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Archive for julho \24\UTC 2015

Espiritismo

O Espiritismo, dando-nos a conhecer o mundo invisível que nos cerca e no meio do qual vivíamos sem o suspeitarmos, assim como as leis que o regem, suas relações com o mundo visível, a natureza e o estado dos seres que o habitam e, por conseguinte, o destino do homem depois da morte, é uma verdadeira revelação, na acepção científica da palavra (12).

Por sua natureza, a revelação espírita tem duplo caráter: participa ao mesmo tempo da revelação divina e da revelação científica. Participa da primeira, porque foi providencial o seu aparecimento e não o resultado da iniciativa, nem de um desígnio premeditado do homem; porque os pontos fundamentais da doutrina provêm do ensino que deram os Espíritos encarregados por Deus de esclarecer os homens acerca de coisas que eles ignoravam, que não podiam aprender por si mesmos e que lhes importa conhecer, hoje que estão aptos a compreendê-las. Participa da segunda, por não ser esse ensino privilégio de indivíduo algum, mas ministrado a todos do mesmo modo; por não serem os que o transmitem e os que o recebem seres passivos, dispensados do trabalho da observação e da pesquisa, por não renunciarem ao raciocínio e ao livre-arbítrio; porque não lhes é interdito o exame, mas, ao contrário, recomendado; enfim, porque a doutrina não foi ditada completa, nem imposta à crença cega; porque é deduzida, pelo trabalho do homem, da observação dos fatos que os Espíritos lhe põem sob os olhos e das instruções que lhe dão, instruções que ele estuda, comenta, compara, a fim de tirar ele próprio as ilações e aplicações. Numa palavra, o que caracteriza a revelação espírita é o ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem (13).

Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental. Fatos novos se apresentam, que não podem ser explicados pelas leis conhecidas; ele os observa, compara, analisa e, remontando dos efeitos às causas, chega à lei que os rege; depois, deduz-lhes as consequências e busca as aplicações úteis. Não estabeleceu nenhuma teoria preconcebida; assim, não apresentou como hipóteses a existência e a intervenção dos Espíritos, nem o perispírito, nem a reencarnação, nem qualquer dos princípios da doutrina; concluiu pela existência dos Espíritos, quando essa existência ressaltou evidente da observação dos fatos, procedendo de igual maneira quanto aos outros princípios. Não foram os fatos que vieram a posteriori confirmar a teoria: a teoria é que veio subsequentemente explicar e resumir os fatos. É, pois, rigorosamente exato dizer-se que o Espiritismo é uma ciência de observação e não produto da imaginação. As ciências só fizeram progressos importantes depois que seus estudos se basearam sobre o método experimental; até então, acreditou-se que esse método também só era aplicável à matéria, ao passo que o é também às coisas metafísicas (14). (…).

Assim como a Ciência propriamente dita tem por objeto o estudo das leis do princípio material, o objeto especial do Espiritismo é o conhecimento das leis do princípio espiritual. Ora, como este último princípio é uma das forças da Natureza, a reagir incessantemente sobre o princípio material e reciprocamente, segue-se que o conhecimento de um não pode estar completo sem o conhecimento do outro. O Espiritismo e a Ciência se completam reciprocamente; a Ciência, sem o Espiritismo, se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria; ao Espiritismo, sem a Ciência, faltariam apoio e comprovação. O estudo das leis da matéria tinha que preceder o da espiritualidade, porque a matéria é que primeiro fere os sentidos. Se o Espiritismo tivesse vindo antes das descobertas científicas, teria abortado, como tudo quanto surge antes do tempo (16).

Todas as ciências se encadeiam e sucedem numa ordem racional; nascem umas das outras, à proporção que acham ponto de apoio nas ideias e conhecimentos anteriores.  A Astronomia, uma das primeiras cultivadas, conservou os erros da infância, até ao momento em que a Física veio revelar a lei das forças dos agentes naturais; a Química, nada podendo sem a Física, teve de acompanhá-la de perto, para depois marcharem ambas de acordo, amparando-se uma à outra. A Anatomia, a Fisiologia, a Zoologia, a Botânica, a Mineralogia, só se tornaram ciências sérias com o auxílio das luzes que lhes trouxeram a Física e a Química. À Geologia nascida ontem, sem a Astronomia, a Física, a Química e todas as outras, teriam faltado elementos de vitalidade; ela só podia vir depois daquelas (17).

