Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Espiritismo em Debate’ Category

Reportagem exibida no telejornal MGTV 1ª Edição de 17 de fevereiro de 2017.

Reportagem exibida no telejornal MGTV 1ª Edição de 17 de fevereiro de 2017.

http://g1.globo.com/minas-gerais/mgtv-1edicao/videos/t/edicoes/v/bloco-da-protecao-incentiva-denuncias-de-crimes-contra-criancas-no-carnaval/5661040/

Para assistir, clique no link acima.

O Abrigo citado na reportagem acima é o Lar Esperança Francisca de Paula de Jesus (Unidade II), mantido pela Casa de Caridade Herdeiros de Jesus.

A Casa de Caridade Herdeiros de Jesus é uma instituição espírita-cristã fundada em 25 de outubro de 1957 e mantenedora de três unidades de acolhimento institucional: os Lares Esperança Francisca de Paula de Jesus I, II e III.

A Casa de Caridade Herdeiros de Jesus está localizada à Rua Sete Lagoas, 274, Bairro Bonfim, Belo Horizonte/MG.

Telefone para contato: (31) 3444-7222 (16 às 22h). www.cchj.org.br.

Anúncios

Read Full Post »

Jean-François Campollion

Jean-François Champollion

A doutrina das vidas sucessivas ou reencarnação explica com lógica e segurança o porquê das dessemelhanças da vida, oferecendo argumentações convincentes e conformes à razão.

A biografia do decifrador dos hieróglifos, Jean-François Champollion, revela-se enigmática, destituída da ótica reencarnacionista, desde que, já antes do seu nascimento, em 23 de dezembro de 1790, fenômenos inusitados aconteceram. Sua genitora, acometida de paralisia e desenganada, foi curada por um curandeiro, o qual vaticinou o nascimento de um varão cuja fama, no futuro, se tornaria manifesta.

Foi dada à luz, realmente, um menino. Contudo, de imediato, chamou a atenção a pele escura, a córnea dos olhos amarela e a face com feição predominantemente oriental, acontecimento excepcional, porquanto nasceu no sudoeste da França, em uma região notadamente de origem ariana.

Desde a idade de 10 anos, era chamado de “O Egípcio”, não somente pelo aspecto físico, semelhante a um oriental, como igualmente por devotar profunda identidade com as coisas do Antigo Egito, até mesmo estudando línguas mortas, em uma época dedicada às armas.

O famoso físico e matemático Fourrier, participando da expedição científica ao Egito, organizada e chefiada pelo imperador Napoleão Bonaparte, trouxe importante coleção, constituída de fragmentos de papiros e inscrições hieroglíficas em pedras. Convidado a expor seus conhecimentos na escola, onde estudava Champollion, o sábio francês foi questionado persistentemente pelo menino, a ponto de Fourrier convidá-lo para conhecer seu importante material.

Foi à casa do cientista e, emocionado, observou as vetustas inscrições. De imediato, perguntou: — “Pode-se ler isso?”.

Devido à negativa do sábio, o garoto afirmou: — “Eu os lerei! Dentro de alguns anos eu os lerei! Quando for grande!”.

Naquele momento exteriorizava-se uma determinação, oriunda dos mais recônditos refolhos do inconsciente. Ele sabia que poderia ter acesso àquelas importantíssimas comunicações. Em verdade, vivera nas antigas terras do Nilo e, intuitivamente, conhecia aqueles sinais, revelando-lhe peculiares. Somente a doutrina da reencarnação explica o fenômeno vivenciado, naquele momento, por um menino, contando apenas 11 anos de idade.

Seis anos após o ocorrido, tendo domínio completo das línguas remotas ligadas ao Egito, como o copta, faz o primeiro mapa histórico das terras do Nilo e esboça um livro a respeito dos antigos egípcios. A partir daí, então, recebe um convite para expor suas audaciosas teses em Grenoble. Por unanimidade, é aclamado pelos cientistas membro da Academia. Em caminho a Paris, na carruagem, diz ao irmão: — “Eu decifrarei os hieróglifos. Eu sei!”.

Naquele momento patenteava-se integralmente a faculdade intuitiva em Champollion. Ele sabia interiormente que tinha domínio sobre a escrita antiga dos egípcios. A explicação é ministrada pela Doutrina Espírita, ensinando-nos que todas as nossas aquisições, conquistadas em vivências anteriores, são gravadas no inconsciente e surgem nas futuras reencarnações.

Sua paixão pelo Egito não tinha limites, conhecia tudo que se relacionasse com essa grande civilização antiga, encontrando, com facilidade, a chave da decifração dos hieróglifos, abrindo as portas do conhecimento daqueles que habitaram as velhas terras áridas do Nilo.

Com 38 anos de idade, tem a feliz oportunidade de pisar naquele solo tão conhecido e ver com os olhos do presente o que já pôde observar em existência passada. Seu aspecto era de um nativo do país, vestindo-se a caráter, com a aparência natural de um árabe, dominando por completo a língua atual e os hieróglifos.

Para os que conhecem a doutrina das vivências anteriores, não é difícil interpretar os fatos aqui relatados. Com facilidade a reencarnação decifra o enigmático Champollion, o qual veio ao mundo com a sublime e dificílima missão de ressuscitar o pensamento da estranha e mística civilização egípcia, permitindo-nos perceber, no presente, o eco das vozes dos antigos habitantes do Nilo, gravadas nos hieróglifos.

Reencarnação explicando Champollion, por Américo Domingos Nunes Filho.

