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Archive for maio \01\UTC 2014

Isso Também Passará

Chico do Amor Xavier

ISSO TAMBÉM PASSARÁ [*]

O médium mineiro Francisco Cândido Xavier contou que, num de seus dias de profunda amargura, solicitou ao benfeitor espiritual que levasse o seu pedido de socorro à Maria de Nazaré, para que ela o consolasse, já que seus problemas eram graves.

Após alguns dias, o benfeitor retornou dizendo-se portador de um recado da mãe de Jesus.

Chico imediatamente pegou papel e lápis e colocou-se na posição de anotar: Pode falar, tomarei nota de cada palavra.

Emmanuel, benfeitor atencioso, lhe falou:

Anote aí, Chico. Maria me pediu para que trouxesse o seguinte recado:

“Isso também passará. Ponto final.”

Chico tomou nota rapidamente e perguntou ao benfeitor: Só isso?

E ele respondeu: É, Chico. A Mãe Santíssima pediu para lhe dizer que isso também passará.

* * *

Como Chico Xavier, muitos de nós, quando visitados pela dor, gostaríamos de receber uma mensagem individual de consolo.

Pensando que fomos esquecidos pela Divindade, rogamos nos seja concedida uma deferência especial por parte dos benfeitores espirituais.

Todavia, Deus tudo sabe e tudo vê. Nada acontece sem Seu consentimento, basta que depositemos confiança em Suas soberanas Leis.

Todas as coisas, na Terra, passam…

Os dias de dificuldades passarão…

Passarão também os dias de amargura e solidão…

As dores e as lágrimas passarão.

As frustrações que nos fazem chorar… Um dia passarão.

A saudade do ser querido que se vai na mão da morte, passará.

Os dias de glórias e triunfos mundanos, em que nos julgamos maiores e melhores que os outros… Igualmente passarão.

Essa vaidade interna que nos faz sentir como o centro do Universo, um dia passará.

Dias de tristeza… Dias de felicidade… São lições necessárias que, na Terra, passam, deixando no Espírito imortal as experiências acumuladas.

Se hoje, para nós, é um desses dias repletos de amargura, paremos um instante.

Elevemos o pensamento e busquemos a voz suave da Mãe amorosa a nos dizer carinhosamente: Isso também passará…

E guardemos a certeza, pelas próprias dificuldades já superadas, que não há mal que dure para sempre.

* * *

O planeta Terra, semelhante a enorme embarcação, às vezes parece que vai soçobrar diante da turbulência de gigantescas ondas.

São guerras, interesses mesquinhos, desvalores…

Mas isso também passará, porque Jesus está no leme dessa nau, e segue com o olhar sereno de quem guarda a certeza de que a agitação faz parte do roteiro evolutivo da Humanidade, e que um dia também passará.

Ele sabe que a Terra chegará a porto seguro porque essa é a sua destinação.

Assim, façamos a nossa parte o melhor que pudermos, sem esmorecimento.

E confiemos em Deus, aproveitando cada segundo, cada minuto, que agora, já não é mais o mesmo de quando iniciamos o programa e o de agora, também passará…

[*] Fonte: Momento de Reflexão. 25/03/2014.

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Deus e as Provas

DEUS E AS PROVAS [*]

Muita gente se pergunta:

Que mal fiz a Deus para merecer tanto castigo?

Será que terei vindo ao mundo só para sofrer?

Perguntas feitas com a voz do desespero, da depressão, da revolta, deixando clara a ausência da indispensável compreensão do funcionamento das Leis Divinas sobre a Terra.

Criamos um Deus à nossa imagem e semelhança, fazendo-O vingativo, cruel, tirano.

Esquecemos do Deus Pai, carinhoso, atencioso, apresentado por Jesus.

Não nos recordamos do Deus “Inteligência Suprema”, do Deus “soberanamente justo e bom”, desvelado pela Doutrina dos Espíritos.

Ninguém sofre na Terra em função de castigo divino.

