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Herculano Pires e Allan Kardec

De Allan Kardec a Herculano Pires

Allan Kardec tinha consciência de que a teoria libertadora do Espiritismo seria combatida por espíritos e homens interessados em manter a humanidade ignorante, submissa e atrasada. Mergulhados nas imperfeições derivadas de seu orgulho e egoísmo, sedentos por privilégios e servilismo, cientes das grandes responsabilidades pessoais e do longo trabalho de reconstrução de suas personalidades à qual deverão empreender por livre vontade, restava-lhes a tentativa de atrapalhar, atrasar o esforço alheio, pela ilusão de não se verem sozinhos no estado de sofrimento a que se reduziram.

Em 1867, por meio de um médium em estado sonambúlico, Kardec ouviu dos espíritos uma longa narrativa dos planos traçados para tentar destruir a Doutrina Espírita. Desde os insultos e ameaças dos púlpitos até a difamação nos órgãos de imprensa, todos os esforços se voltariam contra a doutrina da liberdade. Mas um passo importante seria dado, revelaram os espíritos, quando os inimigos afirmaram:

“Antes que ele não esteja inteiramente realizado, tratemos de desviá-la em nosso proveito” (Revista Espírita de 1867, p. 167).

O plano seguiria outro curso, ao invés de atacar o espiritismo de fora, agora a tentativa seria ataca-lo por dentro, por meio daqueles que participam do movimento de sua divulgação. Vejamos o que os espíritos disseram à Kardec:

“Vereis se formarem reuniões espíritas, cujo objetivo declarado será a defesa da doutrina, e o secreto será a sua destruição; supostos médiuns terão as comunicações de comando apropriadas ao oculto objetivo que se propõem; publicações que, sob o manto do espiritismo, se esforçarão por demoli-lo; doutrinas que lhe emprestarão algumas ideias, mas com o pensamento de suplantá-lo. Eis a luta, a verdadeira luta a ser sustentada, e que será perseguida com obstinação, mas da qual sairá vitorioso o mais forte”.

O Espiritismo, oferece uma teoria moral renovadora, transformadora. Diferindo de todas as tradições religiosas em seus ensinamentos metafísicos, ele afasta as ideias de queda, castigo divino, degeneração do mundo, condenação, sofrimento como punição, enfim, toda a doutrina do pecado. Em seu lugar oferece a verdadeira relação com Deus, como sendo estabelecida pela mais plena liberdade. A moral é uma conquista do esforço pessoal, da luta por renovar-se, o Espiritismo revela a autonomia moral como lei fundamental.

Essa revelação de 1867 foi um alerta para o futuro do movimento espírita. Falsas teorias, médiuns fascinados, deturpações e mistificações seriam incorporadas ao discurso das tribunas e letras dos artigos deturpando a mensagem original.

Kardec sabia que a doutrina que estabeleceu em suas obras iria atravessar o oceano e chegar a outras terras. No entanto, a profecia de planos para destruir o Espiritismo se fez plena e ampla por aqui, desde os tempos de sua chegada no século 19.

Nem todos, porém, se calaram! Lideranças e estudiosos da doutrina espírita clamaram pela tese espírita da liberdade, da educação, da autonomia moral, em defesa dos conceitos fundamentais originários dos espíritos superiores. Lembraram aos participantes do movimento espírita de que seria fundamental seguir as orientações de Kardec na defesa do Espiritismo, como o alerta que o mestre fez em 1865:

“É um dever para todos os espíritas sinceros e devotados repudiar e desaprovar abertamente, em seu nome, os abusos de todos os gêneros que poderiam comprometê-la, a fim de não lhes assumir a responsabilidade. Pactuar com esses abusos seria tornar-se cúmplice e fornecer armas aos nossos adversários” (Revista Espírita de 1865, p. 20).

Kardec não entrava em polêmicas pueris, não dedicava seu tempo a tentar convencer quem não combatia o Espiritismo, não respondia cartas anônimas. Investia seu tempo em esclarecer os interessados, aqueles que desejavam compreender mais profundamente essa doutrina. E não fugia do debate quando os pontos fundamentais eram deturpados, ou os meios de comunicação anunciavam inverdades:

“Há polêmica e polêmica; e há uma diante da qual não recuaremos jamais, que é a discussão séria dos princípios que professamos. Entretanto, aqui mesmo há uma distinção a fazer; se não se trata senão de ataques gerais, dirigidos contra a Doutrina, sem outro fim determinado que o de criticar, e da parte de pessoas que têm um propósito de rejeitar tudo o que não compreendem, isso não merece que deles se ocupe” (Revista Espírita de 1858, p. 199).

