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Archive for dezembro \01\UTC 2013

EDITORIAL [*]

No dia 10 de dezembro próximo, o blog DIVULGANDO A DOUTRINA ESPÍRITA estará completando um ano no ar.

Nosso propósito foi, desde o início, o de divulgar a Doutrina Espírita nos moldes em que fora codificada por Allan Kardec. Acreditamos estar no bom caminho!

De 10 de dezembro de 2012 a 30 de novembro de 2013, o conteúdo do blog foi visitado 6.547 vezes (uma média mensal de quase 550 acessos) no Brasil e em vários países do mundo: Argentina, El Salvador, Estados Unidos, Canadá, Portugal, Espanha, França, Reino Unido, Bélgica, Suíça, Alemanha, Holanda, Itália, Bulgária, Polônia, Moçambique, Angola, África do Sul e Emirados Árabes Unidos.

Estruturado nas categorias Codificação Espírita, Artigos Doutrinários, Mensagens Mediúnicas, Evangelho, Chico Xavier, Entrevista, Sugestão de Leitura e Outros, o blog adquiriu, neste primeiro ano, um sólido e robusto conteúdo.

Atualizado mensalmente, sempre na primeira semana, oferece ao internauta material novo e seguro para leitura (todos os meses são postados não menos que dez novos artigos) e pesquisa (as autorias e as fontes são sempre preservadas e indicadas); o blog disponibiliza ainda todas as obras de Allan Kardec (que já estão em domínio público) para download (página biblioteca). Assim é que o blog DIVULGANDO A DOUTRINA ESPÍRITA se transformou em importante fonte de pesquisas sobre a Doutrina Espírita na internet.

E, para comemorarmos este importante marco, estamos publicando neste mês de dezembro a inédita e exclusiva entrevista com o médium Jairo Avellar sobre o tema mediunidade.

Agradecemos àqueles que colaboraram para que este projeto se tornasse realidade, aos nossos leitores e também aos benfeitores espirituais que nos assistem e presidem, em especial, à Francisca de Paula de Jesus, nhá Chica.

Sugestões são muito bem-vindas, pelo que, antecipadamente, agradecemos.

Belo Horizonte MG, 1º de dezembro de 2013.

[*] José Márcio de Almeida

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ENTREVISTA COM JAIRO AVELLAR: MEDIUNIDADE  [*]

1. Jairo, o que é mediunidade? A mediunidade é uma prova ou é uma missão?

Resposta – A mediunidade é uma capacidade psíquica, de prática intelectiva, em geral concebida através dos planejamentos reencarnatórios, que nos coloca como intermediários, pontos de intercessão, ou estafetas entre os dois planos da vida. É um ponto inteligente unindo o mundo subjetivo, dos encarnados com o mundo objetivo, o dos desencarnados, ou mundo verdadeiro, o mesmo que mundo real. A mediunidade pode ter vários aspectos, pode ser provacional se afigurando como uma avaliação. Pode ser de trabalho tornando-se uma fieira laborativa de oportunidades redentoras. Poderá ser também uma missão quando a individualidade se faz portadora de qualidades para tal.  Ela é sempre progressista, evolui com a evolução de seu servidor, podendo reunir em si os três aspectos, dois deles ou somente um destes. Contudo em qualquer aspecto que ela se apresente, será sempre uma esteira de oportunidades sem precedentes na existência de cada um.

2. Como saber se somos médiuns? E, se o formos, como devemos proceder?

Resposta – Segundo a definição dos espíritos, inserida no próprio livro dos médiuns e corroborada por vários amigos espirituais, entre eles Emmanuel, André Luiz, João Cleófas, Manuel Philomeno de Miranda, Joanna de Angelis, todos nós somos médiuns, o que irá variar será tão somente o “quantum” sensibilidade que cada um venha a apresentar. Isto na realidade estará atrelado ao papel, e aos compromissos assumidos pela individualidade ainda no mundo espiritual, podendo sofrer alterações no decorrer da vida. Lembrando que quanto maior seja esse “quantum” sensibilidade e quanto mais diferenciados forem os recursos medianímicos que a individualidade venha a apresentar, maiores serão as suas responsabilidades perante o mandato mediúnico que recebeu. Lembramos aqui o instrutor André Luiz, “Não é a mediunidade que te distingue, mas aquilo que fazes dela”, daí toda e qualquer conduta diante a mediunidade deve ser pautada em humildade, simplicidade e em amplo despojamento material.

3. Qual o mecanismo do intercâmbio mediúnico e quais os princípios básicos em que se alicerça?

Resposta – Todo o mecanismo do intercambio mediúnico se dá entre a mente desencarnada, considerada então como a emissora, e a mente encarnada a qual designamos como a mente receptora. Emissão e recepção são mecanismos ininterruptos dentro de qualquer evento onde exista o fato mediúnico. O principio básico onde se assenta o intercambio mediúnico situa-se na “sintonia”, quanto mais perfeita for a sintonia, mais límpida será a comunicação entre os dois planos da vida. Lembramos aqui o instrutor Emmanuel, quando ele sabiamente assevera que, “sintonia é lei inderrogável no universo”. Quando falamos de sintonia, falamos em identidade entre o emissor e o receptor. Aquele que recebe, ou capta, aquele que distribui a mensagem captada, coloca na retransmissão toda a sua bagagem pessoal, repassando também toda a sua qualidade moral, ética e conduta pessoal.

4. Para exercer mais conscientemente a sua tarefa, o que o médium deve conhecer do Plano Espiritual e das leis que o regem?

Resposta – Mediunidade não é uma propriedade da Doutrina Espirita, e nem tão pouco uma estrutura concebida pela Doutrina Espirita, a mediunidade como nós a conhecemos trata-se de uma compilação, organização, e codificação elaborada por Hippolyte Leon Denizard Rivail, Allan Kardec. Tendo sido comentada por vários outros companheiros espirituais de grande envergadura, que lhe deram bases ainda mais consistentes e seguras para a sua prática. Daí, vamos conhecer inúmeros médiuns fora da Doutrina Espirita, muitos que nem ao menos sabem que são médiuns, e muito menos entendem de plano espiritual ou de influência dos espíritos em nossas vidas. Contudo, entendemos que o Médium Espirita, pelo fato de ter a seu favor todo o legado Kardequiano, espera-se dele um maior preparo, um melhor entendimento e melhores condições para se posicionar em termos de objetivos e finalidades. Lembramos que uma coisa é conhecimento, e outra coisa bem diferente é o exercício prático destes conhecimentos. Visto isso, consideramos que somente por isso ele não se tornará mais consciente ou melhor que os demais, mas sem duvida ele se tornará bem mais responsável que os demais em relação ao aproveitamento laborativo e quanto às possibilidades de êxito.

