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Archive for março \25\UTC 2015

Túmulo de Allan Kardec em Paris, no Cemitério do Père-Lachaise.

Túmulo de Allan Kardec em Paris, no Cemitério do Père-Lachaise.

Dia 31 de março próximo serão contados 146 anos do desencarne de Allan Kardec.

O Mestre Lionês desencarnou na manhã do dia 31 de março de 1869, em Paris, aos 64 anos de idade (65 incompletos), vitimado por uma ruptura de um aneurisma enquanto trabalhava numa obra sobre as relações entre o Magnetismo e o Espiritismo, ao mesmo tempo em que se preparava para uma mudança de local de trabalho.

Quando de seu sepultamento, Camille Flamarion, amigo íntimo de Kardec e membro da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, proferiu um discurso em que ressaltava toda a sua admiração pelo Codificador, que reproduzimos na íntegra e que consta do livro Obras Póstumas, publicado em 1890.

Obras Póstumas traz a biografia de Kardec publicada originalmente na Revue Spirite, assim como o aludido discurso proferido por Flammarion e diversos artigos escritos por Kardec que não haviam sido publicados, fosse por falta de tempo hábil, fosse por não representarem mais, com o passar dos anos, uma expressão fiel de seu pensamento. Além deles, há ainda a transcrição de várias comunicações mediúnicas ocorridas em reuniões em que Kardec tomou parte; o conteúdo geral da obra é bastante esclarecedor a respeito do ponto de vista do Codificador acerca de variados temas de ordem filosófica, moral e religiosa. Alguns assuntos abordados são a música celeste, a natureza do Cristo, o conhecimento do futuro, as manifestações dos Espíritos, fotografia e telegrafia do pensamento.

Eis o discurso proferido por Camille Flamarion:

“Senhores,

“Aquiescendo com deferência ao convite simpático dos amigos do pensador laborioso, cujo corpo terrestre jaz agora aos nossos pés, lembro-me de um dia sombrio do mês de dezembro de 1865. Eu pronunciava, então, supremas palavras de adeus sobre a tumba do fundador da Librairie Académique, do honorável Didier, que foi, como editor, o colaborador convicto de Allan Kardec na publicação das obras fundamentais de uma doutrina que lhe era cara, e que morreu subitamente também, como se o céu quisesse poupar, a esses dois Espíritos íntegros, o embaraço filosófico de sair desta vida por um caminho diferente do caminho comumente recebido. – A mesma reflexão se aplica à morte de nosso antigo colega Jobard, de Bruxelas.

“Hoje, a minha tarefa é maior ainda, porque gostaria de poder representar, ao pensamento daqueles que me ouvem, e àqueles milhões de homens que no novo mundo estão ocupados com o problema ainda misterioso dos fenômenos denominados espíritas; – eu gostaria, disse eu, de poder representar-lhes o interesse científico e o futuro filosófico do estudo desses fenômenos (ao qual se entregaram, como ninguém ignora, homens eminentes entre os nossos contemporâneos). Gostaria de lhes fazer entrever quais horizontes desconhecidos ao pensamento humano verá se abrir diante deles, à medida que estenda o seu conhecimento positivo das forças naturais em ação ao nosso redor; mostrar-lhes que tais constatações são o antídoto mais eficaz da lepra do ateísmo, que parece atacar particularmente a nossa época de transição; e testemunhar, enfim, publicamente, aqui, do eminente serviço que o autor de O Livro dos Espíritos prestou à filosofia, chamando a atenção e a discussão sobre fatos que, até então, pertenciam ao domínio mórbido e funesto das superstições religiosas.

“Seria, com efeito, um ato importante estabelecer aqui, diante desta tumba eloquente, que o exame metódico dos fenômenos espíritas, chamados erradamente de sobrenaturais, longe de renovar o espírito supersticioso e enfraquecer a energia da razão, ao contrário, afasta os erros e as ilusões da ignorância, e serve melhor ao progresso do que a negação ilegítima daqueles que não querem, de nenhum modo, dar-se ao trabalho de ver.

“Mas não é aqui o lugar de abrir uma arena à discussão desrespeitosa. Deixemos somente descer, de nossos pensamentos, sobre a face impassível do homem deitado diante de nós, testemunhos de afeição e sentimentos de pesar, que restam ao redor dele em seu túmulo, como um embalsamamento do coração! E uma vez que sabemos que a sua alma eterna sobrevive a este despojo mortal, como lhe preexistiu; uma vez que sabemos que laços indestrutíveis ligam o nosso mundo visível ao mundo invisível; uma vez que esta alma existe hoje, tão bem como há três dias, e que não é impossível que ela não se encontre atualmente aqui diante de mim; dizemos-lhe que não quisemos ver se desvanecer a sua imagem corpórea e encerrá-la em seu sepulcro, sem honrar unanimemente os seus trabalhos e a sua memória, sem pagar um tributo de reconhecimento à sua encarnação terrestre, tão utilmente e tão dignamente cumprida.

“Eu exporei primeiro, num esboço rápido, as linhas principais de sua carreira literária.

“Morto com a idade de 65 anos, Allan Kardec consagrara a primeira parte de sua vida a escrever obras clássicas, elementares, destinadas sobretudo ao uso de professores primários e da juventude. Quando, por volta de 1855, as manifestações, em aparência novas, das mesas girantes, das pancadas sem causa ostensiva, dos movimentos insólitos dos objetos e dos móveis, começaram a atrair a atenção pública e determinaram mesmo, nas imaginações aventurosas, uma espécie de febre devida à novidade das experiências, Allan Kardec, estudando ao mesmo tempo o magnetismo e os efeitos estranhos, seguiu com a maior paciência e uma judiciosa clarividência as experiências e as tentativas tão numerosas feitas então em Paris. Ele recolheu e pôs em ordem os resultados obtidos por essa longa observação, e com isso compôs o corpo de doutrina publicado, em 1857, na primeira edição de O Livro dos Espíritos. Sabeis todos que sucesso acolheu essa obra, na França e no estrangeiro.

“Chegada hoje à sua 15ª edição, difundiu em todas as classes esse corpo de doutrina elementar, que não era, de nenhum modo, novo em sua essência, uma vez que a escola de Pitágoras, na Grécia, e a dos druidas, em nossa pobre Gália dela, ensinavam os princípios, mas que revestiam uma forma da atualidade pela correspondência com os fenômenos.

“Depois dessa primeira obra, apareceram, sucessivamente, O Livro dos Médiuns ou Espiritismo experimental; – O que é o Espiritismo? ou resumo sob a forma de perguntas e de respostas; – O Evangelho Segundo o Espiritismo; – O Céu e o Inferno; – A Gênese; – e a morte veio surpreendê-lo no momento em que, em sua atividade infatigável, trabalhava numa obra sobre as relações do magnetismo e do Espiritismo.

