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Não é um livro Espírita ou sobre Espiritismo.

Entretanto, Criação do Ocidente: A Religião e a Civilização Medieval, de Christopher Dawson (1889–1970), trata de dois temas, no mínimo palpitantes: a origem da Europa e as raízes religiosas da cultura ocidental.

Neste livro, o autor, um renomado e respeitado historiador Galês, ex-professor, dentre outras respeitadas universidades, da Universidade de Harvard, conta-nos a história da cristandade medieval desde as impressionantes viagens de monges irlandeses no século VI até a grande síntese de Tomás de Aquino no XIII, mostrando como os movimentos espirituais cresceram de origens diminutas e transformaram a face da Europa medieval de um século para o outro e como esses séculos provocaram profundas mudanças internas na “alma” do Ocidente.

Criação do Ocidente cobre o período que vai da queda do Império Romano do Ocidente até o fim da Idade Média. Mostra que, em vez de fatores seculares e econômicos, foi a religião que permitiu a um pequeno grupo de povos da Europa Ocidental adquirir poder para transformar o mundo e emancipar a humanidade de uma dependência imemorial da natureza, levando-a a inevitáveis estágios crescentes de progresso.

Uma “viagem” agradável e envolvente.

Criação do Ocidente (296 páginas) é uma publicação da É Realizações e traz uma apresentação à edição brasileira, redigida pelo também historiador Maurício G. Righi, muito lúcida e envolvente: “[…] convido o leitor a desfrutar dessa viagem de mil anos, percorrendo diferentes paisagens e personagens; um mundo distante, porém presente.”

Para os Espíritas que sabem haver experienciado uma vida por entre as paredes dos antigos monastérios da Europa Medieval, o livro é uma grande e maravilhosa experiência de déjà vu.

Fica aqui a nossa sugestão de leitura.

José Márcio

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Antiga sede da União Espírita Mineira (clique na imagem para ampliá-la)

A história da União Espírita Mineira é simples, mas sempre contou com a participação de notáveis companheiros que honraram a sua memória.

Em 1902, o Dr. Teixeira de Magalhães, cheio de fervor e desejo de disseminar a luz, resolveu fazer algumas sessões em sua residência, localizada na Avenida Carandaí, em Belo Horizonte. Faziam parte desse grupo: Dr. Antônio Teixeira Duarte, Modesto Lacerda, Dª. Felicíssima Teixeira, o médium Manuel Felipe Santiago e o mais antigo dos espíritas da região, Joaquim Menezes.

No dia 03 de abril de 1903, desencarna o Dr. Teixeira de Magalhães e, assim, as reuniões particulares são suspensas. Mas, o abnegado Joaquim Menezes – juntamente com o mesmo grupo e acrescido de novos e entusiasmados integrantes, entre os quais se destacava Antônio Lima – lembrou-se de fundar uma associação espírita, a primeira da Capital Mineira, com o título de União Espírita de Belo Horizonte.

Essa associação teve sua fundação em 01 de outubro de 1904, e seus estatutos foram assinados pelo seu idealizador. Compunham o corpo diretivo os senhores: Arthur Quites (Presidente), Turiano Pereira (Vice-Presidente), Manoel Bento Alves (Secretário), Oscar Pereira (Tesoureiro) e Antônio Gomes da Silva (Procurador).

Em 24 de junho de 1908, os espíritas (que comporiam a primeira Diretoria da UEM e residentes em Belo Horizonte e suas imediações) reunidos, ao meio dia, na casa de Modestino Elisano D’Arnide, na Rua dos Caetés, esquina de Avenida São Francisco (atual Av. Olegário Maciel), decidem fundar uma sociedade para propaganda ostensiva e estudo teórico e prático da Doutrina Espírita, sob a denominação de Federação Espírita Mineira, à qual poderiam filiar-se todos os agrupamentos existentes no Estado.

Na ocasião, os delegados das agremiações espíritas reunidos ali, resolvem, ainda, adotar o programa Bases da Organização Espírita, aprovado em 01 de outubro de 1904 pela Federação Espírita Brasileira (FEB).

De Federação a União

Com a fundação, a Federação Espírita Mineira encampou a União Espírita de Belo Horizonte em 09 de julho de 1908, e mudou de nome para União Espírita Mineira (UEM). Consta ainda que, segundo as atas das reuniões, em 05 de julho de 1908, 24 confrades reuniram-se na casa da Rua dos Caetés, sob a presidência de Antônio Lima, além de outros 26 irmãos, resultando a fundação da Federação Espírita Mineira. Embora as atas tenham outras datas, a deliberação para a fundação da entidade foi a 24 de junho de 1908, e é tida como a data oficial de sua criação.