5. Qual a importância dos ensinamentos evangélicos?

Resposta – Considero que o conhecimento doutrinário prepara o medianeiro para o trabalho, contudo somente o evangelho dá o brilho tão necessário à mediunidade, somente a mediunidade evangelizada produz a luz. A estrutura doutrinaria define a razão a que se destina a mediunidade, mas somente a prática evangelizada lhe dá sentimento. O primeiro lhe é a moldura e o segundo lhe é a face no qual deve transparecer o verbo divino. Novamente permito-me enfatizar que a Doutrina Espirita, não é uma estrutura que visa volume ou quantificação, mas que se propõem a qualificar trabalho e trabalhadores diante a vida. Daí, não se importa o tempo de aprendizado, ou a quantidade de estudos efetivados, mas é a qualidade do estudo naquilo que se consubstancia como o mais importante, a prática em si. E a isso chamamos de sabedoria dentro do exercício mediúnico.

6. Além de O Livro dos Médiuns e demais obras da codificação, qual ou quais as obras você considera indispensáveis à formação do médium?

Resposta – Comecemos pelos contemporâneos de Kardec em trabalhos pessoais, Ernesto Bozzano e Gabriel Dellane, Leon Denis “A alma é imortal”, “Reencarnação”, “Psiquismo” “O destino do ser e da dor”. Passamos por William Crooks, “Fatos Espíritas”. Os contemporâneos em trabalhos individuais, Hermínio Miranda, “Diversidade de Carismas”, Prof. José Jorge, “Antologia do Perispírito”, Carlos Torres Pastorino, “Técnicas da Mediunidade”. Toda obra Evangélica de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco, acrescido das obras especificas dos mesmos médiuns como toda a “Coleção André Luiz”, “Seara dos Médiuns”, por Emmanuel, “Mediunidade”, por João Cleófas. Na realidade a preparação teórica e prática para a mediunidade é tarefa para a vida toda, o médium deve ser irmão dos livros e amigo da cultura. E ainda assim, muito provavelmente retornaremos ao mundo espiritual com muito a aprender e muito ainda a produzir.  

7. O estudo acerca da casa mental pode auxiliar o médium no exercício de sua mediunidade?

Resposta – Trata-se de um estudo muito importante para todos os profitentes da mediunidade que desejam entender o verdadeiro papel e a importância da mente no exercício pleno da mediunidade. Neste caso indicamos o magnífico trabalho do instrutor Emmanuel, através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier, intitulado “Pensamento e vida”. Trata-se de um livro franzino em volume, mas robusto em conteúdo, um pouco difícil de ser estudado. Embora ele possua uma didática maravilhosa, aconselho que após a leitura individualizada, se constitua um grupo de estudos, e se possível que tenha como facilitador um companheiro mais experiente no assunto, para que as citações do referido instrutor possam ser bem absorvidas e apreciadas com profundidade.  Acho que o livro “Pensamento e Vida” é imprescindível para todos aqueles que se candidatam a compreensão dos mecanismos mentais da mediunidade.

8. Animismo e reflexo condicionado são a mesma coisa? Qual a interferência destes no intercâmbio mediúnico? Como identificá-los?

Resposta – “Animismo” considera-se tudo que vem da própria alma, diríamos dos materiais que advém do “ser em si”, ou seja, tudo aquilo que emerge da essência. É um fato natural dentro da mediunidade, que com o trabalho dedicação, e um bom encaminhamento do fato mediúnico, e estando sobre a supervisão pontual dos responsáveis pelas ações diretivas da reunião ficarão sobre controle. Trata-se sempre de um ativo pessoal muito precioso para a própria mediunidade quando bem trabalhado.

Quanto ao “Reflexo Condicionado” entende-se como sendo a resposta instantânea àquilo que nos chega em forma de pensamento, levando a mente a produção automática de pensamentos resposta por simples indução.

Ouve-se uma musica – lembra-se o nome e o autor…

Os sons da música – lembramo-nos de uma pessoa ligada a nós…

A pessoa ligada a nós – leva-nos a algum lugar…

O lugar relembrado – nos causa uma sensação de abatimento e tristeza…

Estas ligações se estabelecem em milissegundos, não sendo nem percebida como associação, anotamos simplesmente o reflexo em forma de abatimento e tristeza. “Reflexo condicionado, concatenado, resposta condicionada ou comportamento respondente corresponde ao que Lev Vygotsky (1896 – 1934), em sua definição de reflexologia definiu como a transformação das reações de resposta do organismo (reflexos incondicionados) a estímulos externos em situação experimental segundo os postulados de Vladimir Bekhterev (1857 – 1927) e Ivan Pavlov (1849 – 1936).”

Assim sendo, vemos que animismo e reflexo condicionado não são a mesma coisa.

9. Como é possível ao médium controlar as manifestações dos Espíritos, mesmo violentos ou desequilibrados?

Resposta – Sim é possível, mas demanda esforço, autocontrole, domínio da comunicação, experiência mediúnica, afinidade de grupo, ambiente magnético da reunião. Destes itens, considero que a experiência mediúnica seja o mais importante para o medianeiro. O médium tem que saber o exato momento de dar maior liberdade ao pensamento do espírito comunicante e o momento de conter a mesma comunicação. Contudo considero também que o perfil psicológico seja o item que mais colabora com a falta de controle. O médium na mesa mediúnica, fala entre linhas daquilo que ele é no exercício da própria vida. O médium estudioso, aquele que se dedica a autoeducação, sem duvida terá melhores condições para trabalhar o autocontrole, contudo insisto em afirmar que somente este item não será suficiente para garantir uma comunicação harmônica.

