; 3:1-9).

A maior dificuldade da igreja em Corinto era, no entanto, o apego de seus fiéis à matéria e às práticas mundanas que os circundava. A maioria não conseguia se afastar de sua conduta anterior, egoística, imoral e pagã. Foi preciso, portanto, que Paulo, ciente dos acontecimentos, escrevesse a esta comunidade para ordenar aos cristãos que se corrigissem e se mantivessem fiéis aos princípios evangélicos por ele apresentados.

Por essa razão, esta carta é também chamada de “a carta rigorosa” (2Co 2:4).

Seus principais personagens são, o próprio Paulo (1:1—16:24), Timóteo (4:17; 16;10-11) e os membros da casa de Cloe (1:11).

Não obstante o tema central ser a repreenda do comportamento e não da doutrina, Paulo transmite ensinamentos importantes sobre as doutrinas do “pecado” e da justiça. Os “pecados” sexuais, incluindo o divórcio, estão, para Paulo, relacionados à direta inobservância “ao plano de Deus para o casamento e a família”. Paulo irá tratar do papel “sagrado” da mulher, do casamento (e do divórcio) e dos dons do Espírito Santo (mediunidade), para a manutenção da unidade da igreja num só corpo. Paulo irá também discorrer sobre a teologia do amor e sobre a doutrina da reencarnação (ressurreição).

Além destes temas, Paulo também irá tratar, ainda que de forma breve, do “julgamento divino dos cristãos” (3:13-15).

As principais doutrinas presentes nesta carta são: o do “pecado” sexual (6:13,18; 7:1-40), o caráter “santo de Deus” (3:17), dos dons espirituais (mediunidade) (12:1—14:40), a teologia do amor (13:1-13) e da ressurreição de Jesus (15:4,12-28).

Para Paulo, nesta primeira carta aos Coríntios, Deus é: fiel (1:9; 10-13), glorioso (11:7), santo (6:9-10), poderoso (1:18,24; 2:5; 3:6-8; 6:14), único (8:4,6) e sábio (1:24;2:7).

Pode-se afirmar que a esta carta de Paulo aos Coríntios ajudou os cristãos a amadurecerem seu entendimento de (e em) Cristo e se corrigirem (em comportamento). Nela, Paulo ainda enfatizou a realidade da morte e da ressurreição de Jesus e a necessidade, para os cristãos, de buscarem a santidade na vida cotidiana.

Destacamos duas passagens, emblemáticas desta carta: a primeira, sobre os dons espirituais (mediunidade); a segunda, sobre a teologia do amor.

Sobre os dons espirituais (mediunidade): “Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes. Vós bem sabeis que éreis gentios, levados aos ídolos mudos, conforme éreis guiados. Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo. Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil. Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer. Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito. Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo? E se a orelha disser: Porque não sou olho não sou do corpo; não será por isso do corpo? Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato? Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Assim, pois, há muitos membros, mas um corpo. E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós. Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários; E os que reputamos serem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; e aos que em nós são menos decorosos damos muito mais honra. Porque os que em nós são mais nobres não têm necessidade disso, mas Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela; Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele. Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular. E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Porventura são todos apóstolos? são todos profetas? são todos doutores? são todos operadores de milagres? Têm todos o dom de curar? falam todos diversas línguas? interpretam todos? Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente” (12:1-31).

Sobre a teologia do amor: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor” (13:1-13).

A primeira carta aos Coríntios pode ser dividida em oito partes: a primeira, a introdução (o chamado aos benefícios da santidade) (1:1-9); a segunda, as divisões na igreja (1:10-4:21); a terceira, a imoralidade na igreja (5:1—6:20); a quarta, o casamento na igreja (7:1-40); a quinta, a liberdade na igreja (8:1—11:1); a sexta, a  adoração na igreja (11:2—14:40); a sétima, a esperança da igreja (ressurreição do Cristo) (15:1-58); e, oitava, uma incumbência à igreja (16:1-24).

Entendendo a estrutura do Novo Testamento: a primeira carta de Paulo aos Coríntios, por José Márcio de Almeida. Fonte: Jornal Correio Fraterno nº 81, Agosto/2017, p. 6.