Fonte: http://www.correioespirita.org.br/categoria-de-materias/ciencia-e-espiritismo/414-reencarna%C3%A7%C3%A3o-explicando-champollion.

Nota do Editor: Jean-François Champollion (Figeac, 23 de dezembro de 1790 — Paris, 4 de março de 1832) foi um linguista e egiptólogo francês. Considerado o pai da egiptologia, a ele se deve a decifração dos hieróglifos egípcios. (José Márcio).

Read Full Post »

abrame

A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS MAGISTRADOS ESPÍRITAS – ABRAME, que congrega mais de 700 magistrados de todas as esferas e instâncias do Poder Judiciário brasileiro, por meio de sua diretoria, vem a público emitir a presente NOTA DE REPÚDIO à decisão proferida pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal, no dia 29.11.2016, no Habeas Corpus nº 124.306-RJ, que, em momento de superlativa infelicidade, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência do tipo penal do aborto no caso de interrupção voluntária da gestação no primeiro trimestre. Por oportuno, lançam-se os seguintes esclarecimentos:

1) A vida humana é o bem supremo a ser protegido em qualquer circunstância, consoante o art. caput, da Constituição Federal/1988, que traz como garantia fundamental a inviolabilidade do direito à vida como cláusula pétrea, diferentemente dos textos constitucionais anteriores, que ofereciam garantia apenas aos direitos inerentes à vida e não à própria vida;

2) Os tipos penais previstos nos arts. 124 a 126 do Código Penal Brasileiro se amoldam perfeitamente a essa garantia, à medida que, ao lado dos crimes de homicídio (art. 121), de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio (art. 122), e de infanticídio (art. 123), são a salvaguarda da norma constitucional que garante o direito à vida;

3) O Código Civil Brasileiro estabelece, no art. 2º, que “a personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro”, o que implica a consagração da inafastável e definitiva certeza científica de que a vida humana se inicia desde o momento da concepção, ou seja, da união dos gametas feminino e masculino, sendo, a partir daí, sujeito de direitos, inclusive e principalmente, do direito à vida;

4) O Pacto de  São José da Costa Rica, que regula a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, de 22.11.1969, e do qual o Brasil é signatário, introduzindo-se no nosso ordenamento jurídico por meio do Decreto nº 678, de 06.11.1992, prevê no Artigo 4.1 que “Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. Esse direito deve ser protegido pela lei e, em geral, desde o momento da concepção. Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente”;

5) Todos os demais direitos e garantias constitucionais, tais como aqueles nos quais se baseou a 1ª Turma do STF para fundamentar a mencionada decisão, quais sejam, os direitos sexuais e reprodutivos da mulher; o direito à autonomia da mulher; o direito à integridade física e psíquica da gestante; e o direito à igualdade da mulher, são todos derivados da garantia da inviolabilidade do direito à vida, de modo que, em qualquer interpretação racional e juridicamente válida, deverá sempre prevalecer o direito à vida como bem maior a ser protegido. Sem o direito à vida, não há que se falar em igualdade, liberdade, dignidade, autonomia ou qualquer outra garantia.

6) A decisão em relevo abre gravíssimo precedente na jurisprudência pátria, embora tomada em caso concreto, pois poderá servir de fundamento para outras decisões de igual teor nas instâncias judiciais inferiores, banalizando o sagrado direito à vida de todo ser humano;

7) A exemplo do que ocorreu no julgamento do ADPF nº 54, que descriminalizou o aborto de fetos anencefálicos, sob o equivocado entendimento de que em tais casos não há vida humana, há uma enorme preocupação com o julgamento da Medida Cautelar na ADI nº 5581/DF, pautada no Pleno do STF para o próximo dia 07.12.2016, na qual se discutirá, dentre outras questões, a hipótese de autorização para abortamento de fetos portadores de microcefalia, em decorrência do Zika Virus. Medida dessa natureza, sem qualquer respaldo constitucional ou legal, acarretaria a adoção de práticas típicas do repulsivo aborto eugênico, em que somente os fetos que apresentem quadro de perfeição física e mental poderiam nascer;

8) O chamado ativismo judicial, que pode em alguns casos ser bastante útil, especialmente no preenchimento das lacunas legislativas e na interpretação normativa, não deve ser praticado de modo a afrontar diretamente o texto constitucional, mas, ao contrário, deve servir como mecanismo de efetivação de suas normas;

9) Não se pode, igualmente, ter por fundamento a legislação estrangeira como parâmetro para decidir causas para as quais as normas constitucionais e legais brasileiras dispõem de forma expressa e em sentido diverso;

10) A ABRAME roga aos senhores Ministros do Supremo Tribunal Federal que revisem a posição adotada no julgamento em tela, ante as nefastas e inevitáveis consequências para a sociedade brasileira, que de forma amplamente majoritária se posiciona contra a prática abortiva no nosso país.

Brasília, 02 de dezembro de 2016.

Kéops de Vasconcelos Amaral Vieira Pires

Presidente

Fonte: http://abrame.org.br/?p=384

Read Full Post »

Desde 2011, Maria Lopes procurava o filho desaparecido. Até que recebeu carta psicografada que pedia que buscasse ossada em Maranguape.

Uma carta psicografada reabriu um inquérito policial sobre a morte de um homem no Ceará. O filho da idosa Maria Lopes Farias estava desaparecido havia três anos. Após buscas em hospitais, delegacias e no Instituto Médico Legal (IML), foi o contato com a fé que ajudou a idosa a encontrar uma resposta.