10. Qual a condição do médium na psicofonia consciente, na semiconsciente e na inconsciente?

Resposta – Na psicofonia consciente o pensamento do espírito comunicante chega de forma bastante sutil, necessitando de uma apurada percepção do médium sobre os pensamentos entrantes, sabendo separar aquilo que provem de suas próprias instancias mentais, o que provém do espírito comunicante, e o que é lixo possivelmente provocado por possíveis interferências. Temos a salientar neste ponto, que nem sempre a influência mental, aquela que provém do espírito comunicante, determinando o fluxo natural entre pensamentos, palavras e sensações, terá uma carga igual nos níveis mental e fisiológico. Ou seja, a sensação que é sentida e expressa pelo corpo do médium, pode ser diferente da expressão da comunicação em si. Cabe-nos refletir que na estrutura cerebral, os centros da fala, da visão e os centros motores não se localizam num mesmo ponto, sendo autônomos entre si. Por isso é que a relação entre visão, fala, audição e sensação fisiológica, poderão ser diferenciados entre si.

Na psicofonia semiconsciente mantem-se a mesma linha de raciocínio anterior, com uma maior automação por parte dos centros psicofísicos, isto ocorre em decorrência de uma maior intensidade da carga mental do espírito comunicante sobre o médium. No caso da psicofonia inconsciente permanece o mesmo princípio comentado no primeiro e segundo itens, havendo uma automação quase que plena dos centros psicofísicos, neste caso a carga mental liberada e absorvida através do espírito comunicante é muito intensa. Contudo, temos a considerar que nas reuniões bem estruturadas e bem encaminhadas, estas modulações estarão sempre sobre o controle dos espíritos dirigentes e demais protetores das reuniões, e atendem exclusivamente aos planejamentos previamente estabelecidos para cada comunicação.

Permitam-me ainda um adendo, muitos fatos lamentáveis que ocorrem nas mesas mediúnicas, e que são prontamente atirados à responsabilidade das comunicações inconscientes, não passam de capítulos da histeria, devendo ser meticulosamente analisados e muito bem separados definindo-se então o que seja histeria daquilo que é mediunidade.

11. Qual a postura adequada do médium à mesa?

Resposta – O médium deve comparecer devidamente higienizado, vestido decentemente, plenamente sóbrio e muito bem disposto. Deve saber aguardar a convocação do irmão dirigente quanto ao seu posicionamento ou não na mesa mediúnica. Sobretudo deverá impor a si uma disciplina plena quanto às mínimas normas que regem a reunião. No caso de ter alguma diferença ou divergência com alguém da reunião, ele deverá se afastar, e fazer uma avaliação aprofundada se ainda assim a sua presença é positiva, se soma, se contribui, ou se ele pode estar sendo um peso negativo a carga vibratória do grupo. Em caso afirmativo ele deverá se afastar definitivamente da mesma, até que consiga atingir uma posição evangelizada e conciliadora com o ambiente, evitando assim ser uma pedra de torpeço aos trabalhos do grupo.   

12. Como deve o médium proceder para manter o estado de concentração durante as reuniões práticas e como desconcentrar-se quando preciso?

Resposta – Entendo que o processo de concentração e desconcentração irá se aprimorar com o tempo, advindo de uma maior vivência e experiência do medianeiro em contato constante com o trabalho. Não existem formulas mágicas. Concentrar, quer dizer buscar o centro, ou seja, centralizar o pensamento nas atividades que estão em andamento e isto é diferente de mentalizar. Mentalizar é o ato de criação imaginativa através de um processo de busca mental.

Concentrar é centralizar o pensamento, por exemplo, numa prece efetuada pelo dirigente, numa doutrinação em andamento, em uma comunicação de determinada individualidade. Isto é diferente de mentalizar, a busca imaginativa da cor azul, de uma estrela, dos raios de luz ou mesmo da figura de uma entidade espiritual. Desconcentrar-se é o ato de sair do centro, retirar a mente do seu centro, sair do foco, desfocar, e voltar à mente para o seu estado natural de produção normal de pensamentos.

13. Como e até onde se processa a influência dos Espíritos sobre o médium, ostensivo ou não?

Resposta – A influência dos espíritos sobre os encarnados se dá de mente para mente, pensamento busca pensamento, pensamentos se alinham a pensamentos, e pensamentos atraem pensamentos. A este mecanismo de atração e refração denominamos de “sintonia”. Os níveis de sintonia podem atingir volumes e distâncias inimagináveis, seja pela ostensividade do pensamento, e/ou pelos meios e métodos adotados. Aliás, os espíritos superiores foram muito objetivos ao informar ao codificador acerca da influência dos espíritos sobre as nossas vidas, “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem”.

Neste capitulo verifica-se também as obsessões, as possessões e as fascinações que grassam abundantemente sobre a coletividade.

Contudo a ostensividade não determina por si só os volumes e a qualidade das influências, estes itens são determinados pelos níveis de sintonia em que se coloca a mente receptora. Aliás, vale a pena lembrar que os espíritos obsessores de pior trato, os mais difíceis, os mais conhecedores e ardilosos primam pela sutileza nas influências e não pela ostensividade empregada. Isto é uma coisa a ser desmistificada, pois a ostensividade na mediunidade também não significa mais riscos que em outros tipos de mediunidade, o risco está quanto a como o medianeiro coloca a sua mediunidade.

14. Qual o procedimento do médium quando intensamente assediado pelas vibrações de um Espírito desequilibrado, quer na reunião ou fora dela?

Resposta – O medianeiro responsável sabe que o assédio é sempre constante, por isso mesmo, ele não se prepara para uma reunião, ele tem plena consciência de que o preparo, a aplicação, a responsabilidade, a dedicação devem ser materiais de todas as horas. O medianeiro responsável tem consciência de que as reuniões nunca terminam e jamais se interrompem, nós estamos sempre em trabalho, sempre em ação, e os mecanismos de sintonia não selecionam locais, horários ou circunstancias. Sintonia afinada ao bem é capitulo de todas as horas.

15. O Espírito André Luiz, no Livro Nos Domínios Mediunidade, psicografia de Chico Xavier, nos apresenta conceitos importantes como, por exemplo, o mandato mediúnico. Em sua opinião, como exercê-lo?

Resposta – Entendo mandato mediúnico, como o compromisso assumido por todos nós médiuns, quando nos compromissamos com o trabalho da mediunidade. A maneira de exercê-lo sob o meu modesto entendimento, esta sintetizado na expressão “dignidade mediúnica”; ser digno, e para isso não nos faltam exemplos maravilhosos: Francisco Cândido Xavier, Divaldo Pereira Franco, Ivone Pereira, Zilda Gama, Bittencourt Sampaio, Bezerra de Menezes, Eurípedes Formiga…  Companheiros denodados que sempre colocaram a mediunidade acima de si mesmos; trabalhadores que jamais viram a mediunidade pelo viés financeiro, nunca colocaram um centavo do trabalho em seus bolsos, jamais foram populistas, e nunca se colocaram como marginais aos interesses da Doutrina dos Espíritos, e fizeram da humildade e da simplicidade suas maiores referencias.