“Pela Revista Espírita e a Sociedade de Paris, da qual era presidente, se constituíra, de alguma sorte, o centro para onde tudo tendia, o traço de união de todos os experimentadores. Há alguns meses, sentindo o seu fim próximo, preparou as condições de vitalidade desses mesmos estudos depois de sua morte, e estabeleceu a Comissão central que lhe sucede.

“Ele levantou rivalidades; fez escola sob uma forma um pouco pessoal; há ainda alguma divisão entre os “espiritualistas” e os “espíritas”. Doravante, Senhores, (tal é pelo menos o voto dos amigos da verdade), deveremos estar todos reunidos por uma solidariedade confraternal, pelos mesmos esforços para a elucidação do problema, pelo desejo geral e impessoal do verdadeiro e do bem.

“Objetou-se, Senhores, ao nosso digno amigo, a quem rendemos hoje os derradeiros deveres, se lhe objetou de não ser, de nenhum modo, o que se chama um sábio, de não ter sido, primeiro, físico, naturalista ou astrônomo, e de ter preferido constituir um corpo de doutrina moral antes de haver aplicado a discussão científica à realidade e à natureza dos fenômenos.

“Talvez, Senhores, seja preferível que as coisas hajam começado assim. Não é necessário rejeitar sempre o valor do sentimento. Quantos corações foram consolados primeiro por esta crença religiosa! Quantas lágrimas foram secadas! Quantas consciências abertas ao raio da beleza espiritual! Nem todos são felizes neste mundo. Muitas afeições foram dilaceradas! Muitas almas foram entorpecidas pelo ceticismo. Não é, pois, nada senão de haver conduzido ao espiritualismo tantos seres que flutuavam na dúvida e que não amavam mais a vida, nem a física, nem a intelectual?

“Allan Kardec fora homem de ciência, e, sem dúvida, não teria podido prestar este primeiro serviço e difundi-lo, assim, ao longe, como um convite a todos os corações.

“Mas era o que eu chamarei simplesmente “o bom senso encarnado”. Razão direita e judiciosa, aplicava sem esquecimento, à sua obra permanente, as indicações íntimas do senso comum. Não estava aí uma menor qualidade na ordem das coisas que nos ocupa. Era, pode-se afirmá-lo, a primeira de todas e a mais preciosa, sem a qual a obra não poderia se tornar popular, nem lançar as suas imensas raízes no mundo. A maioria daqueles que se entregaram a esses estudos, lembram-se de ter sido, em sua juventude, ou em certas circunstâncias especiais, testemunhas, eles mesmos, das manifestações inexplicadas; há poucas famílias que não hajam observado, em sua história, testemunhos dessa ordem. O primeiro ponto era aplicar-lhes a razão firme do simples bom senso e examiná-las segundo os princípios do método positivo.

“Como organizador desse estudo lento e difícil, ele mesmo previu-o, esse complexo estudo deve entrar agora em seu período científico. Os fenômenos físicos sobre os quais não se insistiu de início, devem se tornar o objeto da crítica experimental, à qual devemos a glória do progresso moderno, e as maravilhas da eletricidade e do vapor; esse método deve tomar os fenômenos de ordem ainda misteriosa, aos quais assistimos, dissecá-los, medi-los, e defini-los.

“Porque, Senhores, o Espiritismo não é uma religião, mas é uma ciência, ciência da qual conhecemos apenas o a b c. O tempo dos dogmas acabou. A Natureza abarca o Universo, e, o próprio Deus, que se fez outrora à imagem do homem, não pode ser considerado pela metafísica moderna senão como um Espírito na Natureza. O sobrenatural não existe mais. As manifestações obtidas por intermédio dos médiuns, como as do magnetismo e do sonambulismo, são de ordem natural, e devem ser severamente submetidas ao controle da experiência. Não há mais milagres. Assistimos à aurora de uma ciência desconhecida. Quem poderia prever a quais consequências conduzirá, no mundo do pensamento, o estudo positivo dessa psicologia nova?

“Doravante, a ciência rege o mundo; e, Senhores, não será estranho a este discurso fúnebre anotar a sua obra atual e as induções novas que ela nos descobre, precisamente do ponto de vista de nossas pesquisas.

“Em nenhuma época da história, a ciência desenvolveu, diante do olhar admirado do homem, horizontes tão grandiosos. Sabemos agora que a Terra é um astro, e que nossa vida atual se cumpre no céu. Pela análise da luz, conhecemos os elementos que queimam no Sol e nas estrelas, a milhões, a trilhões de léguas de nosso observatório terrestre. Pelo cálculo, possuímos a história do céu e da Terra em seu passado distante, como em seu futuro, que não existem pelas leis imutáveis. Pela observação, pesamos as terras celestes que gravitam na amplidão. O globo onde estamos se tornou um átomo estelar voando no espaço, em meio das profundezas infinitas, e a nossa própria existência, sobre este globo, tornou-se uma fração infinitesimal de nossa vida eterna. Mas o que pode, a justo título, nos ferir mais vivamente ainda, é esse espantoso resultado dos trabalhos físicos operados nestes últimos anos: que vivemos em meio de um mundo invisível, agindo sem cessar ao nosso redor. Sim, Senhores, aí está, para nós, uma revelação imensa. Contemplai, por exemplo, a luz derramada nesta hora na atmosfera por esse brilhante Sol, contemplai esse azul tão suave da abóboda celeste, notai esses eflúvios de ar tíbio que vem acariciar os nossos rostos, olhai esses monumentos e esta terra: pois bem! apesar dos nossos grandes olhos abertos, não vemos o que se passa aqui! Sobre cem raios emanados do Sol, só um terço é acessível à nossa visão, seja diretamente, seja refletido por todos os corpos; os dois terços existem e agem ao nosso redor, mas de maneira invisível, embora real. São quentes, sem serem luminosos para nós e são, entretanto, mais ativos do que aqueles que nos ferem, porque são eles que atraem as flores para o lado do Sol, que produzem todas as ações químicas, e são eles também que elevam, sob uma forma igualmente invisível, o vapor d’água na atmosfera para formar as nuvens; – exercendo assim, incessantemente, ao nosso redor, de maneira oculta e silenciosa, uma força colossal, mecanicamente avaliável ao trabalho de bilhões de cavalos!