O que se convencionou chamar de “castigo divino” é, de fato, a manifestação do amor de Deus para com Seus filhos.

É este amor que lhes concede oportunidades novas para reaprender, para refletir e trabalhar por redimir-se.

Por outro lado, nenhuma alma se acha no planeta à revelia das celestes deliberações.

Então, todos os que na Terra se encontram hoje, estão por motivos ponderáveis, e ainda quando não consigam enxergar tais razões, estas não deixam de existir.

Importante, então, será desenvolver a consciência de que tudo o que sofremos durante a vida corporal tem um grave motivo perante as Leis de nosso Pai.

Cumpre-nos o esforço para o amadurecimento do intelecto e do senso moral, de maneira que passemos a refletir melhor sobre a ação de Deus em nosso campo de provações.

Provações não são manifestações de um Deus cruel, provocativo, conforme o pensamento imaturo pode ainda crer.

Provas são experiências requeridas ou aceitas por nós, que têm por objetivo proporcionar o crescimento espiritual.

E as expiações, nada mais são do que acertos que fazemos com as Leis que infringimos.

Se retiro algo do lugar – gero a consequência de recolocar na sua localidade original.

Se estrago, firo, rompo alguma coisa, gero consequentemente a obrigação, que é apenas minha, de consertar, curar e restaurar.

São mecanismos das Leis Divinas que buscam nos impedir de recair no equívoco, de trilhar caminhos que nos afastam de nossos maiores objetivos.

Nas Leis de Deus vamos encontrar sempre mecanismos de “educação”, e nunca de ódio, vingança e punição por si só.

Com certeza nos espantaremos, ao descobrir que as alfinetadas da vida, as dores, tragédias e incômodos, em sua grande maioria, são causadas por nós mesmos, aqui nesta encarnação.

Sim, de regra, as aflições com causa atual são em maior vulto.

Isto nos mostra que podemos reduzir grande parte de nosso sofrimento, se tomarmos atitudes enérgicas em relação à nossa postura perante o Mundo.

Deus nos dá os meios de conseguirmos pois, além de não desejar nosso mal, quer nossa felicidade, nossa maturidade espiritual.

Você sabia?

Você sabia que em “O livro dos Espíritos”, Allan Kardec classifica as causas de nossas aflições em duas categorias maiores?

Explicam, ele e os Espíritos, que temos vicissitudes com causas atuais, isto é, consequências naturais do caráter e do proceder dos que as suportam.

E também as de causas anteriores, que são as dores que não encontram causa nesta existência.

Elucidam eles, que se as causas não estão na atual encarnação, estão no passado da alma, em outras vidas.

[*] Fonte: Momento de Reflexão: Texto da Redação do Momento Espírita com base no cap. Deus e as provas, do livro Em nome de Deus, do Espírito José Lopes Neto, psicografado por Raul Teixeira, ed. Fráter.

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ANTE O MOMENTO ATUAL: 150 ANOS DO EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO [*]

Dois mil anos de luz,

Em trabalho e esplendor,

A ensinar-nos o amor

Em existências multiplicadoras de luz

Na direção do Senhor,

O Evangelho frutifica em flor,

Nas pegadas de Jesus…

 

Jesus, porém,

O Divino Semeador,

Anjo de nossas vidas,

Renova eternamente,

Seu chamado de AMOR sublime,

Em cântico sereno da Boa Nova,

A iluminar nossos corações…

 

As tormentas trevosas do ódio

Faz sucumbir os violentos,

Aniquila os orgulhosos,

Silencia os vaidosos

E arrasta os promotores da guerra

Aos umbrais purificadores do além.

Soam os sinos nos horizontes

Infinitos dos mundos celestiais.