16. O que é, pra você, a mediunidade com Jesus?

Resposta – É quando nós, os médiuns, conseguimos enquadrar a mediunidade no maior dos mandamentos, “E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo” (Lucas, 10:27). Mediunidade é amor ao próximo, vibrando nos dois planos da vida.

17. Vimos, no filme Nosso Lar, uma cena em que o Espírito Emmanuel, dirigindo-se ao Espírito André Luiz, o pergunta se deseja utilizar as técnicas tradicionais ou modernas para “ditar” ao médium Chico Xavier, o livro Nosso Lar, aludindo à escrita e, ao que nos parece, a uma máquina de escrever (computador), ou algo a este assemelhado. É verdade que hoje, os espíritos “ditam” suas obras quando o médium está ao teclado de um computador? Em uma palavra: a psicografia já se faz por meio destes instrumentos modernos? Você já viveu esta experiência?

Resposta – Ora, porque os espíritos não haveriam de se adequar a modernidade, até mesmo porque esta representa maiores facilidades. Acho mesmo que se Chico Xavier vivesse nos dias atuais ele com a sua capacidade laborativa teria produzido três vezes mais o volume de obras, porque com as dificuldades que o cercavam ele chegou ao patamar que chegou, principalmente agora quando a modernidade nos trás um conjunto enorme de facilidades.

No meu caso, as coisas são variáveis, por exemplo, o espírito Scheilla determina que a psicografia se dê no método tradicional, lápis e papel, o argumento é o treinamento continuo, afina a sintonia, além de deixar-me preparado para qualquer circunstância em que seja chamado a psicografia. Elizabeth d’Esperance, da mesma forma, prefere o canal tradicional; noto que quando utilizamos outro método nos embaralhamos, perco a sintonia com facilidade, até porque como muitas vezes sou levado a ver as cenas que estão sendo psicografadas, parece que aí está o nó que dificulta a assimilação do conteúdo. No caso de Scheilla e Elizabeth, eu cheguei inclusive a ver os livros que seriam psicografados nas mãos delas, com as capas que eles possuem no mundo espiritual.

Com o espírito Marcelo Rios, fico muito a vontade no computador e minhas mãos ganham uma destreza maravilhosa, mas o mais comum é ele se assentar a minha frente e dizer assim: “… escreve aí”, “acrescenta isso”, “desmancha isso”, “nossa você hoje está difícil”, “hoje estamos bem”…

No caso do espírito Palminha, “Tudo pode esperar” e “Babili”, ele primeiro me contou as histórias, pude ver antecipadamente quase todas as cenas de forma privilegiada, comentou comigo vários pontos, e o porquê elas aconteceram assim, quais os ganhos e quais as perdas, na realidade é sempre um estudo profundo e um rico aprendizado.  Palminha é sempre um grande incentivador, ele constantemente me diz que o nosso treinamento está avançando muito bem, e que mais 400 ou 500 anos, serei um médium confiável e plenamente apto ao trabalho, e fico muito feliz afinal de contas o que são os séculos na ampulheta do tempo? Nada!…

Quando completei 40 anos de mediunidade, ganhei do espírito Bezerra de Menezes uma psicografia com ele. Segundo os espíritos Palminha e Marcelo Rios, isso foi um prêmio de incentivo, duas mensagens tão somente, mensagens estas que me arrancaram lágrimas nos olhos de tanta alegria e de profundo agradecimento, pois são raríssimos os momentos que podemos nos transformar em modestos instrumentos de um espírito tão grande e maravilhoso como Bezerra.

18. Como você vê o processo de educação mediúnica?

Resposta – Olha, durante aproximadamente uns 20 anos, meu coordenador mediúnico foi o grande amigo Antônio Marinho, ainda vivo, a quem sempre serei imensamente agradecido por toda a sua contribuição ao médium Jairo Avellar. Foram anos de grandes orientações, pessoa austera, atenta, franco, leal, amigo de todas as horas, um trabalhador incansável, que nunca passava a mão em minha cabeça, sempre exigente com a qualidade, com horário, frequência, dedicação e estudos. E se eu tenho algum mérito foi o de sempre ter sido obediente, saber acatar as determinações, e me colocar estritamente no meu modesto lugar de médium. Com Marcelo Rios aprendi a … “Jairo, ocupe tão somente o lugar de sua insignificância”, entender que a significância do ser está na consciência de sua insignificância. Hoje embora respeite plenamente os praticantes, não gosto destas práticas onde quase se exige diploma, pós-graduação, mestrado, doutorado, para se participar de uma reunião mediúnica. Tenho convicção plena de que o aprendizado da mediunidade em sua teoria e prática deve caminhar junto. Entendo que os dirigentes das reuniões de iniciação devem ser pessoas escolhidas a dedo em função da carga de responsabilidade agregada; deles dependerá muito o médium e a mediunidade no futuro. Tenho também plena convicção, do pensamento do espírito Joseph Gleber de que jamais poderemos ser “os médiuns das mãos vazias”. Todo médium ou candidato a médium antes de tudo deve estar alistado a alguma tarefa social da casa espírita, sem o espírito de trabalho e amor ao próximo não existirá mediunidade equilibrada.