“Se os raios caloríficos e os raios químicos que agem constantemente na Natureza são invisíveis para nós, é porque os primeiros não ferem com bastante rapidez a nossa retina, e porque os segundos a ferem muito rápido. O nosso olho não vê as coisas senão entre dois limites, aquém e além dos quais não vê mais. O nosso organismo terrestre pode ser comparado a uma harpa de duas cordas, que são o nervo óptico e o nervo auditivo. Uma certa espécie de movimento coloca em vibração o primeiro e uma outra espécie de movimentos coloca em vibração o segundo: aí está toda a sensação humana, mais restrita aqui do que a de certos seres vivos, de certos insetos, por exemplo, nos quais essas mesmas cordas, da visão e do ouvido, são mais delicadas. Ora, existem, em realidade, na Natureza não dois, mas dez, cem, mil espécies de movimentos. A ciência física nos ensina, portanto, que vivemos assim no meio de um mundo invisível para nós, e que não é impossível que seres (invisíveis igualmente para nós) vivam igualmente sobre a Terra, numa ordem de sensações absolutamente diferentes da nossa, e sem que possamos apreciar a sua presença, a menos que não se manifestem a nós por fatos entrando na nossa ordem de sensações.

“Diante de tais verdades, que não fazem ainda senão entreabrir, quanto a negação a priori parece absurda e sem valor! Quando se compara o pouco que sabemos, e a exiguidade da nossa esfera de percepção à quantidade do que existe, não se pode impedir de concluir que não sabemos nada e que tudo nos resta a saber. Com que direito pronunciaremos, pois, a palavra “impossível” diante dos fatos que constatamos sem poder descobrir-lhes a causa única?

“A ciência nos abre visões, tão autorizadas quanto as precedentes, sobre os fenômenos da vida e da morte e sobre a força que nos anima. Basta-nos observar a circulação das existências.

“Tudo não é senão metamorfose. Transportados em seu curso eterno, os átomos constitutivos da matéria passam, sem cessar, de um corpo a outro, do animal à planta, da planta à atmosfera, da atmosfera ao homem, e nosso próprio corpo, durante a duração inteira de nosso vida, muda incessantemente de substância constitutiva, como a chama não brilha senão pelos elementos renovados sem cessar; e quando a alma se evola, esse mesmo corpo, tantas vezes transportado já durante a vida, devolve definitivamente à Natureza todas as moléculas para não mais retomá-las. Ao dogma inadmissível da ressurreição da carne substituiu-se a alta doutrina da transmigração das almas.

“Eis o sol de abril que irradia nos céus e nos inunda com o seu primeiro orvalho calorescente. Já os campos despertam, já os primeiros botões se entreabrem, já a primavera floresce, o azul celeste sorri, e a ressurreição se opera; e, todavia, esta vida nova não está formada senão pela morte e não recobre senão ruínas! De onde vem a seiva dessas árvores que reverdecem no campo dos mortos? De onde vem essa umidade que nutre as raízes? De onde vêm todos os elementos que vão fazer aparecer, sob as carícias de maio, as pequenas flores silenciosas e os pássaros cantores? – Da morte?… Senhores…, desses cadáveres sepultados na noite sinistra dos túmulos!… Lei suprema da Natureza, o corpo não é senão um conjunto transitório de partículas que não lhe pertencem de nenhum modo, e que a alma agrupou segundo o seu próprio tipo, para se criarem órgãos pondo-a em relação com o nosso mundo físico. E, ao passo que o nosso corpo se renova assim, peça por peça, pela mudança perpétua das matérias, ao passo que um dia cai, massa inerte, para não mais se levantar, o nosso Espírito, ser pessoal, guardou constantemente a sua identidade indestrutível, reinou soberanamente sobre a matéria da qual estava revestido, estabelecendo assim, por esse fato constante e universal, a sua personalidade independente, a sua essência espiritual não submissa ao império do espaço e do tempo, sua grandeza individual, a sua imortalidade.

“Em que consiste o mistério da vida? Por que laços a alma está ligada ao organismo? Por qual solução ela dele se escapa? Sob qual forma, e em quais condições, ela existe depois da morte? – Estão aí, Senhores, tantos problemas que estão longe de serem resolvidos, e cujo conjunto constituirá a ciência psicológica do futuro. Certos homens podem negar a própria existência da alma, como a de Deus, afirmarem que a verdade moral não existe, que não há, de nenhum modo, leis inteligentes na Natureza, e que nós, espiritualistas, somos vítimas de uma imensa ilusão. Outros podem, opondo-se-lhes, declarar que conhecem, por um privilégio especial, a essência da alma humana, a forma do Ser supremo, o estado da vida futura, e nos tratar de ateus, porque a nossa razão se recusa à sua fé. Uns e outros, Senhores, não impedirão que estejamos aqui, em face dos maiores problemas, que não nos interessemos por essas coisas (que estão longe de nós serem estranhas), e que não tenhamos o direito de aplicar o método experimental, da ciência contemporânea, na pesquisa da verdade.

“É pelo estudo positivo dos efeitos que se remonta à apreciação das causas. Na ordem dos estudos reunidos sob a denominação genérica de “Espiritismo”, os fatos existem. Mas ninguém conhece o seu modo de produção. Eles existem, tão bem quanto os fenômenos elétricos, luminosos, caloríficos; mas, Senhores, não conhecemos nem a biologia e nem a fisiologia. O que é o corpo humano? O que é o cérebro? Qual é a ação absoluta da alma? Nós o ignoramos. Ignoramos igualmente a essência da eletricidade, a essência da luz; é, pois, sábio observar, sem tomar partido, todos esses fatos, e tentar determinar-lhes as causas, que são, talvez, espécies diversas e mais numerosas do que não o supusemos até aqui.

“Que aqueles cuja visão está limitada pelo orgulho, ou pelos preconceitos, não compreendem de nenhum modo esses ansiosos desejos dos nossos pensamentos ávidos de conhecerem; que lancem sobre esse gênero de estudo, o sarcasmo ou o anátema; elevamos mais alto as nossas contemplações!… Tu foste o primeiro, ó mestre e amigo! tu foste o primeiro que, desde o início da minha carreira astronômica, testemunhou uma viva simpatia pelas minhas deduções relativas à existência de humanidades celestes; porque, tendo na mão o livro da Pluralidade dos mundos habitados, o colocaste em seguida na base do edifício doutrinário que sonhavas. Muito frequentemente, nos entretemos juntos dessa vida celeste tão misteriosa; agora, ó alma! sabes por uma visão direta, em que consiste essa vida espiritual, à qual retornaremos todos, e que nos esquecemos durante esta existência.

“Agora retornastes a esse mundo de onde viemos, e recolhes os frutos dos teus estudos terrestres. O teu envoltório dorme aos nossos pés, teu cérebro está aniquilado, os teus olhos estão fechados para não mais se abrirem, a tua palavra não se fará mais ouvir… Sabemos que todos nós chegaremos a esse mesmo último sonho, à mesma inércia, ao mesmo pó. Mas não é nesse envoltório que colocamos a nossa glória e a nossa esperança. O corpo cai, a alma permanece e retorna ao espaço. Encontrar-nos-emos, nesse mundo melhor, e no céu imenso onde se exercerão as nossas faculdades, as mais poderosas, continuaremos os estudos que não tinham sobre a Terra senão um teatro muito estreito para contê-los.