Galdino Alves Bezerra Neto tinha 47 anos quando a mãe o viu pela última vez, em agosto de 2011. Ele morava na casa dela, mas costumava passar alguns dias longe de casa. Em seu último contato com a mãe, Galdino pediu dinheiro para ir a Canindé, cidade à qual costumava visitar.

No retorno, iria para uma vaquejada em Itapebussu, distrito de Maranguape, na Região Metropolitana. Ele nunca voltou. Desde então, a mãe iniciou uma jornada de buscas pelo filho. Foi a partir da relação com a Doutrina Espírita no Lar de Clara, em Caucaia, que Maria Clara recebeu uma carta psicografada do avô paterno do jovem, em outubro de 2014.

“O avô dele escreveu dizendo que eu deixasse de procurar ele em hospital, em IML e fosse em Canindé, mandasse celebrar uma missa, mas antes eu passasse na Lagoa do Juvenal”, conta a idosa, em entrevista ao programa Gente na TV, da TV Jangadeiro/SBT, sobre a carta psicografada que indicava a existência de uma ossada no local.

A carta levou Maria até a cena do crime, em Maranguape. Chegando lá, ela soube que uma ossada havia sido encontrada de fato havia algum tempo.

“Fui direto à delegacia de Maranguape. Cheguei lá e perguntei que queria saber sobre umas ossadas que tinham aparecido. Eles me deram a requisição, eu fui ao IML, fiz o exame e deu positivo”, conta a mãe.

Na delegacia de Maranguape, o caso é investigado pelo inspetor Wellington Pereira, que se surpreendeu com a ajuda inusitada. “Com 32 anos de polícia, é a primeira vez que me deparo com essa colaboração justamente de uma carta psicografada para que a gente pudesse chegar à identificação de uma ossada humana“, ressaltou.

Segundo o inspetor, o inquérito foi reaberto para que se possa identificar o que aconteceu com o jovem. O desaparecimento do rapaz aconteceu em agosto de 2011. A ossada foi localizada em janeiro de 2013, mas não havia nenhuma pista sobre sua identificação.

Somente em outubro de 2014, a carta psicografada para a mãe ajudou a dar norte ao caso. Após os exames de DNA, a polícia pôde iniciar as investigações sobre a morte.

Na última terça-feira (19), Maria Lopes voltou à delegacia de Maranguape para falar sobre as últimas lembranças que tem do filho e como era sua rotina. Apesar de a polícia ainda não saber como se deu o crime, uma segunda carta, enviada pelo próprio filho, pode novamente ajudar no esclarecimento do caso.

“A segunda carta já foi ele mesmo. O avô contou só o básico, porque ele não estava capaz de escrever. Ele disse que não tinha escrito há mais tempo, porque não queria me fazer sofrer”, conta a mãe. Na carta, ele conta que passava de ônibus próximo à Lagoa do Juvenal e foi atraído pelo local. No relato, ele teria sido vítima de latrocínio, roubo seguido de morte, e os criminosos teriam escondido o corpo.

Veja a reportagem do programa Gente na TV, da TV Jangadeiro/SBT:

Read Full Post »

Tema Blog ED

O artigo intitulado Espíritos Sem Espiritismo pode ser encontrado em vários sítios da rede mundial de computadores, bastando, para tal, o acesso às conhecidas ferramentas de busca.

O referido artigo chamou-me sobremaneira a atenção e após a sua leitura e releitura, senti-me no dever de trazer à luz outros argumentos e elementos que possam contribuir com a formação, seja qual lado for, das convicções alheias, sobretudo, dos neófitos em Doutrina Espírita.

Começando pelo fim, direi apenas, contrário ao que sustenta a autora do artigo, que se pergunta “onde o contraditório (…) dentro de uma Doutrina [a Espírita] (…)?!”, que esta, a autora, ao emitir sua opinião e/ou defender a sua tese contestando os argumentos em sentido contrário, está, de forma ampla e irrestrita, exercendo o contraditório, um princípio jurídico que, além de representar a refutação de uma tese por outra no momento processual oportuno, quer significar também, tanto o direito de ação quanto o direito de defesa.

Voltarei a este ponto no final, ao tratar do tema levantado pela autora sobre a casuística ufológica e o princípio da pluralidade dos mundos habitados.

De início parece que a autora irá fazer apologia da preservação da pureza doutrinária espírita. Ledo engano! Cogita a autora, “em futuro muito próximo a necessidade real (…) de uma modalidade emergencial, mas eficaz, de propagação destas Verdades Maiores: os Espíritos sem o dito Espiritismo” (o grifo é nosso). As “Verdades Maiores” são os ensinamentos transmitidos pelos espíritos!…

Notem a forma desrespeitosa com que a autora se refere à Doutrina Espírita: “dito Espiritismo”. Esquece-se – ou não sabe? – que o Espiritismo é uma doutrina filosófica, científica e religiosa? Ou ainda, como disse e a apresentou Emmanuel em O Consolador, psicografia de Francisco Cândido Xavier, um “triângulo de forças espirituais”?

Ignora a autora que a Doutrina Espírita é a terceira revelação das Leis de Deus, apresentada por Kardec no capítulo I, de O Evangelho Segundo o Espiritismo: “O Espiritismo é a nova ciência que vem revelar aos homens, por provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual, e suas relações com o mundo corporal (…)”. Nesse diapasão é o Espírito Fénelon, na mesma obra, quem afirma: “O Espiritismo é de ordem divina, uma vez que repousa sobre as leis da Nartureza, e crede que tudo o que é de ordem divina tem um objetivo grande e útil”.

Logo, não é o “dito Espiritismo”, mas sim a Doutrina Espírita!

