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Divaldo Franco e Joanna de Ângellis

Pode parecer um absurdo espiritizar o Centro Espírita e um tanto paradoxal. No entanto, há Centro Espírita que só tem o rótulo mas não tem espiritismo. Vamos por partes, porque é muito delicado.

Fui convidado a proferir uma conferência em um Centro Espírita no sul do país. Normalmente, quando recebo convite, não atendo, porque pode ser entusiasmo da pessoa. No segundo convite eu digo: “para o ano, volte a escrever.” Isso é para ver se a pessoa está mesmo interessada. Para o ano a pessoa volta a escrever e eu digo: “para o ano, na programação, nós vamos agendar.”

E, naquela Casa, fui postergando por um período de seis a oito anos, por falta de tempo, até que o presidente insistiu tanto que fiquei constrangido e dei um jeito.

Disse-lhe, na carta: “mande-me as datas que lhe são ideais e eu escolherei aquela compatível com minha programação.” Estabelecemos a data e por seis meses correspondemo-nos e tudo foi muito bem.

No dia marcado cheguei à cidade e fui a uma bela instituição. Edifício monumental. Uma grande sala. Quando cheguei à porta, fui recebido por uma comissão muito gentil e estabeleceu-se o seguinte diálogo:

— Senhor Divaldo, o Presidente pede desculpas por não ter podido vir receber o Senhor.

Eu disse: “é muito natural, não há problema.”

— Aqui está o Vice-Presidente, o Secretário, o Tesoureiro, e nós desejamos recebê-lo, porque o nosso Presidente está, no prédio vizinho, fazendo cromoterapia.

— “Eu não sabia que ele era cromoterapeuta,” falei. “Ele é profissional, naturalmente?”

— “Não! Ele é espírita”, responderam-me.

— Deixe-me ver: ele é o Presidente do Centro e é o presidente da cromoterapia? Ele me convidou para vir aqui durante oito anos. Marcou a data e foi fazer a cromoterapia!

— É porque a cromoterapia é muito importante. Está salvando milhares de vida.

— Que graça! Eu sempre pensei que o Espiritismo está salvando milhões de vidas.

Será esta a imagem de um Centro Espírita? Em absoluto.

O Centro Espírita não tem que se envolver com nenhuma terapia alternativa. É até um desrespeito, porque o cromoterapeuta é alguém que estudou. Ele tem sua clínica e o Centro Espírita não se pode transformar numa clínica alternativa. É lugar de transformação moral do indivíduo, onde se viaja ao cerne do problema para arrancá-lo. Se transformarmos um Centro Espírita em uma clínica, para lá vão pessoas aturdidas. Qualquer coisa esdrúxula que anunciemos no jornal haverá uma massa incontável que adere por necessidade de pedir socorro.

Mas o Espiritismo não ilude, não mente e nem posterga a ação, porque ele é herança de Jesus. E Jesus, com todo o amor, dizia a verdade. Seja o nosso falar: sim, sim, não, não, conforme Ele o fazia. Não iremos dizer de forma grotesca ou agressiva, mas iremos dizer de uma forma verdadeira. É melhor, às vezes, perder o amigo agora porque não conivimos e o termos depois, do que o apoiarmos e o perdermos em definitivo, quando ele notar a nossa fraude.

Então, Joanna de Ângelis manda ESPIRITIZAR.

Tenho ouvido oradores em casas Espíritas apresentarem temas maravilhosos, mas que não são nada espíritas. Temas que podem narrar no Rotary, na Maçonaria, no Lions, numa reunião social. Na Casa Espírita pode-se abordar qualquer tema, à luz do Espiritismo. Fazer as conotações espíritas.

Se aconteceu uma tragédia na cidade vamos examiná-la, à luz do Espiritismo. Está no momento da clonagem. Vamos falar sobre clonagem, à luz da Doutrina Espírita. Está nos noticiários a corrupção. Vamos falar sobre a corrupção e a terapia Espírita.

Infelizmente não está ocorrendo isso. Convida-se, às vezes, oradores admiráveis, fascinantes, porém, totalmente deslocados. Palestras que se pode ouvir em qualquer lugar.

Na Casa Espírita vão as pessoas atormentadas, buscando consolação, com a alma despedaçada pela morte de seres queridos e, se ouvem uma coisa que nada tem a ver com a proposta da Doutrina Espírita, saem desoladas. Agindo assim, estaremos fraudando a proposta do Espiritismo.