Os conselhos de Kardec foram ouvidos por diversos estudiosos espíritas. Uma dessas vozes conscientes, desses influentes líderes, sinceros e dedicados à causa espírita foi o filósofo Herculano Pires. Suas obras, conquistas de um trabalho árduo e incansável e quase solitário foi um exemplo, um modelo, uma inspiração para as novas gerações de espíritas. Sua dedicação ao trazer o Espiritismo tal como proposto por Kardec tem se refletido nos trabalhos e estudos conscientes de diversos pesquisadores, palestrantes e médiuns alertas e atuantes do movimento espírita. Alguns puderam ouvir ao vivo a voz firme, consoladora e determinada através de palestras, aulas e programas radiofônicos de Herculano. A grande maioria despertou o interesse e mergulhou nas obras de Kardec depois de ler os importantes livros do maior filósofo espírita que tivemos. Herculano Pires é o patrono de todos que atualmente lutam para romper as amarras deturpatórias nas quais a divulgação espírita tem mergulhado.

Um alerta consciente foi dado por Herculano na obra Curso Dinâmico de Espiritismo, diante das deturpações e desvios que ele via ocorrer no meio espírita, e vale relembrar, fazendo eco à advertência dos espíritos em 1867 dada a Kardec:

“Todo espírita consciente de suas responsabilidades humanas e doutrinárias está no dever intransferível de lutar contra essas ondas de poluição espiritual que pesam na atmosfera terrena. Ninguém tem o direito de cruzar os braços em nome de uma falsa tolerância que os levará à cumplicidade. Os próprios e infelizes corifeus e propagadores dessas teorias ridículas são os mais necessitados de socorro. É legítima caridade repelir todas essas fantasias em nome da verdade, mesmo que isso magoe os companheiros iludidos” (Idem, p. 98).

Não se pode ficar quieto, aceitando as coisas como estão: Muitos afirmam, “o que se pode fazer? as coisas são assim mesmo, não vale a pena mexer, só vai me trazer problemas”. Essa tolerância comodista é uma cumplicidade indesculpável. Não se pede o combate direto, a caça às bruxas! Polêmicas que descambam para o personalismo, para a discussão vazia e interminável nada acrescenta. A real solução está na reconstrução dos ensinamentos originais pela laboriosa recuperação e pelo esclarecimento por meio do diálogo, do debate produtivo, da tolerância, da liberdade de pensamento. Veja como Herculano alerta de forma enfática e sem rodeios:

“A tolerância comodista dos que veem o erro e se calam é crime que terá de ser pago no futuro. Quem pactua com o erro para não criar problemas está, sem o saber, enleando-se nas teias sombrias da mentira, compromissando-se com os mentirosos. E esse compromisso é um desrespeito a todos os que se sacrificaram no passado e se sacrificam no presente para ajudar a Humanidade na defesa dos seus direitos evolutivos. Este é o momento grave da evolução terrena em que não podemos esquecer a advertência de Jesus: Seja o teu falar sim, sim; não, não. Multidões de criaturas foram sacrificadas no passado para que a Humanidade se libertasse de seus enganos e pudesse encontrar os caminhos limpos da verdade, ou seja, das coisas reais, verdadeiras, que nos conduzem ao saber e à liberdade. Se trairmos hoje, comodistamente, esses mártires inumeráveis, estaremos conspurcando a dignidade humana, cobrindo de lixo as sendas da verdade abertas pelo Cristo e agora reabertas pelo Espírito da Verdade através de Kardec” (Idem, ibidem).

Definindo como combatem o Espiritismo dentro de suas muralhas, explica Herculano Pires:

“Não há mais lugar para comodismos, compadrismos, tolerâncias criminosas no meio espírita. Cada um será responsável pelas ervas daninhas que deixar crescer ao seu redor. É essa a maneira mais eficaz de se combater o Espiritismo na atualidade: cruzar os braços, sorrir amarelo, concordar para não contrariar, porque, nesse caso, o combate à doutrina não vem de fora, mas de dentro do movimento doutrinário”.

Não existem, porém, professores e especialistas no Espiritismo. Não há quem se possa qualificar como tal. Diante da doutrina espírita somos todos estudantes! Todavia, uma divulgação consciente e adequada do Espiritismo só é possível depois de um estudo profundo da obra de Kardec, a Revista Espírita, além do conhecimento do contexto cultural francês do século 19, para que os artigos e hipóteses apresentadas por Kardec façam sentido hoje, pois os paradigmas das ciências mudaram muito nos últimos 150 anos.