Nos diversos planos espirituais,

A vida prossegue e ressurge sempre

Sob as Bênçãos Augustas de JESUS…

 

Clamam corações aflitos

Em nuvens sombrias

No orbe planetário,

A rogar à Virgem Santíssima,

Anjo de Candura Celestial,

A afastar as dores e tormentas

Das realidades abismais

Da terra em chamas…

 

Clamam corações aflitos

Em grandes nuvens cinzentas

No orbe planetário,

A rogar à Virgem Santíssima,

Anjo de candura celestial,

Afastar as dores e tormentas

Das realidades abismais

Da terra em chamas…

 

Senhora maternal, afastai

A guerra e a violência,

Iluminando consciências

Neste mundo de provações,

Que se aproxima da regeneração

Ascendendo aos páramos celestiais

Em harmonia e paz…

 

Ante o momento atual,

Edifiquemos a paz

Transformando todo o mal

Em sementes fraternais

De beleza e amor,

Harmonia e luz,

Unindo-nos a JESUS…

 

O mundo se regenera.

O homem se agiganta.

O espírito se purifica.

A terra se ilumina.

A guerra finda.

O amor se estabelece.

O EVANGELHO DE JESUS FLORESCE…

[*] Nacip Gômez.

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AS OBRAS BÁSICAS DA CODIFICAÇÃO [*]

O conteúdo das obras publicadas por Allan Kardec expõe e consolida os princípios e os elementos constitutivos da Doutrina Espírita, em sua totalidade, segundo o ensino dos  Espíritos,  sistematizados  pelo codificador. Representam um patrimônio ético, científico e filosófico de valor incalculável, pois traduz o esforço concentrado de uma imensa falange de Espíritos sábios e bons, que sob a assistência amorosa de Jesus acompanharam o trabalho incansável de Allan Kardec.

Constituem-se, na realidade, o alicerce insuperável, através do qual, informações outras, de autores recentes, vão sendo paulatinamente assimiladas.

Emmanuel, examinando a grandiosidade das obras básicas do Codificador assevera: “Após  dezenove  séculos  de  teologia  arbitrária,  não  chegaríamos  a  compreender  o Evangelho e Jesus Cristo, sem Allan Kardec”.

As obras básicas da Codificação são as seguintes, por ordem cronológica de edição: 1. O Livro dos Espíritos, abril de 1857; 2. O Livro dos Médiuns, janeiro de 1861; 3. O Evangelho Segundo o Espiritismo, abril de 1864; 4. O Céu e o Inferno, ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo, agosto de 1865; e, 5. A Gênese, Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo, janeiro de 1868.

Allan Kardec escreveu ainda dois outros livros de menor extensão: O Que é o Espiritismo e O Principiante Espírita, e no ano de 1890, P. G. Leymarie publica o livro Obras Póstumas, contendo artigos de Kardec ainda não conhecidos do público.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS

A primeira obra publicada por Kardec é, na essência, um tratado de perguntas e respostas de caráter filosófico. Em 1019 questões, o Codificador apresenta os princípios basilares da Doutrina que, posteriormente, serão desenvolvidos nos outros livros.

Na primeira parte: o autor estuda as causas primárias, Deus, o espírito e a matéria. O princípio vital e da criação.

Na parte segunda: o Mundo dos Espíritos; a encarnação, a desencarnação, a missão e ocupação dos Espíritos e seu inter-relacionamento com os homens.

A terceira parte tem um caráter eminentemente moral, pois Kardec vai examinar a Lei Natural, subdividida em dez Leis Morais que regem as relações humanas: Adoração, Trabalho, Reprodução, Conservação, Destruição, Sociedade, Progresso, Igualdade, Liberdade e Justiça, Amor e Caridade.

Na última parte, o codificador se preocupa com as Esperanças e Consolações e a Lei de Causa e Efeito.

O LIVRO DOS MÉDIUNS

O segundo livro, por ordem cronológica de lançamento, no seu frontispício, apresenta o subtítulo: “Guia dos Médiuns e dos Evocadores” e resume o seu conteúdo assim: “Ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os tropeços que se podem encontrar na prática do Espiritismo”.