A autora generaliza algo que deve ter ocorrido em sua esfera de atuação ao afirmar que “é cada vez mais frequente a quantidade de adeptos e simpatizantes lúcidos do Espiritismo que se queixam (…): a tendência ao dogma! À inflexibilidade e intolerância dentro do próprio meio onde interagem pessoas que a priori, deveriam se preocupar mais, e isto sim, com o direcionamento que eles, os nossos amigos desencarnados e providos de outras dimensões mais avançadas da Vida, nos têm a oferecer e dizer de útil (…)”. Pergunto-me: refere-se ela, ao dizer “inflexibilidade e intolerância dentro do próprio meio”, ao cuidado e zelo com que os dirigentes das Casas Espíritas têm ao exigir do trabalhador da casa, em particular e a título de exemplo, aos que irão militar nas atividades de intercâmbio mediúnico – parece-me que é a isto que ela se refere ao mencionar sobre o que tem os “amigos desencarnados e providos de outras dimensões (…) a nos oferecer e dizer” – que, antes, estudem, conheçam e vivam a Doutrina Espírita? Que, necessariamente, cumpram o roteiro estabelecido pelo ESDE? Ou que estudem a fundo O Livro dos Médiuns e O Livro dos Espíritos? Representa isso um ritual ou um dogma? Reflitamos…

É agindo exatamente assim, sendo cautelosos e disciplinados, preservando a pureza doutrinária, que estes dirigentes se pautam “pela sensatez presente na mensagem maior da Espiritualidade”.

Como se nota, o que está por detrás destas considerações é um ataque à Doutrina Espírita tal e que fora codificada por Allan Kardec. O Benfeitor espiritual Emmanuel, certa feita, asseverou ao médium Francisco Cândido Xavier que se ele, Emmanuel, contradissesse Jesus e Kardec, que, ele, Chico, se afastasse dele, Emmanuel e ficasse com Jesus e Kardec. Ora! O que propõe a autora do artigo?

Para ela, por exclusão, tudo o que oponha “resistências às novidades da hora que passa”, deve ser descartado, inclusive Kardec! Mais adiante ela vai dizer, textualmente, que “o conteúdo destas importantes obras de Kardec não são o fim da linha”. Por óbvio não são o fim da linha, são o início. E, mais: não são só importantes obras as de Kardec, são as obras fundamentais! Tem aí uma enorme e marcante diferença! Meu Deus!…

Fala depois sobre as colônias espirituais. Uma divagação infrutífera e que não leva a nenhuma conclusão nova. Chove no molhado! Fica no lugar comum! Nada acrescenta de novo! Desenvolve um raciocínio simplista e ingênuo!

Mais adiante vem dizer sobre a ufologia. Nada temos contra, ao contrário, a respeitamos, assim como respeitamos todas as demais crenças, filosofias, doutrinas, ciências, etc. Não a atacamos de forma gratuita, aberta ou veladamente!

De onde vêm as “imposições ritualísticas” e as “exigências descabidas”? Se, quanto às exigências se refere ao fato de preparar o trabalhador espírita fornecendo-lhe a base doutrinária – conforme discorremos acima -, concordo: somos exigentes! Agora, quanto às “imposições ritualísticas”, fico por pensar o que venha a ser…

Segundo ela, “assuntos como ufologia são encarados com reserva e olhares de soslaio quando já se acha à disposição de qualquer estudioso mais empenhado material comprobatório farto da casuística ufológica” – aqui volto ao início destas minhas reflexões.

Sobre a “casusítica ufológica”, primeiro: Doutrina Espírita é ciência e não ficção científica; segundo, Casa Espírita é casa de oração, de acolhimento, de promoção do Ser e, sobretudo, algo que, nem de perto a autora menciona, de estudo e vivência do Evangelho de Jesus à luz dos ensinamentos trazidos pelos espíritos. Citemos, mais uma vez o Instrutor Emmanuel: “Jesus a porta. Kardec, a chave” (do livro Opinião Espírita, psicografia de Francisco Cândido Xavier).

Como disse acima, nada tenho contra aqueles que dedicam tempo e energia ao estudo da ufologia. Cada um faz o que mais lhe apraz ou convém. Respeitamos essa posição e ponto final. Contudo, essas filosofias ou ciências, devem guardar o seu próprio espaço às suas reflexões. Não é a Casa Espírita, lugar para discutir sobre ufos, discos voadores e coisas do gênero. Valhamo-nos da tribuna espírita para estudar Kardec e o Evangelho de Jesus.

Quer ser um espiritualista? Tudo bem! Quer ser Espírita? Seja Espírita! Entendemos como Kardec o entendeu, que melhor uma manifestação espiritualista, que materialista.

Presença efetiva dos visitantes espirituais? Claro! Acontece a torto e a direito, afinal estamos numa Casa Espírita. É lá que acontecem as reuniões de intercâmbio mediúnico seguras, sistematizadas, fraternas e evangelizadas.

Sobre contatos imediatos de primeiro grau, convém lembrar a lição trazida pelo espírito André Luiz, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, na obra Obreiros da Vida Eterna, em especial o contido no capítulo 3, O Sublime Visitante: qual foi o concurso magnético necessário para uma entidade verdadeiramente superior se materializar em Nosso Lar? Pergunto-me: como fazem estes viajantes extraterrenos que supostamente nos visitam para tomar os elementos que irão formar o seu envoltório semimaterial (perispírito) e mesmo material (corpo físico)? Recordemo-nos das lições contidas nas questões números 94, 94-a e 135, de O Livro dos Espíritos.