“Gostamos mais de saber esta verdade do que crer que tudo jaz inteiramente nesse cadáver, e que a tua alma haja sido destruída pela cessação do funcionamento de um órgão. A imortalidade é a luz da vida, como esse brilhante Sol é a luz da Natureza.

“Até breve meu caro Allan Kardec, até breve.” CAMILLE FLAMARION.

Discurso de Camille Flamarion transcrito de: http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/op/.

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Divulgação Yahoo!

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Criador da teoria do biocentrismo, o renomado cientista Robert Lanza surpreendeu ao propor que a morte não existe. De acordo com seu biocentrismo, todos os conhecimentos que a humanidade adquiriu formam uma “nova teoria do Universo”. Nessa perspectiva, ele encara que a morte é uma ilusão, pois a vida cria o universo e não o contrário.

O que parece muito complicado é resumido de forma simples por ele: a morte, no biocentrismo, não existe em seu “sentido real”, sendo apenas uma ilusão de nossa consciência. De acordo com Lanza, nossa consciência é quem dá vida ao corpo biológico. A prova para a teoria — bastante contestada até o momento — estaria em experimentos de física quântica feitas por Lanza e sua equipe.

Nos experimentos em questão, é demonstrado que a matéria e a energia se revelam com características de partículas ou ondas na percepção ou consciência de uma pessoa. Por conta disso, Lanza crê que a morte não tem nenhum sentido real.

Apesar de bastante polêmica, a teoria de Lanza ganhou apoiadores importantes. Entre eles está Ronald Green, diretor do Instituto de Ética da Universidade de Darthmouth, que afirma que “pensar a consciência de um ponto de vista quântico é coerente com as últimas descobertas da biologia e da neurociência”.

Por Redação Yahoo! Brasil.

Fonte:            https://br.noticias.yahoo.com/blogs/eita/cientista-formula-teoria-na-qual-afirma-que–a-morte-n%C3%A3o-existe-143234114.html

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Premiação Livro Pão Nosso

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Epidemia de obsessão

Localização de Morzine

Localização de Morzine

Em março do ano de 1857, a comuna de Morzine, situada na Alta Sabóia, leste da França, com aproximadamente 2.500 habitantes, encontrava-se, segundo os noticiários da época, sob a influência de uma desconhecida epidemia, que iniciava sua escalada.

Em novembro, daquele mesmo ano, os atingidos já totalizavam vinte e sete; em 1861, alcançava o máximo de cento e vinte.

Demonstrando intensa preocupação com a patologia, o governo francês designou um certo Dr. Constant, para que desenvolvesse criteriosa investigação sob os rigores da ciência médica.

Durante alguns meses o pesquisador teve o ensejo de presenciar diversas crises que periodicamente acometiam os pacientes — meninas, em sua grande maioria — tendo elaborado farto relatório, cujos trechos mais significativos transcrevemos:

“Em meio a mais completa calma, raramente à noite, de repente sobrevêm bocejos, espreguiçamentos, tremores, pequenos solavancos nos braços; pouco a pouco, em curto espaço de tempo, como por efeito de descargas sucessivas”.

“Elas batem nos móveis com força e vivacidade, começam a falar, ou antes a vociferar”.

“No estado de crise as moças têm uma força desproporcional à idade, pois são precisos três ou quatro homens para conter, durante a mesma, meninas de dez anos”.

“Sabemos que deram respostas exatas a perguntas feitas em línguas por elas desconhecidas”.

“Durante a crise, o caráter dominante destes momentos terríveis é o ódio a Deus e a tudo a que a ele se refere (…) após, as meninas não têm qualquer lembrança do que disseram ou fizeram…”.

Sob a ótica espírita, certamente não hesitaríamos em identificar, nos relatos acima, claras evidências de um legítimo enredo obsessivo; no entanto, assim concluiu o Dr. Constant:

“Tudo o que se viu em Morzine, sobretudo aquilo que se conta, poderá parecer para certas pessoas um sinal manifesto de uma possessão demoníaca, mas é, muito certamente, o de uma moléstia complexa que recebeu o nome de histero-demoniomania”.

Tratar-se-ia, segundo o diagnóstico proposto, de uma intrigante histeria coletiva, agravada pela fixação na figura demoníaca.

Em função da impotência da terapêutica médica convencional para solução da insólita problemática, julgou-se conveniente recorrer aos tradicionais procedimentos de expulsão demoníaca, a cargo das autoridades religiosas.

Pensaram, então, em reunir na Igreja local todos os “doentes” de Morzine, com vistas a implementar um exorcismo coletivo. Todavia, para desespero dos sacerdotes ali presentes, todas as jovens entraram em crise ostensiva simultaneamente, derrubando e quebrando o mobiliário do templo, lançando-se ao chão entre homens e crianças que, em vão, tentavam contê-las.

Em vista da desastrada experiência, optou-se, a partir de então, por se implementar o exorcismo a domicílio, a qualquer hora do dia ou da noite, o que também não surtiu melhores efeitos.

À época, a Doutrina Espírita já se apresentava ao mundo, principalmente através de suas duas primeiras obras basilares, O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns, suficientes para a elucidação da estranha epidemia que atingia os moradores do modesto vilarejo. Entretanto, o interessante fenômeno coletivo fez com que Kardec solicitasse orientação específica ao Espírito São Luiz, que assim se expressou:

“Os possessos de Morzine estão realmente sob a influência dos maus Espíritos, atraídos para aquela região por causas que conhecereis um dia, ou melhor, que vós mesmos reconhecereis um dia. O conhecimento do Espiritismo ali fará predominar a boa influência sobre a má fé, isto é, os Espíritos curadores e consoladores, atraídos pelos fluidos simpáticos, substituirão a maligna e cruel influência que desola aquela população. O Espiritismo está chamado a prestar grandes serviços: será o curador dos males cuja causa era antes desconhecida e ante às quais a ciência continua impotente; sondará as chagas mortais e lhes ministrará o bálsamo reparador; tornando os homens melhores, deles afastará os maus Espíritos, atraídos pelos vícios da humanidade. “Se todos os homens fossem bons, os maus Espíritos deles se afastariam porque não poderiam os induzir ao mal (…)”.

Transportando os acontecimentos desencadeados em Morzine para a nossa realidade, percebemos o quanto eles se mostram atuais, pois que, hoje, uma verdadeira epidemia de obsessão assola a humanidade terrestre, que se curva extremamente passiva ante as sugestões do mal, oferecendo franco repasto às Inteligências umbralinas que sobrecarregam a psicosfera do planeta.

Também oportuna a citação de Kardec, eternizada no Capítulo XIV, item 45, da quinta obra basilar, A Gênese, em que ele, corroborando a afirmação de São Luiz, deduziu:

“Pululam em torno da Terra os maus Espíritos, em conseqüência da inferioridade moral de seus habitantes”.