Na mesma data, foram criados o jornal “O Espírita Mineiro” – que teve o primeiro número publicado em 01 de agosto de 1908 e que, inicialmente, circulou com tiragens mensais – e a Livraria Espírita para a venda de livros e folhetos – em especial, os editados pela FEB – que auxiliariam na propagação e difusão doutrinária.

Na Assembleia-Geral da recém-criada União Espírita Mineira, realizada em 05 de julho de 1908, os fundadores aprovaram o estatuto, inspirado no da FEB, e elegeram a primeira Diretoria, assim composta:  Antônio Lima (Presidente), Modestino D’Arnide (Vice-Presidente), Sidney Augusto Bicalho (1º Secretário), Aly Barbosa (2º Secretário), Joaquim Menezes (Procurador) e Alexandre Pereira Neto (Bibliotecário).

Sedes

A União Espírita Mineira funcionou em dois imóveis até fixar-se em sede definitiva. No início, instalou-se na casa de Modestino D’Arnide (Rua dos Caetés); depois, na Associação “Federação do Trabalho” (Rua Tupis). De lá, mudou-se em definitivo para a sede própria, na Rua Curitiba, 626 (numeração antiga).

Além dos integrantes da primeira Diretoria, são considerados fundadores da UEM: Raul Hanriot, Caetano Nece, Messias Antônio Caetano, Domingos Mecelli, Dr. Abílio Machado, Oswaldo Mucelli, Álvaro de Oliveira Quites, José Gonçalves de Mello e Gustavo de Mello, entre outros, totalizando 128 pessoas.

Presidentes

Presidiram os destinos da União Espírita Mineira desde a sua fundação até os dias atuais:

1908 – 1913: Antônio Lima

1913 – 1914: Raul Hanriot

1914 – 1915: Silvestre Moreira

1915 – 1917: Raul Hanriot

1917 – 1921: Antônio Augusto de Souza Paraíso

1921 – 1922: João Gomes

1922 – 1924: Joaquim José Borges

1924 – 1925: Abílio Machado

1925 – 1927: João Gomes

1927 – 1928: Austem Drumond

1928 – 1929: Ernesto Senra

1929 – 1934: Antônio Augusto de Souza Paraíso

1934 – 1935: José Rodrigues Sette Câmara

1935 – 1936: Rodrigo Agnelo Antunes

1936 – 1937: Cícero Pereira

1937 – 1945: Rodrigo Agnelo Antunes

1945 – 1955: Camilo Rodrigues Chaves

1955 – 1962: Bady Elias Curi

1962 – 1995: Maria Philomena Aluotto Berutto

1996 – 2002: Pedro Valente da Cunha

2003 – 2007: Honório Onofre de Abreu

2007 – 2012: Marival Veloso de Matos

2013: Henrique Kemper Borges Junior

Abrigo Jesus

Em 1938, na presidência de Rodrigo Agnelo Antunes, fundou-se o Abrigo Jesus, que foi inaugurado em 1947 e mantém suas atividades até hoje.

O Precursor

Idealizado por diversos companheiros, educadores eméritos e entusiastas pela causa da educação, foi fundado o Colégio O Precursor, oficialmente, em 16 de outubro de 1954, na gestão do Dr. Camilo Rodrigues Chaves. O objetivo era suprir a ausência de conhecimentos existentes entre crianças e jovens, possibilitando-lhes, também, um conhecimento diferenciado, ou seja, em bases cristãs à luz da Doutrina Espírita.

O estabelecimento de ensino manteve-se por muitos anos, oportunizando a centenas de crianças e jovens uma educação de qualidade, oferecendo bolsas escolares com descontos para que todos tivessem a chance de se educar, melhorando, desta forma, sua condição moral e social.

Posteriormente, por motivo outros, o educandário interrompeu suas atividades escolares, mas ficou o exemplo de uma escola que realmente cumpriu seu objetivo: educar com amor e por amor.

Já a Mocidade Espírita O Precursor foi fundada em fevereiro de 1949, e é um dos grupos juvenis espíritas mais antigos de Belo Horizonte e Minas Gerais. Está estruturado, igualmente, à evangelização da criança, em bases coerentes com Jesus e Allan Kardec para a instrumentalização evangélica do jovem espírita. Assim, este se sente mais confiante, acolhido e instruído para estabelecer laços de fraternidade e servir à sociedade.