[*] Jairo Avellar é Psicólogo Clínico com consultório em Belo Horizonte e Itaúna. Formado pela FUMEC. É especialista em “Psicologia Cognitiva” e Pós Graduado em “Psicologia Hospitalar”. Trabalha nas áreas da “Psicologia das Relações Afetivas” e dos “Transtornos do Humor”. Foi Diretor de Divulgação Doutrinária do Conselho Regional Espírita de Belo Horizonte (CRE – Zona Metalúrgica) e Presidente da Aliança Municipal Espírita de Belo Horizonte (AME BHte), tendo sido em sua gestão, consolidados o funcionamento das regionais dentro da AME BHte, desmembrada a COMEBHte e desmembrado parte do 10º Conselho Regional Espírita de Belo Horizonte criando-se o Conselho Regional Espírita do Rio das Velhas. Durante alguns anos ministrou o “Curso de Estudos da Mediunidade” da União Espírita Mineira. Há 40 anos atua como médium psicofônico e psicógrafo e há 22 anos é orador e expositor espírita com trabalhos desenvolvidos em quase todo Brasil. Suas palestras são marcadas pelo alto teor doutrinário, mesclado de bom humor e descontração. Atualmente colabora na “Casa de Caridade Herdeiros de Jesus” na qual é membro do conselho gestor e vice-presidente, atuando ainda como passista, médium e dirigente de duas reuniões de estudos. Através da psicografia tem trazido até nós diversas obras de grande importância na divulgação da Doutrina Espírita, tais como: A Noiva, pelo Espírito Elizabeth d’Esperance; Babili e Tudo Pode Esperar, pelo Espírito Palminha; Reencarnação, Divina Benção; A Faxina; O Residente; A Família, Por Entre as Sombras (Série Perante a Eternidade) e Perseverar Sempre, pelo Espírito Marcelo Rios; Tuas Preces, Digna Estrela e Virando Páginas, pelo Espírito Irmã Scheilla. Desenvolve semanalmente o Programa Perante a Eternidade na Rádio Boa Nova, em parceria com Sonia Cota onde são estudados os livros da Série Perante a Eternidade.

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Tarefas

TAREFAS [*]

Estamos convictos de que a Doutrina Espírita, se nos favorece o engrandecimento do coração no cadinho das experiências vividas, igualmente nos enseja a exaltação da inteligência, situando-nos entre o estudo e a meditação a fim de que a sabedoria nos inspire a seleção dos valores morais que iluminem o Espírito.

Assim, mobilizemos razão e bom senso, verificando nosso posicionamento nas lides espiritistas, de forma a valorizar o tempo em nós, ante as realizações que realmente nos competem.

A acomodação ao empirismo entremeado de Êxtases do sentimento não se coaduna com a hora presente, a exigir reflexão e amadurecimento que estabelecem transformação de base.

O coração que se identificou com a grandiosidade do vero Cristianismo, recolhendo os favores da Boa Nova, convocará, de imediato, o concurso do cérebro para que a razão, trabalhando, venha contribuir com a argamassa do bom senso nas estruturas sólidas das convicções legítimas.

Não podemos compreender Doutrina Espírita sem estudo continuado e perseverante, como jamais entenderemos espiritistas sem tarefas determinadas no grande movimento de renovação de almas.

Trabalho é a senha abençoada dos que efetivamente escancaram as portas do coração a Jesus, desejosos de perpetuar em si mesmos as claridades esfuziantes da fé. E fé sem obras representa caos, estagnação, fragilidade.

Estamos, na vida, convocados a aprender e ensinar, simultaneamente, abraçando responsabilidades do dia-a-dia a fim de participarmos das imperecíveis conquistas da sabedoria e do amor.

Repara, contudo, que a obra da natureza, refletindo a sabedoria do Pai, nos convoca à especialização de tarefas, tendo em vista a ampliação dos resultados.

O Sol encarregou-se da luz e da energia, confiando-nos ao trabalho de sustentar a vida com o calor de seus raios fecundantes.

O solo aquiesceu aos encargos de nutrição da semente, para que o vegetal se alteasse na produção de alimento.

E as árvores se agruparam em espécies distintas, trazendo seus frutos sazonados ao grande celeiro da existência comum.

Há ordem nos céus e disciplina na Terra, favorecendo a mensagem do equilíbrio nas leis da natureza.

Posicionemo-nos como servidores leais do Cristo na seara da Terceira Revelação, abraçando responsabilidades nossas, certos de que não há tarefas maiores ou menores. Todas dignificam o obreiro do bem e da luz ante a sublime essência com que se revelam.

O movimento espírita, que cresce para vantagens do mundo, está a exigir cooperação especializada, objetivando os fins desejosos na evangelização do Homem.

Depois da primeira hora, aquela do despertamento para as realidades do existir, será indispensável vivermos a cooperação enobrecedora, evitando esbarrar com os impedimentos do fanatismo ou da contemplação extasiada.

Produziremos efetivamente melhor, segundo os potenciais de nossas especializações.

A mediunidade reclamará disciplina e adestramento, matriculando o servidor legítimo nos campos de sua especialidade fenomênica.

O esclarecimento doutrinário eficiente requisitará o concurso da palavra no vernáculo escorreito e iluminada pelo sentimento nobre que jamais se omite de reforçar o que ensina pelos potenciais do exemplo.

A evangelização de crianças e jovens contará com a participação de servidores adestrados na arte de ensinar e transmitir, que buscarão atualizar-se, permanentemente, reconhecidos de que a obra de orientação humana exigirá devotamento e circunspecção.

Os serviços de auxilio espiritual, seja na tarefa do passe ou na distribuição de água fluidificada, preconizarão o concurso dos doadores do magnetismo curativo.

A obra da divulgação doutrinária, seja por qual veículo se expresse, exigirá colaboração dedicada e eficaz, quer pela palavra falada, quer pela mensagem escrita, objetivando os fins a que se propõe.

O serviço social, mobilizado em nome da caridade, convocará especialistas da assistência fraterna para as oficinas do socorro justo, onde mãos diligentes refulgirão por estrelas de fraternidade e devotamento.

Não se agaste ante o tempo que jamais ousaremos ludibriar.

Recorde que a tarefa nobilitante será, agora e sempre, o melhor antídoto contra as aflições que enxameiam o mundo.

Bater às portas da Instituição Espírita para receber é ocorrência da primeira hora de nosso despertamento. Porque somente o trabalho cooperativo será o incansável buril, reajustando-nos o equilíbrio interior.

Identifiquemo-nos com a tarefa individual que nos compete desenvolver, enquanto o Mestre Excelso estará dirigindo as realizações coletivas que demarcarão na Terra os alicerces indefectíveis do almejado Reino do Senhor.

[*] Guillon Ribeiro, Espírito. Página psicografada em reunião pública da Casa Espírita Cristã, em 19.08.69, pelo médium Júlio Cezar Grandi Ribeiro e publicada no REFORMADOR de dezembro de 1976.

Glossário:

Cadinho (fig.): lugar onde as coisas de misturam, se fundem.

Empirismo (s. m.) doutrina que se baseia exclusivamente na experiência, como única fonte de conhecimentos.

Êxtase (s. m.): arrebatamento íntimo; estado emocional, com estreitamento do campo de consciência, em torno de uma representação ou ideia de conteúdo amoroso ou místico.

