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Archive for fevereiro \26\UTC 2015

AJE SP

CARTA JURÍDICO-ESPÍRITA DE CAMPINAS

Nos dias 17 a 19 de outubro de 2014, a AJE-SP (Associação Jurídico Espírita do Estado de São Paulo) realizou, na Cidade de Campinas, seu 3º CONJURESP (Congresso Jurídico Espírita), congregando espíritas, operadores do direito e a sociedade em geral para profunda reflexão sobre “DIREITOS CONTEMPORÂNEOS E ESPIRITISMO”, com a abordagem do Direito e Espiritismo em face dos dilemas do mundo contemporâneo.

No mesmo evento foi lançada a “CAMPANHA AJE COM ÉTICA”, forma de reflexão sobre o nefasto comportamento humano refletido na violência, no egoísmo e na indiferença pela sorte do semelhante, que leva à perda dos fundamentos da justiça social e dos valores morais tão imprescindíveis ao pleno respeito da dignidade da pessoa humana.

Os principais pontos e conclusões do evento estão reunidos nesta CARTA que divulgamos à sociedade, aos órgãos da Justiça e ao movimento espírita organizado, como colaboração da entidade.

1. DEPENDÊNCIA QUÍMICA: políticas públicas e a proposta espírita.

Em matéria de políticas públicas no trato da dependência química, é preciso despir-se dos preconceitos e adotar práticas transformadoras de acolhimento que possam resgatar a capacidade de autonomia do dependente sobre sua própria vida, com apoio à construção de novo projeto de vida, com reinserção social sustentável que alcance tratamento, trabalho/renda e moradia, sempre com fundamento na liberdade e na autonomia da vontade.

Deve prevalecer o pensamento espírita segundo o qual toda vida tem relevância, sendo, portanto, merecedora do respeito aos valores fundamentais, sobretudo liberdade, autonomia e trabalho, fontes de valorização da pessoa humana.

Os centros espíritas têm importante colaboração no tratamento dos dependentes químicos, tanto nas transmissões energéticas à distância, quanto nas terapias espirituais de natureza mediúnica, nos trabalhos de desobsessão, podendo ainda contribuir com as demais ciências e conhecimentos, ampliando a compreensão sobre a natureza espiritual do ser.

Podem, ainda, as instituições espíritas agregarem-se às redes de atenção psicossocial à dependência química, adequando-se, inclusive, aos modos humanizados de tratamento a pacientes com transtornos mentais ora vigentes na legislação brasileira.

2. MEIO AMBIENTE: o respeito à terra para as presentes e futuras gerações.

O planeta é nossa casa e a ela retornaremos por força das sucessivas reencarnações, sendo que o aprendizado espiritual inclui relação saudável e inteligente com o planeta, especialmente quanto ao uso responsável dos recursos naturais, de aproveitamento respeitoso a todos os seres vivos que se desdobram pelos reinos da natureza na jornada evolutiva.

Somos responsáveis pelo destino do planeta, pelas mudanças climáticas, pela escassez de recursos hídricos, pela produção monumental de lixo, pela destruição sistemática da biodiversidade, pelo crescimento caótico e desordenado das cidades e pela transgenia irresponsável, que já fizeram desaparecer civilizações, porque não há recursos naturais que possam ser suficientes à satisfação da ganância de todos os homens.

É preciso urgentemente desenvolver uma nova ordem econômica que engendre renovados novos conceitos de gestão dos recursos materiais do planeta, de ética civilizatória em matéria de sustentabilidade; é necessário combater o analfabetismo ambiental e divulgar amplamente uma educação ambiental que conscientize as pessoas acerca dos valores de uma economia sustentável, socialmente justa e ecologicamente responsável, passando necessariamente por mudanças de escolhas sobre o nosso comportamento e nossos padrões de consumo, além da adoção de novos modos de administração social dos meios de produção.

