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Archive for janeiro \01\UTC 2014

A DOUTRINA ESPÍRITA E A CIÊNCIA – PARTE I [*]

Tríplice Aspecto da DE

Para muitas pessoas, a oposição de cientistas, se não é uma prova, é pelo menos uma forte opinião contrária. Não somos dos que se levantam contra os sábios, porque não queremos que digam que nós os insultamos; nós os temos, ao contrário, em grande estima e ficaríamos muito honrados de estar entre eles. Porém, suas opiniões não podem ser em todas as circunstâncias um julgamento irrevogável.

Quando a ciência sai da observação material dos fatos e procura apreciar e explicar esses fatos, o campo está aberto às hipóteses e às suposições; cada um defende seu pequeno sistema na intenção de fazê-lo prevalecer e o sustenta com firmeza. Não vemos todos os dias as opiniões mais divergentes alternativamente acatadas e rejeitadas, repelidas como erros absurdos, ou proclamadas como verdades incontestáveis? Os fatos, eis o verdadeiro critério de nossos julgamentos, o argumento incontestável. Na ausência de fatos, a dúvida é opinião sábia e prudente.

Para as coisas de conhecimento de todos, a opinião dos sábios deve ser respeitada, e com razão, porque sabem mais e melhor do que a maioria das pessoas comuns; mas na questão de novos princípios, de coisas desconhecidas, sua maneira de ver é sempre e apenas uma suposição, porque não estão mais do que quaisquer outros livres de preconceitos. Direi até mesmo que o sábio talvez tenha mais preconceitos, porque uma tendência natural leva-o a submeter tudo ao ponto de vista em que se especializou: o matemático apenas vê a prova numa demonstração algébrica, o químico relaciona tudo à ação dos elementos, etc. Todo homem que se dedica a uma especialização subordina a ela todas as suas ideias. Fora do seu campo, muitas vezes se perderá, por querer submeter tudo ao seu modo de ver; é uma consequência da fraqueza humana. Consultarei, de bom grado e com toda a confiança, um químico sobre uma questão de análise de uma substância, um físico sobre a energia elétrica, um mecânico sobre a força motriz; mas eles me permitirão, sem que isso desmereça o respeito que sua especialização merece, considerar suas opiniões negativas sobre o Espiritismo idênticas ao conceito de um arquiteto sobre uma questão de música.

As ciências gerais se apoiam nas propriedades da matéria, que pode ser manipulada e experimentada à vontade; os fenômenos espíritas se fundamentam na ação das inteligências que têm vontade própria e nos provam a cada instante que não estão à disposição dos nossos caprichos. As observações, em vista disso, não podem ser feitas da mesma maneira; requerem condições diferenciadas, especiais e um outro ponto de partida. Querer submetê-las aos nossos processos comuns de investigação é querer estabelecer e forçar semelhanças que não existem. A ciência propriamente dita, como ciência, é incompetente para pronunciar-se na questão do Espiritismo; ela não tem que se ocupar com isso, e qualquer que seja seu julgamento, favorável ou não, não tem nenhuma importância. O Espiritismo pode vir a ser uma convicção pessoal que os sábios possam ter como indivíduos, sem considerar a sua qualidade de sábios, isto é, a sua especialização e o seu saber científico. Contudo, querer conceder a questão à ciência equivaleria a decidir a existência da alma por uma assembleia de físicos ou astrônomos. De fato, o Espiritismo está inteiramente fundamentado na existência da alma e na sua situação depois da morte; contudo, é extremamente ilógico pensar que um homem deve ser um grande psicólogo porque é um grande matemático ou um grande anatomista. O anatomista, ao dissecar o corpo humano, procura a alma, e como o seu bisturi não a encontra, como encontra um nervo, ou porque não a vê sair volátil como um gás, conclui que ela não existe, porque se coloca sob um ponto de vista exclusivamente material. Resultará que ele tenha razão contra a opinião universal? Não. Vemos, portanto, que o Espiritismo não é da competência da ciência.

[*] Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Introdução do Estudo da Doutrina Espírita. Item 7.