Vernáculo (s. m.): o idioma próprio do país; a linguagem correta e pura.

Escorreito (adj.): que não tem defeito, lesão; bem apessoado; normal, ajuizado; correto.

Circunspecto (adj.): que procede com circunspecção; cauteloso; prudente.

Nobilitar:(fig.): tornar nobre, engrandecer.

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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA: O MÉTODO [*]

Se os fenômenos de que nos ocupamos ficassem restritos ao movimento dos objetos, estariam dentro, como dissemos, do domínio das ciências físicas. Mas não foi isso que aconteceu: estavam destinados a nos colocar no caminho de fatos de uma natureza estranha. Acreditou-se descobrir, não sabemos por iniciativa de quem, que a impulsão dada aos objetos não era somente produto de uma força mecânica cega, mas que havia nesse movimento a intervenção de uma causa inteligente. Esse caminho, uma vez aberto, revelou um campo totalmente novo de observações: era o véu levantado de sobre muitos mistérios. Há, de fato, um poder inteligente? Essa é a questão. Se esse poder existe, qual é ele, qual é a sua natureza, sua origem? Ele está acima da humanidade? Essas são as outras questões decorrentes da primeira.

As primeiras manifestações inteligentes aconteceram por meio de mesas se levantando e batendo, com um dos pés, um número determinado de pancadas e respondendo desse modo sim ou não, segundo fora convencionado, a uma questão proposta. Até aí, não havia nada de convincente para os céticos, porque se podia acreditar num efeito do acaso. Obtiveram-se, em seguida, respostas mais desenvolvidas por meio das letras do alfabeto: o objeto móvel, batendo um número de vezes correspondente ao número de ordem de cada letra, chegava a formular palavras e frases respondendo às perguntas propostas. A precisão das respostas e sua correlação com a pergunta causaram espanto. O ser misterioso que assim respondia, quando interrogado sobre sua natureza, declarou que era um Espírito ou gênio, deu o seu nome e forneceu diversas informações a seu respeito. Aqui há um fato muito importante que convém ressaltar: ninguém havia imaginado os Espíritos como um meio de explicar o fenômeno. Foi o próprio fenômeno que se revelou. Muitas vezes, nas ciências exatas, formulam-se hipóteses para se ter uma base de raciocínio, mas isso não ocorreu nesse caso.

Esse meio de comunicação era demorado e incômodo. O Espírito, e isso ainda é uma circunstância digna de nota, indicou um outro processo. Foi um desses seres espirituais que ensinou a prender um lápis a um pequeno cesto ou a um outro objeto. Esse cesto, colocado sobre uma folha de papel, foi posto em movimento pelo mesmo poder oculto que fazia mover as mesas; mas, em vez de um simples movimento regular, o lápis traçou, por si mesmo, letras formando palavras, frases e discursos inteiros de muitas páginas, tratando das mais altas questões da filosofia, da moral, da metafísica, da psicologia, etc., e isso com tanta rapidez como se fosse escrito à mão.

Esse conselho foi dado simultaneamente nos Estados Unidos, na França e em diversos países. Eis os termos em que foi dado em Paris, no dia 10 de junho de 1853, a um dos mais fervorosos adeptos da Doutrina, que desde 1849 se ocupava com a evocação dos Espíritos: “Vá pegar no quarto ao lado o pequeno cesto; prenda-lhe um lápis, coloque-o sobre um papel e ponha os dedos sobre a borda”. Alguns instantes depois, o cesto se pôs em movimento, e o lápis escreveu esta frase muito claramente: “O que eu vos digo aqui, eu vos proíbo expressamente de o dizer a alguém. A próxima vez que eu escrever, escreverei melhor”.

O objeto ao qual se adaptava o lápis era apenas um instrumento, sua natureza e forma não tinham importância. Procurou-se sua disposição mais cômoda, por isso muitas pessoas fazem uso de uma pequena prancheta.

O cesto ou a prancheta apenas podem ser colocados em movimento sob a influência de algumas pessoas dotadas, para esse fim, de um poder especial e que são designadas como médiuns, isto é, intermediários entre os Espíritos e os homens. As condições de que se origina esse poder especial têm causas ao mesmo tempo físicas e morais ainda desconhecidas, visto que se encontram médiuns de todas as idades, de ambos os sexos e em todos os graus de desenvolvimento intelectual. Essa faculdade, esse dom, se desenvolve pelo exercício.

[*] Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita. Item 4.

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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA: O SURGIMENTO DA PSICOGRAFIA [*]

Mais tarde se reconheceu que o cesto e a prancheta, na realidade, eram apenas um substituto da mão, e o médium, pegando diretamente o lápis, pôs-se a escrever por um impulso involuntário e quase febril.

Dessa forma, as comunicações tornaram-se mais rápidas, fáceis e completas. Hoje é o meio mais empregado, tanto é que o número de pessoas dotadas dessa aptidão é muito grande e multiplica-se todos os dias. A experiência fez conhecer outras variedades da faculdade mediúnica e constatou-se que as comunicações poderiam igualmente ter lugar pela fala, pela audição, pela visão, pelo tato, etc. e até mesmo pela escrita direta dos Espíritos, ou seja, sem a interferência da mão do médium nem do lápis.

Comprovado o fato, era preciso estabelecer e demonstrar um ponto essencial: qual era o papel do médium nas respostas e a parte que poderia nelas tomar, mecânica e moralmente. Duas circunstâncias fundamentais, que não poderiam escapar a um observador atento, podem resolver a questão. A primeira é a maneira pela qual o cesto se movia sob influência do médium, somente pela imposição dos dedos sobre a borda. O exame demonstra a impossibilidade de que o médium pudesse lhe impor qualquer direção. Essa impossibilidade torna-se mais evidente quando duas ou três pessoas colocam ao mesmo tempo as pontas dos dedos nas bordas de um mesmo cesto. Seria preciso uma concordância de movimentos entre elas verdadeiramente fenomenal, e ainda seria preciso mais, a concordância de seus pensamentos para que pudessem se entender quanto à resposta a dar à questão formulada. Um outro fato, não menos importante, ainda vem se juntar à dificuldade: é a mudança radical que se constata na caligrafia, conforme o Espírito que se manifesta; porém, cada vez que o mesmo Espírito retorna, sua escrita se reproduz. Seria preciso, portanto, que o médium fosse capaz de mudar sua própria escrita de 20 maneiras diferentes e, principalmente, que pudesse se lembrar da que pertence a este ou àquele Espírito.