Temos visto congressos espíritas – não é crítica, é análise – em que se aborda Terapia pela dança. É uma maravilha. Mas não num congresso espírita. Vamos fazer isso num congresso de Yoga, que respeitamos muito, ou num congresso de psicoterapia e então coloquemos música, metais, cristais, mas não num congresso espírita.

Ah! É porque nossos irmãos estão doentes, justificam. Nesse caso, falemos das causas das doenças. Das causas anteriores das aflições. Das causas atuais das aflições.

A terapia da dança podemos encontrar em qualquer setor do mundo social, respeitável e nobre. Mas quando vamos à Casa Espírita, esperamos encontrar a proposta espírita.

O Centro Espírita tem que ser o lugar de Doutrina Espírita.

Daí o Centro Espírita tem que ser espiritizado. É a proposta de Joanna de Ângelis.

A segunda vertente de sua proposta é QUALIFICAR.

Vivemos hoje a época da qualidade total. Qualificação é indispensável. Nós, às vezes vamos à Casa Espírita com nossos hábitos ancestrais, o que é natural. Mas o fato de entrarmos na Casa Espírita não muda nossa existência. Levamos a nossa qualificação muitas vezes empírica, singela, e vamos exercer certas funções para as quais não estamos qualificados.

Vemos, por exemplo, um literato, que não entende absolutamente de contabilidade, sendo o tesoureiro do Centro. Vamos ver o indivíduo aplicando a terapia dos passes, mas que, de maneira nenhuma se preparou para isso. Vamos ver no atendimento fraterno uma pessoa que tem muito bom coração, mas não tem o menor tato psicológico.

Temos que qualificar-nos.

O que é qualificar?

É adquirir características essenciais, típicas das finalidades que vamos exercer na vida prática.

Se eu, por exemplo, quero dedicar-me ao atendimento fraterno, devo fazer um curso. Por isso, os Centros Espíritas devem estar vinculados ao chamado movimento organizado, porque as nossas Casas Federativas dispõem de equipes para nos esclarecer, para nos informar, para ministrar cursos.

Quando vemos, por exemplo, a Federação Espírita do Paraná (FEP), oferecer-nos o jornal Mundo Espírita por um preço irrisório, que muitos ainda não pagam, chegar às nossas mãos todo o mês, com pontualidade, trazendo-nos mensagens libertadoras de consciência, comovo-me com esse trabalho.

Se ligarmos o rádio, aí está um programa de orientação espírita, o Momento Espírita, já transmitido por uma cadeia de rádios em várias cidades do País. Seria interessante se cada um dos senhores, nas suas cidades, entrassem em contato com a FEP e, ao invés de fazer programa de rádio sem nenhuma habilidade, sem qualificação, colocassem o programa que é transmitido em Curitiba, que é de excelente qualidade, narrado por pessoa qualificada, desde a voz, uma voz agradável, muito bem empostada. É uma mensagem muito bem trabalhada, apresentando várias conotações para o enriquecimento das pessoas espíritas e não espíritas.

Muitas pessoas confundem qualificação com elitismo. E as pessoas dizem: “está elitizando!”.

Minha mãe era analfabeta e eu dialogava com ela. Qualificamo-la. Ela tornou-se uma excelente bordadeira, uma excelente cozinheira. Conheço tanta gente instruída que não sabe enfiar a linha na agulha e que não sabe pregar um botão.

Daí, meus amigos, qualificar não é elitizar, não é intelectualizar. É equipar de recursos para fazer bem aquilo que gostaria de fazer. Evitar o aventureirismo.

HUMANIZAR – Humanizar é fazer com que nós, de vez em quando, tornemos à nossa simplicidade, ao nosso bom humor, ao nosso lado humano. A vida nos impõe rotinas e, quando menos esperamos, estamos fazendo aquilo rotineiramente, sem emoção. Nós nos transformamos em máquinas.