3. NOVAS FAMÍLIAS e o valor do afeto na perspectiva espírita.

A realidade atual mostra que o conceito de família está se modificando e dando lugar a novas expressões de afeto, o que exige da comunidade família forense maior compreensão sobre os novos tipos familiares e sua regulação legal, afastando a intolerância e promovendo formas jurídicas que possam contemplar, com dignidade e respeito, proteção à luz dos sentimentos, pela lente do afeto, acolhendo-se, em especial, os arranjos familiares baseados na homoafetividade.

4. POLÍTICA CRIMINAL, realidade carcerária e evolução do espírito.

O operador do direito espírita deve questionar os modelos que levam à atual realidade carcerária, buscando respostas ao fenômeno criminal que sejam alternativas à pena privativa de liberdade, certamente não regenerativa ou educativa, especialmente pelas condições desumanas e indignas em que a pena é cumprida nas prisões brasileiras.

Impõe-se ao espírita estudioso do Direito analisar criticamente a atuação seletiva e simbólica da Justiça Criminal, de claro viés de classe social, que em nada contribui para a pacificação da sociedade e para a evolução dos espíritos imortais nela encarnados.

A justiça restaurativa, como uma hipótese, visa a buscar alternativa ao modelo atual de política prisional criminal, cooperando para a superação de conflitos com o alcance do respeito à pessoa humana, num esforço de se alcançar o equilíbrio entre a liberdade, autonomia, e igualdade material e justiça.

5. O PAPEL DAS ENTIDADES ESPECIALIZADAS para movimento espírita e para a sociedade.

Sendo o Espiritismo uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bem como suas relações com o mundo material, o trabalho conjunto das associações especializadas é de suma importância para o engrandecimento e difusão da Doutrina Espírita dentre os seus adeptos e para a disseminação dos princípios e postulados do pensamento espírita para toda a sociedade brasileira, contribuindo para a evolução e aprimoramento moral e espiritual do homem e progresso da coletividade (sociedade).

Na medida em que o trabalho das associações, por sua especialidade, permite facilitar o intercâmbio e a discussão à sua atividade meio, fortalecendo e facilitando a ação do movimento espírita na sua atividade fim, que é promover o estudo, a difusão e a prática do Espiritismo, essa integração com as associações coloca ao alcance dos dirigentes espíritas a diretoria executiva da Federação Espírita serviços e obras que são imprescindíveis ao conjunto de suas atividades.

* * *

A AJE-SP (Associação Jurídico-Espírita do Estado de São Paulo) reafirma seu propósito de aliar o conhecimento espírita baseado nas obras da Codificação de Allan Kardec aos dados da realidade social, política e jurídica brasileiras, plasmando o pensamento jurídico-espírita como relevante instrumento de formação do profissional do Direito espírita e assim contribuindo para a evolução pessoal deste, ao mesmo tempo em que lhe propicie meios para que ele bem possa contribuir para a evolução da sociedade brasileira no rumo do pleno respeito pela dignidade humana de todos e da plena realização da paz e da justiça.

Campinas (SP), outubro de 2014.

AJE-SP

Associação Jurídico-Espírita do Estado de São Paulo

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As Parábolas de Jesus

As Parábolas de Jesus

  1. O Sermão da Montanha:

. O Sal da terra (Mateus 5:13; Marcos 9:49-50; Lucas 14:34-35)

. A Luz do mundo (Mateus 5:14; Marcos 4:21; Lucas 8:16)

. Dos Tesouros (Mateus 6:19; Lucas 12:33-34)

. O Olho são (Mateus 6:22-23; Lucas 11:34)

. As aves do céu e os lírios do campo (Mateus 6:26; Lucas 12:24-48)

. Não podes servir a dois senhores (Mateus 6:24; Lucas 16:13)

. O Argueiro no olho (Mateus 7:3-5; Lucas 6:41-42)

. Da profanação daquilo que é santo (Mateus 7:6)

. As duas estradas (Mateus 7:13-14; Lucas 13:23-24)

. Os lobos disfarçados em ovelhas e Pelos seus frutos… (Mateus 7:15-20)

. A Casa edificada na rocha (Mateus 7:24-27; Lucas 6:47)