Recomendável a leitura de obras complementares como as de Herculano. Elas são inspiradoras, de uma atitude corajosa e responsável diante da teoria espírita. Seu alerta é atual e precisa ser divulgado, para que no futuro, com o Espiritismo recuperado e conhecido pelas multidões:

“Bastam esses fatos para nos mostrar que o Espiritismo é o Grande Desconhecido dos próprios espíritas. E é por isso, por causa dessa negligência imperdoável no estudo da doutrina, que os próprios adeptos se transformaram em eficientes instrumentos de combate ao Espiritismo. As pessoas de bom senso e cultura se afastam horrorizadas de um meio em que só poderiam permanecer e ritmo de retrocesso ao condicionamento das crendices e do fanatismo. No campo científico o nada não existe nem pode existir. E como a base da doutrina é a Ciência, a sólida base dos fatos, a verdade incontestável é que o nosso movimento espírita não tem base. Se os espíritas conscientes não se dispuserem a uma tentativa de reconstrução, de reerguimento desse edifício em perigo, ficaremos na condição de nababos que desprezam as suas riquezas por incompetência para geri-las. Temos nas mãos a Ciência Admirável que o Espírito da Verdade propôs a Descartes e mais tarde confiou a Kardec. Mas do que vale a ciência e o poder, a fortuna e a glória, se não formos capazes de zelar por tudo isso e nem mesmo de compreender o que possuímos? Nós mesmos abrimos o portal da muralha e recolhemos, alegres e estultos, o Cavalo de Tróia em nossa fortaleza inexpugnável” (Curso Dinâmico de Espiritismo).

De Allan Kardec a Herculano Pires, por Izaias Lobo Lannes (15º Conselho Regional Espírita de Minas Gerais).

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Notamos, pelo serviço de administração e estatísticas do blog, que nos últimos meses, diariamente, companheiros de Hong Kong têm acessado o conteúdo do Divulgando a Doutrina Espírita.

We noticed, through the administration service and statistics of the blog, that in the last months, daily, companions of Hong Kong have acceded the content of Disclosing the Spiritist Doctrine.

Gostaríamos de estabelecer contato com os nossos irmãos da metrópole asiática para obtermos informações sobre o Movimento Espírita neste importante centro e também na China e Ásia.

We would like to establish contact with our brothers from the Asian metropolis to obtain information about the Spiritist Movement in this important center and also in China and Asia.

São brasileiros ou descendentes de brasileiros? Chineses? Temos Casas ou Centros Espíritas organizados? Deixo o meu e-mail para contato: josemarciodealmeida@yahoo.com.br.

Are they Brazilian or descendants of Brazilians? Chinese? Do we have Spiritist Centers or Houses organized? I leave my e-mail to contact: josemarciodealmeida@yahoo.com.br.

Um fraterno abraço!

A fraternal hug!

José Márcio

Fachada da Confederación Espiritista Argentina (Sánchez de Bustamante, 463, Buenos Aires)

Estivemos, em setembro de 2017 na cidade de Buenos Aires, Argentina. Aproveitamos a ocasião para fazer uma visita a Confederação Espírita Argentina (Confederación Espiritista Argentina) e conhecer um pouco do Movimento Espírita no país vizinho.

A CEA é, na Argentina, o que é a FEB aqui no Brasil.

Abaixo, algumas informações sobre a CEA, a Casa-Máter do Espiritismo na Argentina.

A Confederação Espírita Argentina é uma associação civil, religiosa, fundada na cidade de Buenos Aires em 14 de junho de 1900.

É uma organização, por eles denominada de bem público, sem fins lucrativos, e composta por associações, sociedades, famílias e parceiros diretos que realizam trabalho conjunto para o estudo, a prática e a difusão do espiritismo na Argentina.

A representação, gestão e administração da Confederação Espírita Argentina está a cargo de um Conselho Federal, composto por representantes das instituições membros que escolhem, anualmente, entre os seus membros o Conselho da CEA.

Na CEA funciona, além de todas as atividades administrativas (incluindo o programa de apoio às instituições espíritas do país), o instituto de ensino espírita (que realiza palestras, seminários e cursos sistematizados Doutrina Espírita, de educação, estudo e prática da mediunidade, de estudo de O evangelho segundo o espiritismo, além da formação de trabalhadores espíritas), a biblioteca pública (que dispõe de quatro mil títulos espíritas e espiritualistas), a livraria espírita, com mais de duzentos títulos disponíveis e sede da revista “La Idea” (fundada em 1923).