Visitei uma instituição e uma senhora me disse assim: “Ah! Irmão Divaldo, não aguento mais. Estou cansada de fazer caridade. Eu não aguento mais, é tanto pobre. Eu disse: “minha filha, então deixe”. Ela: “O Senhor está me mandando deixar de fazer a caridade?” Eu disse: “Não, eu estou mandando você descansar, porque a caridade está lhe fazendo mal. Já imaginou a caridade fazer mal a quem a faz? Algo não está funcionando! Ou você está exibindo-se sem o sentido de caridade, me perdoe a franqueza, pois quero lhe ajudar, ou você está saturada. Faça uma pausa”.

Ela: “o que será dos pobres?” Eu: “Minha filha, eles são filhos de Deus. Antes de você chegar Deus já tomava conta. Você está só dando uma mãozinha para você, não para eles, porque, afinal, isso aqui nem é caridade, é paternalismo. Você está mantendo muita gente na miséria, que já podia estar libertada, porque você me disse que já atendeu a avó, a filha e agora está atendendo a neta.

Como é que você conseguiu manter na miséria três gerações? Que a avó e a filha fossem pobres necessitadas, é aceitável, mas a neta já teríamos que libertar da miséria de qualquer jeito. Colocando-a na escola, equipando-a, arranjando-lhe trabalho. Isso não é caridade. Está lá no Evangelho: “Transformai as vossas esmolas em salário”.

Então, repouse um pouco. É uma rotina. Você quer abarcar um número de pessoas que você não pode abraçar. Diminua. Faça com qualidade e procure fazer em profundidade. Faça o bem.

Nós não podemos salvar o mundo e perder a nossa alma. A tese é de Jesus Cristo: “Que vos adianta salvar o mundo e perder-se a si mesmo!” Nós não estamos aqui para salvar o mundo. Estamos aqui para salvar-nos e ajudar o mundo para que cada um nele se salve.

Então, humanizar é neste sentido. É esta proposta de voltarmos a ser gente. Não ficarmos nos considerando muito importantes. O Presidente do Centro, o dono do Centro, o super-médium, a pessoa mais formidável do século. Voltarmos às nossas origens. A simplicidade de coração, a afabilidade, a doçura (textos do Evangelho Segundo o Espiritismo), a cordialidade, o bom trato. Se o doente é insistente, se o pobre é impertinente, nós estamos ali porque queremos. Não foi o pobre que pediu para nós irmos lá. Nós é que nos oferecemos. Então temos a escusa de estarmos cansados, de estarmos irritados. “Eu também tenho problemas”. Então vá resolver seus problemas. Não os traga para a Casa Espírita. E notem que esta tríade está perfeitamente de acordo com o pensamento Kardequiano: trabalho, solidariedade e tolerância.

Qual é o trabalho?

ESPIRITIZAR-SE.

O trabalho de adquirir o conhecimento espírita, de perseverar no estudo. Minha mãe era analfabeta. Eu lia para ela, estudava, comentava. Ela acompanhava. Aprendeu a Doutrina Espírita dentro dos seus limites.

Solidariedade. QUALIFICAR-SE, para servir melhor, para ser mais solidário.

Tolerância: ser mais HUMANO. Quando somos mais humanos, somos tolerantes. E esta tríade não é propriamente de Allan Kardec. Ele a tirou de Pestalozzi, seu professor, que tinha como base educacional três palavras: trabalho, solidariedade e perseverança. Allan Kardec, que foi seu discípulo, tomou a tríade e adaptou-a, substituindo perseverança por tolerância.

Assim, o Centro Espírita é a nossa oficina. Quando nós entramos na Casa Espírita devemos sentir os eflúvios do amor, da fraternidade. Não é o lugar dos conflitos, das picuinhas, das nossas dificuldades, das nossas diferenças, que nós as temos, mas das nossas identidades, das nossas compreensões, do nosso esforço para sermos melhor.

Daí a nova proposta do Centro Espírita: voltar às bases do pensamento de Allan Kardec.

Reviver o trabalho, a solidariedade e a tolerância. Sermos realmente irmãos. Esta é a nossa família ampliada. Se entre aqueles com os quais compartimos ideias, que são perfeitamente consentâneas com as nossas, nós temos dificuldades de relacionamento, como é que iremos nos relacionar com o mundo agressivo, com a sociedade que não nos aceita, com aqueles que nos hostilizam, com aqueles que nos perseguem?

A Trilogia de Joanna de Ângelis: espiritizar, qualificar e humanizar, por Divaldo Pereira Franco. (Texto recebido pelo WhatsApp.)