  1. O Ministério na Galileia:

. Vinho novo em odres velhos (Mateus 9:14-17; Marcos 2:18-22; Lucas 5:33-39)

. A Seara é grande, mas os trabalhadores são poucos (Mateus 9:35-38; Marcos 6:6-34; Lucas 8:1; João 4:35)

. Dois devedores (Lucas 7:36-50)

. O Sinal de Jonas (Mateus 12:38-42; Mateus 16:1-4; Marcos 8:11-12; Lucas 11:16; João 6:40)

. Os verdadeiros parentes de Jesus (Mateus 12:46-50; Marcos 3:20-21; Lucas 8:19)

  1. Discurso das Parábolas[1]:

. A Parábola do semeador (Mateus 13:1-9; Marcos 4:1-9; Lucas 8:4-8)

. A Razão do falar em parábolas (Mateus 13:10-17; Marcos 4:10; Lucas 8:9-10; João 9:39)

. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça (Mateus 11:15; Marcos 4:8-23; Lucas 8:8)

. A Semente (Marcos 4:26-29)

. O Trigo e o joio (Mateus 13:24-30)

. Parábola do grão de mostarda (Mateus 13:31-32; Marcos 4:30; Lucas 13:18-19)

. Parábola do fermento (Mateus 13:33; Lucas 13:20-21)

. Por que Jesus falou por parábolas (Mateus 13:34; Marcos 4:33-34)

. Parábola da pérola (Mateus 13:45-46)

. O Tesouro escondido (Mateus 13:44)

. A Parábola da rede (Mateus 13:47-50)

. Tesouros velhos e novos (Mateus 13:51-52)

  1. No Caminho de Jerusalém:

. O Bom samaritano (Lucas 10:29-37)

. Amigo importuno (Lucas 11:5-8)

. A Luz (Lucas 11:33; Mateus 5:15; Marcos 4:21)

. O Olho bom (Lucas 11:34; Mateus 6:22-23)

. Do rico insensato (Lucas 12:13-21)

. A Parábola da figueira estéril (Lucas 13:1-9)

. Contando o custo (Lucas 14:28-33)

. A Ovelha perdida (Mateus 18:10-14; Lucas 15:1-7)

. O Credor incompassivo (Mateus 18:23-35)

. A Dracma perdida (Lucas 15:8)

. O Filho pródigo (Lucas 15:11-32)

. O Mordomo infiel (Lucas 16:1-13)

. Parábola do rico e Lázaro (Lucas 16:19-31)

. Servo inútil (Lucas 17:7-10)

. O Juiz iníquo (Lucas 18:1-8)

. O Fariseu e o publicano (Lucas 18:9-14)

  1. O Ministério na Judéia:

. Das riquezas (Mateus 19:23-30; Marcos 10:23-31; Lucas 18:24-30)

. Os trabalhadores da vinha (Mateus 20:1-16)

. Os talentos (Mateus 25:14-30; Lucas 19:11-27)

  1. O Ministério final em Jerusalém:

. Os dois filhos (Mateus 21:28-32)

. Os lavradores maus (Mateus 21:33-46; Marcos 12:1-12; Lucas 20:9-19)

. As bodas (Mateus 22:1-14)

. Parábola da viúva pobre (Mateus 12:41-44; Lucas 21:1-4)

. A Figueira (Mateus 24:32-36; Marcos 13:28-32; Lucas 21:29-33)

. O Dilúvio, a vigilância e o ladrão de noite (Mateus 24:37-44; Lucas 17:26-36; Lucas 12:39-40)

. O Bom servo e o mau servo (Mateus 24:45-51; Lucas 12:41-46)

. As dez virgens (Mateus 25:1-13)

. A Exortação à vigilância (Mateus 25:13; Marcos 13:33-37; Lucas 19:19-20)

. As ovelhas e bodes (Mateus 25:31-46)

  1. Os discursos no Evangelho de João[2]:

. O Novo nascimento (João 3:1-36)

. A Água da vida (João 4:1-42)

. O Filho (João 5:19-47)

. O Pão da vida (João 6:22-66)

. O Espírito vivificante (João 7:1-52)

. A Luz do mundo (João 8:12-59)

. O Bom pastor (João 10:1-42)

. O Discurso de despedida (de João 14 até João 17), que inclui os ditos acerca da casa do Pai (João 14:2), do caminho (João 14:6), a videira (João 15:1-16) e das dores de parto (João 16:2).