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A DOUTRINA ESPÍRITA E A CIÊNCIA – PARTE II [*]

Ceva

Quando a crença espírita estiver bastante difundida, quando for aceita pelas massas, e, a se julgar pela rapidez com que se propaga, esse tempo não está longe, acontecerá com o Espiritismo o que ocorre com todas as ideias novas que encontraram oposição: os sábios irão se render à evidência. Chegarão a ela por si sós e pela força das coisas. Até lá, é inoportuno desviá-los de seus trabalhos especiais, para obrigá-los a se ocupar de uma coisa estranha ao seu mundo, que não está nem nas suas atribuições, nem nos seus programas. Enquanto isso não ocorre, aqueles que, sem um estudo prévio e aprofundado da matéria, se pronunciam pela negativa e zombam de todos os que não estão de acordo com a sua opinião, esquecem que o mesmo ocorreu com a maior parte das grandes descobertas que honram a humanidade. Eles se expõem a ver seus nomes incluídos na extensa lista dos ilustres contestadores das ideias novas e inscritos ao lado dos membros da erudita assembleia que, em 1752, acolheu com zombaria e muitos risos o relatório de Franklin18 sobre os para-raios, julgando-o indigno de figurar ao lado das comunicações que eram apreciadas; e desse outro que fez a França perder o benefício da iniciativa do motor a vapor, declarando que o sistema de Fulton19 era um sonho irrealizável. Entretanto, essas eram questões da sua competência. Se essas assembleias, que contavam em seu seio com a elite dos sábios do mundo, apenas tiveram a zombaria e o sarcasmo por ideias que não compreendiam e que alguns anos mais tarde deveriam revolucionar a ciência, os costumes e a indústria, como esperar que uma questão estranha aos seus trabalhos obtenha melhor acolhimento?

Esses erros lamentáveis de alguns homens de comprovada sabedoria, indignos de sua memória, não tiraram dos sábios os títulos com que, em outros campos de ação, se fazem respeitar. Mas acaso é necessário um diploma oficial para se ter bom senso, e fora das poltronas acadêmicas somente há tolos e imbecis? Que se observem os adeptos da Doutrina Espírita, e que avaliem se entre eles somente há ignorantes, e se o número imenso de homens de mérito que a abraçaram permite nivelá-la à categoria das crendices populares. Pelo caráter e pelo saber desses homens, vale bem a pena dizer: uma vez que eles afirmam, é certo pelo menos que há alguma coisa.

Repetimos ainda que se os fatos de que nos ocupamos ficassem reduzidos ao movimento mecânico dos objetos, a procura da causa física desse fenômeno entraria no campo da ciência; mas, desde que se trata de uma manifestação fora das leis dos homens, ela escapa da competência da ciência material, porque não se pode exprimir nem por algarismos, nem pela força mecânica. Quando surge um fato novo que não se situa no círculo de alguma ciência conhecida, o sábio, para estudá-lo, deve despojar-se de seu saber e considerar que é um estudo novo que não se pode fazer com ideias preconcebidas.

O homem que considera que o seu saber é infalível está bem perto do erro. Mesmo os que defendem as mais falsas ideias apoiam-se sempre na sua razão, e é em virtude disso que rejeitam tudo que lhes parece impossível. Aqueles que antigamente repeliram as admiráveis descobertas de que hoje a humanidade se honra faziam apelo à razão para as rejeitar; porém, o que se chama razão é, muitas vezes, somente orgulho disfarçado, e quem quer que se acredite infalível se coloca como igual a Deus. Dirigimo-nos, portanto, àqueles que são bastante ponderados para duvidar do que não viram e que, julgando o futuro pelo passado, não acreditam que o homem tenha chegado ao seu apogeu, nem que a natureza tenha virado para ele a última página de seu livro.

[*] Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Introdução do Estudo da Doutrina Espírita. Item 7.

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A SERIEDADE DA DOUTRINA [*]

kardec-Emmanuel-Bezerra-Chico

Acrescentamos que o estudo de uma doutrina, como a Doutrina Espírita, que nos lança de repente e em cheio numa ordem de coisas tão novas e grandiosas, somente pode ser feito por homens sérios, perseverantes, isentos de prevenções e movidos por uma firme e sincera vontade de chegar a um resultado esclarecedor. Não podem ser considerados assim os que julgam, a priori20, levianamente e sem ter visto tudo; que não dão a seus estudos nem a sequencia, nem a regularidade, nem a cautela necessária; e muito menos certas pessoas que, para não perder a pose de sua reputação de homens de espírito21, se empenham em encontrar um lado ridículo nas coisas mais verdadeiras, ou assim julgadas, por pessoas cujo saber, caráter e convicções fazem jus ao respeito de quem se tem na conta de ser bem-educado. Aqueles que não julgarem os fatos espíritas dignos de si e de sua atenção que se calem; ninguém tenciona violentar sua crença, mas que saibam respeitar a dos outros.