Não estamos refutando o princípio da pluralidade dos mundos habitados, ao contrário, o estamos afirmando. Vide questão 55, de O Livro dos Espíritos. Estamos falando das muitas moradas da Casa do Pai, não de viajantes intergaláticos ou extraterrestres.

Ao final vem dizer que os conceitos, ou os princípios básicos da Doutrina Espírita não são dela, que estes as antecede, como, por exemplo, a reencarnação. Nós nunca nos apropriamos deles como sendo criação da Doutrina Espírita. Aliás, Kardec deixa isso muito claro na introdução de O Livro dos Espíritos e na primeira parte de O Livro dos Médiuns. Convém dar uma lida!

Por derradeiro, adota um discurso espiritualista, entretanto não deixa de dizer que é preciso compreender o seu ponto de vista – dela, a autora – e “com urgência para que se dê fim a todas essas polêmicas contraproducentes”. Mas não é ela, a autora, que apela para o princípio do contraditório? Quer ela dar a sua opinião e não permitir que outros o façam em sentido contrário?

Allan Kardec nos alertou, em O Livro dos Médiuns (capítulo XXII, Da Obsessão) de que “A fascinação tem consequências muito mais graves. É uma ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o pensamento do médium” e que “com efeito, graças a essa ilusão que lhe é decorrência, o Espírito conduz aquele que veio a dominar como faria a um cego, e pode lhe fazer aceitar as mais bizarras doutrinas, as mais falsas teorias como sendo a única expressão da verdade; bem mais, pode excitá-lo a diligências ridículas, comprometedoras e mesmo perigosas”.

Lembremo-nos também da regra de ouro transmitida pelo espírito Erasto em O Livro dos Médiuns (capítulo 20, Influência Moral do Médium): “Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos antigos provérbios. Não admitais, pois, o que não for para vós de evidência inegável. Ao aparecer uma nova opinião, por menos que vos pareça duvidosa, passai-a pelo crivo da razão e da lógica. O que a razão e o bom senso reprovam, rejeitai corajosamente. Mais vale rejeitar dez verdades do que admitir uma única mentira, uma única teoria falsa”.

Não é apenas o “dito espiritismo”. É a Doutrina Espírita, o Consolador Prometido por Jesus, uma doutrina libertadora e de promoção do Ser!

Se ela, a autora, deseja que o Espiritismo passe ou deixe de existir ao afirmar que “Somos todos Espíritos – mas o Espiritismo passará!”, que se dedique a construir a sua filosofia espiritualista ou a sua ciência ufológica e não perca tempo em atacar e tentar desacreditar a Doutrina Espírita, pois se a tese que ela defende é factível o suficiente, prevalecerá e, neste caso, o Espiritismo, caindo no ostracismo, sucumbirá por si só.

O que nós queremos, e precisamos, é de ESPIRITISMO COM ESPÍRITOS!…

Espiritismo com Espíritos, por José Márcio de Almeida.

Read Full Post »

Tema Blog ED

Lê-se, no site O Mensageiro – Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio, na seção Correio Fraterno, a mensagem recebida por via psicofônica em reunião realizada em 14 de maio de 1996, no Núcleo Servos de Maria de Nazaré, em Uberlândia (MG), intitulada Tempos de transição e atribuída, a sua autoria espiritual, ao venerável Espírito Bezerra de Menezes.

A aludida mensagem, que versa sobre o tema da transição planetária, pode ser acessada e lida através do link:

http://www.omensageiro.com.br/mensagens/correiofraterno/m-214.htm.

No que pese a credibilidade indiscutível do órgão que se responsabiliza pela sua veiculação, considerando eu que o Espírito Bezerra de Menezes é um dos que detém maior responsabilidade espiritual em labor na psicosfera brasileira, um Espirito incontestavelmente evoluído e de uma lucidez a toda prova, não encontro bom senso no texto central da mensagem.

Ela, a mensagem, contraria a Doutrina Espirita naquilo que ela tem de mais nobre: a sua capacidade de consolar corações, de trabalhar o bom ânimo, a esperança, e, sobretudo, colocar o homem da atualidade nas rotas seguras da perseverança; em síntese: ser, efetivamente, o “Consolador Prometido”.

Por destoar destas características, entendo que a aludida mensagem não se enquadra psicológica e moralmente com os princípios fundamentais da Doutrina Espírita e, tampouco, com a inteligência a que é atribuída.

O tema da transição planetária perdeu o seu lugar na busca sincera, na pesquisa lúcida e do entendimento consciente, se deslocando para o terreno do sensacionalismo barato, e, inapelavelmente, amedrontador. Pintam um quadro de terror e de grande complexidade, quando, na realidade, se trata de um processo muito simples e já elucidado pelo próprio Cristo que, quando entre nós, asseverou que somente os mansos herdarão a Terra (Mateus, 5: 5).

Também entendo ser de bom tom e apropriado com os “tempos de transição” que vivemos que os médiuns guardassem a necessária humildade e discrição e, agindo com bom senso, deixassem Emmanuel e André Luiz para Francisco Cândido Xavier – estes Espíritos, reconhecidamente de escol, já vieram e deram o seu recado maiúsculo; em nome destes, incluindo o próprio Chico, nada mais precisa ser dito ou acrescido.

Que devessem também deixar Joanna de Angelis, Bezerra de Menezes, Manoel Philomeno de Miranda, para Divaldo Pereira Franco. Devemos, por dever de ofício, preservar estes vultos, resguardar seus trabalhos, estudar e divulgar suas ideias e obras e mantermo-nos centrados em suas orientações.