Pacto Áureo e Unificação

Em 1948, a União Espírita Mineira participa do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita; e, em 1949, do II Congresso Pan-Americano, no Rio de Janeiro. Neste mesmo ano, à margem do Pan-Americano, realizou-se o Pacto Áureo, em 05 de outubro de 1949, com participação de todas as federativas espíritas do Brasil.

Com a instituição do Pacto e do esquema federativo pelo qual se rege o Movimento de Unificação do Espiritismo, é criado o Conselho Federativo Nacional (CFN), órgão unificador da Federação Espírita Brasileira, e constituído das entidades federativas estaduais.

Em Minas Gerais, foram realizados quatro Congressos Espíritas: em 1944, 1952, 1958 e 2008. No congresso de 1958, participantes do Movimento Espírita do nosso estado aprovaram o esquema unificacionista para Minas Gerais, seguindo os moldes traçados no Pacto Áureo a nível nacional.

Assim, em cumprimento à resolução do III Congresso Espírita Mineiro, é instalado o Conselho Federativo Espírita de Minas Gerais (COFEMG), órgão unificador da UEM, em 1964. Desde então, o COFEMG reúne-se anualmente em Belo Horizonte para tratar de assuntos relevantes ao Movimento Espírita mineiro.

Essa dinâmica tem muito contribuído para um melhor atendimento às regiões de Minas, pois aumenta os contatos e fortalece o Movimento Espírita, produzindo uma Unificação qualificada e estruturada no entendimento fraterno, fruto das visitas, troca de experiências, elaboração de cursos e reciclagem de atividades.

O COFEMG é formado por 25 regiões espíritas, os Conselhos Regionais Espíritas (CREs), que representam as várias regiões mineiras e o Movimento Espírita presente em cada uma. Saiba mais na página do COFEMG no site da UEM.

Áreas

Para auxiliar, instruir e orientar o Movimento Espírita quanto à execução das atividades pertinentes à Doutrina, a União Espírita Mineira e o COFEMG criaram áreas de trabalho nas diversas frentes que constituem a lide na seara do Evangelho. A saber: Área de Atendimento Espiritual (AAE); Área de Comunicação Social Espírita (ACSE); Área de Esperanto (AESP); Área de Estudo do Evangelho de Jesus (AEEJ); Área de Estudo do Espiritismo (AEE); Área de Infância e Juventude (AIJ); Área de Orientação Mediúnica (AOM); Área de Promoção Social Espírita (APSE), e Secretaria Executiva.

Em 2002, a União Espírita Mineira transfere as atividades do COFEMG – antes desenvolvidas na Sede História, na Rua dos Guaranis – para o prédio da Avenida Olegário Maciel, região centro-sul de BH, tendo em vista a especificidade que a tarefa de Coordenação do Movimento Espírita em Minas Gerais necessita para se fortalecer.

Assim, foi instituída a Sede Federativa, além da Sede Histórica – onde, há mais de 70 anos, são desenvolvidos os trabalhos de assistência aos necessitados, promoção do estudo e Evangelho. Além da Livraria Espírita Mineira, que dispõe de centenas de títulos (entre livros, CDs e DVDs) com o intuito de propagar e disseminar a Doutrina dos Espíritos sob as bases de Jesus.

Fonte: https://www.uemmg.org.br/noticias/uniao-espirita-mineira-completa-110-anos-de-fundacao-em-junho.

  • Pena de morte: enganosa solução

07/06/2018, quinta-feira, 20h

Fraternidade Espírita Irmão Glacus

Rua Henrique Gorceix, 30, Padre Eustáquio, Belo Horizonte/MG

  • A Genealogia de Jesus e a casa mental

09/06/2018, sábado, 19h

Grupo da Fraternidade Espírita Irmã Fabíola

Rua Dr. Assis Martins, 230, Frimisa, Santa Luzia/MG

  • Os Três reinos

16/06/2018, sábado, 10h30

Centro Espírita André Luiz (Grupo Scheilla)

Rua Rio Pardo, 120, Santa Efigênia, Belo Horizonte/MG

  • A Parábola do tesouro escondido

20/06/2018, quarta-feira, 20h

Grupo Espírita Esperança

Rua Maria Luíza Novais, 73, Camelos, Santa Luzia/MG

  • Pecado e punição

21/06/2018, quinta-feira, 20h

Casa de Caridade Herdeiros de Jesus

Rua Sete Lagoas, 274, Bonfim, Belo Horizonte/MG

  • Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará

23/06/2018, sábado, 19h30

Grupo Espírita Zenóbio de Miranda

Rua João Blazutti, 222, Estação, Carandaí/MG

  • O Encontro de Zaqueu com Jesus

26/06/2018, terça-feira, 20h

Fraternidade Espírita Lázaro

Rua Urutu, 130, Fernão Dias, Belo Horizonte/MG

  • Educação

27/06/2018, quarta-feira, 20h

Casa de Caridade Herdeiros de Jesus

Rua Sete Lagoas, 274, Bonfim, Belo Horizonte/MG

Informamos aos leitores do Divulgando a Doutrina Espírita que já está circulando a edição de maio/2018 da revista O Fóton.