Urge, portanto, que, diante de tão elucidativas afirmações pertinentes à temática da obsessão, nos abstenhamos de responsabilizar os Espíritos momentaneamente imersos nas sombras por todos os dissabores e infortúnios que nos visitam a existência, reconhecendo que processo obsessivo é fenômeno de sintonia, sobretudo mental, em que ondas semelhantes se entrelaçam, fazendo com que os afins se atraiam, ainda que circunstancialmente.

Dispostos, enfim, ao entendimento ampliado que a Doutrina Espírita nos permite alcançar, conscientizemo-nos da realidade de que somente nos faremos imunes a todo o mal que nos circunda, quando houvermos debelado todo o mal que nos habita. Assim procedendo, certamente estaremos nos dedicando à única terapia de fato libertadora ao nosso alcance, que se denomina… Reforma Íntima.

Epidemia de obsessão, por José Marcelo Gonçalves Coelho.

Referências bibliográficas: (1) Kardec, Allan. A Gênese, capítulo XIV, item 45; e, (2) Kardec, Allan. Revista Espírita (ano 1862, nºs de abril e dezembro; ano 1863, nºs de janeiro, fevereiro, abril e maio).

Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/jose-coelho/epidemia-de-obsessao.html.

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Revista Espírita 1863

Revista Espírita 1863

Toda ciência repousa em dois pontos: os fatos e a teoria. Ora, conforme o que temos lido e visto, estamos em estado de afirmar que o Espiritismo possui os materiais e as qualidades de uma ciência; porque, de um lado, se afirma por fatos que são peculiares e que resultam da observação e da experiência, absolutamente como qualquer outra ciência experimental; e, por outro lado, ele se afirma por sua teoria, deduzida logicamente da observação dos fatos.

(Jornal de Psicologia Experimental, nº 2 [Palermo, Sicília, Itália, 1863], in: Revista Espírita, julho de 1863, artigo: Novo Jornal Espírita da Sicília).

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Tema Blog ED

É digno de nota o número de publicações relacionadas à Doutrina Espírita encontradas na rede mundial de computadores. São textos, reproduções de livros, frases, vídeos, áudios e artigos diversos.

Consultando o verbete “espiritismo” encontramos, na pagina de buscas do Google, 5.750.000 (cinco milhões e setecentos e cinquenta mil) itens relacionados. Não é pouca coisa!

Se, por um lado, este número sinaliza um grande interesse pela Doutrina, o que é positivo, de outro, resta claro que a grande maioria destes conteúdos está em flagrante desacordo com os seus princípios e pressupostos básicos.

Sendo a internet é um “território livre”, publica-se de tudo um pouco, existindo incontáveis casos em que a publicação, embora travestida de um caráter doutrinário, tem o objetivo claro e determinado de atacá-la, desacreditá-la e, mesmo, contradizê-la. Se o fosse feito às claras, nada de mais, afinal, todos têm o direito de não concordar, contudo quando se trata de um ardil, de um embuste, devemos nos mobilizar para bem esclarecer os pontos ou a tese que é lançada veladamente como sendo uma semente de uma erva daninha pronta a tomar todo o jardim.

Alguns dos autores deste farto material têm a dignidade de se exprimirem alertando o leitor que aquele conteúdo reflete, apenas e tão somente, a sua opinião (pessoal). Entretanto, estes são a minoria.

Reza a cartilha da coerência, do equilíbrio, da ética e da razão, que, para dizer sobre algo, seja o que for, é preciso, antes, conhecê-lo. Diz-se, mais: conhecê-lo bem!

Apressamo-nos em dizer que respeitamos a liberdade de expressão. Evocamos, contudo, o direito de resposta. Julgamos imprescindível aparar as arestas, colocar os pontos nos “is” e, trazendo o devido esclarecimento, por o ponto final na frase. Exclamações reticenciosas deixam margem a multiplicas e equivocadas interpretações.

Um destes conteúdos é o artigo intitulado A queda constante do espiritismo como doutrina cientifica e filosófica, de autoria de Marcus Carvalheiro e publicado em 3 de outubro de 2014 no site coletivometranca.com.br – disponível em http://coletivometranca.com.br/a-queda-constante-do-espiritismo-como-doutrina-cientifica-e-filosofica/.

Iremos, para facilitar a compreensão do leitor, trazer, grafado em itálico, o texto original, que ora refutamos seguido de nossos comentários e esclarecimentos.

Sempre imaginei o espiritismo como uma vertente mais filosófica para debater as questões que a ciência ainda não pode explicar com exatidão. No entanto, uma sucessão de conteúdos com os quais tive contato nos últimos dias me fez enxergar o espiritismo como qualquer outra religião.

Diremos de início, que imaginar é criar uma imagem, que pode ser real ou não; é julgar, supor, e, mesmo, fantasiar. Indiscutivelmente é a Doutrina Espírita, ou Espiritismo, no dizer de Emmanuel, um “triângulo de forças espirituais”, em que “A ciência e a filosofia vinculam à Terra essa figura simbólica, porém, a religião é o ângulo divino que a liga ao céu”.

Ainda segundo o preclaro benfeitor espiritual “Não será justo em nosso movimento libertador da vida espiritual, prescindir da ciência que estuda, da filosofia que esclarece e da religião que sublima”. Não se pode, portanto, compreendê-lo [o Espiritismo] “como uma vertente mais filosófica”, que científica ou religiosa.

Ademais, o Codificador [Allan Kardec], no prólogo de O Que é o Espiritismo, o definiu como sendo “Uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo espiritual”. Em outra passagem, ainda na obra citada, Kardec acrescenta: “O Espiritismo é ao mesmo tempo ciência experimental e Doutrina Filosófica. Como ciência prática, tem a sua essência nas relações que se podem estabelecer com os espíritos. Como filosofia compreende todas as consequências morais decorrentes dessas relações”.

Outrossim, ressalta, de todo o edifício Kardequiano, que este se reveste de três aspectos que, embora distintos, são complementares: (1) é uma ciência experimental – natural e de observação, com objeto e metodologia de investigação próprios e claros –, (2) é uma doutrina filosófica, e, (3) as consequências morais que decorrem das duas anteriores – o aspecto religioso. Complementar significa completar. Um não está pronto ou definido sem os demais!

“Debater as questões que a ciência ainda não pode explicar com exatidão”, ainda que filosoficamente, não é o fim do Espiritismo. O cerne, segundo Kardec, em seu viés científico está nas “relações que se podem estabelecer com os espíritos” e que este, o Espiritismo, “trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo espiritual”. Quanto a enxerga-lo “como qualquer outra religião”, entendemos que esta é uma prerrogativa do autor e sobre esta, respeitamos, democraticamente, a sua opinião. De nossa parte, não desejamos fazer proselitismo.