Fica aqui a nossa sugestão: em viagem a Buenos Aires, visite a CEA ou um das muitas Casas Espíritas do país.

Em toda a Argentina são mais de 60 Casas Espíritas espalhadas pela capital Buenos Aires, grande Buenos Aires e várias províncias, incluindo a Terra do Fogo, na cidade de Ushuaia – a cidade mais austral do planeta.

José Márcio

Oni ne povas paroli pri Esperanto preterlasante tiun eminentan homon, kiu en venontaj tempoj havos sian nomon inskribita en la listo de la eminentuloj, de la bonfarantoj de la Homaro: Lazarus Ludwig Zamenhof.

Ankoraŭ infano, li havis oportunon atesti gravajn malkonsentojn inter la loĝantoj de sia urbeto: Byalistok, Pollando, kie oni parolis kvar lingvojn. Tuŝita de la manko de komprenado, naskiĝis en li, antaŭ tiuj vivantaj bildoj de lingvaj baroj, la deziro solvi la problemon de homa komunikado.

Profunde tuŝita de la malkonsentoj kaŭzataj pro la manko de kompreno inter la enloĝantoj de sia malgranda urbo, li sin dediĉis al la studado de lingvoj, sukcesinte, kiam ankoraŭ dudekjara, la posedon de pluraj idiomoj. Komence, li pensis simpligi la latinan aŭ la grekan, sed tuj konstatis, ke tiu ideo estis tute neebla. Dekkvinjara, li lernis la anglan, konstatante, ke la verbaj fleksioj – abundaj en tiuj lingvoj kiujn li konis – ne estis esencaj, kaj konkludis, ke ilia malĉeesto tre faciligus la lernadon de iu ajn idiomo. Tiutempe li decidis krei lingvon! Li tiel pasie laboris, ke antaŭ ol dudekjariĝi, li jam havis pretan projekton: gramatikon, vortaron, prozajn kaj poemajn tekstojn.

Tiutempe Pollando estis subigita de Rusujo, kiu, krom malpermesi la uzadon de la pola lingvo, fermis la universitaton de Varsovio. Pro tio Zamenhof translokiĝis al Moskvo, kie li eniris la medicinan fakultaton. Antaŭ ol foriri, lia patro ordonis al li lasi la originalaĵojn de lia lingva projekto. Revenante, post du jaroj, pro la malfermo de la universitato de Varsovio, li konstatis, ke lia patro detruis liajn skribaĵojn, timante, ke la filo sin deviu de la studado pri Medicino.

Tio, kio ŝajnis malbono, fariĝis bono, ĉar libera de la kompromiso kun la patro, pro la manko de plenumo de la interkonsento, flanke de la patro, tio estas, okupiĝi pri la projekto nur post la fino de la medicina kurso, la junulo – jam pli matura kaj pli sperta pri lingvoj, ĉar li laboris kiel tradukisto pro sin subteni en Moskvo, li estis pli kapabla refari sian projekton, ĝin perfektiĝante, kiel oni facile konstatas komparante ĝin al la eroj de la originala projekto, kiuj restis en la manoj de kelkaj amikoj liaj.

Paralele al sia lernado pri Medicino, Zamenhof daŭrigis la ellaboradon de sia lingvo, praktikante ĝin kun siaj amikoj, samtempe farante tradukojn, komence per la Biblio. Tuj post konstati la funkciadon de la lingvo, li publikigis la libreton “Lingvo Internacia”, sub la pseudonimo de D-ro Esperanto, pseŭdonimo kiu pli malfrue fariĝis la nomo da la lingvo.

Tuj post la publikigo de sia broŝureto, li komencis ricevi apogon, aliĝo al la disvastiga movado, sed samtempe li devis ankaŭ alfronti atakojn, mokojn, eĉ senbazan malamikecon fare de tiuj, kiuj timis aŭ malamis la progreson. Tiuj sistemaj kontraŭuloj al la progreso ne kutimas analizi novajn proponojn: simple sin antaŭmetas apriore kontraŭ ion ajn nova. Tiuj personoj – kiuj ekzistas ĝis nun – ne dezirante diskuti la aferon pro manko de argumentoj, kiuj kapabligus ilin al la diskutado sur la kampo de ideoj, ili uzas kiel armilojn la mokon, la senkonsciencan sarkasmon.

Tamen kun la fortoj kaj la persisteco kiuj karakterizas tiuj kiuj venis en la mondon alportante sian kontribuon al la progreso, Zamenhof, ekde sia juneco, kuraĝe alfrontis la malvarman kaj ŝajnsuperan rigardon de la malsaĝuloj, kiuj ridadis pri la utopia monda lingvo, kiu, laŭ ili, destinata al tuja malapero.

