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Archive for abril \17\UTC 2013

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AJE-BRASIL E ESTADUAIS: POSICIONAMENTO SOBRE O ABORTO [*]

Diante do debate público em torno da questão do aborto, sobretudo em razão da recente posição do Conselho Federal de Medicina (CFM), que propõe a possibilidade de realização do aborto até a 12ª semana de gestação, por vontade da gestante, a Associação Jurídico-Espírita do Brasil (AJE-BR) e as AJE’s dos Estados do Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo e do Distrito Federal manifestam o entendimento no sentido de que o direito à vida é de natureza fundamental a todo e qualquer ser humano, a contar da concepção, razão pela qual se posicionam contrariamente ao aborto.

De outro lado, as AJE’s destacam, para além dos aspectos meramente criminais, o dever jurídico do Estado, em respeito ao princípio da dignidade da pessoa humana e ao objetivo constitucional de se construir uma sociedade livre, justa e solidária, de garantir total e irrestrita proteção à gestante, mediante efetiva implantação de políticas públicas de saúde e assistência social, proporcionando-lhe o acesso universal e igualitário às ações preventivas, de promoção e recuperação da saúde, aqui entendida tanto no aspecto físico, como psicológico e espiritual.

Por fim, como decorrência do dever estatal de proteção à família, à maternidade, ao nascituro, à infância, à adolescência e à velhice, as AJE’s esperam do Poder Público a adequada e prioritária atenção à educação, único caminho que leva o ser humano ao exercício responsável e consciente da cidadania, permitindo-lhe o cumprimento de deveres e o gozo de direitos, num horizonte de convívio social que torne dispensável a sanção penal.

[*] Associação Jurídico-Espírita do Brasil (AJE-BR), AJE-ES, AJE-GO, AJE-MG, AJE-MS, AJE-PE, AJE-RIO, AJE-RO, AJE-RS, AJE-SP e AJE-DF.

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PRINCÍPIOS BÁSICOS [*]

Os fenômenos que estão além das leis da ciência comum se manifestam por toda parte e revelam na causa que os produz a ação de uma vontade livre e inteligente.

A razão diz que um efeito inteligente deve ter como causa uma força inteligente, e os fatos provaram que essa força pode entrar em comunicação com os homens por meio de sinais materiais.

Essa força, interrogada sobre sua natureza, declarou pertencer ao mundo dos seres espirituais que se libertaram do corpo carnal do homem. Foi assim que a Doutrina dos Espíritos foi revelada.

As comunicações entre o mundo espírita e o mundo corporal estão na ordem natural das coisas e não constituem nenhum fato sobrenatural, é por isso que seus vestígios são encontrados entre todos os povos e em todas as épocas e hoje são comuns e evidentes para todos.

Os Espíritos anunciam que os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal chegaram e que, sendo os mensageiros de Deus e os agentes de sua vontade, sua missão é instruir e esclarecer os homens ao abrir uma nova era para a regeneração da humanidade.

Este livro contém os seus ensinamentos, foi escrito por ordem e sob o ditado dos Espíritos Superiores para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, isenta dos preconceitos sistemáticos; não contém nada que não seja a expressão do pensamento deles e que não tenha sido submetido ao seu controle. Somente a ordem e a distribuição metódica das matérias, assim como as notas e a forma de algumas partes da redação, são obra daquele que recebeu a missão de publicá-lo.

Entre os Espíritos que concorreram para a realização desta obra, muitos viveram em diversas épocas na Terra, onde pregaram e praticaram a virtude e a sabedoria; outros não pertencem, pelo nome, a nenhum personagem cuja lembrança a história tenha guardado, mas sua elevação é atestada pela pureza dos seus ensinamentos e sua união com aqueles que trazem nomes venerados.

Eis em que ter mos nos deram por escrito, e por inter médio de muitos médiuns, a missão de escrever este livro:

“Ocupa-te com zelo e perseverança do trabalho que empreendeste com a nossa cooperação, porque esse trabalho é nosso. Nele pusemos as bases do novo edifício que se eleva e deve um dia reunir todos os homens num mesmo sentimento de amor e de caridade; mas antes de o publicares, nós o reveremos em conjunto, a fim de verificar todos os seus detalhes.