O que caracteriza um estudo sério é a sequencia que se dá a esse estudo. Deve causar estranheza o fato de não se obter, muitas vezes, nenhuma resposta sensata às questões, sérias por si próprias, quando são feitas ao acaso e lançadas à queima-roupa no meio de enxurradas de perguntas absurdas? Uma questão, aliás, é muitas vezes complexa e requer, para ser esclarecida, indagações preliminares ou complementares. Quem quer aprender uma ciência deve fazer um estudo metódico dela, começar pelo início e seguir o encadeamento e o desenvolvimento das ideias. Aquele que sem mais nem menos pergunta a um sábio algo sobre a ciência da qual nada sabe acaso obterá algum proveito? E o próprio sábio poderá, com a melhor boa vontade, dar uma resposta satisfatória? Essa resposta isolada será forçosamente incompleta e, muitas vezes, por isso mesmo, ininteligível, ou poderá parecer absurda e contraditória. Acontece exatamente o mesmo nas relações que estabelecemos com os Espíritos. Se quisermos nos instruir na sua escola, é preciso fazer um curso com eles, mas proceder exatamente como entre nós: selecionar os professores e trabalhar com constância.

Dissemos que os Espíritos superiores apenas vêm às reuniões sérias e, em especial, àquelas em que reina uma perfeita comunhão de pensamentos e de sentimentos pelo bem. A leviandade e as questões inúteis os afastam, como, entre os homens, afastam as pessoas racionais; o campo fica, então, livre à multidão de Espíritos mentirosos e fúteis, sempre à espreita de ocasiões para zombar e se divertir à nossa custa. O que devemos esperar de uma reunião dessa natureza quando desejamos resposta a uma questão séria? Será respondida? Sim, será, mas respondida por quem? É como se no meio de um bando de gozadores lançássemos estas questões: o que é a alma? O que é a morte? E outras também de igual tom recreativo. Se quereis respostas sérias, sede sérios no verdadeiro sentido da palavra e colocai-vos de acordo com todas as condições que se requerem. Somente assim obtereis grandes coisas. Sede mais laboriosos e perseverantes em vossos estudos; sem isso os Espíritos superiores vos abandonarão, como faz um professor com seus alunos negligentes.

[*] Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Introdução do Estudo da Doutrina Espírita. Item 8.

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A DOUTRINA E OS SEUS CONTESTADORES [*]

O movimento dos objetos é um fato comprovado. A questão é saber se, nesse movimento, há ou não uma manifestação inteligente e, caso haja, qual é a origem dessa manifestação.

Não trataremos somente do movimento inteligente de alguns objetos, nem de comunicações verbais, nem mesmo das diretamente escritas pelo médium. Esse gênero de manifestação, clara e evidente para aqueles que viram e se aprofundaram no assunto, não é à primeira vista muito convincente para um observador novato, por não a entender como independente da vontade do médium. Não trataremos somente da escrita obtida com a ajuda de um objeto qualquer munido de um lápis, como o cesto, a prancheta, etc. A maneira como os dedos do médium ficam colocados sobre o objeto desafia, como já dissemos, a habilidade mais consumada de poder participar de qualquer modo que seja no traçado das letras. Mas admitamos ainda que, por efeito de uma habilidade maravilhosa, o médium possa enganar o olhar mais atento. De que maneira explicar a natureza das respostas, quando estão muito além de todas as ideias e de todos os conhecimentos do médium? E, que se note bem, não se trata de respostas monossilábicas, mas muitas vezes de numerosas páginas escritas com a mais espantosa rapidez, seja espontaneamente, seja sobre um assunto determinado. Pela mão do médium, mais alheio e avesso à literatura, nascem, algumas vezes, poesias de uma sublimidade e pureza irrepreensíveis, que os melhores poetas se dignariam em assinar. O que acrescenta ainda mais estranheza a esses fatos é que acontecem em todos os lugares, e que os médiuns se multiplicam ao infinito. Esses fatos são reais ou não? Para isso, apenas temos uma resposta: vede e observai, ocasiões não faltarão; mas observai repetidamente, por um período e obedecendo às condições determinadas.