[1] Em Mateus 13, os versículos 1 a 53 formam o terceiro dos cinco discursos de Mateus, chamado de Discurso das parábolas ou Discurso parabólico, por causa das parábolas contadas por Jesus a respeito do Reino de Deus. Mateus 13 consiste basicamente de sete parábolas, duas explicações sobre elas e, depois delas, o episódio da rejeição de Jesus em sua cidade, Nazaré. As parábolas, na ordem em que aparecem, são: O Semeador e sua explicação; O Joio e o trigo e sua explicação; O Grão de mostarda; O fermento; O Tesouro escondido; A Pérola; e, A Rede. Em seguida vem o episódio da rejeição de Jesus, bastante citado no contexto da polêmica sobre os irmãos de Jesus (juntamente com Marcos 6:3).

[2] O ensino de Jesus no quarto Evangelho apresenta-se em discursos e diálogos que, mesmo assim, empregam a linguagem figurada parabólica.

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Sobre as traduções do Evangelho

Trecho de papiro do século III da Era Cristã com uma das mais antigas cópias do Evangelho segundo João

Trecho de papiro do século III da Era Cristã com uma das mais antigas cópias do Evangelho segundo João

Muito ainda se tem falado acerca das traduções dos Evangelhos. Pergunta-se, reiteradamente: qual a melhor tradução?

Notamos no meio espírita, a mesma inquietação, não obstante a inequívoca e peremptória manifestação de Emmanuel sobre o tema, formulada em O Consolador, na questão 321.

Nessa inigualável obra, o preclaro benfeitor, em resposta à pergunta proposta “Qual a edição dos Evangelhos que melhor traduz a fonte original?”, assim se manifesta:

A grafia original dos Evangelhos já representa em si mesma, a própria tradução do ensino de Jesus considerando-se que essa tarefa foi delegada aos seus apóstolos.

Sendo razoável estimarmos, em todas as circunstâncias, os esforços sinceros, seja qual for o meio onde se desdobram, apenas consideramos que, em todas as traduções dos ensinamentos do Mestre Divino, se torna imprescindível separar da letra o espírito.

Poderia objetar que a letra deveria ser simples e clara.

Convenhamos que sim, mas importa observar que os Evangelhos são o roteiro das almas, e é com a visão espiritual que devem ser lidos; pois, constituindo a cátedra de Jesus, o discípulo que deles se aproximar com a intenção sincera de aprender encontra, sob todos os símbolos da letra, a palavra persuasiva e doce, simples e enérgica, da inspiração do seu Mestre imortal.

Reconhecemos não reunir condições de nos posicionar sobre qual a melhor ou a mais adequada tradução do Evangelho, todavia, entendemos ser pertinente tecer, nestas breves linhas, alguns comentários acerca dos movimentos históricos de tradução do “texto original”.

Antes, porém, convém destacar que Jesus foi o primeiro tradutor do Evangelho ao decodificá-lo para nós, humanidade ainda presa em faixas vibratórias extremamente densas e que a segunda tradução do Evangelho, conforme lição de Emmanuel, acima transcrita, teria sido feita pelos próprios evangelistas, visto que Jesus, Ele próprio, nada escreveu.

Assim, a par destas questões, ao longo da história observamos grandes movimentos e tentativas de tradução das escrituras.

O ponto de partida foi a tradução do hebraico para o grego da Bíblia hebraica, também chamada septuaginta, realizada em etapas entre o terceiro e o primeiro século a.C.

Septuaginta é o nome da tradução da Bíblia hebraica para o grego koiné. Este esforço de tradução ficou assim conhecido como a versão dos setenta, ou ainda, LXX, porque setenta judeus trabalharam em sua realização.