Estaremos contigo todas as vezes que o pedires e para te ajudar em todos os outros trabalhos, porque isso é somente uma parte da missão que te foi confiada e que já te foi revelada por um de nós.

Entre os ensinamentos que te são dados, há alguns que deves guardar somente para ti, até nova ordem. Nós vamos te indicar quando o momento de publicá-los tiver chegado. Enquanto esperas, examina-os e medita sobre eles, para estares pronto quando o dissermos.

Coloca no início do livro a cepa de vinha que te desenhamos*, como emblema do trabalho do Criador; todos os princípios materiais que podem melhor representar o corpo e o Espírito estão nela reunidos: o corpo é a cepa; o Espírito é o licor; a alma ou o Espírito unido à matéria é o bago da uva. O homem purifica o Espírito pelo trabalho e tu sabes que é somente pelo trabalho do corpo que o Espírito adquire conhecimento.

Não te deixes desencorajar pela crítica. Encontrarás opositores ferozes, especialmente entre as pessoas interessadas nos abusos. Irás encontrá-los, também, mesmo entre os Espíritos, porque aqueles que não são completamente desmaterializados freqüentemente procuram semear a dúvida pela malícia ou ignorância; mas continua sempre, acredita em Deus e marcha com confiança: aqui estaremos para te sustentar e está próximo o tempo em que a Verdade brilhará por toda parte.

A vaidade de alguns homens que acreditam saber tudo e querem explicar tudo à sua maneira fará surgir opiniões divergentes, mas todos que tiverem em vista o grande princípio de Jesus vão se irmanar num mesmo sentimento de amor ao bem e se unir por um laço fraternal que abrangerá o mundo inteiro. Eles deixarão de lado as disputas mesquinhas de palavras para apenas se ocupar das coisas essenciais, e a Doutrina será sempre a mesma, quanto ao fundo, para todos aqueles que receberem as comunicações dos Espíritos Superiores.

É com a perseverança que chegarás a recolher o fruto de teus trabalhos. O prazer que experimentarás ao ver a Doutrina se propagar e ser compreendida será uma recompensa da qual conhecerás todo o valor, talvez mais no futuro do que no presente. Não te inquietes, portanto, com os espinhos e as pedras que os incrédulos ou os maus semearão no teu caminho; conserva a confiança: com a confiança chegarás ao objetivo e merecerás ser sempre ajudado.

Lembra-te que os bons Espíritos somente assistem aos que servem a Deus com humildade e desinteresse e repudiam todo aquele que procura no caminho do céu um degrau para conquistar as coisas da Terra; eles se distanciam dos orgulhosos e ambiciosos. O orgulho e a ambição serão sempre uma barreira entre o homem e Deus; são um véu lançado sobre as claridades celestes, e Deus não pode se servir do cego para fazer compreender a luz.”

São João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de Paulo, São Luís, O Espírito da Verdade, Sócrates, Platão, Fénelon, Franklin, Swedenborg, etc.

[*] Allan Kardec. O Livro dos Espíritos.

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A MORTE ESPIRITUAL [*]

A questão da morte espiritual é um dos princípios novos que marcam os passos do progresso da ciência espírita. A maneira pela qual foi apresentada, em certa teoria individual, de início fê-la rejeitar, porque parecia implicar, num tempo dado, a perda do eu individual, e assimilar as transformações da alma às da matéria, cujos elementos se desagregam para formar novo corpo. Os seres felizes e aperfeiçoados seriam, em realidade, novos seres, o que é inadmissível. A eqüidade das penas e dos gozos futuros não é evidente senão com a perpetuidade dos mesmos seres subindo a escala do progresso e se depurando pelo seu trabalho e os esforços de sua vontade.

Tais eram as conseqüências que se podiam tirar, a priori, dessa teoria. Todavia, nisso devemos convir, ela não foi apresentada com a bazófia de um orgulhoso vindo impor o seu sistema; o autor disse modestamente que vinha lançar uma idéia, sobre o terreno da discussão, e que da idéia poderia sair uma nova verdade. Segundo o conselho de nossos eminentes guias espirituais, teria pecado menos pelo fundo do que pela forma, que se prestou para uma falsa interpretação; foi por isso que nos convidou a estudar seriamente a questão; é o que tentaremos fazer, baseando-nos sobre a observação dos fatos que ressaltam da situação do Espírito nas duas épocas capitais, do retorno à vida corpórea e da reentrada na vida espiritual.