Diante da evidência, o que respondem os opositores? “Sois”, dizem, “vítimas do charlatanismo ou joguete de uma ilusão.” Diremos, primeiramente, que é preciso separar a ideia de charlatanismo de onde não há lucro; os charlatães não fazem seu trabalho de graça. Isso seria, então, uma mistificação. Mas por que estranha coincidência tantos mistificadores teriam combinado em harmonia e concordância para, de um canto a outro do planeta, agir da mesma forma, produzir os mesmos efeitos e dar sobre os mesmos assuntos e em tão diversas línguas respostas idênticas, se não quanto às palavras, pelo menos quanto ao sentido? E o que levaria pessoas sérias, honradas, instruídas a se prestar a semelhantes artimanhas e com que objetivo? Como encontrar entre as crianças a paciência e a habilidade necessárias para esse fim? Porque, se esses médiuns não são instrumentos passivos, será preciso reconhecer neles habilidade e conhecimentos incompatíveis com a idade infantil e com certas posições sociais.

Então, dizem que, se não há trapaças, os dois lados podem ser vítimas de uma ilusão. Numa avaliação lógica, a qualidade dos testemunhos tem grande valor; portanto, é o caso de se perguntar se a Doutrina Espírita, que hoje conta com milhões de seguidores, apenas os recruta entre os ignorantes? Os fenômenos em que se apoia são tão extraordinários que compreendemos a dúvida, mas não se pode admitir a pretensão de alguns incrédulos que julgam ter o privilégio exclusivo do bom senso e que, sem respeito pela decência ou o valor moral de seus adversários, tacham, sem cerimônia, de tolos todos que não estão de acordo com as suas opiniões. Aos olhos de toda pessoa sensata, ajuizada, a opinião das pessoas esclarecidas, que por muito tempo viram, estudaram e meditaram um fato, constituirá sempre, se não uma prova, pelo menos uma probabilidade em seu favor, uma vez que pôde prender a atenção de homens sérios que não têm interesse em propagar erros, nem tempo a perder com futilidades.

[*] Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Introdução do Estudo da Doutrina Espírita. Item 9.

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A Tentação de Jesus

A “TENTAÇÃO DE JESUS” [*]

1 Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. 2 E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome; 3 E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães. 4 Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus (Deut. 8:3). 5 Então o diabo o transportou à cidade santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo, 6 E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, Para que nunca tropeces em alguma pedra (Salmos 90:11s). 7 Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus (Deut. 6:16). 8 Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. 9 E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. 10 Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás (Deut.6:13). 11 Então o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos, e o serviam. (Mateus 4:1 a 11).

Tentaciones de Cristo Botticelli

Tentações de Cristo. 1481-82.

Por Botticelli, na Capela Sistina, no Vaticano.

Esclarecimentos iniciais

O estudo das letras sagradas não pode ser feito através de uma simples leitura que nos leve a seu entendimento literal. Para sua correta interpretação, mister que se busque a essência da mensagem do verbo divino, contida no simbolismo de seus versículos.

Nas culturas orientais, demônios seriam todas as criaturas tidas como místicas ou espirituais. Mas não necessariamente de natureza maligna, como nos casos das fadas, gnomos, etc.

Um demônio, ou ainda, daimon ou daemon tipicamente é descrito como um espírito do Mal, embora originalmente, para os gregos, pudesse também ser um ser benigno.

Satanás ou Satã (do hebraico adversário/acusador) é um termo originário da tradição judaico e geralmente aplicado à encarnação do Mal em religiões ditas monoteístas.

Demônios, satanás, diabos não existem. Deus, ao criá-los, estaria derrogando suas leis e contradizendo-se, uma vez que Lhe são atribuídos os fatores divinizadores sendo um deles a BONDADE. Deus não criaria seres para perturbar a vida dos homens.

Assim, ao refletirmos sobre esta narrativa de Mateus, encontramos pontos que fogem do nosso raciocínio e naturalmente questionamos:

Como Jesus, sendo um espírito de nível tão superior, pudesse vir a ser assediado por Satanás, alguém que, segundo se coloca, possui atributos que pessoas dão tanto valor e acham que ele é a suprema força do mal?

Há que se observar alguns pontos importantes:

1) Jesus não foi tentado; Ele foi provado, porque o termo original, em hebraico, fala de provação e não em tentação.

2) Satanás, pela situação como ele é colocado, é desprovido de qualquer coisa. Ele não tem nada.

3) Jesus, sim; é o herdeiro legítimo de Deus. Senhor de todos os reinos do mundo. Devemos lembrar que quarenta dias antes, em seu batismo por João Batista (Mateus 3:13 a 17), uma voz dos céus dissera: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”.