A septuaginta, desde o século I, é a versão clássica da Bíblia hebraica para os cristãos de língua grega e foi usada como base para diversas traduções da Bíblia. Por óbvio, não abarca ainda o Evangelho de Jesus, mas sim os livros sagrados do Povo Hebreu, aqueles que genericamente denominamos livros do Antigo Testamento, embora inclua alguns livros não encontrados na Bíblia hebraica.

Interessa-nos de perto, o denominado textus receptus, denominação dada às várias impressões, em grego, do Evangelho e dos demais livros do Novo Testamento, o qual foi largamente utilizado para as diversas traduções dos séculos XVI ao XIX, inclusive a tradução portuguesa realizada por João Ferreira de Almeida.

Antes, contudo, entre fins do século IV e início do século V, por determinação do Papa Dâmaso I, São Jerônimo empreendeu um grande trabalho de tradução da Bíblia para o latim corrente, não o culto, trabalho este denominado vulgata, ou vulgata editio ou vulgata sersio ou ainda vulgata lectio, significando, respectivamente, edição, tradução ou leitura de divulgação popular.

A vulgata foi desenvolvida para popularizar os textos sagrados. Nela, o Antigo Testamento foi traduzido diretamente do hebraico e não do grego ou da septuaginta e o Novo Testamento dos manuscritos gregos. São Jerônimo não apenas traduziu os textos. Além da tradução, empreendeu um trabalho de seleção e revisão dos mesmos.

Esta tradução, a vulgata, foi definitivamente consagrada pela igreja no Concílio de Trento em 1546, que estabeleceu, a partir dos vários manuscritos existentes, um texto único. Após o Concílio Vaticano II, por determinação do Papa Paulo VI, foi realizada uma nova revisão da vulgata, concluída em 1975 e convalidada pelo Papa João Paulo II em 1979. Esta última versão tornou-se, oficialmente, a versão da Bíblia utilizada pela Igreja Católica e passou a ser chamada Neovulgata.

O denominado textus receptus, ou texto recebido, é uma reunião de vários e esparsos textos utilizados para compor um texto único em grego contendo todo o Novo Testamento. Não obstante este esforço de compilação, entre a primeira edição publicada por Erasmo de Roterdã em 1516 e a edição publicada pelos irmãos Bonnaventura e Abraão Elzevir, em 1633, são identificadas uma diferença de pouco de 300 palavras, das 140.000 que compõem o Novo Testamento.

O textus receptus foi utilizado como fonte para várias outras traduções da Bíblia em outras línguas, como a Bíblia de Lutero em 1522, e a de João Ferreira de Almeida para o português em 1681.

Em abril de 2010, o trabalho de tradução do Evangelho ganhou página nova e importante. Veio a lume a tradução dos quatro Evangelhos canônicos e do livro Atos dos Apóstolos realizada pelo confrade Haroldo Dutra Dias e publicada pela FEB.

Segundo nota explicativa do tradutor, a aludida tradução está orientada para o texto fonte (source oriented), pois […] pretende orientar o leitor para as características culturais da Palestina do primeiro século da era cristã e que o […] objetivo é transportar o leitor ao cenário no qual Jesus viveu, agiu e ensinou, a fim de que escute suas palavras, seus ensinamentos como se fosse um morador daquela região. Ouvir a voz do Mestre Galileu em toda a sua originalidade, vigor, riqueza cultural, para compartilhar com ele a pureza genuína dos sentimentos espirituais superiores, eis nossa meta.

A tradução de Dutra, realizada diretamente dos manuscritos gregos, apresenta o texto das escrituras sagradas estruturado de tal forma que respeita as questões culturais, históricas e teológicas da época em que viveu Jesus.

Por derradeiro, recuperando a lição de Emmanuel, em separando a letra do espírito, lembremos que Jesus falava aramaico em suas prédicas com o povo simples; quando pregava nas sinagogas, valia-se do hebraico e, a exceção das primeiras “anotações de Levi” que foram escritas em aramaico, os Evangelhos que chegaram até nós foram escritos em grego.

