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Logo O Fraternista nº 17

Reproduzimos abaixo, dado a sua atualidade, a entrevista concedida pelo confrade Antônio Rubatino ao Jornal O Fraternista, órgão de comunicação do Grupo da Fraternidade Espírita Irmã Scheilla, de Belo Horizonte, em sua edição de nº 17 (Outubro/Novembro de 2005).

Ei-la, na íntegra:

Num país tão marcado pela violência e que assistiu, há pouco, a um debate sobre o comércio e armas, perguntamos se ainda há espaço para palavras como amor e afetividade nos dias de hoje. A doutrina espírita, na luta pelo resgate e pela vivência dos ensinamentos de Jesus, afirma que sim. O coordenador da Educação Espírita do Grupo Scheilla, Antônio Carmo Rubatino, fala da importância do amor na convivência no nosso dia-a-dia e como, a partir de nossos relacionamentos, construir um Mundo melhor.

O Fraternista – O que a doutrina espírita e os evangelhos falam sobre a afetividade?

Rubatino – Aquele que não ama não conhece Deus, pois Deus é Amor, disse o apóstolo João. Se Deus é Amor e somos filhos Dele, então somos filhos do amor. Se somos filhos do amor, somos amor e tudo nos mostra que não convém nos afastar Dele, pois negaríamos a própria origem. O vocábulo afetividade descende do latim e significa inclinação para o amor. Agir com afetividade é aproximar-se do amor, logo, de Deus.

OF – A convivência afetiva está presente nas pessoas durante as tarefas na casa espírita?

R – Nem sempre. Muitas vezes, esquecemos que tudo pertence a Ele. E ao invés de sermos um de Seus colaboradores, somos um de Seus problemas. Mas estamos a caminho. Afinal, o bom espírita não é ainda reconhecido pelas virtudes e pelo amor que expressa. Mas, “reconhecido pela transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más” (ESE, 17-4). A casa espírita é um laboratório de aprendizado da fraternidade. Ali aprendemos como Jesus entendia a caridade. E vamos muito além da doação material de bens de pouco uso em nossas casas. Espiritismo sem afetividade é como uma flor confinada, ressequida pelo esquecimento.

OF – Como as pessoas devem proceder para melhorar a convivência no trabalho, com seus familiares, na vida cotidiana?

R – Precisam aprender a agradecer a bênção da vida, da família querida, dos amigos presentes, da participação em equipe, do aprendizado continuado. E ter a certeza de que mais vale orar para agradecer ou para louvar, do que se inscrever como eterno pedinte, quando, normalmente, mais temos para dar do que precisamos receber.

OF – O que a convivência mais afetiva pode trazer de benefícios para as pessoas?

R – Pesquisas científicas comprovam que o ser afetivo tem mais saúde, equilíbrio e paz. Como verificado em uma pesquisa realizada na Universidade de Harvard, até mesmo ver os outros ajudando terceiros melhora o funcionamento imunológico. Foi exibido para estudantes um filme de madre Teresa de Calcutá cuidando de doentes e moribundos, e análises químicas posteriores evidenciaram aumento de imunoglobulina A, anticorpo que ajuda a defender o organismo contra infecções respiratórias.

OF – O Movimento da Fraternidade seria um exemplo de busca da convivência afetiva?

R – Sim. Ele é um expoente na disseminação da solidariedade. Ajuda-nos a nos conhecermos como referencial de mudança. O Movimento congrega pessoas e grupos à prática da fraternidade, a tratar nosso próximo mais próximo com o sentimento de irmãos.

OF – Como vê o mundo e a afetividade entre as pessoas?

R – O mundo ainda se movimenta lentamente no início do milênio da Regeneração. Será melhor quando houver, na sua célula mater, a família, uma educação que forme cidadãos. Uma criança que aprendeu na família a ser um homem de bem e que no futuro vem a ser um magistrado, por exemplo, nunca venderá sentenças. Não faltará com o senso de moralidade. Não desejará a posse como um fim em si mesma.

OF – Em que o comportamento afetivo pode contribuir para melhorar a vida em sociedade?

R – Uma sociedade com segmentos fraternos terá um poderoso agente de mudanças e transformação. A fraternidade substituirá a cupidez e a vaidade pelo altruísmo, pela autocrítica. Uma visão altruísta fixará objetivos para o horizonte próximo. Seremos melhores, mais felizes.

Fonte: Jornal O Fraternista nº 17 (Outubro/Novembro de 2005). http://www.gruposcheilla.org.br/pages/acesso/acontece/ofraternista/jornal17.pdf.