Nuntempe, ni ĉiuj, kiuj koncedas al ni la honoron kunlabori kiel daŭrigantoj de tiu forta kaj nobla homo, ni devas memori la dignecon, la forton kaj la humilecon kun kiuj li alfrontis la terurigajn atakojn fare de tiuj, kiuj ne sukcesis kompreni la idealismon de tiu laika junulo, kiu – donante la plej karajn momentojn de sia juneco, aŭdacis krei internacian lingvon, interne de sia hejmo, for de akademioj kaj universitatoj.

La interna forto kiu faris lin rezisti kaj samtempe kuraĝigi siajn kunulojn al la persisto estas klare montrata en sia grandioza poemo “La Vojo”, en kiu li – kiu estis judo – uzis la saman figuron de la semisto, uzita de Jesuo, en la tre konata parabolo:

Ni semas kaj semas, neniam laciĝas,

Pri’l tempoj estontaj pensante.

Cent semoj perdiĝas, mil semoj perdiĝas,

Ni semas kaj semas konstante.

La poemo estas vera himno al la persisito. Sed, kvankam Esperanto posedas la vorton persisto, Zamenhof uzis, en tiu ĉi poemo, pli ol unu fojo, alian vorton, multe pli fortan: obstino. Kaj nur pere de obstino estus eble restadi en tiu batalkampo, fortanime, ne atentante al la atakoj, al la mokado. Tiun senton li elmontras al siaj kunuloj:

“Ho, ĉesu!”, mokante la homoj admonas,

“Ne ĉesu, ne ĉesu!” en kor’ al ni sonas:

Obstine antaŭen! La nepoj vin benos,

Se vi pacience eltenos”.

Sed, post pli ol unu jarcento – krom kelkaj honorigaj eksceptoj – la universitata medio daŭrigas sian “konsciencan” ignoradon pri la ekzistado de Esperanto, preterlasante la problemon de internacia komunikado, plene akomodataj al la paliativa solvo, tio estas, la uzado de la angla lingvo, kaj, en pli malgranda kvanto, de la hispana kaj de la franca.

Se ni observos la mondon antaŭ unu jarcento kaj faros komparon inter tiutempaj transportrimedoj kaj tiuj de niaj tempoj, ni povos konsideri profeciaj la vortoj de Zamenhof, ĉar en tiu epoko la vojaĝoj postulis tiom da tagoj, kiom hodiaŭ da horoj en vojaĝo de Eŭropo al Ameriko. Kaj kion diri pri la komunikrimedoj? Ni devas memori, ke en la tempo de Zamenhof la telegrafo estis la komunikilo por longaj distancoj. La telefono estis ankoraŭ preskaŭ kuriozaĵo.

La evoluo de la mondo kiu okazis ekde tiu tempo ĝis nun ne havas precedencon en la historio de la Homaro. En la transporto: aŭtomobilo, aviadilo, rapidtrajno; en la komunikado: radio, telekso, televido, interreto.

Malgraŭ ĉiu tiu antaŭeniro en la kampo de transporto kaj komunikado, la homo daŭras tiel malbone preparita por interparoli al sia similiulo, same kiel en la pasintaj jarcentoj.

Tial oni rajtas demandi pri la utileco havi, post kelkaj sekundoj, interparolanton en la kontraŭa hemisferio se li ne parolas komunan lingvon. La transportrimedoj kaj komunikrimedoj perturbe multo-bliĝis, kaj estas je la dispono de la homo, kiu ankoraŭ ne sukcesas interparoli kun la homo, kiu la moderna teknologio metas antaŭ li.

Estas notinde, ke la kapablo antaŭvidi la progreson, kiu karakterizas la grandajn spiritojn ĉiam surpasis la horizonton de la epoko en kiu ili vivis. Pri tiu aperonta bezono, jam parolis Descartes kaj Leibnitz, en la dek-sepa jarcento. En tiu sama epoko, du projektoj pri artefaritaj lingvoj aperis, tiuj de Georgo Dalgarno kaj de la Episkopo Wilkins. Sed la eksplodo de la ideo pri internacia lingvo aperis en pli granda kvanto en la deknaŭa jarcento, kiam aperis pluraj centoj da projektoj. Preskaŭ ĉiuj tiuj projektoj ne estis prilaboritaj de profesiuloj de lingva medio. La socia bezono mem inspiris plurajn laikulojn sin riski, kiel amatoroj, pro la fakto, ke la profesiuloj ne manifestiĝis.