Ok, poderíamos imaginar o espiritismo como uma doutrina filosófica, ou política. Entretanto, uma doutrina baseada em princípios sobrenaturais ou “transcendentais” é, fatalmente, uma religião.  Isso porque a religião é um conjunto de crenças ligadas, justamente ao “divino” ou “sagrado”, e possui um conjunto de rituais e códigos morais que derivam dessas crenças.

Não! Não se pode imaginar o Espiritismo como uma doutrina política. É preciso compreender o Espiritismo em seu tríplice aspecto: filosófico, científico e religioso. Tudo o menos, em relação a este ponto, implicará numa equivocada, rasteira e limitada análise.

“Princípios sobrenaturais ou ‘transcendentais’”? Onde? É a Doutrina Espírita uma ciência natural e de observação! Todos os fenômenos tidos e havidos como espíritas estão na ordem dos fenômenos naturais, regidos por leis naturais imutáveis e eternas. O que era a lei da gravitação universal até Newton? Resposta: a mesma lei da gravitação universal depois de Newton. O fato de não a conhecermos até Newton, não fez dela uma lei sobrenatural ou transcendental.

Que fique claro: não são princípios sobrenaturais ou transcendentais; são leis naturais!

Onde, no Espiritismo, o “conjunto de rituais”? O fenômeno espírita não é uma crença. É um fato sobejamente comprovado. Convidamos o autor a buscar na literatura científica os trabalhos que foram levados à efeito por William Crookes (que, em conclusão a estes estudos [sobre os fenômenos espíritas], convicto afirmou: “Não digo que isto é possível; digo, isto é real”), por Alexander Aksakof, por Cesare Lombroso, por Gabriel Delanne, por Ernesto Bozzano, por Charles Richet (Prêmio Nobel de Medicina em 1913), para citar alguns. Todos eles, homens de ciência, que comprovaram (provaram e demonstraram!) o fenômeno espírita.

Por isso dissemos no preâmbulo desta refutação: para emitir opinião ou comentários acerca de uma matéria, seja qual for, é preciso conhecê-la, dominá-la; do contrário, incorrerá em erro e, não por vezes, cairá no ridículo e no descrédito.

Certo, esta introdução com termos colhidos do próprio dicionário serve de base para explicar que, quanto mais o espiritismo se aproxima do conjunto de rituais e códigos morais religiosos, mais ele se distancia das suas duas outras bases: a ciência e a filosofia.

Engana-se redondamente o autor. O Espiritismo não se aproxima de qualquer conjunto de rituais, tampouco se “distancia das suas outras bases: a ciência e a filosofia”. Dissemos acima e nos é forçoso repetir: o Espiritismo reveste-se de três aspectos (filosofia, ciência e religião) que, embora distintos, são complementares. Com-ple-men-ta-res!!…

Não há, no Espiritismo, nenhuma manifestação de culto exterior. Nenhum ritual. Nenhum chefe (papa, bispo, rabino, sacerdote, etc.). O código moral, para nós, espíritas, é o Evangelho de Jesus! Contudo, antes de ser um código moral para os espíritas e para os cristãos, o Evangelho é um código moral para toda a humanidade: é um código moral cósmico. Gandhi, um hindu, certa feita asseverou que se todos os livros com conteúdos morais existentes fossem, para sempre, perdidos e se restasse apenas o Sermão do Monte, ainda sim, a humanidade teria o seu caminho iluminado.

Onde, no Evangelho, Jesus nos apresenta rituais a serem praticados, observados ou seguidos?

Digo isso porque “embora o Espiritismo tenha importado, a fim de estruturar seu corpo de conhecimento, muito da metodologia científica, mostra-se importante ressaltar que ele desenvolve-se sobre princípios que transcendem os rigores dessa metodologia, de forma que vários dos resultados e fenômenos dentro do Espiritismo entendidos como válidos perante sua metodologia própria não se sustentam frente à metodologia científica – essa estabelecida com base e princípios certamente mais rigorosos e restritivos”.

A Doutrina Espírita não “importou” metodologia científica; ela já nasceu ciência e não transcende, em nada, absolutamente nada, o rigor da metodologia científica. Ao contrário, o estimula. Perdoe-me o leitor, mas, preciso, novamente, remetê-lo ao exposto linhas acima, quando mencionamos os homens de ciência que, segundo e seguindo os rigores do método científico, comprovaram e demonstraram o fenômeno espírita.

Demonstra desconhecer, o autor, os trabalhos científicos a que aludimos. E, por desconhecê-los, faz um juízo de valor obtuso.

Após, exercitando o seu olhar míope, o autor cita três “cartilhas” divulgadas pela FEB – Federação Espírita Brasileira – relativas aos temas: (1) drogas, (2) família, e, (3) aborto.

Diz o autor do artigo: Não acredito que neste pequeno texto eu vá conseguir colocar todas as críticas que vieram à minha mente depois de ler estas cartilhas, por isso vou citar somente três de todas as coisas bizarras que encontrei neste material da FEB. Acho importante compartilhar isso, pois estes materiais justificam somente a vertente cristã ocidental presente no espiritismo e desconsideram totalmente a prática do debate político (filosófico) e do próprio debate científico, do qual o espiritismo se orgulha de ter em sua base.

Primeiro, sobre o tema das drogas. Diz, de forma pouco polida e elegante, o autor: (…) danem-se [sic] as pessoas que usam cientificamente a maconha ou a penicilina (que agora também tem seu plantio proibido no Brasil) para tratamentos e danem-se [sic] todos os estudos científicos que comprovam os benefícios de estas e outras plantas ou ervas, como os que são citados no documentário Cortina de Fumaça.

Segue o autor: O que importa é o sistema moral religioso que impõe a maconha (e outras drogas) como algo extremamente degenerativo, com base, é claro, em escritos psicografados. Ou seja, a ciência é importante para o espiritismo, mas não tanto.

A cartilha da FEB, a que alude o autor, diz, textualmente, em resposta à pergunta “Há possibilidade de algum tóxico causar benefícios físicos?”, o seguinte: De um modo geral, por enquanto (g. n.), raramente. A morfina (g. do o.), que na verdade se origina do ópio, é utilizada por pacientes em estado terminal, para aliviar-lhes dores atrozes, se for o caso; por outro lado, utilizada na busca de euforia, geralmente leva o viciado a desordens físicas e intelectuais, anulando-lhe vontade e moral (g. n.).

Segue a cartilha, no trecho citado pelo autor: Estudos modernos tendem à utilização da maconha em pacientes com patologias cerebrais. Mas, por enquanto, essas são notas pequenas, ante tudo o que há na natureza, sempre com alguma finalidade. As plantas das quais são extraídas as drogas talvez se prestem a alguma finalidade específica medicinal, hoje ainda desconhecida (g. n.).