O Livro dos Médiuns é considerado, ainda hoje, como o mais completo tratado de fenomenologia  paranormal de todos os tempos, e, por esse motivo, é de leitura obrigatória a todos aqueles que trabalham na área mediúnica.

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

Com esta obra, o Espiritismo vai assumir um caráter nitidamente religioso, pois Kardec se propõe a examinar cuidadosamente as diversas palavras do Cristo e as passagens mais significativas do Novo Testamento, no seu aspecto moral.

Em sua folha de rosto, lê-se a síntese de seu conteúdo: “A explicação das máximas morais do Cristo em concordância com o Espiritismo e suas aplicações às diversas circunstâncias da vida”.

O seu estudo se desdobra em 28 capítulos de rara beleza e de profunda sabedoria.

O CÉU E O INFERNO

Este quarto livro tem como subtítulo “A Justiça Divina segundo o Espiritismo”.

Na primeira parte: Céu, Inferno, Anjos e Demônios e a Lei de Ação e Reação mostrando as inúmeras nuanças que cercam este princípio universal.

Na segunda parte, apresenta o Codificador mensagens de Espíritos desencarnados que se comunicaram na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.

A GÊNESE

O quinto livro tem o subtítulo de “Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo”.

Um ano antes de sua morte, Allan Kardec publicou seu último grande livro. Cabia-lhe interpretar o Antigo e o Novo Testamento segundo a ciência espírita. Nas primeiras linhas da introdução, escreveu: “A nova obra constitui mais um passo à frente, nas consequências e nas aplicações do Espiritismo; tem  por  fim  o  estudo de três pontos que foram até hoje, diversamente interpretados e comentados: A Gênese, os  Milagres de Jesus e as predições encontradas nos Evangelhos”.

[*] José Márcio de Almeida

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CONHECIMENTO DO PRINCÍPIO DAS COISAS [*]

17. É permitido ao homem conhecer o princípio das coisas?

– Não, Deus não permite que tudo seja revelado ao homem aqui na Terra.

18. O homem penetrará um dia no mistério das coisas que lhe são ocultas?

– O véu se levanta para ele à medida que se depura; mas, para compreender algumas coisas, precisa de faculdades, dons, que ainda não possui.

19. O homem não pode, pelas investigações das ciências, penetrar em alguns dos segredos da natureza?

– A ciência lhe foi dada para seu adiantamento em todas as coisas, mas não pode ultrapassar os limites fixados por Deus.

Quanto mais é permitido ao homem penetrar pelo conhecimento nesses segredos, maior deve ser sua admiração pelo poder e sabedoria do Criador; mas, seja pelo orgulho ou fraqueza, sua própria inteligência o torna, muitas vezes, joguete da ilusão. Amontoa sistemas sobre sistemas e cada dia que passa lhe mostra quantos erros tomou por verdades e quantas verdades rejeitou como erros. São outras tantas decepções para o seu orgulho.

20. Fora das investigações da ciência, é permitido ao homem receber comunicações de uma ordem mais elevada sobre o que escapa ao alcance dos seus sentidos?

– Sim, se Deus julgar útil, pode revelar o que a ciência não consegue apreender.

É por essas comunicações que o homem obtém, dentro de certos limites, o conhecimento de seu passado e de sua destinação futura.

[*] Allan Kardec. O Livro dos Espíritos, Cap. II, Elementos Gerais do Universo.

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ESPÍRITO E MATÉRIA [*]

21. A matéria existe desde o princípio, como Deus, ou foi criada por Ele em determinado momento?

– Somente Deus o sabe. Entretanto, há uma coisa que a vossa razão deve deduzir: é que Deus, modelo de amor e caridade, nunca esteve inativo. Por mais remoto que possa vos parecer o início de sua ação, acaso o podereis imaginar por um segundo sequer na ociosidade?

22. Define-se, geralmente, a matéria como sendo o que tem extensão, o que pode causar impressão aos nossos sentidos, o que é impenetrável. Essas definições são exatas?