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Informamos aos nossos leitores que já está circulando a edição especial nº 84 (Novembro/2017) do Jornal Correio Fraterno, o órgão de comunicação da Casa de Caridade Herdeiros de Jesus, de Belo Horizonte/MG.

A aludida edição pode ser lida e/ou baixada pelo link seguinte:

https://docs.wixstatic.com/ugd/94affd_f9528a3aae9b4616a402aeb69841f113.pdf.

Uma ótima leitura!

José Márcio

Informamos aos nossos leitores que já está circulando a edição nº 309 (Novembro/2017) do Jornal Evangelho e Ação, o órgão de comunicação da Fraternidade Espírita Irmão Glacus, de Belo Horizonte/MG.

A aludida edição pode ser lida e/ou baixada pelo link seguinte:

http://feig.org.br/images/images/JEA/JEA_2017_11/2017_11_JEA.pdf.

Uma ótima leitura!

José Márcio

Foto 1 – Público Presente (na segunda fila os companheiros Itamar Morato, da AME-BH, e Leandro Paulino, da SMAAS/PBH)

25 de outubro de 2017: a Casa de Caridade Herdeiros de Jesus (CCHJ) celebrou, com um Culto do Evangelho de Jesus, os seus 60 anos de fundação.

Foi uma noite memorável, de muita luz e harmonia, onde o número de presentes superlotou as dependências da casa.

A assistência dos Espíritos desencarnados foi maravilhosa, com o comparecimento de nossos mentores, fundadores, ex-presidentes e ex-diretores, que, agora trabalhando do outro lado da vida, continuam demonstrando enorme carinho para com a nossa Casa Espírita, materializada em 25 de outubro de 1957.

O evento, que contou com as presenças do confrade Itamar Morato César (Presidente da Aliança Municipal Espírita de Belo Horizonte, AME-BH) e de Leandro Sifuentes Paulino (Gerente Administrativo da Secretaria Municipal Adjunta de Assistência Social da Prefeitura de Belo Horizonte, GERAD-AS/SMAAS/PBH), teve início com os belos hinos entoados pelos presentes.

Em seguida, o Diretor Financeiro Breno Henrique Leite Cota proferiu a prece de abertura em nome de todos e logo após o Presidente José Márcio de Almeida, fez um breve relato histórico, desde a fundação até os dias atuais, contando sobre os 60 anos de existência, desejando a todos os encarnados e desencarnados novos 60 anos, ocasião em que apresentou o vídeo do projeto arquitetônico de reforma do prédio sede.

O Diretor Doutrinário Thamer Maurício Ferreira Leite trouxe fotos de vários eventos ocorridos nos Lares Esperança e no Grupo Espírita Francisca de Paula de Jesus.

Foto 2 – Público Presente (à frente, de pé, o Diretor Thamer Leite [esq.] e o ex-Presidente Renildo Brier [dir.])

Logo após, o ex-Presidente Renildo Brier Leite, com a participação de vários dos presentes, conduziu a análise de O Consolador Prometido por Jesus, tendo por base o Evangelho do Mestre e  os  Princípios Fundamentais da  Doutrina  Espírita.

Finalizando o evento, todos, em uníssono, cantaram, com grande alegria, o hino a Francisco de Assis e a prece final, proferida pela Diretora de Patrimônio e Obras Débora Veridiana Brier Leite, foi o belíssimo Poema da Gratidão (Amélia Rodrigues; Divaldo Pereira Franco).

Após, no saguão de entrada, sob aplausos, os “Parabéns!” foram cantados e o bolo especial de aniversário partido com a confraternização de todos.

Que venham os próximos 60 anos!

Jesus conosco!

José Márcio

Paulo de Tarso

A cidade de Corinto estava localizada na Grécia meridional, na Província de Acaia, a cerca de 70 km a oeste de Atenas. À época de Paulo era um grande e importante centro comercial.

Como a maioria das cidades gregas de então, Corinto era uma acrópole, ou seja, uma “cidade alta”, elevada a 600 metros. Nela havia um templo dedicado a Afrodite, a deusa grega do amor.

A igreja em Corinto foi fundada por Paulo quando de sua segunda viagem missionária (At 18:1ss). Paulo iniciou o seu ministério na sinagoga local, auxiliado por dois cristãos judeus: Priscila e Áquila. Algum tempo depois, juntaram-se a eles, Silas e Timóteo.