Onde, por parte da FEB e do Espiritismo, a recusa em aceitar o tratamento medicinal de substâncias tidas como “tóxicas” ou entorpecentes? Onde se lê que a ciência não é importante para o Espiritismo ou que é apenas na parte que lhe convém? O autor enxerga além do texto e faz conjecturas outras, desvirtuando o verdadeiro e correto sentido.

Quer sustentar o autor que o uso, para fins não terapêuticos, de substâncias entorpecentes não trazem dano à estrutura psicossomática do Ser? A ciência positiva atesta isso a todo o momento. É o mesmo que assevera a cartilha. Vejamos a resposta à pergunta “Há sempre danos físicos resultantes da toxicomania?”: Sempre. E terríveis: cativeiro orgânico e moral (dependência) de difícil libertação. Decadência da saúde, até à morte. Verdadeiro suicídio indireto (g. n.). Onde a inverdade nesta afirmação?

A cartilha, ao contrário do que sustenta o autor, caminha, ao lado da ciência e do seu progresso. Não há qualquer nota no sentido de que não se deva utilizá-las com a finalidade terapêutica. Chamamos a atenção do leitor atento para os pontos que grifamos no texto original. Um exame frio e sério da razão o conduzirá à verdade dos fatos.

Segundo, sobre a família. Aduz o autor: (…) primeiro, uma família é composta sempre por homem e mulher, obviamente, já que é o que temos como base no Evangelho Segundo Jesus Cristo. Descartam-se todas as alternativas de composição familiar da atualidade e todo o debate sobre diversidade, justamente porque se desconsidera o debate político e filosófico do ser humano como filho do seu próprio tempo. Aqui, o espiritismo praticamente diz: “filosofamos e debatemos política, mas só com base no contexto histórico vivido por Jesus, não nos interessa a atualidade”.

E ainda: Seguindo a psicografia de Chico Xavier, se você for mulher e cristã, “obviamente” seu dever é “satisfazer as necessidades do teu marido”, pois é isso que lhe garantirá a estabilidade em uma família, mesmo que você esteja em “nível inferior” à “expectativa” do teu companheiro. Mas não é só isso, se você for mulher “deves também aguentar a ignorância e crueldade dele”, pois ele é o “companheiro que Deus te concedeu”. Ei, “Emmanuel”, você é uma entidade machista e preconceituosa.

Pergunto-me: terá o autor, lido, pelo menos um, dos mais de 100 livros ditados por este Espírito de escol? Sabe, o autor, que este Espírito, a quem rotula de “uma entidade machista e preconceituosa”, participou ativa e decisivamente dos trabalhos da Codificação Espírita levados à efeito por Allan Kardec e que este Espírito foi o que mais se dedicou à interpretação e divulgação do Evangelho à luz da Doutrina Espírita?

Deixa o autor, ao que tudo sugere, tendenciosamente, de destacar o parágrafo em que Emmanuel esclarece ser, esta, a que estamos a viver, uma existência transitória, que nos convida a, com Jesus, estreitar os laços e os “divinos fundamentos da amizade real” e a buscar “o lado útil e santo” da convivência conjugal. Pergunto-me: o esforço deve ser no sentido de manter ou de desfazer a união conjugal, seja ela de que natureza for?

Ilustrando o nosso argumento, lembramos que, não obstante a modernidade e as mais variadas formas de expressão da família nos tempos atuais, a Constituição Federal, em seu artigo 226 e incisos III e IV, dispõe que “A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado”, que “Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento” e que “Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher” (g. n.); o mesmo se afere nos artigos 1.514 e 1.517, ambos do Código Civil: “O casamento se realiza no momento em que o homem e a mulher manifestam, perante o juiz, a sua vontade de estabelecer vínculo conjugal, e o juiz os declara casados” e “O homem e a mulher com dezesseis anos podem casar, exigindo-se autorização de ambos os pais, ou de seus representantes legais, enquanto não atingida a maioridade civil” (g. n.).

A Constituição Federal é de 1988; o Código Civil de 2002; o livro Vinha de Luz, ditado por Emmanuel a Francisco Cândido Xavier, é de 1951… Melhor seria o autor dizer: “Ei, legislador pátrio: você é machista e preconceituoso!”…

Deixa o autor, de fazer a devida exegese do texto, sequer o contextualiza.

Terceiro, sobre o debate em torno do aborto. Bravateia o autor: No Brasil, “não é qualificado como crime quando praticado por médico capacitado em três situações: quando há risco de vida para a mulher causado pela gravidez, quando a gravidez é resultante de um estupro ou se o feto for anencefálico”. Esta é a determinação baseada no Decreto Lei nº 2.848 e na decisão do STF pela ADPF 54, votada em 2012, que descreve o terceiro caso como um “parto antecipado” para fim terapêutico.

E continua: Mas é claro que nenhuma destas leis ou decretos tem importância. Desconsidera-se, novamente, todo o debate político e filosófico promovido por milhões de pessoas justamente por que “não há legislação humana que vos assinale a torpitude do infanticídio”. Aliás, nesta cartilha nem é citada a possibilidade de uma gravidez resultante de um estupro. Só há algumas observações sobre a necessidade de o espírito passar por estas dores terrenas. Ou seja, segundo o espiritismo, se você engravidou de um estrupo é porque você está pagando alguma conta da vida passada e deve ter o filho, querendo ou não.

Por fim, desdenha: Sim, você mulher não tem alternativa, até mesmo, porque se você não seguir a psicografia do Chico, você será “merecidamente constrangida” por enfermidades oriundas da “justiça divina”.

Valemo-nos do princípio avocado no tópico sobre a família, acima: o autor manifestou seu posicionamento acerca de Emmanuel; nós lhe contrapomos a legislação brasileira que regula a matéria; aqui, o autor é quem o faz: vale-se da legislação pátria em favor de seus argumentos, de sua tese. Lembraremos também, por muito oportuno, que a lei põe a salvo, desde a concepção – frisamos: desde a concepção – os direitos do nascituro (Art. 2º, do Código Civil).

Demonstra o autor, desconhecer, por completo, os mecanismos e o alcance da justiça divina. Não temos espaço e igualmente a pretensão de lhe esclarecer. Deixamos ao cargo do leitor avaliar se a prática do aborto (infanticídio), embora legal em alguns casos, é moral.

Ao concluir o seu artigo, fechando os seus argumentos, o autor, conforme ele próprio afirma, “Lendo só estes três tópicos já dá pra entender um pouco dos motivos que me levaram a considerar o espiritismo, de uma forma geral, como qualquer outra religião” (g. n.).

Só três? É pouco para uma Doutrina tão grandiosa, rica e robusta.