Oni devas rimarki, ke en la dek-naŭa jarcento – tiel produktema de projektoj pri internaciaj lingvoj – ekzistis natura lingvo, la franca, kiu plenumis la rolon kiun nuntempe la angla plenumas. Pro tio, oni rajtas demandi, kial – malgraŭ la fakto, ke la problemo de komunikado ŝajnis esti solvita – aperis tiom da lingvaj projektoj pri artefaritaj lingvoj. Tio okazis ĝuste pro la fakto, ke evidentiĝis du problemoj en la uzado de natura lingvo kiel interlingvo: la malfacileco de lernado kaj, precipe, la manko de politika neŭtraleco.

Aliflanke, oni povas demandi kial – se la bezono de internacia lingvo multe pligrandiĝis – kial ne aperis, en la dudeka jarcento, tiom da projektoj en la sama kvanto de tiuj aperintaj en la dek-naŭa. Ĉu la lingvistikistoj de la tuta mondo sin dediĉis al la afero kaj konkludis, ke la angla, aŭ iu ajn natura lingvo, kontentige solvas la problemon de internacia komprenado kaj ke ĝia adopto ne invadas la kulturan intimecon de malgrandaj nacioj nek atingas principojn rilate al egaleco de rajtoj inter la popoloj?

Ne, tute ne! La profesiaj lingvistoj, krom tre maloftaj esceptoj, rezignas ian modifon en la nuna kadro, sen almenaŭ supraĵe studi la aferon.  Antoine Meillet, Otto Jespersen, kaj André Martinet listiĝas inter la maloftaj esceptoj. Martinet laboris sur tiu kampo. Li partoprenis grupon, kiu dum pli ol dudek jaroj prilaboradis internaciajn projektojn celantajn konstruon de internacia lingvo. Unu el ili estis publikigita en Usono en la jaro 1950-a, nome Interlingua, kiu ne sukcesis fakte fariĝi vivanta lingvo. Poste, Martinet orientis doktorigan tezon pri Esperanto en Francujo. En intervjuo al ĵurnalisto antaŭ nemultaj jaroj, li klare manifestiĝis favore al Esperanto kaj finis sian respondon per citaĵo de fama franca lingvistikisto Antoine Meillet: “Ĉiu teoria diskutado esta vana; Esperanto funkcias.” Jespersen, notinda dana lingvistikisto, serioze studis la temon kaj prilaboris projekton de internacia lingvo, al kiu nomis Novial, publikigita en 1928 kaj reformita en 1934, sed ĝi ne postvivis sian aŭtoron, kiu mortis en 1943.

Post tiu ĝusta deklaro, oni povas denove demandi: Kial malpligrandiĝis iom post iom, en la dudeka jarcento, la apero de novaj projektoj, se la bezono de internacia lingvo tago post tago fariĝis pli evidenta? Ĉu ne estus pro la fakto, ke la personoj interesitaj pri la problemo de monda komunikado jam estis konvinkitaj, ke la solvo jam aperis? Oni rajtas pensi, ke eble ili alvenis al tiu konkludo pro la fakto ke neniu, inter la malmultaj projektoj aperintaj en tiu jarcento, sukcesis skui la ĉiam kreskantan sukceson kiun Esperanto atingis?

La disvastigado de Esperanto en la mondo estas malrapida, kiel okazas al ĉiuj novaj bonaj ideoj kiuj alvenas por sin fiksi en la mondon. Ĝi estas malrapida, sed neniam malantaŭeniris. La mondo, kvankam malrapide, konsciiĝas pri la utileco de neŭtrala lingvo. Hodiaŭ, Esperanto estas konata kaj uzata en pli ol cent dudek landoj. Iom post iom la universitataj medioj rekonas ĝin, dank’ al la persisto de idealistoj.

Brazilo okupas distingan lokon en la disvastigado de Esperanto. Nuntempe la brazila esperantistaro atendas la momenton festi la aprobon de projekto enkondukanta Esperanton kiel laŭelekta lernobjekto en ĉiuj mezgradaj lernejoj de Brazilo. Tiu projekto jam estas aprobita de la Senato kaj nuntempe atendas aprobon de la Ĉambro de la Deputitoj.

Brazilo, kiu ne alfrontas problemojn pri komunikado en sia vasta teritorio, apogas, kaj certe daŭrigos sian apogon al tiu nobla klopodo celanta universala kunfratiĝo, nome atingi mondan pacan etoson, nobla klopodo necese subtenata de helpa neŭtrala lingvo.