4) Existe aí uma situação, no mínimo, muito estranha. Uma incoerência mesmo. Como é que satanás ia oferecer esses reinos que já eram de Jesus, para que fosse por Ele adorado?

A questão aqui não era tanto a de Jesus tornar-se um rei. Deus já Lhe tinha prometido isso (Salmo 2:7 a 9; Gênesis 49:10), mas de como e quando. O Senhor prometeu o reinado ao Filho depois de seu sofrimento (Hebreus 2:9).

2 E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome. Jesus, na realidade, estava refletindo sobre a missão que iria abraçar. Após longo período de reflexões Ele teve fome do saber. Há aqui, uma questão básica: Como Jesus usará suas aptidões para cumprir a sua missão junto aos seus tutelados? (Mateus 5:17).

As reflexões do Mestre

Primeira reflexão: “3 Se tu és Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães”.

O objetivo de sua primeira reflexão foi a respeito de sua lealdade a Deus.

Os pães e as pedras alegoricamente simbolizam, respectivamente, as nossas necessidades materiais, tão importantes à nossa sobrevivência, e as nossas dificuldades em consegui-las.

Com o advento do Consolador Prometido (João, 14:15 a 17 e 26), foi-nos possível entender que essas dificuldades são decorrentes de nossa estrutura moral que construímos em nossas vidas passadas. Portanto, representam as vicissitudes pelas quais temos que passar num processo de resgate de nossos compromissos pretéritos a caminho de nossa ascensão espiritual.

Se Ele quisesse, poderia sim, transformar as pedras (nossas dificuldades) em pães (necessidades materiais); mas, aí Ele reflete sobre a racionalidade de nossa existência: “4 Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus (Deut. 8:3)”. Jesus, aqui, diz que confia em cada palavra de Deus.

A nossa “salvação” será pela justificação, ou seja, pelo uso correto de nosso livre arbítrio. Se assim não for, seremos transformados em seres sem vontade própria. Seremos robôs.

O homem vive do alimento material (pão), mas, também, do alimento espiritual: a palavra de Deus. E continua refletindo: “Se Eu fizer isto estarei indo contra a lei da natureza. Estarei indo contra a Lei de Causa e Efeito”.

Na qualidade de guia e modelo (Livro dos Espíritos, questão 621), a sua missão consiste em nos passar, através do exemplo, o caminho a ser percorrido na busca da perfeição para a qual fomos criados: “Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mateus 15:24)”.

Segunda reflexão: 6 E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, Para que nunca tropeces em alguma pedra.

O objetivo da segunda reflexão diz respeito da confiança. De sua fé em Deus: Você confia em Deus, não confia? Vamos ver quanto você confia nEle. Você confia nEle o bastante para atirar-se deste pináculo?

7 Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus. Jesus reflete que não precisa fazer aquilo para provar absolutamente nada e nem para ter certeza de que Ele era quem era.

A confiança alicerça-se na fé. Ter fé é acreditar. É ter firmeza na execução daquilo que se propõe fazer. A fé nos leva a vencer dificuldades enormes (Mateus 17:19 a 21).

Com a firmeza da fé podemos realizar além da nossa imaginação (João 10:34 e 14:12).

Terceira reflexão: 8 Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. 9 E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.

O objetivo da terceira reflexão foi o mais crucial, pois foi um teste da missão de Jesus ou, mais precisamente, um teste da determinação de Jesus de concluir Sua missão independentemente do custo.

Fala do poder transitório. Tentem imaginar a glória de todos os reinos do mundo, todos os impérios do presente e do passado: o grande império romano, o grego, o persa, o babilônico, o assírio, o egípcio, o reino de Davi e Salomão – sem mencionar reinos como Bitínia e Síria, mais todos os reinos em territórios inexplorados! Tudo isto reluzindo diante dos olhos de Jesus.

O que adiantava possuir todos os reinos do mundo se sua missão era espiritual?

O que Jesus teve no deserto, foi um momento de reflexão. Era o momento de tomar uma decisão. Ou Ele ficaria com os reinos do mundo e seria realmente um grande reino, porém, este não era seu objetivo, tanto é que Ele, mais tarde, declara: “Meu reino não é deste mundo” (João 18:36).

Em outra oportunidade, na hora que em Lhe perguntaram se era justo pagar o imposto do imperador, Ele reafirma a separação do que é material do que é espiritual: “Daí, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22:21).

10 Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás (Deut.6:13). Oh! pensamento inferior, vai-te, afasta-te de mim, porque está escrito: Ninguém pode servir a Deus e a Mamom, que era o deus material dos Fenícios.