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Paulo ensina-nos, em 1Coríntios 14: 32, que há dois tipos de profetas, pois os espíritos dos profetas (desencarnados) estão sujeitos aos profetas (encarnados). É que se o médium não der passividade (permissão) para o espírito manifestar-se, não acontece a comunicação do espírito que profetiza. E como João nos ensina em 1João 4: 1, é necessário que examinemos os espíritos para sabermos se são bons ou maus, a fim de que não venhamos acreditar em falsos espíritos profetas (desencarnados). Ademais, os espíritos impuros (ainda não purificados) fazem questão de enganar as pessoas que consultem espíritos, como o faziam os necromantes, com objetivos materiais, o que não é o verdadeiro espiritismo.

O trabalho de Kardec foi muito importante, pois ele codificou (organizou cientificamente) os fenômenos espíritas, criando a “espiritologia”. O espiritismo não é, pois, necromancia no seu sentido pejorativo, já que é prática de receber os espíritos que querem manifestar-se espontaneamente.

Ao dom da mediunidade Paulo chamou de dom espiritual do espírito santo da pessoa e não do Espírito Santo dogmático da Terceira Pessoa Trinitária, que respeitamos. Recomendamos ver esse assunto na Bíblia no seu texto e não no cabeçalho acima do texto, onde se lê erradamente “dons do Espírito Santo”, cabeçalho este que não faz parte do texto e que foi colocado pelos teólogos como se se tratasse de dons do Espírito Santo dogmático.

O espírito que se manifesta não é, pois, o Espírito Santo dogmático, mas um espírito santo humano. “Não sabeis vós que vós sois santuário do Espírito Santo?”, no grego: “de um espírito santo”? (1 Coríntios 6: 19).

A maioria dos cristãos crê que se manifesta o Espírito Santo dogmático. Mas como já vimos, em outras matérias, é um espírito santo ou bom. Inclusive, são Jerônimo, na “Vulgata Latina”, no princípio do século V, não diz “o Espírito Santo”, mas “um espírito bom” (“spiritus bonus”). Mas muitos cristãos ainda pensam que todos os espíritos que se manifestam são maus, chamando-os de demoníacos. E aqui perguntamos a eles por que Deus permitiria que somente espíritos maus se manifestassem prejudicando-nos, enquanto que os bons que podem nos ajudar a evoluirmos, espiritualmente, não podem manifestar-se? Não seria esse Deus deles falso e mancomunado com os espíritos ainda impuros?

São Pedro, no início de seus trabalhos apostólicos, achava que o Espírito Santo (um espírito santo ou alma boa) só se manifestava através dos já cristãos, isto é, já batizados. Mas na casa do centurião Cornélio, de Cesareia, Pedro percebeu que estava enganado e disse que Deus não faz acepção de pessoas (Atos 10:34), podendo, pois, as pessoas não cristãs receberem também espíritos santos. E para Cornélio, que não era cristão, manifestou-se um homem (um espírito humano) com vestes resplandecentes (Atos 10: 30). E o próprio Jesus e os três apóstolos médiuns especiais Pedro, João e Tiago receberam, na transfiguração, os espíritos de Moisés e Elias que tinham vivido, já havia muitos séculos, aqui n terra. Também Jesus e os apóstolos impunham as mãos sobre as pessoas dando-lhes passes. E mais, o espírito santo de Jesus manifestou-se aos apóstolos e discípulos e até se materializou para eles.

Ora, se Jesus e os apóstolos recebiam espíritos e davam passes, e se até o espírito santo de Jesus manifesta-se, é com muita honra e glória que nós espíritas fazemos o que eles nos ensinaram!

Espírita com honra, pois Jesus e os apóstolos também o eram, por José Reis Chaves.

Fonte: http://www.otempo.com.br.

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A Casa de Caridade Herdeiros de Jesus, convida a todos os associados, colaboradores e amigos da instituição para o Culto do Evangelho de Jesus em homenagem ao seu 60º aniversário, a ser realizado no dia 25 de outubro de 2017, quarta-feira, às 19h45, em sua sede à Rua Sete Lagoas, nº 274, Bairro Bonfim, Belo Horizonte/MG.

A sua participação ensejará muita alegria, paz, luz e harmonia.

Após o Culto, reunião de confraternização dos presentes.

A Diretoria Executiva

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Paulo era da tribo de Benjamim (Fp 3:5). Seu nome em hebraico era Saul, ou Saulo; Paulo é o seu nome em grego. Paulo era também cidadão romano (At 16:37; 22:25) e nasceu, aproximadamente, na mesma época que Jesus, em Tarso (At 9:11), importante cidade romana localizada na região da Cilícia (At 21:39), localizada na Ásia Menor, hoje território da Turquia.