Abaixo, reproduzimos a mensagem do editor, o confrade Elton Rodrigues.

“Sejam todos bem-vindos a mais uma edição de O Fóton!

“Neste mês de maio, Rodrigo Mathias, na coluna Estudo Espírita, faz um interessante resgate histórico sobre o papel dos Estados Unidos no início daquilo que se tornaria o espiritismo com o artigo América: a porta de entrada para a invasão organizada, aludindo à fala de Conan Doyle.

“Na coluna Relembrando, com o título A vidente de Prevorst: um caso mediúnico pré-Kardec, Carolina Machado escreve sobre a magnífica história da médium Frederica Hauffe, jovem alemã que anteviu o mundo dos espíritos, o perispírito e diversos fenômenos psíquicos muitas décadas antes da publicação de O Livro dos Espíritos. Infelizmente, esse, como muitos outros casos pré-Kardec, ainda são quase desconhecidos do movimento espírita brasileiro.

“José Márcio, colunista da Evangelho e Ciência, abre os nossos olhos para interpretações nunca antes alcançadas de algumas passagens evangélicas no artigo O conhecimento científico e as asas da evolução. Qual a relação entre a “face direita” e os hemisférios do cérebro?

“Em nossa capa, Matthieu Tubino, autor dos livros Um Fluido Vital Chamado Ectoplasma e Saúde e Ectoplasma, inicia seu artigo Algumas palavras sobre o ectoplasma da seguinte forma: “Sempre que se tenta definir, ou descrever, alguma coisa, há o risco de cometer equívocos que podem causar distorções no entendimento de outrem. Em alguns casos o mal-entendido pode levar à compreensão muito equivocada. Para dar uma ideia da dificuldade de elaborar uma definição vamos admitir que alguém queira definir o que é a água.”, mostrando todo o cuidado do pesquisador para transmitir, de maneira clara e objetiva, sua sapiência em torno do assunto. Ademais, Matthieu, além de nos trazer informações históricas e científicas sobre o ectoplasma, apresenta-nos exercícios para que consigamos perceber o ectoplasma das pessoas.

“Na Astronomia e Espiritismo, Natália Amarinho realiza uma bela conexão entre os núcleos estelares e nós, espíritos reencarnados, em seu artigo Do pó das estrelas ao homem. A colunista disserta, também, sobre a conexão, muito maior do que pensamento, entre os seres e o universo.

“E, por último, ainda Natália Amarinho, auxiliada pelas companheiras Adriana Alonso e Simone Santos, escreve o artigo Transcomunicação Instrumental, na coluna Animismo e Espiritismo. Adriana e Simone são as fundadoras e pesquisadoras da Transcomunicação Instrumental Seattle. Esta é uma ótima oportunidade para quem quer iniciar um estudo sobre o que seja transcomunicação instrumental.

“Um grande abraço e fiquem com Deus”

A edição de maio/2018 de O Fóton pode ser baixada pelo seguinte link:

https://drive.google.com/file/d/1hCDDNpBng-1GUYIZn-CtJ9WqxUjtPWoH/view?usp=sharing.

Uma ótima leitura a todos!

José Márcio

Chico Xavier

O Que é Psicografia?

Psicografia é uma faculdade que permite a certos médiuns escreverem sob a ação de Espíritos. Quem a possui é chamado de médium psicógrafo ou escrevente.

É a faculdade mediúnica mais suscetível de ser desenvolvida pelo exercício. Além disso, é o meio de comunicação com os Espíritos mais simples, mais cômodo e mais completo.

O fato da mensagem ser escrita permite que façamos um estudo mais cuidadoso, analisando o conteúdo transmitido, o estilo, as ideias contidas no texto escrito.

Além disso, em alguns casos, podemos até identificar o autor pela letra ou assinatura.

Existem 3 tipos de médiuns psicógrafos:

Mecânicos: São raros. Nesse caso, o Espírito atua diretamente sobre a mão do médium, impulsionando-a. Independe da vontade do médium e ele nem toma consciência do que está escrevendo. […] conhecemos dois médiuns psicógrafos mecânicos. Algumas vezes eles escrevem com as duas mãos e de trás para a frente (da direita para a esquerda), sem nenhuma consciência do conteúdo das mensagens. Somente após o término da comunicação é que se torna possível saber o que foi escrito. Quando escrevem com as duas mãos, são dois Espíritos que se comunicam simultaneamente – prova inconteste de que os Espíritos atuam diretamente sobre suas mãos, sem passar por sua mente […].