A este aspecto, há ainda que ressalvar que as reproduções dos textos originais eram feitas manualmente, pelos denominados copistas. Desnecessário, portanto, dizer das muitas imperfeições, dos muitos erros de grafia e até das inserções aleatórias e, por vezes, tendenciosas, feitas no texto. Ademais, notas explicativas, chamadas “notas laterais”, eram introduzidas por estudiosos dos Evangelhos. Por séculos, até o surgimento da imprensa, os Evangelhos foram assim reproduzidos.

Esta temática retrata bem a dificuldade em respondermos a questão preliminar acerca de qual seria a melhor tradução dos Evangelhos. Assim, recomendamos a lição de Emmanuel: […] importa observar que os Evangelhos são o roteiro das almas, e é com a visão espiritual que devem ser lidos; pois, constituindo a cátedra de Jesus, o discípulo que deles se aproximar com a intenção sincera de aprender encontra, sob todos os símbolos da letra, a palavra persuasiva e doce, simples e enérgica, da inspiração do seu Mestre imortal.

Não obstante, a Bíblia continua, ainda hoje, a ser o livro mais traduzido do mundo. Estima-se que esteja traduzida para 98% da população mundial na língua em que são fluentes.

Sobre as traduções dos Evangelhos, por José Márcio de Almeida.

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Dia 6 de fevereiro último, celebrou-se o centenário do desencarne do grande pioneiro do Espiritismo no Brasil, Dr. Joaquim Carlos Travassos, que, sob o pseudônimo de Fortúnio, traduziu para o português, no Brasil, O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo e O Céu e o Inferno.

Joaquim Carlos Travassos

Joaquim Carlos Travassos

É atribuída a ele a apresentação de O Livro dos Espíritos ao também médico Dr. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti e a participação decisiva na fundação, em agosto de 1873, da primeira Casa Espírita da então Capital do Império, a Sociedade de Estudos Espiríticos – Grupo Confúcio.

Segundo matéria publicada no Jornal Seareiro, ano 13, n.º 116, “O despertar de Travassos na Espiritualidade revestiu-se de grande contentamento. Os Espíritos que o auxiliaram nas tarefas redentoras da difusão doutrinária ali estavam, aguardando o seu triunfal retorno à pátria de origem.”

A seguir, uma breve biografia deste grande vulto da Doutrina Espírita no Brasil.

Antecedentes

Joaquim Carlos Travassos (Angra dos Reis, 1839 — Rio de Janeiro, 6 de fevereiro de 1915) foi um médico, político e pioneiro do espiritismo brasileiro.

Acredita-se que a família Travassos, que hoje tem representantes em todo o Brasil, descende de três irmãos portugueses que, perseguidos no reino à época da Dinastia Filipina (1580-1640), aqui aportaram em busca de refúgio.

Um desses irmãos teria se radicado na Ilha Grande, no litoral sul da então Capitania do Rio de Janeiro, atribuindo-se a ele o tronco da família na região.

Juventude e Casamento

Nascido na propriedade da família, a Fazenda da Longa, na Ilha Grande, foram seus pais o Coronel Pedro José Travassos e Dona Emília Rita Travassos. Teve mais seis irmãos, três homens e três mulheres.

Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (antigo prédio na Praia Vermelha)

Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (antigo prédio na Praia Vermelha)

Ao término dos estudos preparatórios, com cerca de dezessete anos, ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Após cursar as dezoito cadeiras do curso, a 30 de agosto de 1862, defendeu brilhantemente a sua tese, vindo a obter o grau em 27 de novembro do mesmo ano, em cerimônia solene na presença de Suas Majestades Imperiais.

Nesse ano, ou no seguinte, desposou a Srta. Maria Antônia de Oliveira, com quem teve duas filhas.

O Espiritismo

O Dr. Travassos travou contato com as idéias espíritas numa época em que, de Allan Kardec, só se achavam traduzidos para o português dois opúsculos: O Espiritismo na sua expressão mais simples e Introdução ao estudo da Doutrina Espírita. Como integrante da elite educada no país, leu os livros básicos da Codificação no próprio idioma de origem, o francês.