No momento da morte corpórea, vemos o Espírito entrar numa perturbação e perder a consciência de si mesmo, de sorte que jamais é testemunha do último suspiro de seu próprio corpo. Pouco a pouco a perturbação se dissipa e o Espírito se reconhece, como o homem que sai de um profundo sono; a sua primeira sensação é a de libertação de seu fardo carnal; depois vem a surpresa da visão do novo meio em que se encontra. Está na situação de um homem que se cloroformiza para fazer-lhe uma amputação, e que é transportado, durante o sono, para um outro lugar. Ao despertar, sente-se desembaraçado do membro que o fazia sofrer; freqüentemente, procura esse membro que está surpreso de não mais sentir; do mesmo modo, no primeiro momento, o Espírito procura o corpo; ele o vê a seu lado; sabe que é o seu e se espanta por estar dele separado; não é senão pouco a pouco que ele se dá conta de sua nova situação.

Nesse fenômeno, não se opera senão uma mudança de situação material; mas, no moral, o Espírito é exatamente o que era algumas horas antes; não sofre nenhuma modificação sensível; suas faculdades, suas idéias, seus gostos, suas tendências, seu caráter são os mesmos; as mudanças que ele pode sofrer não se operam senão gradualmente pela influência do que o cerca. Em resumo, não houve morte senão para o corpo somente; para o Espírito não houve senão sono.

Na reencarnação, as coisas se passam de modo contrário.

No momento da concepção do corpo destinado ao Espírito, este é preso por uma corrente fluídica que, semelhante a um laço, o atrai e o aproxima de sua nova morada. Desde então, ele pertence ao corpo, como o corpo lhe pertence até a morte deste último; no entanto, a união completa, a tomada de posse real não ocorre senão na época do nascimento.

Desde o instante da concepção, a perturbação se apodera do Espírito; suas idéias se tornam confusas, suas faculdades se anulam; a perturbação vai crescendo à medida que o laço se aperta; é completa nos últimos tempos da gestação; de sorte que o Espírito jamais é testemunha do nascimento de seu corpo, não mais do que o foi de sua morte; disso ele não tem nenhuma consciência.

A partir do momento em que a criança respira, a perturbação se dissipa pouco a pouco, as idéias retornam gradualmente, mas em outras condições do que na morte do corpo.

No ato da reencarnação, as faculdades do Espírito não estão simplesmente entorpecidas por uma espécie de sono momentâneo, como no retorno à vida espiritual; todas, sem exceção, passam ao estado latente. A vida corpórea tem por objetivo desenvolvê-las pelo exercício, mas nem todas podem sê-lo simultaneamente, porque o exercício de uma poderia prejudicar o desenvolvimento de outra, ao passo que, pelo desenvolvimento sucessivo, elas se apóiam uma sobre a outra. É, pois, útil que algumas fiquem em repouso, enquanto que outras se desenvolvem; é por isso que, em sua nova existência, o Espírito pode se apresentar sob um aspecto muito diferente, sobretudo se é mais avançado do que na existência precedente.

Num, a faculdade musical, por exemplo, poderá ser muito ativa; conceberá, perceberá, e em conseqüência executará tudo o que é necessário ao desenvolvimento dessa faculdade; numa outra existência será a vez da pintura, dos sistemas exatos, da poesia, etc.; enquanto que essas novas faculdades se exercem, a da música ficará latente, conservando em tudo o progresso realizado. Disso resulta que, aquele que foi artista numa existência, poderá ser um sábio, um homem de Estado, um estrategista numa outra, ao passo que será nulo sob o aspecto artístico e reciprocamente.

O estado latente das faculdades, na reencarnação, explica o esquecimento das existências precedentes, ao passo que, na morte do corpo, não estando as faculdades senão no estado de sono de pouca duração, a lembrança da vida que vem de deixar é completa ao despertar.