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Jairo Avellar

Jairo Avellar

Assista, nesta entrevista, as considerações do médium Jairo Avellar sobre as seguintes questões: Por que a mente pode ser considerada como um castelo de três andares? Até onde se deve considerar a vigilância e a responsabilidade nos relacionamentos humanos? Por que a vontade é a sustentação da harmonia do espírito? Como manter a higiene de nossa casa mental? (Entrevista concedida ao site EspiritismoBH em 06 de fevereiro de 2009).

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=kR3bw5Md2Cw .

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Flávio Augusto Senra Ribeiro e Antônio Rubatino

Flávio Augusto Senra Ribeiro e Antônio Rubatino

Reproduzimos, aqui no blog Divulgando a Doutrina Espírita, a entrevista concedida em 02 de dezembro de 2009 pelo confrade Antônio Rubatino ao Programa Religare da TV Horizonte em que é abordado o tema “Mediunidade”.

O entrevistador Flávio Augusto Senra Ribeiro conversou com Rubatino sobre o que é a mediunidade, como ela se manifesta, como pode ser diagnosticada e como é tratada no meio espírita; conversou ainda sobre o pressuposto da dualidade dos mundos e sua observação empírica; sobre o médium para saber se se trata de um ser humano especial ou especialmente dotado e se o médium tem sido aceito na sociedade; se é possível um uso social da mediunidade e como a mediunidade pode ser moralmente avaliada, dentre outros.

Vale a pena conferir!

Fonte: http://programareligare.blogspot.com.br/2009_12_01_archive.html

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ENTREVISTA COM JAIRO AVELLAR: MEDIUNIDADE  [*]

1. Jairo, o que é mediunidade? A mediunidade é uma prova ou é uma missão?

Resposta – A mediunidade é uma capacidade psíquica, de prática intelectiva, em geral concebida através dos planejamentos reencarnatórios, que nos coloca como intermediários, pontos de intercessão, ou estafetas entre os dois planos da vida. É um ponto inteligente unindo o mundo subjetivo, dos encarnados com o mundo objetivo, o dos desencarnados, ou mundo verdadeiro, o mesmo que mundo real. A mediunidade pode ter vários aspectos, pode ser provacional se afigurando como uma avaliação. Pode ser de trabalho tornando-se uma fieira laborativa de oportunidades redentoras. Poderá ser também uma missão quando a individualidade se faz portadora de qualidades para tal.  Ela é sempre progressista, evolui com a evolução de seu servidor, podendo reunir em si os três aspectos, dois deles ou somente um destes. Contudo em qualquer aspecto que ela se apresente, será sempre uma esteira de oportunidades sem precedentes na existência de cada um.

2. Como saber se somos médiuns? E, se o formos, como devemos proceder?

Resposta – Segundo a definição dos espíritos, inserida no próprio livro dos médiuns e corroborada por vários amigos espirituais, entre eles Emmanuel, André Luiz, João Cleófas, Manuel Philomeno de Miranda, Joanna de Angelis, todos nós somos médiuns, o que irá variar será tão somente o “quantum” sensibilidade que cada um venha a apresentar. Isto na realidade estará atrelado ao papel, e aos compromissos assumidos pela individualidade ainda no mundo espiritual, podendo sofrer alterações no decorrer da vida. Lembrando que quanto maior seja esse “quantum” sensibilidade e quanto mais diferenciados forem os recursos medianímicos que a individualidade venha a apresentar, maiores serão as suas responsabilidades perante o mandato mediúnico que recebeu. Lembramos aqui o instrutor André Luiz, “Não é a mediunidade que te distingue, mas aquilo que fazes dela”, daí toda e qualquer conduta diante a mediunidade deve ser pautada em humildade, simplicidade e em amplo despojamento material.

3. Qual o mecanismo do intercâmbio mediúnico e quais os princípios básicos em que se alicerça?

Resposta – Todo o mecanismo do intercambio mediúnico se dá entre a mente desencarnada, considerada então como a emissora, e a mente encarnada a qual designamos como a mente receptora. Emissão e recepção são mecanismos ininterruptos dentro de qualquer evento onde exista o fato mediúnico. O principio básico onde se assenta o intercambio mediúnico situa-se na “sintonia”, quanto mais perfeita for a sintonia, mais límpida será a comunicação entre os dois planos da vida. Lembramos aqui o instrutor Emmanuel, quando ele sabiamente assevera que, “sintonia é lei inderrogável no universo”. Quando falamos de sintonia, falamos em identidade entre o emissor e o receptor. Aquele que recebe, ou capta, aquele que distribui a mensagem captada, coloca na retransmissão toda a sua bagagem pessoal, repassando também toda a sua qualidade moral, ética e conduta pessoal.