A Ciência moderna abandonou os quatro elementos primitivos dos antigos e, de observação em observação, chegou à concepção de um só elemento gerador de todas as transformações da matéria; mas, a matéria, por si só, é inerte; carecendo de vida, de pensamento, de sentimento, precisa estar unida ao princípio espiritual. O Espiritismo não descobriu, nem inventou este princípio; mas, foi o primeiro a demonstrar-lhe, por provas inconcussas, a existência; estudou-o, analisou-o e tornou-lhe evidente a ação. Ao elemento material, juntou ele o elemento espiritual. Elemento material e elemento espiritual, esses os dois princípios, as duas forças vivas da Natureza. Pela união indissolúvel deles, facilmente se explica uma multidão de fatos até então inexplicáveis.

O Espiritismo, tendo por objeto o estudo de um dos elementos constitutivos do Universo, toca forçosamente na maior parte das ciências; só podia, portanto, vir depois da elaboração delas; nasceu pela força mesma das coisas, pela impossibilidade de tudo se explicar com o auxílio apenas das leis da matéria (18).

Caráter da revelação espírita, por Allan Kardec (A Gênese, cap. 1, itens 12-14, 16-18; Edição FEB, tradução de Guillon Ribeiro, p. 28-32).

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Natal de 2011 na Comunidade Granja de Freitas, limite dos municípios de Belo Horizonte e Sabará(MG), tarefa desenvolvida pelo Grupo do Pãozinho Fraterno Irmãos Emerson e Marabô.

Natal de 2011 na Comunidade Granja de Freitas (Belo Horizonte/MG). Na foto, os tarefeiros do Grupo do Pãozinho Fraterno Irmãos Emerson e Marabô, da Casa de Caridade Herdeiros de Jesus, com algumas das crianças e moradores assistidos.

Ensina-nos Allan Kardec que “Fora da caridade, não há salvação!” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XV, itens 5 e 10) e que trabalho é toda ocupação útil (O Livro dos Espíritos, livro III, capítulo III, questão 676).

A Casa Espírita, em suas múltiplas atividades de amparo e promoção do Ser, providencialmente, todos os dias, nos oportuniza a matrícula nas inúmeras fileiras de trabalho da Seara de Jesus.

Elas, as oportunidades de trabalho, redenção e crescimento, estão lá, à nossa espera. Entretanto, poucos são os voluntários! Esta é uma constatação que remonta ao tempo de Jesus: é Ele próprio quem já o afirmava e nos convidava ao trabalho: “Grande é, em verdade a seara, mas os obreiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara” (Lucas, 10: 2).

Dirijo-me, não apenas aos profitentes da Doutrina Espírita, ou, como querem alguns, aos Espíritas; dirijo-me à todos(as) aqueles(as) que desejam, firmemente, travar, como sabiamente considerou o Apóstolo dos Gentios (2Timóteo, 4: 7), o “Bom Combate” ou, segundo se diz hoje, promover a indispensável, intransferível e inadiável “Reforma Íntima”.

O trabalho em favor do próximo é-nos mais benéfico que àquele(a) a quem se busca amparar! Quem tem, ou já teve, a oportunidade de participar de uma tarefa de assistência fraterna já experimentou, com toda propriedade, o sentimento do “dever” cumprido que invade a alma e que permite afirmar, a pleno pulmões, que maior salário não existe! – Não, ao menos, neste plano denso em que ainda estagiamos…

Aos medianeiros, as alertivas dos mentores espirituais são ainda mais veementes: não se pode cogitar de um trabalhador das atividades de intercâmbio mediúnico que tenha as mãos vazias. É preciso ser e estar operoso!