As faculdades que se manifestam estão naturalmente em relação com a posição que o Espírito deve ocupar no mundo, e as provas que escolheu; no entanto, freqüentemente, ocorre que os preconceitos sociais o deslocam, o que faz com que certas pessoas estejam, intelectual e moralmente, acima ou abaixo da posição que ocupam. Essa desclassificação, pelos entraves que traz, faz parte das provas; deve cessar com o progresso. Numa ordem social avançada, tudo se regula segundo a lógica das leis naturais, e aquele que não está apto senão para fazer sapatos, não é, pelo direito do nascimento, chamado a governar os povos.

Retornemos à criança. Até o nascimento, todas as faculdades estando no estado latente, o Espírito não tem nenhuma consciência de si mesmo. No momento do nascimento, as que devem se exercer não tomam subitamente o seu vôo; seu desenvolvimento segue o dos órgãos que devem servir à sua manifestação; pela sua atividade íntima, elas levam ao desenvolvimento do órgão correspondente, como o rebento nascente leva à casca da árvore. Disso resulta que, na primeira infância, o Espírito não tem o gozo da plenitude de nenhuma de suas faculdades, não somente como encarnado, mas mesmo como Espírito; é verdadeiramente criança, como o corpo ao qual está ligado. Não se encontra comprimido penosamente no corpo imperfeito, sem isso Deus teria feito da encarnação um suplício para todos os Espíritos, bons ou maus. Ocorre de outro modo com o idiota e o cretino; não sendo os órgãos desenvolvidos paralelamente com as faculdades, o Espírito acaba por se encontrar na posição de um homem apertado pelos laços que lhe tiram a liberdade de seus movimentos. Tal é a razão pela qual se pode evocar o Espírito de um idiota e dele obter respostas sensatas, ao passo que o de uma criança de tenra idade, ou que ainda não nasceu, é incapaz de responder.

Todas as faculdades, todas as aptidões, estão em germe no Espírito, desde a sua criação; aí estão no estado rudimentar, como todos os órgãos no primeiro fiozinho do feto informe, como todas as partes da árvore na semente. O selvagem que, mais tarde, tornar-se-á homem civilizado, possui, pois, nele, os germes que, um dia, dele farão um sábio, um grande artista ou um grande filósofo.

À medida que esses germes chegam à maturidade, a Providência lhe dá, para a vida terrestre, um corpo apropriado às suas novas aptidões; assim é que o cérebro de um Europeu é mais completamente organizado, provido de maior número de circunvoluções do que o do selvagem. Para a vida espiritual, dá-lhe um corpo fluídico, ou perispírito, mais sutil, impressionável a novas sensações. À medida que o Espírito se desenvolve, a Natureza o provê dos instrumentos que lhe são necessários.

No sentido de desorganização, de desagregação das partes, de dispersão dos elementos, não há de morte senão para o envoltório material e o envoltório fluídico, mas a alma, ou Espírito, não pode morrer para progredir; de outro modo perderia a sua individualidade, o que equivaleria ao nada. No sentido de transformação, regeneração, pode-se dizer que o Espírito morre a cada encarnação para ressuscitar com novos atributos, sem deixar de ser ele mesmo. Tal um camponês, por exemplo, que se enriquece e se torna grande senhor; deixou a choupana por um palácio, a veste por uma roupa bordada; tudo está mudado em seus hábitos, em seus gostos, em sua linguagem, mesmo em seu caráter; em uma palavra, o camponês está morto, enterrou a roupa grosseira, para renascer homem do mundo, e, no entanto, é sempre o mesmo indivíduo, mas transformado.

Cada existência corpórea é, pois, para o Espírito, uma ocasião de progresso mais ou menos sensível. Reentrado no mundo dos Espíritos, leva novas idéias; seu horizonte moral se alargou; suas percepções são mais finas, mais delicadas; vê e compreende o que não via e não compreendia antes; sua visão que, no princípio, não se estendia além de sua última existência, abarca sucessivamente as suas existências passadas, como o homem que se eleva, para que o nevoeiro se dissipe, abarca sucessivamente um mais vasto horizonte. A cada nova estação na erraticidade, se desenrolam aos seus olhos novas maravilhas do mundo invisível, porque de cada uma um véu se rasga. Ao mesmo tempo, seu envoltório fluídico se depura; torna-se mais leve, mais brilhante; mais tarde será resplandescente. É um Espírito quase novo; é o camponês desbastado e transformado; o velho Espírito está morto, e, entretanto, é sempre o mesmo Espírito.