4. Para exercer mais conscientemente a sua tarefa, o que o médium deve conhecer do Plano Espiritual e das leis que o regem?

Resposta – Mediunidade não é uma propriedade da Doutrina Espirita, e nem tão pouco uma estrutura concebida pela Doutrina Espirita, a mediunidade como nós a conhecemos trata-se de uma compilação, organização, e codificação elaborada por Hippolyte Leon Denizard Rivail, Allan Kardec. Tendo sido comentada por vários outros companheiros espirituais de grande envergadura, que lhe deram bases ainda mais consistentes e seguras para a sua prática. Daí, vamos conhecer inúmeros médiuns fora da Doutrina Espirita, muitos que nem ao menos sabem que são médiuns, e muito menos entendem de plano espiritual ou de influência dos espíritos em nossas vidas. Contudo, entendemos que o Médium Espirita, pelo fato de ter a seu favor todo o legado Kardequiano, espera-se dele um maior preparo, um melhor entendimento e melhores condições para se posicionar em termos de objetivos e finalidades. Lembramos que uma coisa é conhecimento, e outra coisa bem diferente é o exercício prático destes conhecimentos. Visto isso, consideramos que somente por isso ele não se tornará mais consciente ou melhor que os demais, mas sem duvida ele se tornará bem mais responsável que os demais em relação ao aproveitamento laborativo e quanto às possibilidades de êxito.

5. Qual a importância dos ensinamentos evangélicos?

Resposta – Considero que o conhecimento doutrinário prepara o medianeiro para o trabalho, contudo somente o evangelho dá o brilho tão necessário à mediunidade, somente a mediunidade evangelizada produz a luz. A estrutura doutrinaria define a razão a que se destina a mediunidade, mas somente a prática evangelizada lhe dá sentimento. O primeiro lhe é a moldura e o segundo lhe é a face no qual deve transparecer o verbo divino. Novamente permito-me enfatizar que a Doutrina Espirita, não é uma estrutura que visa volume ou quantificação, mas que se propõem a qualificar trabalho e trabalhadores diante a vida. Daí, não se importa o tempo de aprendizado, ou a quantidade de estudos efetivados, mas é a qualidade do estudo naquilo que se consubstancia como o mais importante, a prática em si. E a isso chamamos de sabedoria dentro do exercício mediúnico.

6. Além de O Livro dos Médiuns e demais obras da codificação, qual ou quais as obras você considera indispensáveis à formação do médium?

Resposta – Comecemos pelos contemporâneos de Kardec em trabalhos pessoais, Ernesto Bozzano e Gabriel Dellane, Leon Denis “A alma é imortal”, “Reencarnação”, “Psiquismo” “O destino do ser e da dor”. Passamos por William Crooks, “Fatos Espíritas”. Os contemporâneos em trabalhos individuais, Hermínio Miranda, “Diversidade de Carismas”, Prof. José Jorge, “Antologia do Perispírito”, Carlos Torres Pastorino, “Técnicas da Mediunidade”. Toda obra Evangélica de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco, acrescido das obras especificas dos mesmos médiuns como toda a “Coleção André Luiz”, “Seara dos Médiuns”, por Emmanuel, “Mediunidade”, por João Cleófas. Na realidade a preparação teórica e prática para a mediunidade é tarefa para a vida toda, o médium deve ser irmão dos livros e amigo da cultura. E ainda assim, muito provavelmente retornaremos ao mundo espiritual com muito a aprender e muito ainda a produzir.  

7. O estudo acerca da casa mental pode auxiliar o médium no exercício de sua mediunidade?

Resposta – Trata-se de um estudo muito importante para todos os profitentes da mediunidade que desejam entender o verdadeiro papel e a importância da mente no exercício pleno da mediunidade. Neste caso indicamos o magnífico trabalho do instrutor Emmanuel, através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier, intitulado “Pensamento e vida”. Trata-se de um livro franzino em volume, mas robusto em conteúdo, um pouco difícil de ser estudado. Embora ele possua uma didática maravilhosa, aconselho que após a leitura individualizada, se constitua um grupo de estudos, e se possível que tenha como facilitador um companheiro mais experiente no assunto, para que as citações do referido instrutor possam ser bem absorvidas e apreciadas com profundidade.  Acho que o livro “Pensamento e Vida” é imprescindível para todos aqueles que se candidatam a compreensão dos mecanismos mentais da mediunidade.

8. Animismo e reflexo condicionado são a mesma coisa? Qual a interferência destes no intercâmbio mediúnico? Como identificá-los?