A segunda circunstância resulta da própria natureza das respostas que são, na maioria, principalmente quando se trata de questões abstratas ou científicas, notoriamente fora dos conhecimentos e algumas vezes além da capacidade intelectual do médium, que não tem consciência do que escreve sob influência do Espírito. Com frequência, o médium não ouve ou não compreende a questão proposta, uma vez que pode ser feita numa língua que lhe é estranha, ou mesmo mentalmente; e a resposta pode ser dada por escrito ou falada nessa mesma língua. Enfim, acontece que muitas vezes o cesto escreve espontaneamente, sem pergunta prévia, sobre um assunto qualquer e inteiramente inesperado.

Essas respostas, em alguns casos, têm uma tal marca de sabedoria, profundidade e oportunidade, revelam pensamentos tão elevados, tão sublimes, que somente podem proceder de uma inteligência superior, fundamentada na mais pura moralidade. Outras vezes, são tão levianas, tão fúteis e até mesmo tão vulgares que a razão se recusa a acreditar que possam proceder de uma mesma fonte. Essa diversidade da linguagem e dos ensinamentos somente se pode explicar pela diversidade das inteligências que se manifestam. Estarão essas inteligências na humanidade ou fora dela? Esse é o ponto a esclarecer, para o qual se encontrará a explicação completa nesta obra, exatamente como foi revelada pelos próprios Espíritos.

Eis que os efeitos ou fenômenos evidentes e incontestáveis que se produzem fora do círculo habitual de nossas observações não se processam misteriosamente, mas sim à luz do dia, e todos podem vê-los e constatá-los, porque não são privilégio de um único indivíduo, uma vez que milhares de pessoas os repetem todos os dias à vontade. Esses efeitos têm necessariamente uma causa, e a partir do momento que revelam a ação de uma inteligência e de uma vontade saem do domínio puramente físico.

Muitas teorias foram anunciadas a esse respeito. Elas serão examinadas em seguida e veremos se podem fornecer a razão de todos os fatos que se produzem. Admitamos, em princípio, antes de chegar até lá, a existência de seres distintos da humanidade, uma vez que esta é a explicação fornecida pelas inteligências que se revelam, e vejamos o que nos dizem.

[*] Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita. Item 5.

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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA: RESUMO DOS PRINCIPAIS PONTOS DA DOUTRINA ESPÍRITA [*]

Os seres que se comunicam designam-se, a si mesmos, como o dissemos, sob o nome de Espíritos ou de Gênios, tendo pertencido, pelo menos alguns, a homens que viveram na Terra. Eles constituem o mundo espiritual, como nós constituímos, durante nossa vida, o mundo corporal.

Resumimos assim, em poucas palavras, os pontos mais importantes da Doutrina que eles nos transmitiram, a fim de respondermos mais facilmente a algumas objeções.

“Deus é eterno, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom.”

“Criou o universo, que compreende todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais.”

“Os seres materiais constituem o mundo visível ou corporal; os seres imateriais, o mundo invisível ou espírita, ou seja, dos Espíritos.”

“O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistindo e sobrevivendo a tudo.”

“O mundo corporal é apenas secundário, poderia deixar de existir ou nunca ter existido, sem alterar a essência do mundo espírita.”

“Os Espíritos vestem temporariamente um corpo material perecível, cuja destruição pela morte lhes devolve a liberdade.”

“Entre as diferentes espécies de seres corporais, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos Espíritos que atingiram um certo grau de desenvolvimento, o que lhe dá a superioridade moral e intelectual sobre os outros.”

“A alma é um Espírito encarnado, sendo o corpo apenas o seu envoltório.”

“Há três coisas no homem: 1ª) o corpo ou ser material semelhante ao dos animais e animado pelo mesmo princípio vital; 2ª) a alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no corpo; 3ª) o laço que une a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito.

“Assim, o homem tem duas naturezas: pelo corpo participa da natureza dos animais, dos quais tem os instintos; pela alma participa da natureza dos Espíritos.”

“O laço ou perispírito que une o corpo e o Espírito é uma espécie de envoltório semi material. A morte é a destruição do envoltório mais grosseiro. O Espírito conserva o segundo, que constitui para ele um corpo etéreo, invisível para nós no estado normal, mas que pode tornar-se algumas vezes visível e mesmo tangível, como ocorre no fenômeno das aparições.”

“O Espírito não é, portanto, um ser abstrato, indefinido, que somente o pensamento pode conceber; é um ser real, definido, que, em alguns casos, pode ser reconhecido, avaliado pelos sentidos da visão, da audição e do tato.”

“Os Espíritos pertencem a diferentes classes e não são iguais em poder, inteligência, saber e nem em moralidade. Os da primeira ordem são os Espíritos superiores, que se distinguem dos outros por sua perfeição, seus conhecimentos, sua proximidade de Deus, pela pureza de seus sentimentos e seu amor ao bem: são os anjos ou Espíritos puros. Os das outras classes não atingiram ainda essa perfeição; os das classes inferiores são inclinados à maioria das nossas paixões: ao ódio, à inveja, ao ciúme, ao orgulho, etc. Eles se satisfazem no mal; entre eles há os que não são nem muito bons nem muito maus, são mais trapaceiros e importunos do que maus, a malícia e a irresponsabilidade parecem ser sua diversão: são os Espíritos desajuizados ou levianos.”

“Os Espíritos não pertencem perpetuamente à mesma ordem. Todos melhoram ao passar pelos diferentes graus da hierarquia espírita. Esse progresso ocorre pela encarnação, que é imposta a alguns como expiação e a outros como missão. A vida material é uma prova que devem suportar várias vezes, até que tenham atingido a perfeição absoluta. É uma espécie de exame severo ou de depuração, de onde saem mais ou menos purificados.”

“Ao deixar o corpo, a alma retorna ao mundo dos Espíritos, de onde havia saído, para recomeçar uma nova existência material, depois de um período mais ou menos longo, durante o qual permanece no estado de Espírito errante16.”

“O Espírito deve passar por várias encarnações. Disso resulta que todos nós tivemos muitas existências e que ainda teremos outras que, aos poucos, nos aperfeiçoarão, seja na Terra, seja em outros mundos.”