Allan Kardec

Allan Kardec

Embora se desconheçam as razões que o levaram à aceitação da Doutrina Espírita, foi pelo estudo das obras de Kardec que se tornou um fervoroso adepto. Unido a outros estudiosos dos fenômenos espíritas, passou a integrar um grupo seleto. Formou-se, desse modo, uma associação para o estudo dos mesmos, a Sociedade de Estudos Espiríticos – Grupo Confúcio, fundada a 2 de Agosto de 1873, considerada o primeiro Centro Espírita na então Capital do Império, no qual o Dr. Joaquim Carlos Travassos era Secretário-Geral.

Naquele momento, para os fins de divulgação, sentia-se a necessidade urgente de se traduzir para a língua portuguesa as obras do Codificador. Além da massa da população não conhecer o suficiente do idioma francês, estavam surgindo vários grupos à época, onde os seus integrantes mal conheciam os princípios elementares da Doutrina.

Nesse contexto, o Dr. Travassos tomou a si a tarefa de traduzir as obras básicas da Codificação. Desse modo, sob o pseudônimo de Fortúnio, foram publicados O Livro dos Espíritos, traduzido da 20.ª edição francesa, sem a data de publicação (1875); O Livro dos Médiuns, traduzido da 12.ª edição francesa, sem o nome do tradutor (1875); O Céu e o Inferno, traduzido da 4.ª edição francesa, sem o nome do tradutor (1875); e O Evangelho Segundo o Espiritismo, traduzido da 16.ª edição francesa, sem o nome do tradutor (1876). Todas as quatro obras vieram à luz por intermédio da Editora B. L. Garnier.

Deve-se ainda à iniciativa do Dr. Travassos a conversão do, também médico, Dr. Bezerra de Menezes. A história é bem conhecida: assim que O Livro dos Espíritos saiu do prelo, o Dr. Travassos ofereceu um exemplar da obra, com dedicatória, ao seu grande amigo, a quem sinceramente admirava. E foi esta que atraiu o então ilustre político para a Doutrina Espírita.

Com a Proclamação da República Brasileira, o Dr. Travassos foi eleito Senador na primeira Legislatura do Estado do Rio de Janeiro. Os Anais do Senado desse Estado (1891) registram os fatos ocorridos durante o curto período de existência dessa Casa Legislativa. A 1ª sessão preparatória realizou-se em 27 de julho de 1891, e a sessão de instalação ocorreu a 4 de agosto do mesmo ano, sob a presidência do Senador Demerval da Fonseca.

Travassos, na ausência do Presidente, assumiu a presidência da Casa nas sessões de 28 de julho e de 15 de setembro, e por várias vezes atuou como 1.º e 2.º Secretário.

Na sessão ordinária de 28 de agosto desse mesmo ano, apresentou um projeto de lei regulamentando a colonização e a imigração no Brasil, já declarando, naquela época, num longo discurso, que a imigração era necessária e urgente, mas que seja posta em prática “sem empirismo e com todo o cuidado, a fim de que não venha a causar-nos maiores males futuros”. Entrava, em seguida, numa bem fundamentada exposição no que diz respeito à seleção do imigrante colonizador. Este trabalho recebeu elogios de um dos homens mais competente na matéria à época, o Visconde de Taunay, então presidente da Sociedade de Imigração do Brasil.

Após a queda do Marechal Deodoro da Fonseca, sucedeu-lhe o Marechal Floriano Peixoto, que depôs todos os governadores que aderiram ao golpe de 3 de novembro de 1891. O governo de Francisco Portela, do Estado do Rio de Janeiro, caiu e o Congresso fluminense foi extinto.

O Dr. Travassos, contrário ao procedimento do “Marechal de Ferro”, abandonou a política, retirando-se à vida privada. Desde então dedicou todas as suas energias aos estudos da pecuária e da agricultura, relacionando-os à economia do País, por compreender que o desenvolvimento do Brasil dependia, em larga escala, da boa solução desses problemas.