Intuitivos: São muito comuns. O Espírito comunicante atua sobre […] [o perispírito] do médium, identifica-se com […] [ele] e lhe transmite suas ideias. De posse do pensamento o médium se expressa conforme suas condições intelectuais e morais. Nesse caso, o médium funciona como um verdadeiro interprete do Espírito comunicante e toma conhecimento do que o Espírito quer escrever.

Semi-mecânicos: São comuns, também, os Médiuns psicógrafos semi-mecânicos. O Espírito também atua na mão do médium (como no caso dos mecânicos) dando algum impulso, mas o médium não perde o controle da mão e se escreve o faz porque quer. Tem consciência do que escreve na medida que as palavras vão sendo escritas. É um misto de psicografia mecânica e intuitiva.

Considerando que o médium é um interprete do Espírito, este, quando quer escrever, tende a procurar o “interprete” mais apto para expressar seus pensamentos, de sorte a permitir que a mensagem que ele quer passar não sofra alterações.

Ocorre o mesmo entre nós, os encarnados. Se você estivesse na Rússia e quisesse se comunicar com as pessoas de lá e tivesse à disposição, por exemplo, dois interpretes, procuraria aquele mais apto a transmitir sua fala. Se dentre os dois interpretes, você reconhecesse num deles deficiências, isto é, falta de domínio das línguas russa e portuguesa, o descartaria, pois não teria confiança na interpretação e reprodução de sua fala.

Assim acontece com os Espíritos que desejam se comunicar conosco: sempre procuram o médium mais apto a fazê-lo. Somente quando não encontram é que se utilizam daquele que se apresente com boa vontade, embora as limitações próprias.

Quando o médium se encontra apto?

O médium sempre influi na comunicação mediúnica porque intermedeia o pensamento do Espírito comunicante e a sua expressão no plano terreno.

Estabelece-se uma verdadeira corrente mental entre o médium e o Espírito: o Espírito emite seu pensamento e o médium capta e o “traduz” de acordo com suas condições de assimilação (intelectual e moral).

Portanto o médium tem necessidade de se preparar para ser um bom interprete dos Espíritos.

A sua especialização se dá, como em tudo na vida, pelo seu esforço, estudo, exercício, sua dedicação e boa-vontade. O treino (exercício) se faz necessário, mas sempre num grupo espírita bem preparado.

Há que estudar muito para se especializar.

Ter consciência do processo mediúnico: como se dá, o que poderá fazer para ajudar e não trazer obstáculos para a comunicação.

Aprender todas as técnicas da mediunidade: como se concentrar, como estabelecer a ligação com o Espírito comunicante, por exemplo.

Como o uso que faz da sua faculdade depende de suas intenções (moral), somente o médium honesto, humilde, simples, que aplica o que aprende, que emprega sua faculdade para o Bem das pessoas, é que vai poder contar com a simpatia dos Espíritos sérios e bons, que poderão ajudá-lo no exercício de sua faculdade.

[…]

O Que é Psicografia? Por Fernando Rossit. (Publicado com pequenas alterações.)

Fonte: https://www.kardecriopreto.com.br/o-que-e-psicografia/.

Publicamos, aqui no Divulgando a Doutrina Espírita, com vistas a contribuir com a investigação séria sobre o fato, o artigo “Uma Infâmia”, publicado em “Le Spiritisme” na 1ª quinzena de dezembro de 1884, e que trata da denúncia que Henri Sausse fez sobre a adulteração de A Gênese.

Ei-lo:

Uma Infâmia

Perdoem-me, Irmãos e Irmãs de fé, se, a contragosto, deixei-me levar pela indignação que minha alma transborda.

Deveria expulsar do meu coração todo pensamento de raiva e ódio. Há, contudo, circunstâncias em que não se pode conter uma indignação muito justa.

Todos nós sabíamos que havia uma sociedade espírita, fundada para a continuação das obras de Allan Kardec, e nela confiávamos que cuidasse da integridade da herança moral que nos foi deixada pelo mestre. O que ignorávamos é que ao lado dela, talvez até na sua sombra, se organizasse uma outra para a corrupção das obras fundamentais da nossa doutrina, e esta última, não apenas existe, mas pode ainda continuar com sua triste tarefa.