Paulo passou grande parte de sua vida em Jerusalém como discípulo expoente do Mestre Gamaliel (At 22:3). Como o seu pai, Paulo era Fariseu (At 23:6; Fp 3:5).

Paulo se converte ao Cristianismo às portas de Damasco, por volta de 33-34 d.C., cidade para a qual se dirigia para perseguir os Cristãos. Após a sua conversão, Paulo começou, imediatamente, a pregar o Evangelho (At 9:20). Escapando de incidentes que quase o vitimou em Damasco (At 9:23-25; 2Co 11:32-33), Paulo passou três anos no deserto localizado no sudeste do Mar Morto, região conhecida como Arábia Nabateia (Gl 1:17-18), estudando e meditando.

Mais do que qualquer outro, Paulo foi o responsável pela divulgação do cristianismo por todo o Império Romano. Não obstante ser fisicamente fraco (2Co 10:10; Gl 4:14), ele fez três viagens missionárias ao longo do Mar Mediterrâneo, numa demonstração de força interior (espiritual) inabalável (Fp 4:13).

Paulo escreveu a Carta aos Romanos (1:7) em Corinto (16:1; 16:23), em época próxima do fim de sua terceira viagem missionária, por volta de 45 d.C., quando se preparava para ir à Jerusalém levando uma oferta para aquela comunidade cristã (15:25). Ele, Paulo, delegou a Febe (16:1-2), uma diaconisa da igreja em Cencreia, a responsabilidade de entregar essa carta aos cristãos de Roma.

É provável que a comunidade cristã de Roma tenha sido fundada por alguns dos convertidos no Dia de Pentecostes (At 2:10). Paulo muito desejava visitar a igreja de Roma, mas foi impedido de fazê-lo (1:13); somente o fez no final de seu ministério e de sua vida.

O propósito de Paulo escrever aos Romanos foi o de ensinar as grandes verdades do Evangelho e também de se apresentar àquela comunidade.

A Carta aos Romanos é um tratado teológico e o tema predominante é a justiça proveniente de Deus. As principais doutrinas abordadas por Paulo são: Jesus é o reconciliador da Humanidade para com Deus (3:9-20); a justificação pela fé (1:16-17; 3:21—4:25; 5:1-2,18); a santificação por meio da expiação de Cristo (6:1—8:39; 15:16); e, a reconciliação do Homem para com Deus por meio do sacrifício de Jesus (5:1,10-11).

Em Romanos os atributos da Divindade (Deus) são: Deus é acessível (5:2); Deus é eterno (1:20); Deus é magnânimo (3:25); Deus é glorioso (3:23; 6:4); Deus é bom; Deus é incorruptível (1:23); Deus é justo (2:5,11; 3:4,25-26); Deus é longânimo (2:4-5; 3:25; 9:22); Deus é amoroso (5:5,8; 8:39; 9:11-13); Deus é misericordioso (9:15,18); Deus é poderoso (1:16,20; 9:21-22); Deus cumpre suas promessas (1:1-2; 4:13,16,20; 94,8; 15:8); Deus é providente (8;28; 11:33); Deus é reconciliador (5:1,10); Deus é insondável (11:33); e, Deus é sábio (11:33; 16:27).

Jesus, em Romanos, é o redentor da Humanidade.

A Carta aos Romanos pode ser dividida em oito partes, sendo: a primeira, a saudação e a introdução (1:1-15); a segunda, a delimitação da temática abordada (1:16-17); a terceira, a necessidade da justiça de Deus (1:18—3:20); a quarta, a provisão da justiça de Deus (3:21—5:21); a quinta, a demonstração da justiça de Deus (6:1—8:39); a sexta, a recepção da justiça de Deus (9:1—11:36); a sétima, o comportamento da justiça de Deus (12:1—15:15:13); e, a oitava, a conclusão, saudações e benção (15:14—16:27).

Entendendo a estrutura do Novo Testamento: a Carta de Paulo aos Romanos, por José Márcio de Almeida. Fonte: Jornal Correio Fraterno nº 80, Julho/2017, p. 6.

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Atos, do grego, praxeis. Atos ou praxeis era uma palavra utilizada na antiguidade para descrever os feitos e as realizações de grandes homens.