Os estudiosos dos textos Paulinos aceitam a tese de que esta carta tenha sido escrita na primeira metade do ano 55 d.C., em Éfeso (16:8-9,19), durante a terceira viagem missionária de Paulo.

A igreja em Corinto era extremamente faccionária. Quatro grupos distintos se formaram: o primeiro, leal a Apolo, um talentoso orador que por lá passou; o segundo, declarava lealdade a Pedro; o terceiro, declarava lealdade exclusiva ao Cristo; e o quarto, leal a Paulo. (Ver 1:10-13; 3:1-9).

A maior dificuldade da igreja em Corinto era, no entanto, o apego de seus fiéis à matéria e às práticas mundanas que os circundava. A maioria não conseguia se afastar de sua conduta anterior, egoística, imoral e pagã. Foi preciso, portanto, que Paulo, ciente dos acontecimentos, escrevesse a esta comunidade para ordenar aos cristãos que se corrigissem e se mantivessem fiéis aos princípios evangélicos por ele apresentados.

Por essa razão, esta carta é também chamada de “a carta rigorosa” (2Co 2:4).

Seus principais personagens são, o próprio Paulo (1:1—16:24), Timóteo (4:17; 16;10-11) e os membros da casa de Cloe (1:11).

Não obstante o tema central ser a repreenda do comportamento e não da doutrina, Paulo transmite ensinamentos importantes sobre as doutrinas do “pecado” e da justiça. Os “pecados” sexuais, incluindo o divórcio, estão, para Paulo, relacionados à direta inobservância “ao plano de Deus para o casamento e a família”. Paulo irá tratar do papel “sagrado” da mulher, do casamento (e do divórcio) e dos dons do Espírito Santo (mediunidade), para a manutenção da unidade da igreja num só corpo. Paulo irá também discorrer sobre a teologia do amor e sobre a doutrina da reencarnação (ressurreição).

Além destes temas, Paulo também irá tratar, ainda que de forma breve, do “julgamento divino dos cristãos” (3:13-15).

As principais doutrinas presentes nesta carta são: o do “pecado” sexual (6:13,18; 7:1-40), o caráter “santo de Deus” (3:17), dos dons espirituais (mediunidade) (12:1—14:40), a teologia do amor (13:1-13) e da ressurreição de Jesus (15:4,12-28).

Para Paulo, nesta primeira carta aos Coríntios, Deus é: fiel (1:9; 10-13), glorioso (11:7), santo (6:9-10), poderoso (1:18,24; 2:5; 3:6-8; 6:14), único (8:4,6) e sábio (1:24;2:7).

Pode-se afirmar que a esta carta de Paulo aos Coríntios ajudou os cristãos a amadurecerem seu entendimento de (e em) Cristo e se corrigirem (em comportamento). Nela, Paulo ainda enfatizou a realidade da morte e da ressurreição de Jesus e a necessidade, para os cristãos, de buscarem a santidade na vida cotidiana.

Destacamos duas passagens, emblemáticas desta carta: a primeira, sobre os dons espirituais (mediunidade); a segunda, sobre a teologia do amor.

Sobre os dons espirituais (mediunidade): “Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes. Vós bem sabeis que éreis gentios, levados aos ídolos mudos, conforme éreis guiados. Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo. Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil. Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer. Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito. Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo? E se a orelha disser: Porque não sou olho não sou do corpo; não será por isso do corpo? Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato? Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Assim, pois, há muitos membros, mas um corpo. E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós. Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários; E os que reputamos serem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; e aos que em nós são menos decorosos damos muito mais honra. Porque os que em nós são mais nobres não têm necessidade disso, mas Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela; Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele. Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular. E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Porventura são todos apóstolos? são todos profetas? são todos doutores? são todos operadores de milagres? Têm todos o dom de curar? falam todos diversas línguas? interpretam todos? Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente” (12:1-31).

Sobre a teologia do amor: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor” (13:1-13).