Não tenho certeza se todas as obras de Allan Kardec foram sujas por mãos sacrílegas, mas me dei conta de que havia pelo menos uma, A Gênese, que havia sofrido importantes mutilações.

Chocado com estas três palavras: Revisada, Corrigida e Aumentada, colocadas abaixo da quinta edição, tive a paciência de confrontar, página por página, linha por linha, esta quinta edição com aquela publicada em 1868, que eu comprei logo após seu lançamento. Aqui está o resultado do meu trabalho.

Descobri, comparando os textos da primeira e da quinta edição, que 126 trechos tinham sido modificados, acrescentados ou suprimidos. Desse número, onze (11) foram objetos de uma revisão parcial. Cinquenta (50) foram acrescidos e sessenta e cinco (65) foram suprimidos, e não conto os números dos parágrafos trocados de lugar nem os títulos que foram adicionados.

Todas as partes desse livro sofreram mutilações mais ou menos graves, mas o capítulo XVIII: Os tempos são chegados, é o que foi mais maltratado; as modificações feitas nele o tornam quase irreconhecível.

Agora, digam-me, quem são os culpados?

Qual o motivo dessas manobras?

Mencionarei, na primeira edição de A Gênese, apenas uma das passagens que foram excluídas e basta apontá-las para que vocês mesmos ponham-se a julgar quem deveria lucrar com essa infâmia.

A Gênese, edição de 1868, capitulo XV. Os Milagres do Evangelho, páginas 379 e 380:

“N° 67. No que se tornou o corpo carnal? É um problema cuja solução só pode ser deduzida, até nova ordem, que, senão por hipóteses, faltam elementos suficientes para estabelecer uma convicção. Esta solução, além disso, é de uma importância secundária e não acrescentará nada aos méritos do Cristo, nem aos fatos que comprovam, de uma maneira bem mais peremptória, sua superioridade e sua missão divina.

“Portanto, só pode haver opiniões pessoais sobre o modo como esse desaparecimento ocorreu, que só teriam valor a menos que fossem sancionados por uma lógica rigorosa e pelo controle universal dos Espíritos, e, até o presente, nenhuma das que foram formuladas recebeu a sanção desse duplo controle.

“Se os Espíritos ainda não decidiram a questão pela unanimidade de seus ensinamentos, é que sem dúvidas o momento de resolvê-la ainda não veio, ou que nos faltam os conhecimentos pelos quais poderíamos resolvê-la nós mesmos. Entretanto, se descartarmos a suposição de um sequestro clandestino, poderíamos encontrar, por analogia, uma explicação provável na teoria do duplo fenômeno de transportes e invisibilidade.”

A supressão dessa passagem deixa evidente a quem Allan Kardec foi vendido para que fosse necessário insistir nesse ponto. Todos os espíritas sabem a quem se aplica o segundo parágrafo que eu mesmo enfatizei.

Henri Sausse

P.S. — Para aqueles que gostariam de estar cientes das modificações sofridas por A Gênese, aqui estão os números das páginas onde poderão ser encontradas.

– Passagens modificadas da edição de 1868:

Páginas: 68, 79, 85, 105, 148, 155, 181, 203, 205, 215, 429 (onze).

– Passagens adicionadas na 5ª edição:

Páginas: 10, 16, 17, 48, 52, 73, (75-76), 84, 104, 127, 133, 138, 142, 159, 174, 176, 178, (188-189), 194, 196, (201-202-203-204), 212, (220-221), 223, 234, (240-241), 245, 251, 257, 274, (276-277-278), 284, 286, 301, 310, 311, 312, 313, (314-315-316), 320, (367-368), 376, 394, 399, 424, 433, 436, (448-449-450-451-452-453-454), 455 (cinquenta).

– Passagens suprimidas da edição de 1868:

Páginas: 12, 23, 47, 48, 50, 54, 58, (59- 60), (61- 62), 65, 69, 73, 74, 78, 82, 83, 85, 86, (87-88), 93, 95, 97, 118, (145-146-147), 165, (173-174), 177, 181, 189, 190, 192, 195, 203, 204, 205, 229, 232, 243, (244-245), 247*, 251, 263, (267-268*), 270, 279, (303-304-305), (379-380), (385-386), 389, 392, 393, 403, 411, 412, 433, (435-436), (439-440), (441-442), (444-445-446), (447-448), (451-452-453) (sessenta e cinco).

As supressões das páginas marcadas por um * é característico.

H.S.