Todos nós Espíritas, deveríamos assumir o compromisso pessoal e institucional de preservação da memória e das lições destes grandes ícones e não desgastá-los, nem baratear os seus pensamentos. Em não fazendo isso, prestaríamos um desserviço à Doutrina, causando uma enorme confusão àqueles que, ainda neófitos, buscam compreender a mensagem do Consolador.

Esforcemo-nos, portanto, para preservar as memórias e os trabalhos desenvolvidos por estes Espíritos – os acima citados – e por tantos outros mais, como, por exemplo: Yvone do Amaral Pereira, Zilda Gama, Leon Denis, Allan Kardec, José Raul Teixeira…

Se o orgulho e o egoísmo são as duas grandes chagas da humanidade, a humildade e a caridade são as molas que nos impulsionarão pelos processos de transição individual e coletivo.

Pareceu-me ainda oportuno, no caso em exame, para ampliar as nossas reflexões em torno do conteúdo da aludida mensagem, recuperar as lições de Kardec contidas em O Livro dos Médiuns (Cap. XIX, Do Papel dos Médiuns na Comunicação Espírita: Influência do Espírito Pessoal do Médium). Vejamos:

223.2. As comunicações escritas ou verbais também podem emanar do próprio Espírito encamado no médium?

“A alma do médium pode comunicar-se, como a de qualquer outro. Se goza de certo grau de liberdade, recobra suas qualidades de Espírito. Tendes a prova disso nas visitas que vos fazem as almas de pessoas vivas, as quais muitas vezes se comunicam convosco pela escrita, sem que as chameis. Porque, ficai sabendo, entre os Espíritos que evocais, alguns há que estão encarnados na Terra. Eles, então, vos falam como Espíritos e não como homens. Por que não se havia de dar o mesmo com o médium?”

223.3. Como distinguir se o Espírito que responde é o do médium, ou outro?

“Pela natureza das comunicações. Estuda as circunstâncias e a linguagem e distinguirás. No estado de sonambulismo, ou de êxtase, é que, principalmente, o Espírito do médium se manifesta, porque então se encontra mais livre. No estado normal é mais difícil. Aliás, há respostas que se lhe não podem atribuir de modo algum. Por isso é que te digo: estuda e observa.”

NOTA. Quando uma pessoa nos fala, distinguimos facilmente o que vem dela daquilo de que ela é apenas o eco. O mesmo se verifica com os médiuns.

223.7. O Espírito encarnado no médium exerce alguma influência sobre as comunicações que deva transmitir, provindas de outros Espíritos?

“Exerce, porquanto, se estes não lhe são simpáticos, pode ele alterar-lhes as respostas e assimilá-las às suas próprias ideias e a seus pendores; não influencia, porém, os próprios Espíritos, autores das respostas; constitui-se apenas em mau intérprete.”

223.8. Será essa a causa da preferência dos Espíritos por certos médiuns?

“Não há outra. Os Espíritos procuram o intérprete que mais simpatize com eles e que lhes exprima com mais exatidão os pensamentos. Não havendo entre eles simpatia, o Espírito do médium é um antagonista que oferece certa resistência e se toma, um intérprete de má qualidade e muitas vezes infiel. E o que se dá entre vós, quando a opinião de um sábio é transmitida por intermédio de um estonteado, ou de uma pessoa de má-fé.”

Ainda Kardec, mesma obra e capítulo, item 230, transcrevendo a mensagem ditada pelo Espírito Erasto:

Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos antigos provérbios. Não admitais, pois, o que não for para vós de evidência inegável. Ao aparecer uma nova opinião, por menos que vos pareça duvidosa, passai-a pelo crivo da razão e da lógica. O que a razão e o bom senso reprovam, rejeitai corajosamente. Mais vale rejeitar dez verdades do que admitir uma única mentira, uma única teoria falsa. (g. n.)

Para Herculano Pires, esta é uma regra de ouro do Espiritismo e que deve ser constantemente observada nos trabalhos e nos estudos espíritas. Filio-me a esta corrente de pensamento. Convido o leitor a fazer o mesmo!…

“E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” – Jesus (João, 8: 32).

Reflexões em torno da mensagem “Tempos de transição”, por José Márcio de Almeida.

Read Full Post »

Tema Blog ED

Estava eu pesquisando, na rede mundial de computadores (a internet), sobre a obra A Gênese, Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ocasião em que o motor de buscas do Google trouxe à primeira página o link para acesso ao artigo de autoria do já desencarnado ex-professor e ex-teólogo católico Dr. Orlando Fedeli intitulado Allan Kardec, um racista brutal e grosseiro.

O título chamou-me a atenção. Cliquei no link e me pus a ler. Fiquei absurdamente mal impressionado e perplexo com a forma e o estilo de que se valeu o Dr. Fedeli, um reconhecido intelectual de orientação católica, para desferir ataques pessoais e gratuitos à pessoa do Codificador da Doutrina Espírita, o também ex-professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, notabilizado pelo pseudônimo de Allan Kardec.

O aludido artigo pode ser acessado e lido na íntegra em: http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=veritas&subsecao=religiao&artigo=kardec&lang=bra.

Sugiro ao leitor, antes de continuar esta leitura, que visite o domínio acima e o leia com a devida atenção. Não é extenso, a exemplo dos argumentos do autor.

Se você interrompeu a leitura desta refutação e leu o artigo do Dr. Fedeli, acredito deva estar, tanto quanto eu, perplexo e admirado com a incapacidade demonstrada por ele de contextualizar a obra de Kardec ao tempo em que surgiu (segunda metade do século XIX). Ele não apenas ataca a Allan Kardec e a Doutrina Espírita. Ataca também, frontal e veementemente, o cientista inglês Charles Darwin e, por via acessória e genérica, a ciência positiva.