A última parte da vida do Dr. Travassos foi acidentada e cheia de percalços. No Rio de Janeiro, em menos de quinze anos, residiu nas ruas de São Carlos, José Bonifácio, Frei Caneca, Benjamim Constant (junto à Igreja Positivista do Brasil), e acredita-se que na Praça Niterói. Em 1913 mudou-se para a rua Correia Dutra, onde veio, a 1h35 do dia 6 de fevereiro de 1915, falecer, aos 76 anos de idade, vítima de arteriosclerose.

Bibliografia

WANTUIL, Zêus. Grandes Espíritas do Brasil. Rio de Janeiro: FEB, 1990.

Jornal Seareiro, ano 13, n.º 116.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Carlos_Travassos.

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Movimento Espírita

Movimento Espírita é o conjunto das atividades que têm por objetivo estudar, divulgar e praticar a Doutrina Espírita, contida nas obras básicas de Allan Kardec, colocando-a ao alcance e a serviço de toda a Humanidade.

As atividades que compõem o Movimento Espírita são realizadas por pessoas, isoladamente ou em conjunto, e por Instituições Espíritas.

As Instituições Espíritas compreendem:

– As Entidades Federativas, que desenvolvem as atividades de união das Instituições Espíritas e de unificação do Movimento Espírita;

 – As Entidades Especializadas, que desenvolvem atividades espíritas específicas, tais como as de assistência e promoção social e as de divulgação doutrinária; e,

 – Os Pequenos Grupos de Estudo do Espiritismo, fundamentalmente voltados para o estudo inicial da Doutrina Espírita.

Fonte: http://www.febnet.org.br/blog/geral/o-espiritismo/movimento-espirita-o-que-e/

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Esses grupos, correspondendo-se entre si, visitando-se, permutando observações, podem, desde já, formar o núcleo da grande família espírita, que um dia consorciará todas as opiniões e unirá os homens por um único sentimento: o da fraternidade, trazendo o cunho da caridade cristã. Allan Kardec (O Livro dos Médiuns, cap. XXIX, item 334).

Os Grupos, Centros ou Sociedades Espíritas:

– São núcleos de estudo, de fraternidade, de oração e de trabalho, praticados dentro dos princípios espíritas;

– São escolas de formação espiritual e moral, que trabalham à luz da Doutrina Espírita;

– São postos de atendimento fraternal para todos os que os procuram com o propósito de obter orientação, esclarecimento, ajuda ou consolação;

– São oficinas de trabalho que proporcionam aos seus freqüentadores oportunidades de exercitarem o próprio aprimoramento íntimo pela prática do Evangelho em suas atividades;

– São casas onde as crianças, os jovens, os adultos e os idosos têm oportunidade de conviver, estudar e trabalhar, unindo a família sob a orientação do Espiritismo;

– São recantos de paz construtiva, que oferecem aos seus freqüentadores oportunidades para o refazimento espiritual e a união fraternal pela prática do “Amai-vos uns aos outros”;

– São núcleos que se caracterizam pela simplicidade própria das primeiras casas do Cristianismo nascente, pela prática da caridade e pela total ausência de imagens, símbolos, rituais ou outras quaisquer manifestações exteriores;

– São as unidades fundamentais do Movimento Espírita.

Fonte: http://www.febnet.org.br/blog/geral/o-espiritismo/grupo-centros-ou-sociedades-espiritas-o-que-sao/

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Os Grupos, Centros ou Sociedades Espíritas têm por objetivo promover o estudo, a difusão e a prática da Doutrina Espírita, atendendo às pessoas:

– Que buscam esclarecimento, orientação e amparo para seus problemas espirituais, morais e materiais;

– Que querem conhecer e estudar a Doutrina Espírita; e,

– Que querem trabalhar, colaborar e servir em qualquer área de ação que a prática espírita oferece.

Fonte: http://www.febnet.org.br/blog/geral/o-espiritismo/os-grupos-centros-ou-sociedades-espiritas-tem-por-objetivo/

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