É assim, cremos, que convém entender a morte espiritual.

[*] Allan Kardec. Obras Póstumas. Primeira Parte.

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QUAL PODE SER A UTILIDADE DA PROPAGAÇÃO

DAS IDÉIAS ESPÍRITAS? [*]

O Espiritismo, sendo a prova palpável, evidente da existência, da individualidade e da imortalidade da alma, é a destruição do Materialismo. Essa negação de toda religião, essa praga de toda sociedade. O número dos materialistas que foram conduzidos a idéias mais sadias é considerável e aumenta todos os dias: só isso seria um benefício social. Ele não prova somente a existência da alma e sua imortalidade; mostra o estado feliz ou infeliz delas segundo os méritos desta vida. As penas e as recompensas futuras não são mais uma teoria, são um fato patente que se tem sob os olhos. Ora, como não há religião possível sem a crença em Deus, na imortalidade da alma, nas penas e nas recompensas futuras, se o Espiritismo conduz a essas crenças aqueles em que estavam apagadas, disso resulta que é o mais poderoso auxiliar das idéias religiosas: dá a religião àqueles que não a têm; fortifica-a naqueles em que ela é vacilante; consola pela certeza do futuro, faz aceitar com paciência e resignação as tribulações desta vida, e afasta do pensamento do suicídio, pensamento que se repele naturalmente quando se lhe vê as conseqüências: eis porque aqueles que penetraram esses mistérios estão felizes com isso; é para eles uma luz que dissipa as trevas e as angústias da dúvida.

Se considerarmos agora a moral ensinada pelos Espíritos superiores, ela é toda evangélica, é dizer tudo: prega a caridade cristã em toda a sua sublimidade; faz mais, mostra a necessidade para a felicidade presente e futura, porque as conseqüências do bem e do mal que fizermos estão ali diante dos nossos olhos. Conduzindo os homens aos sentimentos de seus deveres recíprocos, o Espiritismo neutraliza o efeito das doutrinas subversivas da ordem social.

[*] Allan Kardec. Revista Espírita, Janeiro de 1859. Carta à Sua Alteza o Príncipe G.

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O LAR DE UMA FAMÍLIA ESPÍRITA [*]

A senhora G… ficou viúva há três anos com quatro crianças; o primogênito é um amável jovem de dezessete anos, e a mais nova uma encantadora menina de seis anos. Há muito tempo, essa família, se ocupa do Espiritismo, e antes mesmo que essa crença estivesse popularizada como está hoje, o pai e a mãe deles tinham como uma espécie de intuição que diversas circunstâncias vieram desenvolver. O pai da senhora G… apareceu-lhe diversas vezes em sua juventude e cada vez lhe prevenira de coisas importantes, ou lhe dera conselhos úteis. Fatos do mesmo gênero se passavam igualmente entre seus amigos, de sorte que, para eles, a existência de além-túmulo não podia ser objeto de nenhuma dúvida, não mais que a possibilidade de se comunicar com os seres que nos são caros. Quando veio o Espiritismo, isso não foi senão a confirmação de uma idéia bem sedimentada e santificada pelo sentimento de uma religião esclarecida, porque essa família é um modelo de piedade e de caridade evangélica. Eles tomaram da nova ciência os meios de comunicação mais diretos; a mãe e uma das crianças se tornaram excelentes médiuns; mas longe de empregarem essa faculdade para questões fúteis, todos a consideraram como um dom precioso da Providência, do qual não era permitido servir-se senão para coisas sérias; também não o usavam jamais senão com recolhimento e respeito, e longe dos olhares dos importunos e dos curiosos.