Estes verdadeiros alertas nos convidam a uma importante e inadiável reflexão: O que levaremos quando nos depararmos com o check in na grande aduana da vida? Qual a nossa bagagem? Retornaremos em melhores condições do que quando aqui chegamos? Seremos “homens novos”?

Ouçamos o que diz, a respeito, o Espírito Francisca de Paula de Jesus, nhá Chica, pela mediunidade de Jairo Avellar (Mensagem intitulada Caridade).

Primeiro um convite, seguido de uma indagação:

“(…) A Doutrina Espirita, como o Consolador Prometido por Jesus, tem proclamado em todas as direções que, ‘Fora da caridade, não há salvação’, convidando-nos para a realização de um profundo autoexame acerca das nossas ações em torno da caridade. Qual tem sido o nosso papel, diante aos múltiplos sofrimentos que pululam por entre as nossas realidades?”

Depois, uma afirmação:

“Caridade bendito farol. Luz misericordiosa a derramar sobre uma legião de necessitados, benfazejas filigranas de renovadas esperanças. Bússola segura a guiar todos àqueles que iluminados pelo Consolador Prometido têm atendido aos convites de Jesus, devotados ao exercício pleno do ‘Amor ao Próximo’ e cientes de que verdadeiramente este é o maior dos mandamentos. A caridade é sem duvida o mais venturoso dos caminhos a indicar ao homem que se encontra hoje nas trilhas iniciais  da regeneração as direções seguras para o amor e a felicidade” (…).

Amigo(a) leitor(a): lápis, papel e calculadora nas mãos! Façamos, agora, o nosso balanço individual!… Mãos à charrua! Rasguemos o nosso solo interior; revolvamos e afofemos a nossa leiva! Preparemo-nos para a semeadura, pois o Semeador já saiu a semear… e lembremo-nos: ao reentrarmos na pátria espiritual, não poderemos pretextar ignorância!… O faremos de mãos vazias?!…

Caridade, tábua da salvação!, por José Márcio de Almeida.

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Jesus e Kardec

A moral que os Espíritos ensinam é a do Cristo, pela razão de que não há outra melhor. (…) O que o ensino dos Espíritos acrescenta à moral do Cristo é o conhecimento dos princípios que regem as relações entre os mortos e os vivos, princípios que completam as noções vagas que se tinha da alma, do seu passado e do seu futuro (…). – Allan Kardec: A Gênese, cap. I, item 56.

(…) O Espiritismo é forte porque assenta sobre as próprias bases da religião: Deus, a alma, as penas e as recompensas futuras; (…). – Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, conclusão, item 5.

(…) O mais belo do Espiritismo é o lado moral. É por suas consequências morais que triunfará, pois aí está a sua força, pois aí é invulnerável (…). – Allan Kardec: Revista Espírita, 1861, novembro, p. 359.

(…) Mais uma vez, [o Espiritismo] é uma filosofia que repousa sobre as bases fundamentais de toda religião e sobre a moral do Cristo (…). – Allan Kardec: Revista Espírita, 1862, maio, p. 121.

(…) Não, o Espiritismo não traz moral diferente da de Jesus. (…) Os Espíritos vêm não só confirmá-la, mas também mostrar-nos a sua utilidade prática. Tornam inteligíveis e patentes verdades que haviam sido ensinadas sob forma alegórica. E, juntamente com a moral, trazem-nos a definição dos mais abstratos problemas da psicologia (…). – Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, conclusão, item 8.

Podemos tomar o Espiritismo, simbolizado desse modo, como um triângulo de forças espirituais: a ciência e a filosofia vinculam à Terra essa figura simbólica, porém a religião é o ângulo que a liga ao céu. No religioso, todavia, seu aspecto científico e filosófico, a doutrina será sempre um campo de nobres investigações humanas, como outros movimentos coletivos, de natureza intelectual, que visam o aperfeiçoamento da humanidade. No aspecto religioso, todavia, repousa a sua grandeza divina, por constituir a restauração o Evangelho de Jesus Cristo, estabelecendo a renovação definitiva do homem, para a grandeza do seu imenso futuro espiritual. – Emmanuel: O Consolador, definição, p. 19-20.