– Do vosso ponto de vista são exatas, visto que somente falais do que conheceis. Mas a matéria existe em estados que para vós são desconhecidos. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil que não cause nenhuma impressão aos vossos sentidos; entretanto, é sempre matéria, embora para vós não o seja.

22-a. Que definição podeis dar da matéria?

– A matéria é o laço que prende o Espírito; é o instrumento de que ele se serve e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce sua ação.

De acordo com essa ideia, pode-se dizer que a matéria é o agente, o intermediário, com a ajuda do qual, e sobre o qual, atua o Espírito.

23. O que é o Espírito?

– Espírito é o princípio inteligente do universo.

23-a. Qual é a natureza íntima do Espírito?

– Não é fácil explicar o Espírito com a vossa linguagem. Para vós, ele não é nada, visto que o Espírito não é algo palpável, mas para nós é alguma coisa. Sabei bem: o nada não é coisa nenhuma, o nada não existe.

24. Espírito é sinônimo de inteligência?

– A inteligência é um atributo essencial do Espírito, mas ambos se confundem num princípio comum, de modo que, para vós, são a mesma coisa.

25. O Espírito é independente da matéria ou é apenas uma propriedade dela, como as cores são propriedades da luz e o som uma propriedade do ar?

– Ambos são distintos, mas é preciso a união do Espírito e da matéria para que a inteligência se manifeste na matéria.

25-a. Essa união é igualmente necessária para a manifestação do Espírito? (Entendemos, aqui, por espírito o princípio inteligente, e não as individualidades designadas sob esse nome).

– Ela é necessária para vós, porque não sois organizados para perceber o Espírito sem a matéria; vossos sentidos não são feitos para isso.

26. Pode-se conceber o Espírito sem a matéria e a matéria sem o Espírito?

– Pode-se, sem dúvida, pelo pensamento.

27. Haveria, assim, dois elementos gerais do universo: a matéria e o Espírito?

– Sim, e acima de tudo Deus, o Criador, o Pai de todas as coisas. Deus, Espírito e matéria são o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas ao elemento material é preciso acrescentar o fluido universal, que faz o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, muito grosseira para que o Espírito possa ter uma ação sobre ela. Ainda que sob certo ponto de vista se possa incluí-lo no elemento material, ele se distingue por propriedades especiais. Se o fluido universal fosse matéria, não haveria razão para que o Espírito não o fosse também. Ele está colocado entre o Espírito e a matéria; é fluido, como a matéria é matéria; suscetível, por suas inumeráveis combinações com ela e sob a ação do Espírito, de poder produzir uma infinita variedade de coisas das quais conheceis apenas uma pequena parte. Esse fluido universal, primitivo, ou elementar, sendo o agente que o Espírito utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de dispersão e nunca adquiriria as propriedades que a força da gravidade lhe dá.

27-a. Seria esse fluido o que designamos sob o nome de eletricidade?

– Dissemos que ele é suscetível de inumeráveis combinações; o que chamais fluido elétrico, fluido magnético, são modificações do fluido universal, que é, propriamente falando, uma matéria mais perfeita, mais sutil e que se pode considerar como independente.

28. Uma vez que o próprio Espírito é alguma coisa, não seria mais exato e menos sujeito a confusões designar esses dois elementos gerais pelas palavras: matéria inerte e matéria inteligente?

– As palavras pouco nos importam; cabe a vós formular vossa linguagem de maneira a vos entenderdes. Vossas controvérsias surgem quase sempre do que não compreendeis sobre as palavras que usais, porque vossa linguagem é incompleta para as coisas que os vossos sentidos não percebem.

Um fato notório domina todas as hipóteses: vemos matéria sem inteligência e vemos um princípio inteligente independente da matéria. A origem e a ligação dessas duas coisas nos são desconhecidas. Se elas vêm ou não de uma fonte comum, se há pontos de contato entre elas, se a inteligência tem sua existência própria ou se é uma propriedade, um efeito ou mesmo, conforme a opinião de alguns, se é uma emanação da Divindade, é o que ignoramos. Elas nos aparecem distintas, é por isso que nós as admitimos como formando dois princípios que constituem o universo. Vemos acima de tudo isso uma inteligência que domina todas as outras e as governa, que se distingue por seus atributos essenciais. É a essa inteligência suprema que chamamos Deus.