O Livro de Atos revela, de fato, os feitos notáveis de personagens do cristianismo primitivo, especialmente, pela ordem, Pedro (nos capítulos 1 a 12) e Paulo (nos capítulos 13 a 28). O Livro de Atos revela também feitos mediúnicos dos mais notáveis.

Escritos de Irineu, Clemente de Alexandria, Tertuliano, Orígenes, Eusébio e Jerônimo afirmam que o autor do Livro de Atos é Lucas. Como mencionamos na introdução do Evangelho Segundo Lucas, Lucas era um amigo muito querido a Paulo (Cl 4:14), seu companheiro de viagem e médico pessoal.

Ao escrever o Livro de Atos, Lucas baseou-se em fontes escritas (15:23-29; 23:26-30) e, sem dúvida colheu os relatos de personagens-chave, tais como Pedro, João, Felipe e outros da igreja de Jerusalém. Ademais, resta claro que o próprio Lucas foi testemunha ocular de muitos dos fatos narrados em Atos (16:10-17; 20:5—21:18; 27:1—28:16). É muito provável que Lucas tenha escrito o Livro de Atos antes do fim do primeiro cárcere de Paulo em Roma, por volta de 60-70 d.C., o que explica o fim abrupto do texto, que deixa Paulo esperando para ser julgado perante César.

Atos dos Apóstolos é um registro histórico dos primeiros trinta anos do Cristianismo.

Lucas escreve o Livro de Atos para transmitir a Teófilo e a outros que leriam a obra “um relato dos fatos que se cumpriram” (Lc 1:1) durante o ministério de Jesus sobre a Terra. O Livro de Atos é uma continuação dos registros colacionados no seu Evangelho (segundo Lucas), ou, segundo o próprio Lucas, “um relato ordenado” (Lc 1:3).

Não se sabe quem era Teófilo, o destinatário do Evangelho Segundo Lucas e do Livro de Atos dos Apóstolos. A maneira com que Lucas se refere a ele – “excelentíssimo Teófilo (Lc 1:3) – sugere que se tratava de um oficial romano de relativa importância (24:3; 26:25).

São personagens do Livro de Atos dos Apóstolos: Pedro, João, Tiago, Estevão, Felipe, Paulo, Barnabé, Cornélio, Timóteo, Lídia, Silas, Apolo, Félix, Festo, Herodes Agripa II e o próprio Lucas.

Em Atos dos Apóstolos, Lucas enfatiza que Jesus de Nazaré era o Messias de Israel há muito esperado e demonstra que o Evangelho do Reino era oferecido a todos os homens, não apenas ao povo judeu.

Em Atos, Lucas faz uso frequente de citações do Antigo Testamento, demonstrando erudição e grande cultura, como, por exemplo, em: 2:17-21, de Jl 2:28-32; em 2:25-28, de Sl 16:8-11; em 2:35, de Sl 110:1; em 4:11, de Sl 118:22; em 4:25-26, de Sl 2:1-2; em 7:49-50, de Is 66:1-2; em 8:32-33, de Is 53:7-8; e, em 2826-27, de Is 6:9-10.

As principais doutrinas apresentadas em Atos são o estabelecimento da igreja (do cristianismo) e a obra do Espírito Santo (feitos mediúnicos).

O Livro de Atos narra o ministério de Jesus sendo transmitido aos seus discípulos, deixando claro qual a missão destes: anunciar o Evangelho e proclamar o Cristo ressurreto.

Vários sermões estão registrados no Livro de Atos, totalizando mais de vinte, sendo que a maioria provém de Pedro (sete) e de Paulo (onze).

Em Atos os atributos da divindade são: Deus é acessível (14:27); Deus é glorioso (7:2,55); Deus é bom 14:17); Deus é justo (17:31); Deus é o altíssimo (7:48); Deus é providente (1:26; 3:17-18; 12:5; 17:26; 27:22,31-32); e, Deus é Sábio (15:18).

O Livro de Atos pode ser dividido em quatro grandes partes. A primeira, o prólogo (1:1-8); a segunda, o testemunho em Jerusalém (1:9—8:3); a terceira, o testemunho na Judeia e na Samaria (8:4—12:25); e, a quarta, o testemunho até os confins da Terra (13:1—14:28).