Resposta – “Animismo” considera-se tudo que vem da própria alma, diríamos dos materiais que advém do “ser em si”, ou seja, tudo aquilo que emerge da essência. É um fato natural dentro da mediunidade, que com o trabalho dedicação, e um bom encaminhamento do fato mediúnico, e estando sobre a supervisão pontual dos responsáveis pelas ações diretivas da reunião ficarão sobre controle. Trata-se sempre de um ativo pessoal muito precioso para a própria mediunidade quando bem trabalhado.

Quanto ao “Reflexo Condicionado” entende-se como sendo a resposta instantânea àquilo que nos chega em forma de pensamento, levando a mente a produção automática de pensamentos resposta por simples indução.

Ouve-se uma musica – lembra-se o nome e o autor…

Os sons da música – lembramo-nos de uma pessoa ligada a nós…

A pessoa ligada a nós – leva-nos a algum lugar…

O lugar relembrado – nos causa uma sensação de abatimento e tristeza…

Estas ligações se estabelecem em milissegundos, não sendo nem percebida como associação, anotamos simplesmente o reflexo em forma de abatimento e tristeza. “Reflexo condicionado, concatenado, resposta condicionada ou comportamento respondente corresponde ao que Lev Vygotsky (1896 – 1934), em sua definição de reflexologia definiu como a transformação das reações de resposta do organismo (reflexos incondicionados) a estímulos externos em situação experimental segundo os postulados de Vladimir Bekhterev (1857 – 1927) e Ivan Pavlov (1849 – 1936).”

Assim sendo, vemos que animismo e reflexo condicionado não são a mesma coisa.

9. Como é possível ao médium controlar as manifestações dos Espíritos, mesmo violentos ou desequilibrados?

Resposta – Sim é possível, mas demanda esforço, autocontrole, domínio da comunicação, experiência mediúnica, afinidade de grupo, ambiente magnético da reunião. Destes itens, considero que a experiência mediúnica seja o mais importante para o medianeiro. O médium tem que saber o exato momento de dar maior liberdade ao pensamento do espírito comunicante e o momento de conter a mesma comunicação. Contudo considero também que o perfil psicológico seja o item que mais colabora com a falta de controle. O médium na mesa mediúnica, fala entre linhas daquilo que ele é no exercício da própria vida. O médium estudioso, aquele que se dedica a autoeducação, sem duvida terá melhores condições para trabalhar o autocontrole, contudo insisto em afirmar que somente este item não será suficiente para garantir uma comunicação harmônica.

10. Qual a condição do médium na psicofonia consciente, na semiconsciente e na inconsciente?

Resposta – Na psicofonia consciente o pensamento do espírito comunicante chega de forma bastante sutil, necessitando de uma apurada percepção do médium sobre os pensamentos entrantes, sabendo separar aquilo que provem de suas próprias instancias mentais, o que provém do espírito comunicante, e o que é lixo possivelmente provocado por possíveis interferências. Temos a salientar neste ponto, que nem sempre a influência mental, aquela que provém do espírito comunicante, determinando o fluxo natural entre pensamentos, palavras e sensações, terá uma carga igual nos níveis mental e fisiológico. Ou seja, a sensação que é sentida e expressa pelo corpo do médium, pode ser diferente da expressão da comunicação em si. Cabe-nos refletir que na estrutura cerebral, os centros da fala, da visão e os centros motores não se localizam num mesmo ponto, sendo autônomos entre si. Por isso é que a relação entre visão, fala, audição e sensação fisiológica, poderão ser diferenciados entre si.

Na psicofonia semiconsciente mantem-se a mesma linha de raciocínio anterior, com uma maior automação por parte dos centros psicofísicos, isto ocorre em decorrência de uma maior intensidade da carga mental do espírito comunicante sobre o médium. No caso da psicofonia inconsciente permanece o mesmo princípio comentado no primeiro e segundo itens, havendo uma automação quase que plena dos centros psicofísicos, neste caso a carga mental liberada e absorvida através do espírito comunicante é muito intensa. Contudo, temos a considerar que nas reuniões bem estruturadas e bem encaminhadas, estas modulações estarão sempre sobre o controle dos espíritos dirigentes e demais protetores das reuniões, e atendem exclusivamente aos planejamentos previamente estabelecidos para cada comunicação.

Permitam-me ainda um adendo, muitos fatos lamentáveis que ocorrem nas mesas mediúnicas, e que são prontamente atirados à responsabilidade das comunicações inconscientes, não passam de capítulos da histeria, devendo ser meticulosamente analisados e muito bem separados definindo-se então o que seja histeria daquilo que é mediunidade.