A primeira carta aos Coríntios pode ser dividida em oito partes: a primeira, a introdução (o chamado aos benefícios da santidade) (1:1-9); a segunda, as divisões na igreja (1:10-4:21); a terceira, a imoralidade na igreja (5:1—6:20); a quarta, o casamento na igreja (7:1-40); a quinta, a liberdade na igreja (8:1—11:1); a sexta, a  adoração na igreja (11:2—14:40); a sétima, a esperança da igreja (ressurreição do Cristo) (15:1-58); e, oitava, uma incumbência à igreja (16:1-24).

Entendendo a estrutura do Novo Testamento: a primeira carta de Paulo aos Coríntios, por José Márcio de Almeida. Fonte: Jornal Correio Fraterno nº 81, Agosto/2017, p. 6.

Paulo ensina-nos, em 1Coríntios 14: 32, que há dois tipos de profetas, pois os espíritos dos profetas (desencarnados) estão sujeitos aos profetas (encarnados). É que se o médium não der passividade (permissão) para o espírito manifestar-se, não acontece a comunicação do espírito que profetiza. E como João nos ensina em 1João 4: 1, é necessário que examinemos os espíritos para sabermos se são bons ou maus, a fim de que não venhamos acreditar em falsos espíritos profetas (desencarnados). Ademais, os espíritos impuros (ainda não purificados) fazem questão de enganar as pessoas que consultem espíritos, como o faziam os necromantes, com objetivos materiais, o que não é o verdadeiro espiritismo.

O trabalho de Kardec foi muito importante, pois ele codificou (organizou cientificamente) os fenômenos espíritas, criando a “espiritologia”. O espiritismo não é, pois, necromancia no seu sentido pejorativo, já que é prática de receber os espíritos que querem manifestar-se espontaneamente.

Ao dom da mediunidade Paulo chamou de dom espiritual do espírito santo da pessoa e não do Espírito Santo dogmático da Terceira Pessoa Trinitária, que respeitamos. Recomendamos ver esse assunto na Bíblia no seu texto e não no cabeçalho acima do texto, onde se lê erradamente “dons do Espírito Santo”, cabeçalho este que não faz parte do texto e que foi colocado pelos teólogos como se se tratasse de dons do Espírito Santo dogmático.

O espírito que se manifesta não é, pois, o Espírito Santo dogmático, mas um espírito santo humano. “Não sabeis vós que vós sois santuário do Espírito Santo?”, no grego: “de um espírito santo”? (1 Coríntios 6: 19).

A maioria dos cristãos crê que se manifesta o Espírito Santo dogmático. Mas como já vimos, em outras matérias, é um espírito santo ou bom. Inclusive, são Jerônimo, na “Vulgata Latina”, no princípio do século V, não diz “o Espírito Santo”, mas “um espírito bom” (“spiritus bonus”). Mas muitos cristãos ainda pensam que todos os espíritos que se manifestam são maus, chamando-os de demoníacos. E aqui perguntamos a eles por que Deus permitiria que somente espíritos maus se manifestassem prejudicando-nos, enquanto que os bons que podem nos ajudar a evoluirmos, espiritualmente, não podem manifestar-se? Não seria esse Deus deles falso e mancomunado com os espíritos ainda impuros?

São Pedro, no início de seus trabalhos apostólicos, achava que o Espírito Santo (um espírito santo ou alma boa) só se manifestava através dos já cristãos, isto é, já batizados. Mas na casa do centurião Cornélio, de Cesareia, Pedro percebeu que estava enganado e disse que Deus não faz acepção de pessoas (Atos 10:34), podendo, pois, as pessoas não cristãs receberem também espíritos santos. E para Cornélio, que não era cristão, manifestou-se um homem (um espírito humano) com vestes resplandecentes (Atos 10: 30). E o próprio Jesus e os três apóstolos médiuns especiais Pedro, João e Tiago receberam, na transfiguração, os espíritos de Moisés e Elias que tinham vivido, já havia muitos séculos, aqui n terra. Também Jesus e os apóstolos impunham as mãos sobre as pessoas dando-lhes passes. E mais, o espírito santo de Jesus manifestou-se aos apóstolos e discípulos e até se materializou para eles.

Ora, se Jesus e os apóstolos recebiam espíritos e davam passes, e se até o espírito santo de Jesus manifesta-se, é com muita honra e glória que nós espíritas fazemos o que eles nos ensinaram!

Espírita com honra, pois Jesus e os apóstolos também o eram, por José Reis Chaves.

Fonte: http://www.otempo.com.br.