Entendendo a estrutura do Novo Testamento: o Livro de Atos dos Apóstolos, por José Márcio de Almeida. Fonte: Jornal Correio Fraterno nº 79, Junho/2017, p. 6.

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João Evangelista

A tradição da igreja primitiva identificou o autor deste Evangelho como sendo o Apóstolo João, não restando sobre isso qualquer dúvida.

João escreveu o Evangelho que lhe é atribuído em idade bem avançada, entre os anos 90 e 100 d.C..

João, tendo conhecimento os demais Evangelhos já escritos, compôs, segundo Clemente de Alexandria (150 – 215 d.C., aproximadamente) um “Evangelho espiritual”.

O nome de João não aparece neste Evangelho que leva o seu nome: o autor prefere identificar-se como sendo “o discípulo que Jesus amava” (13:23; 19:26; 20:2; 21:7,20).

O Evangelho de João difere de modo muito marcante, quanto à forma e substância, dos outros Evangelhos (sinóticos).

João e Tiago, seu irmão mais velho (at. 12:2), eram conhecidos como “filhos de Zebedeu” (Mt 10:2-4), e Jesus lhes deu o nome de “filhos do trovão” (Mc 3:17). João foi Apóstolo (Lc 6:12-16) e um dos três discípulos mais próximos de Jesus. Os outros eram Pedro e Tiago (Mt 17:1; 26:37).

João foi testemunha ocular do Ministério do Cristo (1Jo 1:1-4) e além deste Evangelho, escreveu também as Epístolas 1, 2 e 3 e o livro do Apocalipse. Após o retorno do Mestre às esferas sublimes do Mundo Espiritual, João tornou-se uma das “colunas” da igreja primitiva.

O Evangelho de João nos fornece um significativo material não registrado nos demais Evangelhos e que contribui para uma melhor compreensão destes.

João escreveu o seu Evangelho com o propósito de convencer seus leitores da verdadeira identidade de Jesus: Espírito Puro, o Governador Espiritual do Planeta Terra. Seu Evangelho está organizado em torno de oito sinais que demonstram a verdadeira identidade de Jesus: a transformação da água em vinho; a cura do filho de um oficial; a cura de um paralítico; a alimentação de uma multidão; Jesus andando sobre as águas; a cura de um cego de nascença; a ressurreição de Lázaro; e, a pesca milagrosa.

A mensagem geral do seu Evangelho encontra-se em 20:31: “Jesus é o Cristo, o Filho de Deus”.

Para João o caráter da divindade assim se expressa: Deus é acessível (1:51; 10:7,9; 14:6); Deus é glorioso (1:14); Deus é invisível (1:18; 5:37); Deus é amoroso (3:16; 15:9-10; 16:27) 17:23-26); Deus é justo (17:25); Deus é Espírito (4:24); Deus é verdadeiro (17:3,17); e, Deus é único (10:30; 14:9-11; 17:3).

No Evangelho de João encontramos as significativas declarações de Jesus “Eu Sou” (vinte e três vezes!). As sete grandes metáforas que denotam a superioridade espiritual do Cristo são: “Eu Sou o pão da vida” (6:35,41,48,51); “Eu Sou a luz do mundo” (8:12); “Eu Sou a porta das ovelhas” (10:7,9); “Eu Sou o bom pastor” (10:11,14); “Eu Sou a ressurreição e a vida” (11:25); “Eu Sou o caminho, a verdade e a vida” (14:6); e, “Eu Sou a videira verdadeira” (15:1,5).

O Evangelho de João possui vinte e um capítulos e 878 versículos e pode ser dividido em sete grandes partes, a saber: a encarnação do Filho de Deus (1:1-18); a apresentação do Filho de Deus (1:19 – 4:54); a oposição ao Filho de Deus (5:1 – 12:50); a preparação dos discípulos pelo Filho de Deus (13:1 – 17:26); a execução do Filho de Deus (18:1 – 19:37); a ressurreição do Filho de Deus (19:38 – 21:23); e, a conclusão (21:24-25).

O leitor matriculado na escola de aprendizes do Evangelho deve explorar o texto de João com muito cuidado, atenção e oração, de modo a descobrir a enorme riqueza dos tesouros espirituais que o Apóstolo amorosamente e sob inspiração da espiritualidade superior nele depositou (14:26; 16:13).