Esta afirmativa, por si só, já deveria ser, para nós, a constatação de que tudo o que alude o autor não merece qualquer crédito, visto que nada viu, leu ou compreendeu. Aliás, não o vimos citar, para ilustrar os seus frágeis e fragmentados argumentos, qualquer das obras básicas da Codificação Espírita. Nenhuma linha! Nenhuma palavra! Uma única que fosse…

Refutamos, frontal e veementemente, a equivocada alegação do autor de que o Espiritismo “usufrui de argumentos católicos”. Ao fazer uma afirmação como esta, demonstra, cabalmente, nada conhecer da Doutrina Espírita.

Quanto a se valer de mensagens e livros psicografados que definem sua própria moral, outro equívoco do autor. Não sabe ele que a Doutrina é dos Espíritos? Toda ela foi erigida sobre os ensinamentos transmitidos pelos Espíritos, por isso as mensagens ditadas por Espíritos de escol e que visam colaborar com o nosso melhoramento moral são por ela, a Doutrina Espírita, recepcionadas. Nada mais lógico e natural.

Ainda assim, não é o Evangelho de Jesus, um decreto. O autor deixa de mencionar (intencionalmente ou por desconhecer) o nosso livre arbítrio, pedra angular do edifício doutrinário-espírita.

Segue o autor em sua conclusão: (…) O que eu percebo é que o debate político e filosófico está nitidamente congelado no espiritismo, não sei ao certo porque e talvez esta seja minha próxima pesquisa. Aliás, preciso pesquisar muito para alinhar minhas outras críticas, mesmo assim, precisei escrever este post, até como forma de compartilhar estas impressões imediatas que tive das tais cartilhas. (g. n.).

Não! O debate filosófico nunca esteve congelado no seio doutrinário-espírita. A Doutrina não está pronta. Ela se aperfeiçoa continuamente, dia-a-dia. O mesmo se diz do debate político, entendendo-se por debate político, não o partidário, mas o debate moral em torno dos grandes temas da vida: a dignidade e plenitude da pessoa humana, a prática do aborto, da eutanásia, a descriminalização das drogas, das penas impostas pela legislação humana, da laicização do Estado, etc.

O Jesus dos Espíritas não é o Jesus estereotipado. Não é o Jesus pregado na cruz. O Jesus dos Espíritas é o guia e o modelo de perfeição moral a ser seguido. E o Evangelho interpretado à luz dos ensinamentos trazidos pelos espíritos, não é o literal, mas sim aquele que transcende a matéria e revela as sublimes verdades do mundo espiritual.

Se o autor ainda tencionar debater, no campo das ideias, o Espiritismo, tenho a certeza de que não lhe faltarão oportunidades e espíritas esclarecidos para fazê-lo. Sugiro, contudo, antes, por cautela, que pesquise mais e que não forme impressões imediatas e as tome por verdades absolutas.

A Doutrina Espírita é uma doutrina de libertação e promoção do Ser. Não é intolerante, ao contrário, é fraterna e caridosa e cuja divisa máxima é: “FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO”. Note o autor. Não dissemos: “fora da Doutrina Espírita não há salvação” ou “fora da Casa Espírita não há salvação”; dissemos, em alto e bom tom: “FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO”.

A queda constante do espiritismo como doutrina científica e filosófica: uma refutação necessária, por José Márcio de Almeida.

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O Sal da terra

Honório Onofre Abreu

Honório Onofre de Abreu

Meus queridos irmãos, suplicamos mais uma vez a Misericórdia do Pai, para que o espírito divino habite entre nós!

Os movimentos evolutivos que, como as ondas do mar, em fluxo e refluxo jamais se estancam, fazem surgir as circunstâncias sábias do que nominamos destino, e por ele, ocorrem os acrisolamentos imprescindíveis à imantação psíquica das criaturas, como aberturas mentais e justa capacitação intelecto-moral dos seres.

O estudo da evolução é responsável pelo entendimento da vida em seu sentido cósmico, e semelhantes estudos patrocinam o esforço mais lúcido e mais coerente de nós próprios, para que a adoção de novos padrões nos aproximem do que o Evangelho de Jesus revela aos homens.

Vivemos na Terra um dilúvio de forças psíquicas, todas elas geradas e fomentadas pelos desejos humanos, somadas às ações nem sempre equilibradas dos desencarnados ainda passionais e viciosos.

Tendo consciência desta transição que, em seu ápice, propõe o desespero, a saturação, os sofrimentos e as muitas aflições, induzindo corações a estados depressivos e a excessivas ansiedades, salientamos que nossos esforços, em torno da compreensão do Espiritismo, será coroado de êxitos quando alcançamos, pelo entendimento e por viva sensibilização, as lições sublimes da Boa Nova, num claro vínculo com o Amor do Cristo – nosso Mestre e Senhor perante Deus.

Por muito tempo ainda, seremos um grupo diminuto à frente de vasta família humana, porque o domínio das chaves que a Doutrina Espírita nos oferece para justa compreensão dos ensinos evangélicos, necessitará do concurso do tempo e dos sofrimentos depuradores para alcançar um contingente maior de irmãos nossos na Humanidade.

Portanto, nossa ação regenerativa se prende àquela proposta do Senhor figurada no Sal da terra, que potencializa os ingredientes naturais das leis em ação sobre as massas, para que a espiritualização seja fomentada de modo indireto.

É como se nosso empenho pela renovação mental, com vivos reflexos em nosso comportamento, em nossas relações interpessoais, fosse semelhante ao do Sol, projetando raios indiretos sobre furnas e reentrâncias diversas com fins nobres e promotores…

Nossa comunidade Espírita necessita amadurecer suas concepções acerca da divulgação do Consolador. É urgente o propósito de nossa união fraternal em torno do que é sério e edificante em termos morais.

Há obras espíritas de cunho informativo que induzem o leitor a planos de consciência Universal, mas há aquelas que apenas nutrem ilusões e fantasias por ausência de apelos mais altos, apenas disponíveis aos instrumentos humanos que já aprenderam a se relativizar, a se apagarem no serviço.

A nossa ventura tem sido a sensibilização moral dos corações. Os júbilos oriundos das sementeiras do amor e da luz asseguram nossa paz, pois são capazes de nos dispor a mente a outros domínios vibratórios da Criação, reveladores por excelência dos divinos dons.

Amigos e companheiros da Seara: devotemo-nos às meditações doutrinárias e evangélicas; cooperemos com o Senhor, inundando o Brasil dessas claridades que o Evangelho, em viva restauração pela Doutrina, deixa irradiar em favor do Mundo melhor.

Estudar é viver, e trabalhar é servir no Bem!

Registramos nossa alegria ao revê-los e suplicamos a Jesus que não faltem coragem e bom ânimo a todos corações queridos.

Paz a todos!

HONÓRIO ONOFRE DE ABREU

(Mensagem psicografada pelo médium Wagner Gomes da Paixão durante evento de Carnaval ocorrido no Abrigo Jesus, em Belo Horizonte, MG, na manhã do dia 17/02/15)

Fonte: http://www.grupodabencao.org.br/site/

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