Tenho a convicção de que se Kardec ainda encarnado estivesse, não “perderia” o seu precioso tempo e sua vigorosa energia para se defender dos ataques, contudo, o mesmo eu não digo em relação aos ataques desferidos contra a Doutrina. Sim! Kardec se posicionaria e o faria com a sua indelével e característica marca de equilíbrio.

Assim como o Mestre Lionês, também entendemos que ataques desta natureza, antes de causarem prejuízo às fileiras espíritas, ou ao edifício doutrinário-espírita, muito contribuem – e muito mais! – para a sua divulgação e propagação.

Vou começar por corrigir o erro crasso do Dr. Fedeli que afirmou ser Kardec um “homem que aprendeu mal a Gnose típica das sociedades secretas a que pertenceu”, “originada do cabalista Jacob Boehme”. Ao que consta, Kardec foi um dos mais distintos discípulos de Pestalozzi e ativo propagador do seu método. Dizendo mais, esclareço que Kardec pertenceu, sim, à diversas sociedades acadêmicas e científicas, dentre elas o Instituto Histórico de Paris e a Academia Real de Arras. Foi ainda membro da Real Academia de Ciências Naturais. Não eram estas sociedades secretas; eram sociedades científicas de renome e prestígio mundial.

Kardec, antes de codificar a Doutrina Espírita, foi um eminente professor e como pedagogo, o jovem Rivail dedicou-se à luta para uma maior democratização do ensino público. Entre 1835 e 1840, manteve em sua residência, à rua de Sèvres, cursos gratuitos de Química, Física, Anatomia comparada, Astronomia e outros. Nesse período, preocupado com a didática, elaborou um manual de aritmética, que foi adotado por décadas nas escolas francesas e de um quadro mnemônico da História da França, que visou facilitar ao estudante memorizar as datas dos acontecimentos de maior expressão e as descobertas de cada reinado do país; além da língua francesa, da qual é autor de uma Gramática Francesa Clássica (1831) ainda hoje muito utilizada, Kardec dominava amplamente também a língua alemã.

Dentre os vários títulos e honrarias recebidas por Kardec, antes do advento da codificação espírita, sob o seu nome de Prof. Rivail, citamos os seguintes: Diploma de fundador da Sociedade de Previdência dos Diretores de Colégios e Internatos de Paris (1829), Diploma da Sociedade para a Instrução Elementar (1847), Diploma do Instituto de Línguas (fundado em 1837), Diploma da Sociedade de Educação Nacional, constituída pelos diretores de Colégios e de Internatos da França (1835), Diploma da Sociedade Gramatical (1829), Diploma da Sociedade de Emulação e de Agricultura do Departamento do Ain (1828) – o Prof. Rivail fora designado para expor e apresentar em França o método de Pestalozzi –, Diploma do Instituto Histórico (fundado em Dezembro de 1833 e organizado em Abril de 1834), Diploma da Sociedade Francesa de Estatística Universal (fundada em Paris, em Novembro de 1820), Diploma da Sociedade de Incentivo à Indústria Nacional e a Medalha de ouro, 1º prêmio, conferida pela Sociedade Real de Arrás, no concurso realizado em 1831, sobre educação e ensino.

Kardec não era, como sustenta o Dr. Fedeli, um “pseudointelectual”. Era, sim, um intelectual vigoroso e respeitado pelos homens de seu tempo. Kardec ambicionava romper (como rompeu!) com os grilhões e as trevas da idade média, ao passo que o Dr. Fedeli desta era um apaixonado declarado.

As posições apaixonadas e sectárias do Dr. Fedeli renderam-lhe inúmeros embates, inclusive dentro da teologia católica. Ele representava o atraso e o defendia, como se lê no artigo ora refutado, com unhas e dentes.

Quanto a ser Kardec, “um racista brutal e grosseiro”, nem de longe, mas muito longe mesmo, razão assiste ao Dr. Fedeli. Ele estava absolutamente em erro!…

Analisar uma obra fora de seu contexto histórico é um erro que somente é permitido aos iniciantes, aos neófitos e não a um intelectual experimentado. Perdoem-nos os partidários do Dr. Fedeli, mas, reza a cartilha da prudência e da ética, que para dizer de algo é, antes, preciso conhecê-lo. Outrossim, demostra o Dr. Fedeli, nada compreender (conhecer é diferente de compreender!) acerca da evolução espiritual, histórica e política da humanidade. Resta-nos, apenas, lamentar.

O Instituto de Difusão Espírita, em nota explicativa aposta ao final das traduções das obras de Kardec realizadas por Salvador Gentile, trata de contextualizar o leitor neófito em Doutrina Espírita acerca das referências que o Dr. Fedeli considera racistas e brutais1.

Diz a aludida nota: “Em diversos pontos de sua obra, o Codificador se refere aos Espíritos encarnados em tribos incultas e selvagens, então existentes em algumas regiões do planeta, e que, em contato com outros polos de civilização, vinham sofrendo inúmeras transformações, muitas com evidente benefício para os seus membros, decorrentes do progresso geral ao qual estão sujeitas todas as etnias, independentemente da coloração de sua pele”.

Segue a mesma nota: “Na época de Allan Kardec, as ideias frenológicas de Gall, e as da fisiognomonia de Lavater, eram aceitas por eminentes homens de ciência, assim como provocou enorme agitação nos meios de comunicação e junto à intelectualidade e à população em geral, a publicação, em 1859 – dois anos depois do lançamento de O Livro dos Espíritos – do livro sobre a Evolução das Espécies, de Charles Darwin, com as naturais incorreções e incompreensões que toda ciência nova apresenta”.