Neste meio tempo, o pai caiu doente, e, pressentindo seu fim próximo, reuniu os filhos e lhes disse: “Meus caros filhos, minha mulher bem amada, Deus me chama para si; sinto que vou deixar-vos dentro de pouco tempo; mas penso que haurireis em vossa fé na imortalidade a força necessária para suportarem com coragem essa separação, como eu levo a consolação que poderei sempre estar no vosso meio e vos ajudar com os meus conselhos. Chamai-me, pois, quando não estiver mais na Terra, e virei colocar-me ao vosso lado, conversar convosco, como fazem nossos avós; porque, em verdade, nós estaremos menos separados do que se eu partisse para um país longínquo. Minha cara mulher, eu te deixo uma grande tarefa; quanto mais pesada for, mais gloriosa será; e disso tenho a segurança de que nossos filhos ajudar-te-ão a suportar. Meus filhos, secundareis vossa mãe; e evitareis tudo o que poderia causar-lhe dificuldade; sereis sempre bons e benevolentes para todo o mundo; estendereis a mão aos vossos irmãos infelizes, porque não gostaríeis de vos expor a estendê-la um dia vós mesmos em vão. Que a paz, a concórdia e a união reinem entre vós; que jamais o interesse vos divida, porque o interesse material é a maior barreira entre a Terra e o céu. Pensai que estarei sempre aqui, perto de vós, que vos verei como vos vejo neste momento, e melhor ainda, uma vez que verei o vosso pensamento; não quereis, pois, me entristecer depois de minha morte mais do que não fizestes durante a minha vida.”

É um espetáculo verdadeiramente edificante ver o interior desta piedosa família. Estas crianças, instruídas nas idéias espíritas, não se consideram como separadas de seu pai; para elas ele ali está, e temem fazer a menor ação que possa aborrecê-lo. Todas as semanas, uma

noite é consagrada para conversar com ele, e algumas vezes com mais freqüência; mas há as

necessidades da vida, que precisam ser providas, – a família não é rica – por isso um dia fixo está assinalado para essas piedosas conversas, e esse dia esperado com impaciência. A menina diz freqüentemente: É hoje que vem o meu pai? Nesse dia que passa em conversas familiares, em instruções proporcionadas à inteligência, algumas vezes infantis, outras vezes sérias e sublimes; são conselhos dados oportunamente, por pequenos defeitos que assinala: se faz a parte dos elogios, a crítica não é poupada, e o culpado abaixa os olhos, como se tivesse seu pai diante dele; e lhe pede um perdão que algumas vezes não é concedido senão depois de várias semanas de prova: espera-se sua sentença com uma febril ansiedade.

Então, que alegria! quando o pai diz: Estou contente contigo. Mas a ameaça mais terrível é dizer Não retomarei na semana próxima.

A festa anual não é esquecida. É sempre um dia solene para o qual se convidam todos os avós falecidos, sem esquecer um pequeno irmão morto há alguns anos. Os retratos são ornados com flores; cada criança prepara um pequeno trabalho, e até o discurso tradicional; o primogênito faz uma dissertação sobre um assunto sério; uma das jovens executa um trecho de música; a menor, enfim, recita uma fábula; é o dia das grandes comunicações, e cada convidado recebe uma lembrança dos amigos que deixou na Terra. Que belas são essas reuniões pela sua tocante simplicidade! Como tudo nela fala ao coração! Como se pode dela sair sem estar penetrado de amor ao bem? Mas ali nenhum olhar zombeteiro, nenhum riso cético vem perturbar o piedoso recolhimento; alguns amigos, partilhando as mesmas convicções e devotados à religião de família, são os únicos admitidos a tomarem parte deste banquete do sentimento. Ride se quiserdes, vós que zombais das coisas mais santas; por soberbos e endurecidos que sejais, não vos faço a injúria de crer que o vosso orgulho possa permanecer impassível e frio diante de um tal espetáculo. Um dia, todavia, foi um dia de luto para a família, um dia de verdadeiro desgosto: o pai havia anunciado que estaria algum tempo, muito tempo mesmo, sem poder vir; uma grande e importante missão o chamava longe da Terra. A festa anual não foi por isso menos celebrada; mas foi triste: o pai não estava nela. Ele dissera quando partiu: Meus filhos, que no meu retorno eu vos encontre todos dignos de mim, e que cada um se esforce por se tornar digno de si. Eles esperam ainda.

[*] Allan Kardec. Revista Espírita, Setembro de 1859.