Entendendo a estrutura do Novo Testamento: o Evangelho segundo João, por José Márcio de Almeida. Fonte: Jornal Correio Fraterno nº 78, Maio/2017, p. 6.

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Lucas

Lucas era gentio (Cl 4:11,14), médico (Cl 4:14) e amigo de Paulo de Tarso (At 16:10-17; 20:5-15; 21:1-18; 27:1—28:16).

Além do Evangelho que traz o seu nome, Lucas escreveu, também, o Livro de Atos dos Apóstolos. Sobre a autoria dos dois livros, não paira qualquer dúvida: foram escritos pela mesma pessoa e na mesma época.

Eusébio e Jerônimo, pais da igreja, identificam que Lucas era natural de Antioquia.

O Evangelho segundo Lucas e o livro de Atos são endereçados a Teófilo (1:3; At 1:1) e apresentam um relato abrangente da história do cristianismo – no nascimento de Jesus à prisão domiciliar de Paulo em Roma (At 28:30-31). É provável que Lucas tenha escrito ambos os livros enquanto Paulo estava preso em Roma.

Lucas declarou expressamente que os fatos que narrava foram obtidos de relatos de pessoas que haviam testemunhado os fatos (1:1-2), notadamente, de Maria, a mãe de Jesus e por essa razão, o Evangelho de Lucas é tido como o Evangelho da intimidade do Cristo.

O estilo de Lucas é o de um autor letrado. Escreveu como um historiador, apresentando detalhes que ajudam a identificar o contexto histórico dos acontecimentos narrados.

Dá um destaque grande à natividade – o mais amplo dos Evangelhos. Lucas também registra a profecia de Jesus sobre a destruição de Jerusalém no ano 70 d.C. (19:42-44; 21:20-24).

Um tema recorrente no seu Evangelho é a compaixão demonstrada por Jesus pelos gentios, samaritanos, mulheres, crianças, publicanos, pecadores, etc. Por exemplo: todas as vezes que Jesus menciona os publicamos, considerados proscritos em Israel, o faz num sentido positivo (3:12; 5:27; 7:29: 15:1: 18:10-13; 19:2).

Lucas também dá uma ênfase significativa ao papel desempenhado pelas mulheres no ministério de Jesus (7;12-15, 37-50; 8:2-3,43-48; 10:38-42; 13:11-13; 21: 2-4; 23:27-29,49,55-56).

As principais doutrinas contidas no Evangelho segundo Lucas são: o temor dos homens na presença de Deus, os mistérios da verdade divina, o perdão, o papel do Espírito “Santo” e a morte de Jesus na cruz.

Para Lucas, os atributos da divindade (de Deus) são: acessível (23:45), santo (1:49), longânimo (13:6-9), misericordioso (1:50,78), poderoso (11:20; 12:5), providente (2:1-4; 21:18,32-33; 22:35) e sábio (16:15).

Lucas escreve para os gentios; cita poucas passagens do Antigo Testamento e se vale da terminologia grega em detrimento da hebraica – por exemplo: “um lugar chamado caveira” em vez de “Gólgota”; 23:33.

Um traço extremamente importante do Evangelho segundo Lucas é a ênfase que o autor dá acerca do alcance universal do convite do Evangelho. Ele retratou Jesus como o Filho do homem rejeitado por Israel e oferecido ao mundo.

Algumas passagens do ministério de Jesus aparecem apenas neste Evangelho: os eventos que precedem o nascimento de João Batista e de Jesus, as cenas da infância de Jesus, a prisão de João Batista, a rejeição de Jesus pelo povo de Nazaré, o chamamento dos primeiros discípulos, a ressurreição do filho da viúva de Naim, a mulher que unge os pés de Jesus, as mulheres que ministram o Cristo, Jesus na casa de Zaqueu, o julgamento de Jesus por Herodes, dentre outros.

O Evangelho segundo Lucas pode ser dividido cinco partes: o prelúdio do ministério do Cristo (1:1—4:13), o ministério de Jesus na Galileia (4:14—9:50), a jornada de Jesus para Jerusalém (9:51—19:27), a semana da paixão (19:28—23:56) e a consumação do ministério do Cristo (24:1-53).

Entendendo a estrutura do Novo Testamento: o Evangelho segundo Lucas, por José Márcio de Almeida. Fonte: Jornal Correio Fraterno nº 77, Abril/2017, p. 6.

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