A ciência espírita compreende duas partes: experimental uma, relativa às manifestações em geral; filosófica, outra, relativa às manifestações inteligentes. – Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, introdução, item 17.

Falsíssima ideia formaria do Espiritismo quem julgasse que a sua força lhe vem da prática das manifestações materiais (…). Sua força está na sua filosofia, no apelo que dirige à razão, ao bom-senso. (…) Fala uma linguagem clara, sem ambiguidades. Nada há nele de místico, nada de alegorias suscetíveis de falsas interpretações. Quer ser por todos compreendido, porque são chegados os tempos de fazer-se que os homens conheçam a verdade (…). Não reclama crença cega; quer que o homem saiba por que crê. Apoiando-se na razão, será sempre mais forte do que os que se apoiam no nada. – Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, conclusão, item 6.

O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas relações. – Allan Kardec. O Que é Espiritismo, preâmbulo.

O Espiritismo se apresenta sob três aspectos diferentes: o das manifestações, dos princípios e da filosofia que delas decorrem e a aplicação desses princípios. – Allan Kardec. O Livro dos Espíritos, conclusão, item 7.

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Estudos da Revista Espírita

[…] É de notar que as provas de identidade vêm quase sempre espontaneamente, no momento em que menos se pensa, ao passo que são dadas raramente quando pedidas. Capricho da parte do Espírito? Não; há uma causa material. Ei-la:

As disposições fluídicas que estabelecem as relações entre o Espírito e o médium oferecem nuances de extrema delicadeza, inapreciáveis aos nossos sentidos e que variam de um momento a outro no mesmo médium. Muitas vezes um efeito que não é possível num instante desejado, sê-lo-á uma hora, um dia, uma semana mais tarde, porque as disposições ou a energia das correntes fluídicas terão mudado. Acontece aqui como na fotografia, onde uma simples variação na intensidade ou na direção da luz é suficiente para favorecer ou impedir a reprodução da imagem. Um poeta fará versos à vontade? Não; precisa de inspiração. Se não estiver em disposição favorável, por mais que perscrute o cérebro, nada obterá. Perguntai-lhe por quê? Nas evocações, o Espírito deixado à vontade se prevalece das disposições que encontra no médium, aproveita o momento propício; mas quando essas disposições não existem, não pode mais que o fotógrafo, na ausência da luz. Portanto, nem sempre pode, mau grado seu desejo, satisfazer instantaneamente a um pedido de provas de identidade. Eis por que é preferível esperá-las a solicitá-las.

Além disso, é preciso considerar que as relações fluídicas que devem existir entre o Espírito e o médium jamais se estabelecem completamente desde a primeira vez; a assimilação não se faz senão com o tempo e gradualmente. Daí resulta que, inicialmente, o Espírito sempre experimenta uma dificuldade que influi na clareza, na precisão e no desenvolvimento das comunicações; mas, quando o Espírito e o médium estão habituados um ao outro; quando seus fluidos estão identificados, as comunicações se dão naturalmente, porque não há mais resistências a vencer.

Por aí se vê quantas considerações devem ser levadas em conta no exame das comunicações. É por falta de o fazer e de conhecer as leis que regem esses tipos de fenômenos que muitas vezes se pede o que é impossível. É absolutamente como se alguém, que não conhecesse as leis da eletricidade, se admirasse que o telégrafo pudesse experimentar variações e interrupções e concluísse que a eletricidade não existe.

O fato da constatação da identidade de certos Espíritos é um acessório no vasto conjunto dos resultados que o Espiritismo abarca; mesmo que tal constatação fosse impossível, nada prejulgaria contra as manifestações em geral, nem contra as consequências morais daí decorrentes. Seria preciso lamentar os que privassem das consolações que ela proporciona, por não ter obtido uma satisfação pessoal, pois isto seria sacrificar o todo à parte.

Allan Kardec, in Revista Espírita [Jornal de Estudos Psicológicos], julho de 1866, p. 295-297, tradução de Evandro Noleto Bezerra, Edição FEB.

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