A partir destas reflexões Jesus sabe que chegou o momento de assumir o seu Reino Espiritual, então Ele sobe para a Galiléia e inicia o seu ministério.

A grande lição que esta passagem nos deixa, é que na luta do cristão pela reforma íntima, o principal campo de batalha é a provação, motivada pelas nossas tendências instintivas construídas nas experiências pretéritas.

Jesus, seja sempre conosco.

[*] Marcos José Ferreira da Cruz Machado.

Fonte: http://www.doutrinaespirita.com.br/?q=node/33

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A Melhor Opção

A MELHOR OPÇÃO [*]

Em uma conhecida passagem do Evangelho, Jesus foi recebido por uma mulher, chamada Marta, em sua casa.

Ela possuía uma irmã, chamada Maria, que se assentou aos pés de Jesus para lhe ouvir as palavras.

Enquanto isso, Marta se desdobrava nas lides domésticas.

Descontente com a situação, pediu que o Mestre dissesse à irmã para ajudá-la.

Este, porém, lhe respondeu que ela se ocupava de muitas coisas, quando apenas uma era necessária.

Afirmou que Maria escolhera a melhor parte, a qual não lhe seria tirada.

* * *

Perante as exigências do mundo, é interessante ter esta lição em mente.

Para não desperdiçar a vida em quimeras, convém ter uma clara noção do que é realmente importante.

Todos os homens são seres espirituais vivendo momentaneamente na carne.

Sua morada natural é no plano espiritual.

As experiências encarnatórias se sucedem ao longo dos milênios, a fim de que o aprendizado ocorra.

À custa de suas experiências e méritos, gradualmente cada Espírito avança em intelecto e em moralidade.

Entretanto, nessa vasta caminhada vários erros são cometidos.

A Lei Divina jamais pode ser burlada e rege o Mundo com base em justiça e em misericórdia.

É imperioso que todo mal feito seja reparado.

Mas a forma como a reparação ocorre depende da disposição do aprendiz da vida.

Mediante o serviço ativo no bem, ele pode anular os efeitos do mal que semeou no pretérito.

Mas, se não amar e servir o suficiente, pode apenas colher os efeitos do infortúnio.

Trata-se de uma escolha pessoal e intransferível.

Equívocos do pretérito muitas vezes se resolvem na feição de dolorosas enfermidades.

Ao renascer, o Espírito traz em si as matrizes de doenças que lhe possibilitarão o necessário resgate.

Contudo, essas doenças podem ou não eclodir.

Mesmo quando eclodem, sua gravidade ou mesmo sua cura depende da vida que a pessoa escolheu levar.

Se ela optou por viver de modo digno e bondoso, talvez a doença programada jamais se instaure.

Afinal, o amor a cobrir a multidão de pecados representa uma das facetas da misericórdia Divina.

Assim, reflita sobre a sua vida.

Pense nas oportunidades que se apresentam em seu caminho.

Você está escolhendo a melhor parte?

Ou está cuidando apenas de ser mais rico e importante do que os outros?

Gasta seu tempo em causas nobres, ampara os caídos, educa os ignorantes?

Ou apenas cuida de muito descansar?

Se você fosse um anjo, por suas opções anteriores, não mais viveria na Terra.

Assim, em seu passado certamente há muitos equívocos que clamam por correção.

Procure escolher a melhor parte, pois ela não lhe será tirada.

Amar e servir são uma opção muito melhor do que padecer.

Pense nisso.

[*] Fonte: Momento de Reflexão.

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Nosso Lar

NOSSO LAR

Nosso Lar

Nosso Lar é o nome da Colônia Espiritual que André Luiz nos apresenta neste primeiro livro de sua lavra. Em narrativa vibrante, o autor nos transmite suas observações e descobertas sobre a vida no Mundo Espiritual, atuando com um repórter que registra as suas próprias experiências. Revela-nos um mundo palpitante, pleno de vida e atividades, organizado de forma exemplar, onde Espíritos procedentes da Terra passam por estágio de recuperação e educação espiritual supervisionado por Espíritos Superiores. Nosso Lar não é o Céu; é mais um hospital, uma escola, uma zona de trânsito. Mas nos permite antever o Mundo Espiritual que nos aguarda, quando abandonarmos o corpo carnal pela morte física. Autor: André Luiz, Espírito; psicografia de Francisco Cândido Xavier; Editora: FEB.

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