“A encarnação dos Espíritos se dá sempre na espécie humana; seria um erro acreditar que a alma ou o Espírito pudesse encarnar no corpo de um animal*.”

“As diferentes existências corporais do Espírito são sempre progressivas e o Espírito nunca retrocede, mas o tempo necessário para progredir depende dos esforços de cada um para chegar à perfeição.”

“As qualidades da alma, isto é, as qualidades morais, são as do Espírito que está encarnado em nós; desse modo, o homem de bem é a encarnação do bom Espírito, e o homem perverso a de um Espírito impuro.”

“A alma tinha sua individualidade antes de sua encarnação e a conserva depois que se separa do corpo.”

“Na sua reentrada no mundo dos Espíritos, a alma reencontra todos aqueles que conheceu na Terra e todas as suas existências anteriores desfilam na sua memória com a lembrança de todo o bem e de todo o mal que fez.”

[*] Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita. Item 6.

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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA: RESUMO DOS PRINCIPAIS PONTOS DA DOUTRINA ESPÍRITA [*]

“O Espírito, quando encarnado, está sob a influência da matéria. O homem que supera essa influência pela elevação e pela depuração de sua alma aproxima-se dos bons Espíritos, com os quais estará um dia. Aquele que se deixa dominar pelas más paixões e coloca todas as alegrias da sua existência na satisfação dos apetites grosseiros se aproxima dos Espíritos impuros, porque nele predomina a natureza animal.”

“Os Espíritos encarnados habitam os diferentes globos do universo.”

“Os Espíritos não encarnados ou errantes não ocupam uma região determinada e localizada, estão por todos os lugares no espaço e ao nosso lado, vendo-nos numa presença contínua. É toda uma população invisível que se agita ao nosso redor.”

“Os Espíritos exercem sobre o mundo moral e o mundo físico uma ação incessante. Eles agem sobre a matéria e o pensamento e constituem uma das forças da natureza, causa determinante de uma multidão de fenômenos até agora inexplicável ou mal explicada e que apenas encontram esclarecimento racional no Espiritismo.”

“As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons Espíritos nos atraem e estimulam para o bem, sustentando-nos nas provações da vida e ajudando-nos a suportá-las com coragem e resignação. Os maus nos sugestionam para o mal; é um prazer para eles nos ver fracassar e nos assemelharmos a eles.”

“As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As comunicações ocultas ocorrem pela influência boa ou má que exercem sobre nós sem o sabermos; cabe ao nosso julgamento discernir as boas das más inspirações. As comunicações ostensivas ocorrem por meio da escrita, da palavra ou outras manifestações materiais, muitas vezes por médiuns que lhes servem de instrumento.”

“Os Espíritos se manifestam espontaneamente ou por evocação. Podem-se evocar todos os Espíritos, tanto aqueles que animaram homens simples como os de personagens mais ilustres, qualquer que seja a época em que viveram, os de nossos parentes, amigos ou inimigos, e com isso obter, por meio das comunicações escritas ou verbais, conselhos, ensinamentos sobre sua situação depois da morte, seus pensamentos a nosso respeito, assim como as revelações que lhes são permitidas nos fazer.”

“Os Espíritos são atraídos em razão de sua simpatia pela natureza moral do ambiente em que são evocados. Os Espíritos superiores se satisfazem com reuniões sérias em que dominam o amor pelo bem e o desejo sincero de receber instrução e aperfeiçoamento. A sua presença afasta os Espíritos inferiores que, caso contrário, encontrariam aí livre acesso e poderiam agir com toda a liberdade entre as pessoas levianas ou guiadas somente pela curiosidade. Em todos os lugares onde se encontram maus instintos, longe de obter bons conselhos, ensinamentos úteis, devem-se esperar apenas futilidades, mentiras, gracejos de mau gosto ou mistificações, visto que, frequentemente, eles tomam emprestado nomes veneráveis para melhor induzir ao erro.”

“Distinguir os bons dos maus Espíritos é extremamente fácil. A linguagem dos Espíritos superiores é constantemente digna, nobre, repleta da mais alta moralidade, livre de toda paixão inferior; seus conselhos exaltam a sabedoria mais pura e sempre têm por objetivo nosso aperfeiçoamento e o bem da humanidade. A linguagem dos Espíritos inferiores, ao contrário, é inconsequente, muitas vezes banal e até mesmo grosseira; se por vezes dizem coisas boas e verdadeiras, dizem na maioria das vezes coisas falsas e absurdas por malícia ou por ignorância. Zombam da credulidade e se divertem à custa daqueles que os interrogam ao incentivar a vaidade, alimentando seus desejos com falsas esperanças. Em resumo, as comunicações sérias, no verdadeiro sentido da palavra, apenas acontecem nos centros sérios, cujos membros estão unidos por uma íntima comunhão de pensamentos, visando ao bem.”

“A moral dos Espíritos superiores se resume, como a de Cristo, neste ensinamento evangélico: ‘Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem’, ou seja, fazer o bem e não o mal. O homem encontra neste princípio a regra universal de conduta, mesmo para as suas menores ações.”

“Eles nos ensinam que o egoísmo, o orgulho e a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria; que o homem que se desliga da matéria já neste mundo, desprezando as futilidades mundanas e amando o próximo, se aproxima da natureza espiritual; que cada um de nós deve se tornar útil segundo as capacidades e os meios que Deus nos colocou nas mãos para nos provar; que o forte e o poderoso devem apoio e proteção ao fraco, pois aquele que abusa de sua força e de seu poder para oprimir seu semelhante transgride a Lei de Deus. Enfim, ensinam que no mundo dos Espíritos nada pode ser escondido, o hipócrita será desmascarado e todas as suas baixezas descobertas; que a presença inevitável, em todos os instantes, daqueles com quem agimos mal é um dos castigos que nos estão reservados; que ao estado de inferioridade e de superioridade dos Espíritos equivalem punições e prazeres que desconhecemos na Terra.”

“Mas também nos ensinam que não há faltas imperdoáveis que não possam ser apagadas pela expiação. Pela reencarnação, nas sucessivas existências, mediante os seus esforços e desejos de melhoria no caminho do progresso, o homem avança sempre e alcança a perfeição, que é a sua destinação final.”

Este é o resumo da Doutrina Espírita, resultante do ensinamento dado pelos Espíritos superiores. Vejamos agora as objeções que lhe fazem.

[*] Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita. Item 6.

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