[*] Allan Kardec. O Livro dos Espíritos, Cap. II, Elementos Gerais do Universo.

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PROPRIEDADES DA MATÉRIA [*]

29. A ponderabilidade é um atributo essencial da matéria?

– Da matéria, assim como a entendeis, sim; mas não da matéria considerada como fluido universal. A matéria etérea e sutil que forma esse fluido é imponderável para vós, mas nem por isso deixa de ser o princípio de vossa matéria pesada.

A gravidade é uma propriedade relativa. Fora das esferas de atração dos mundos, não há peso, do mesmo modo que não há nem acima, nem abaixo.

30. A matéria é formada de um único ou de vários elementos?

– De um único elemento primitivo. Os corpos que considerais simples não são verdadeiros elementos, mas transformações da matéria primitiva.

31. De onde vêm as diferentes propriedades da matéria?

– São modificações que as moléculas elementares sofrem por sua união e em determinadas circunstâncias.

32. Diante disso, os sabores, os odores, as cores, o som, as qualidades venenosas ou salutares dos corpos apenas seriam modificações de uma única e mesma substância primitiva?

– Sim, sem dúvida, e que apenas existem pela disposição dos órgãos destinados a percebê-los.

Esse princípio é demonstrado pelo fato de que nem todo mundo percebe as qualidades dos corpos da mesma maneira: um acha uma coisa agradável ao gosto, outro a acha ruim; uns veem azul o que outros veem vermelho; o que é um veneno para uns é inofensivo ou salutar para outros.

33. A mesma matéria elementar é suscetível de passar por todas as modificações e adquirir todas as propriedades?

– Sim, e é o que se deve entender quando dizemos que tudo está em tudo*.

O oxigênio, o hidrogênio, o azoto, o carbono e todos os corpos que consideramos como simples são somente modificações de uma substância primitiva. Na impossibilidade em que nos encontramos até o presente de conhecer, a não ser pelo pensamento, essa matéria primitiva, esses corpos são para nós verdadeiros elementos e podemos, sem maiores consequências, considerá-los assim, até nova ordem.

Esse princípio explica o fenômeno conhecido de todos os magnetizadores e que consiste em dar, pela vontade, a uma substância qualquer, à água, por exemplo, propriedades muito diversas: um gosto determinado e mesmo as qualidades ativas de outras substâncias. Uma vez que há apenas um elemento primitivo e que as propriedades dos diferentes corpos são somente modificações desse elemento, resulta que a substância mais inofensiva tem o mesmo princípio que a mais prejudicial. Assim, a água, que é formada de uma parte de oxigênio e de duas de hidrogênio, torna-se corrosiva duplicando-se a proporção de oxigênio. Uma transformação semelhante pode se produzir pela ação magnética dirigida pela vontade.

33-a. E essa teoria parece dar razão à opinião daqueles que só admitem na matéria duas propriedades essenciais, a força e o movimento, e pensam que todas as outras propriedades são apenas efeitos secundários, variando de acordo com a intensidade da força e a direção do movimento?

– Essa opinião é exata. É preciso também acrescentar: conforme a disposição das moléculas, como vês, por exemplo, num corpo opaco, que pode tornar-se transparente, e vice-versa.

34. As moléculas têm uma forma determinada?

– Sem dúvida, as moléculas têm uma forma, que não é perceptível para vós.

34-a. Essa forma é constante ou variável?

– Constante para as moléculas elementares primitivas e variável para as moléculas secundárias, que são somente aglomerações das primeiras; porque aquilo que chamais molécula ainda está longe da molécula elementar.

[*] Allan Kardec. O Livro dos Espíritos, Cap. II, Elementos Gerais do Universo.

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