Mais adiante consigna a referida nota que: “Na época, Allan Kardec sabia apenas o que vários autores contavam a respeito dos selvagens africanos, sempre reduzidos ao embrutecimento quase total, quando não escravizados impiedosamente”.

Ainda a mesma nota, no parágrafo seguinte que: “É baseado nesses informes ‘científicos’ da época que o Codificador repete, com outras palavras, o que os pesquisadores europeus descreviam quando de volta das viagens que faziam à África negra. Todavia, é peremptório ao abordar a questão do preconceito racial: ‘Nós trabalhamos para dar a fé aos que em nada creem; para espalhar uma crença que os torna melhores uns para os outros, que lhe ensina a perdoar aos inimigos, a se olharem como irmãos, sem distinção de raça, casta, seita, cor, opinião política ou religiosa; numa palavra, uma crença que faz nascer o verdadeiro sentimento da caridade, da fraternidade e deveres sociais’ (KARDEC, Allan. Revista Espírita de 1863 – 1ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. – Janeiro de 1863)”.

Resta claro que nada conhecia o Dr. Fedeli de Doutrina Espírita e do pensamento Kardequiano.

A mais da grosseria, ressalta do seu texto, a arrogância e o orgulho que marcam todos aqueles que se impõem pela força dos músculos e não pelas ideias.

Quanto à Doutrina Espírita, deixemos a cargo do próprio Kardec a necessária resposta aos ataques gratuita e despropositadamente desferidos:

“Sou um homem positivo, sem entusiasmo, que tudo julga friamente; raciocino de acordo com os fatos e digo: Desde que os Espíritas são mais numerosos que nunca, a despeito (…) [do artigo do Dr. Fedeli] e de todas as outras, a despeito de todos os sermões e mandamentos, é que os argumentos aí apresentados não persuadiram as massas”2.

“(…) Refuto os princípios e não os indivíduos: os princípios ficam e os indivíduos desaparecem; é por isto que pouco me inquieto com personalidades que amanhã talvez não mais existam e das quais não mais se fale, seja qual for a importância que se dão. Vejo muito mais o futuro que o presente, o conjunto e as coisas importantes mais que os fatos isolados e secundários”2.

“Examinando os diversos ataques dirigidos contra o Espiritismo, ressalta um ensinamento, ao mesmo tempo grave e triste; os que vêm do partido cético e materialista são caracterizados pela negação, a troça mais ou menos espirituosa, as brincadeiras geralmente tolas e banais, ao passo que – é lamentável dizer – é, nos do partido religioso que se encontram as mais grosseiras injúrias, ou ultrajes pessoais, as calúnias; é da cátedra que caem as palavras mais ofensivas”3.

“Não temos a menor intenção de converter o (…) [Dr. Fedeli] à nossa opinião. Ele poderia ter visto (…) [nas citações extraídas de nossas obras] uma espécie de bravata de nossa parte, o que não está em nosso caráter. Ainda uma vez, o Espiritismo deve ser aceito livremente e não violentar consciências; deve atrair a si pela força de seu raciocínio, a todos acessível, e pelos bons frutos que dá; deve realizar esta palavra do Cristo: ‘Outrora o céu era tomado pela violência; hoje o é pela doçura’. De duas, uma: ou o (…) [Dr. Fedeli] se limita a falar do que sabe, ou não se limita. No primeiro caso, deve por si mesmo pôr-se ao corrente da questão e não se limitar a abundar neste sentido, se não quiser expor-se a erros lamentáveis; no segundo caso, seria trabalho perdido querer abrir os olhos a quem os quer ter fechados”4.

“Grave erro é crer que a sorte do Espiritismo dependa da adesão de tal ou qual individualidade; (…)”4.

“Em sua opinião, o (…) [Dr. Fedeli] julgou (…) [dizer] o que (…) [disse]. Era um direito seu; diremos mais; fez um bem em fazê-lo, pois agiu conforme sua consciência. Se o resultado não corresponder à sua expectativa, é que tomou um caminho errado. Eis tudo. Não nos cabe modificar as suas ideias (…)”4.

O Dr. Fedeli, do alto de sua arrogância e orgulho intelectual e de seita, interpreta literalmente o texto bíblico. A ele sugeriríamos, a exemplo do que propõe o Apóstolo dos Gentios (2 Coríntios, 3: 6), buscar extrair o espírito da letra. Não se trata de se considerar mais judicioso que a bíblia, mas de compreendê-la. Nesse quesito, o Dr. Fedeli, estava na contramão e a colidir com o inexorável progresso.

Quem, nesta breve demonstração de armas, demonstra ser “um racista brutal e grosseiro” e “um presunçoso soberbo”?

Deixo para o leitor, o encargo das respostas… De minha parte, convido os espíritas a orarem pelo espírito do Dr. Fedeli, que, a quase um lustro, retornou à Pátria Espiritual. É possível que já reúna condições de bem compreender as verdades espirituais…

Resposta ao Dr. Orlando Fedeli, por José Márcio de Almeida.

1 KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos; tradução de Salvador Gentile. IDE. (TAC nos Autos do Procedimento Administrativo n.º 1.14.000.000835/2006-12).

2 Idem, Revista Espírita de 1863, julho, p. 218, EDICEL.

3 Idem, ibidem, setembro, p. 275.

4 Ibidem, dezembro, p. 360-361.

Read Full Post »

Older Posts »