Tradução de Rogério Miguez. Fonte:

http://www.autoresespiritasclassicos.com/Autores%20Espiritas%20Classicos%20%20Diversos/Rog%C3%A9rio%20Miguez/Rog%C3%A9rio%20Miguez%20-%20Influencia%C3%A7%C3%B5es%20no%20Espiritismo%20P%C3%B3s-Allan%20Kardec%20%20(3).htm.

A liberdade é filha da fraternidade e da igualdade. Os homens que vivam como irmãos, com direitos iguais, animados do sentimento de benevolência recíproca, praticarão entre si a justiça, não procurarão causar danos uns aos outros e nada, por conseguinte, terão que temer uns dos outros. A liberdade nenhum perigo oferecerá, porque ninguém pensará em abusar dela em prejuízo de seus semelhantes…” – Allan Kardec.

Liberdade, Igualdade, Fraternidade: estas três palavras constituem, por si sós, o programa de toda uma ordem social que realizaria o mais absoluto progresso da Humanidade, se os princípios que elas exprimem pudessem receber integral aplicação. Vejamos quais os obstáculos que, no estado atual da sociedade, se lhes opõem e, ao lado do mal, procuremos o remédio.

A fraternidade, na rigorosa acepção do termo, resume todos os deveres dos homens, uns para com os outros. Significa: devotamento, abnegação, tolerância, benevolência, indulgência. Ë, por excelência, a caridade evangélica e a aplicação da máxima: “Proceder para com os outros, como quereríamos que os outros procedessem para conosco.” O oposto do egoísmo.

A fraternidade diz: “Um por todos e todos por um.” O egoísmo diz: “Cada um por si.” Sendo estas duas qualidades a negação uma da outra, tão impossível é que um egoísta proceda fraternalmente para com os seus semelhantes, quanto a um avarento ser generoso, quanto a um indivíduo de pequena estatura atingir a de um outro alto. Ora, sendo o egoísmo a chaga dominante da sociedade, enquanto ele reinar soberanamente, impossível será o reinado da fraternidade verdadeira. Cada um a quererá em seu proveito; não quererá, porém, praticá-la em proveito dos outros, ou, se o fizer, será depois de se certificar de que não perderá coisa alguma.

Considerada do ponto de vista da sua importância para a realização da felicidade social, a fraternidade está na primeira linha: é a base. Sem ela, não poderiam existir a igualdade, nem a liberdade séria. A igualdade decorre da fraternidade e a liberdade é consequência das duas outras.

Com efeito, suponhamos uma sociedade de homens bastante desinteressados, bastante bons e benévolos para viverem fraternalmente, sem haver entre eles nem privilégios, nem direitos excepcionais, pois de outro modo não haveria fraternidade. Tratar a alguém de irmão é tratá-lo de igual para igual; é querer quem assim o trate, para ele, o que para si próprio quereria. Num povo de irmãos, a igualdade será a consequência de seus sentimentos, da maneira de procederem, e se estabelecerá pela força mesma das coisas. Qual, porém, o inimigo da igualdade? O orgulho, que faz queira o homem ter em toda parte a primazia e o domínio, que vive de privilégios e exceções, poderá suportar a igualdade social, mas não a fundará nunca e na primeira ocasião a desmantelará. Ora, sendo também o orgulho uma das chagas da sociedade, enquanto não for banido, oporá obstáculo à verdadeira igualdade.

A liberdade, dissemo-lo, é filha da fraternidade e da igualdade. Falamos da liberdade legal e não da liberdade natural, que, de direito, é imprescritível para toda criatura humana, desde o selvagem até o civilizado. Os homens que vivam como irmãos, com direitos iguais, animados do sentimento de benevolência recíproca, praticarão entre si a justiça, não procurarão causar danos uns aos outros e nada, por conseguinte, terão que temer uns dos outros. A liberdade nenhum perigo oferecerá, porque ninguém pensará em abusar dela em prejuízo de seus semelhantes. Mas, como poderiam o egoísmo, que tudo quer para si, e o orgulho, que incessantemente quer dominar, dar a mão à liberdade que os destronaria? O egoísmo e o orgulho são, pois, os inimigos da liberdade, como o são da igualdade e da fraternidade.

A liberdade pressupõe confiança mútua. Ora, não pode haver confiança entre pessoas dominadas pelo sentimento exclusivista da personalidade. Não podendo cada uma satisfazer-se a si própria senão à custa de outrem, todas estarão constantemente em guarda umas contra as outras. Sempre receosas de perderem o a que chamam seus direitos, a dominação constitui a condição mesma da existência de todas, pelo que armarão continuamente ciladas à liberdade e a cercearão quanto puderem.