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156 ANOS DE O LIVRO DOS ESPÍRITOS

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O Livro dos Espíritos (em francês, Le Livre des Esprits) é o primeiro livro sobre a doutrina espírita publicado pelo educador francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, sob o pseudônimo Allan Kardec. É uma das obras básicas do espiritismo.

A obra veio a público em 18 de abril de 1857, lançada no Palais Royal, em Paris, na forma de perguntas e respostas, originalmente compreendendo 501 itens. Foi fruto dos estudos de Kardec sobre os fenômenos das mesas girantes, difundidos por toda a Europa em meados do século XIX, e que, segundo muitos pesquisadores da época, possuíam origem mediúnica. Foi o primeiro de uma série de cinco livros editados pelo pedagogo sobre o mesmo tema.

As médiuns que serviram a esse trabalho foram inicialmente as jovens Caroline e Julie Boudin (respectivamente, com 16 e 14 anos à época), às quais mais tarde se juntou Celine Japhet (com 18 anos à época) no processo de revisão do livro. Após o primeiro esboço, o método das perguntas e respostas foi submetido à comparação com as comunicações obtidas por outros médiuns franceses, num total de “mais de dez”, nas palavras de Kardec, cujos textos psicografados contribuíram para a estruturação do texto.

Só a partir da segunda edição francesa, lançada em 16 de março de 1860 com ampla revisão de Kardec mediante o contato com grupos espíritas de 15 países da Europa e das Américas, é que aparecem 1018 perguntas e respostas.

A obra se divide em quatro “livros”, como comumente se dividiam as obras filosóficas à época, que abordam respectivamente:

1. Das causas primárias – abordando as noções de divindade, Criação e elementos fundamentais do Universo;

2. Do mundo dos Espíritos – analisando a noção de Espírito e toda a série de imperativos que se ligam a esse conceito, a finalidade de sua existência, seu potencial de auto-aperfeiçoamento, sua pré e sua pós-existência e ainda as relações que estabelece com a matéria;

3. Das leis morais – trabalhando com o conceito de Leis de ordem Moral a que estaria submetida toda a Criação, quais sejam as leis de: adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade e justiça, amor e caridade; e,

4. Das esperanças e consolações – concluindo com ponderações acerca do futuro do homem, seu estado após a morte, as alegrias e obstáculos que encontra no além-túmulo.

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149 ANOS DE O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

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O Evangelho segundo o Espiritismo (em francês, L’Évangile Selon le Spiritisme) é um livro espírita francês. De autoria de Allan Kardec, foi publicado em Paris em abril de 1864. É uma das obras básicas do espiritismo, e dentre elas a que dá maior enfoque a questões éticas e comportamentais do ser humano.

Nela são abordados os Evangelhos canônicos sob a óptica da Doutrina Espírita, tratando com atenção especial a aplicação dos princípios da moral cristã e de questões de ordem religiosa como a da prece e da caridade.

Na introdução da obra, Kardec divide didaticamente os relatos contidos nos Evangelhos canônicos em cinco partes: os atos ordinários da vida de Jesus, os milagres, as predições, as palavras que serviram de base aos dogmas, e os ensinamentos morais. Segundo Kardec, se as quatro primeiras foram, ao longo da história, objeto de grandes controvérsias, a última tem sido ponto pacífico para a maior parte dos estudiosos.

Assim, é especificamente sobre essa parte que Kardec lança o olhar espírita. Longe de pretender criar uma “Bíblia espírita” ou mesmo de objetivar uma reinterpretação espírita desse livro sagrado, Kardec se empenha em extrair dos Evangelhos princípios de ordem ético-moral universais, e em demonstrar sua consonância com aqueles defendidos pelo espiritismo. Utiliza-se, na maior parte da obra, da célebre tradução francesa de Lemaistre de Sacy (1613-1684). Eventualmente, para solucionar divergências, Kardec recorreu ao grego e ao hebraico.

A obra traz ainda um estudo sobre o papel de precursores do cristianismo e do espiritismo, como, por exemplo, Sócrates e Platão, analisando diversas passagens legadas por estes filósofos que demonstrariam claramente essa condição.

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