La mondo alfrontas, kiel tra la tempoj ĉiam alfrontis, malfacilaĵojn naskitajn pro la ekonomiaj kaj politikaj interesoj, kiuj ankoraŭ ŝvebas super la superaj idealoj, sed la noblaj ideoj persistas, malgraŭ ĉio.

Kiam ni sentos la devon omaĝi la kreinton de Esperanto, ni devos memori, ke la plej trafa maniero tion fari estas resti fidelaj al la idealo de monda interkomprenado. Ni ĉiuj laboradu, celante la disvastigadon de Esperanto. Ni ĉiuj sekvu la ekzemplon de tiu malalta kaj fizike malforta homo, kiu fariĝis vera giganto en la laboro celanta la alproksimiĝon de la popoloj, kiu efektiviĝos pere de la lingvo, kiun li humile oferadis al la mondo.

Ni prenu la forton de la idealo, tiu sama forto kiun havis tiu junulo, kiam li decidis krei internacian lingvon.Tiu forto konduku nin al la ofero de tiu lingvo, kiu eliris el la menso kaj el la koro de tiu genia junulo, kiu povis, dank’ al vidkapablo de la viziuloj, vidi, trans la tempo, la bezonon de tiu komunikilo, kiun li kreadis, kiu fariĝos kolektiva posedaĵo de la tuta Homaro, apartenante aparte al neniu popolo.

José Passini

Foi com grande alegria que proferimos, dia 23 de setembro passado, na Fraternidade Espírita Irmão Glacus (FEIG), de Belo Horizonte/MG, palestra pública para apresentar o nosso humilde trabalho intitulado Anunciando o Evangelho.

O livro foi selecionado pelo Departamento Doutrinário da Casa de Glacus para figurar na lista das obras de divulgação doutrinária da sua tradicional Feira do Livro edição 2018.

Após a palestra, tivemos a oportunidade de trocar impressões sobre a obra e sobre o método “miudinho” com os muitos companheiros que nos procuraram para as mensagens cariciosas nos exemplares adquiridos.

Anunciando o Evangelho é um livro de interpretação do Evangelho de Jesus à luz da Terceira Revelação.

Sentimo-nos honrados com a aprovação do nosso trabalho pela FEIG e agradecidos ao Mestre por mais esta oportunidade de fazer amigos e de trabalhar em sua seara bendita.

Anunciando o Evangelho pode ser adquirido nas livrarias on line Amazon, Americanas, Cultura, Mercado Livre, Estante Virtual e Submarino ou pelo site do Clube de Autores (link ao lado): Anunciando o Evangelho.

Jesus conosco!

José Márcio

Allan Kardec

Há 149 anos, no dia 31 de março em Paris, com apenas 65 anos, falecia subitamente Allan Kardec. O sepultamento ocorreu no dia 2 de abril. Convidado para as exéquias, o astrônomo Camille Flammarion (1842-1925) proferiu o discurso de despedida.

Paris, manhã chuvosa de 17 de abril de 1997. Havia programado ir ao cemitério Père Lachaise visitar duas sepulturas, respectivamente de Allan Kardec e Frédéric Chopin, duas personalidades que me são muito caras. O Guia Visual da Folha de São Paulo assinalava que eram os jazigos mais floridos. Na entrada adquiri dois botões de rosas vermelhas, um para cada um bem como recebi um mapa com a planta do cemitério e a localização dos jazigos das maiores celebridades. Me aproximei do túmulo de A. Kardec erguido como os dólmes druídicos, lembrando aqueles de Stonehenge na Inglaterra, construídos pelos druidas na Idade de Bronze, entre 2.000 a 1.500 a.C., palco de uma de suas encarnações da qual extraiu o nome. Coloquei minha rosa em meio a tantas flores que tomavam o espaço. Não havia lugar para um vaso. O de F. Chopin era o segundo mais florido. O Guia estava certo. Hippolyte Leon Denizard Rivail (1804-1869), pedagogo, professor, autor, tradutor e escritor, morreu conforme viveu : trabalhando, vítima da ruptura de um aneurisma quando ainda tinha muito a oferecer. Sofria de uma enfermidade do coração, estava ciente disso e nem por isso arrefeceu na missão que ele sabia fora destinado. Na sua extensa bibliografia vemos que de 1835 a 1840 fundou um sua casa à rua de Sévres, cursos gratuitos de química, física, anatomia comparada e astronomia. Nos deixou três mensagens que constituem, acredito, os pilares da Doutrina:

“Fé inabalável é aquela que encara a razão frente a frente em todas as épocas da humanidade” – “Fora da caridade, não há salvação” – “Nascer, Viver, Morrer, Renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a Lei”.