Aqueles três princípios são, pois, conforme acima dissemos, solidários entre si e se prestam mútuo apoio; sem a reunião deles o edifício social não estaria completo. O da fraternidade não pode ser praticado em toda a pureza, com exclusão dos dois outros, porquanto, sem a igualdade e a liberdade, não há verdadeira fraternidade. A liberdade sem a fraternidade é rédea solta a todas as más paixões, que desde então ficam sem freio; com a fraternidade, o homem nenhum mau uso faz da sua liberdade: é a ordem; sem a fraternidade, usa da liberdade para dar curso a todas as suas torpezas: é a anarquia, a licença. Por isso é que as nações mais livres se veem obrigadas a criar restrições à liberdade.

A igualdade, sem a fraternidade, conduz aos mesmos resultados, visto que a igualdade reclama a liberdade; sob o pretexto de igualdade, o pequeno rebaixa o grande, para lhe tomar o lugar, e se torna tirano por sua vez; tudo se reduz a um deslocamento de despotismo.

Seguir-se-á daí que, enquanto os homens não se acharem imbuídos do sentimento de fraternidade, será necessário tê-los em servidão? Dar-se-á sejam inaptas as instituições fundadas sobre os princípios de igualdade e de liberdade? Semelhante opinião fora mais que errônea; seria absurda.

Ninguém espera que uma criança se ache com o seu crescimento completo para lhe ensinar a andar. Quem, ao demais, os tem sob tutela? Serão homens de ideias elevadas e generosas, guiados pelo amor do progresso? Serão homens que se aproveitem da submissão dos seus inferiores para lhes desenvolver o senso moral e elevá-los pouco a pouco à condição de homens livres? Não; são, em sua maioria, homens ciosos do seu poder, a cuja ambição e cupidez outros homens servem de instrumentos mais inteligentes do que animais e que, então, em vez de emancipá-los, os conservam, por todo o tempo que for possível, subjugados e na ignorância.

Mas, esta ordem de coisas muda de si mesma, pelo poder irresistível do progresso. A reação é não raro violenta e tanto mais terrível, enquanto o sentimento da fraternidade, imprudentemente sufocado, não logra interpor o seu poder moderador; a luta se empenha entre os que querem tomar e os que querem reter; daí um conflito que se prolonga às vezes por séculos. Afinal, um equilíbrio fictício se estabelece; há qualquer coisa de melhor. Sente-se, porém, que as bases sociais não estão sólidas; a cada passo o solo treme, por isso que ainda não reinam a liberdade e a igualdade, sob a égide da fraternidade, porque o orgulho e o egoísmo continuam empenhados em fazer se malogrem os esforços dos homens de bem.

Todos vós que sonhais com essa idade de ouro para a Humanidade trabalhai, antes de tudo, na construção da base do edifício, sem pensardes em lhe colocar a cúpula; ponde-lhe nas primeiras fiadas a fraternidade na sua mais pura acepção. Mas, para isso, não basta decretá-la e inscrevê-la numa bandeira; faz-se mister que ela esteja no coração dos homens e não se muda o coração dos homens por meio de ordenações. Do mesmo modo que para fazer que um campo frutifique, é necessário se lhe arranquem os pedrouços e os tocos, aqui também é preciso trabalhar sem descanso por extirpar o vírus do orgulho e do egoísmo, pois que aí se encontra a causa de todo o mal, o obstáculo real ao reinado do bem. Eliminai das leis, das instituições, das religiões, da educação até os últimos vestígios dos tempos de barbárie e de privilégios, bem como todas as causas que alimentam e desenvolvem esses eternos obstáculos ao verdadeiro progresso, os quais, por assim dizer, bebemos com o leite e aspiramos por todos os poros na atmosfera social. Somente então os homens compreenderão os deveres e os benefícios da fraternidade e também se firmarão por si mesmos, sem abalos, nem perigos, os princípios complementares, os da igualdade e da liberdade.

Será possível a destruição do orgulho e do egoísmo? Responderemos alto e terminantemente: SIM. Do contrário, forçoso seria determinar um ponto de parada ao progresso da Humanidade. Que o homem cresce em inteligência, é fato incontestável; terá ele chegado ao ponto culminante, além do qual não possa ir? Quem ousaria sustentar tão absurda tese? Progride ele em moralidade? Para responder a esta questão, basta se comparem as épocas de um mesmo país. Por que teria ele atingido o limite do progresso moral e não o do progresso intelectual? Sua aspiração por uma melhor ordem de coisas é indício da possibilidade de alcançá-la. Aos que são progressistas cabe acelerar esse movimento por meio do estudo e da utilização dos meios mais eficientes.

Por Allan Kardec (Do livro “Obras Póstumas”, 38).