Do infinito, do universo e dos mundos

O astrônomo Camille Flammarion, então com 27 anos, mas já famoso na França, foi amigo pessoal e dedicado de A. Kardec. Em um dos livros de A. Kardec, “A Gênese” (1868), Cap. VI, Estudos Uranográficos, nota-se claramente a influência dos conhecimentos de Flammarion. Seu livro “A Pluralidade dos Mundos Habitados” (1862), causou na época enorme impacto científico e filosófico nas mentes dominadas por dogmas voltadas a Terra como centro da criação e foi muito importante para a obra de A. Kardec. O tema alvo de acirradas discussões encontrou confirmação da existência de outro sistema solar apenas em 1990 com os rádio astrônomos Aleksander Wolsczan e Dale Frail, descobrindo dois planetas orbitando o pulsar PSR 1257+12. Estava descoberto o primeiro exoplaneta. Assim, o que parecia privilégio do Sol, atualmente já são mais de cinco mil as estrelas confirmadas que na Via Láctea, a nossa Galáxia,  possuem planetas ao seu redor e esse número não pára de crescer. Isso levou a União Astronômica Internacional, IAU, criar há mais de vinte anos uma comissão para averiguar assuntos que envolvam a pluralidade dos mundos habitados. E pensar que a Inquisição levou à fogueira Giordano Bruno por defender em seu livro “Acerca do Infinito, do Universo e dos Mundos” que “há incontáveis terras orbitando em volta de seus sóis da mesma maneira que os seis planetas do nosso sistema”.

O discurso de Flammarion

Ali aos pés do jazigo, veio-me a lembrança o dia 2 de abril de 1869 em que Flammarion se despedia do amigo. Ele havia aceito o convite dos amigos e admiradores do pensador laborioso e do ‘Comitê Central da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas’ com o endosso da Sra. Amélie Gabrielle Boudet, esposa de A. Kardec. O discurso de Flammarion assinala uma data histórica do espiritismo a ponto do Comitê oferecer a Flammarion o cargo de presidente da “Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas” algo que ele declinou em razão dos exaustivos compromissos como astrônomo e escritor. De pé, numa elevação de onde dominava a assembléia, o discurso de Flammarion foi ouvido por todos. Dele por sinal extenso, extrai alguns trechos que exprimem seus conhecimentos, sentimentos e convicções. “Allan Kardec foi homem de ciência que, sem dúvida , não pôde prestar esse primeiro serviço e assim propagar ao longe, como um convite, a todos os corações. Mas ele era o que  chamarei simplesmente o bom senso encarnado”.  “Porque senhores, o espiritismo não é uma religião, mas sim uma ciência da qual conhecemos apenas o A, B, C. Acabou o tempo dos dogmas. A natureza abraça o Universo”. “É pelo estudo positivo dos efeitos que se remonta à apreciação das causas. Na ordem dos estudos reunidos, com o nome genérico de espiritismo, os fatos existem”.

“Porque tendo às mãos o meu livro “A Pluralidade dos Mundos Habitados”, você o colocou imediatamente na base do edifício doutrinário que sonhastes. Agora, oh alma, você sabe, por uma visão direta, em que consiste esta vida espiritual a qual retornaremos e que esquecemos durante esta existência”, “O corpo tomba, a alma fica e retorna ao espaço. Nós nos reencontraremos em um mundo melhor. E no céu imenso, onde se exercerão nossas faculdades mais poderosas, continuaremos nossos estudos que na Terra dispunham de um local muito pequeno para contê-los”. “A imortalidade é a luz da vida, como este brilhante Sol é a luz da natureza. Até logo, meu caro Allan Kardec, até logo!”.

O bom senso encarnado, por Nelson Travnik. O autor é astrônomo em Campinas, SP, e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França, fundada por C. Flammarion em 1887.

Referências:

A Gênese, FEB, 1973.

Obras Póstumas, A. Kardec, Mundo Maior Editora e Distribuidora.

La Pluralité des Mondes Habités, C. Flammarion, E. Flammarion Editeur, 1921.

Acerca do Infinito, do Universo e dos Mundos, Giordano Bruno, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1958.

Flammarion, aquele que leva a Luz, N. Travnik, revista Fidelidade Espírita,Campinas,  dez.  2009.

Astronomia e Espiritismo celebram Camille Flammarion, N. Travnik, revista Fidelidade  Espírita, junho, 2015.

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