11. Qual a postura adequada do médium à mesa?

Resposta – O médium deve comparecer devidamente higienizado, vestido decentemente, plenamente sóbrio e muito bem disposto. Deve saber aguardar a convocação do irmão dirigente quanto ao seu posicionamento ou não na mesa mediúnica. Sobretudo deverá impor a si uma disciplina plena quanto às mínimas normas que regem a reunião. No caso de ter alguma diferença ou divergência com alguém da reunião, ele deverá se afastar, e fazer uma avaliação aprofundada se ainda assim a sua presença é positiva, se soma, se contribui, ou se ele pode estar sendo um peso negativo a carga vibratória do grupo. Em caso afirmativo ele deverá se afastar definitivamente da mesma, até que consiga atingir uma posição evangelizada e conciliadora com o ambiente, evitando assim ser uma pedra de torpeço aos trabalhos do grupo.   

12. Como deve o médium proceder para manter o estado de concentração durante as reuniões práticas e como desconcentrar-se quando preciso?

Resposta – Entendo que o processo de concentração e desconcentração irá se aprimorar com o tempo, advindo de uma maior vivência e experiência do medianeiro em contato constante com o trabalho. Não existem formulas mágicas. Concentrar, quer dizer buscar o centro, ou seja, centralizar o pensamento nas atividades que estão em andamento e isto é diferente de mentalizar. Mentalizar é o ato de criação imaginativa através de um processo de busca mental.

Concentrar é centralizar o pensamento, por exemplo, numa prece efetuada pelo dirigente, numa doutrinação em andamento, em uma comunicação de determinada individualidade. Isto é diferente de mentalizar, a busca imaginativa da cor azul, de uma estrela, dos raios de luz ou mesmo da figura de uma entidade espiritual. Desconcentrar-se é o ato de sair do centro, retirar a mente do seu centro, sair do foco, desfocar, e voltar à mente para o seu estado natural de produção normal de pensamentos.

13. Como e até onde se processa a influência dos Espíritos sobre o médium, ostensivo ou não?

Resposta – A influência dos espíritos sobre os encarnados se dá de mente para mente, pensamento busca pensamento, pensamentos se alinham a pensamentos, e pensamentos atraem pensamentos. A este mecanismo de atração e refração denominamos de “sintonia”. Os níveis de sintonia podem atingir volumes e distâncias inimagináveis, seja pela ostensividade do pensamento, e/ou pelos meios e métodos adotados. Aliás, os espíritos superiores foram muito objetivos ao informar ao codificador acerca da influência dos espíritos sobre as nossas vidas, “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem”.

Neste capitulo verifica-se também as obsessões, as possessões e as fascinações que grassam abundantemente sobre a coletividade.

Contudo a ostensividade não determina por si só os volumes e a qualidade das influências, estes itens são determinados pelos níveis de sintonia em que se coloca a mente receptora. Aliás, vale a pena lembrar que os espíritos obsessores de pior trato, os mais difíceis, os mais conhecedores e ardilosos primam pela sutileza nas influências e não pela ostensividade empregada. Isto é uma coisa a ser desmistificada, pois a ostensividade na mediunidade também não significa mais riscos que em outros tipos de mediunidade, o risco está quanto a como o medianeiro coloca a sua mediunidade.

14. Qual o procedimento do médium quando intensamente assediado pelas vibrações de um Espírito desequilibrado, quer na reunião ou fora dela?

Resposta – O medianeiro responsável sabe que o assédio é sempre constante, por isso mesmo, ele não se prepara para uma reunião, ele tem plena consciência de que o preparo, a aplicação, a responsabilidade, a dedicação devem ser materiais de todas as horas. O medianeiro responsável tem consciência de que as reuniões nunca terminam e jamais se interrompem, nós estamos sempre em trabalho, sempre em ação, e os mecanismos de sintonia não selecionam locais, horários ou circunstancias. Sintonia afinada ao bem é capitulo de todas as horas.

15. O Espírito André Luiz, no Livro Nos Domínios Mediunidade, psicografia de Chico Xavier, nos apresenta conceitos importantes como, por exemplo, o mandato mediúnico. Em sua opinião, como exercê-lo?

Resposta – Entendo mandato mediúnico, como o compromisso assumido por todos nós médiuns, quando nos compromissamos com o trabalho da mediunidade. A maneira de exercê-lo sob o meu modesto entendimento, esta sintetizado na expressão “dignidade mediúnica”; ser digno, e para isso não nos faltam exemplos maravilhosos: Francisco Cândido Xavier, Divaldo Pereira Franco, Ivone Pereira, Zilda Gama, Bittencourt Sampaio, Bezerra de Menezes, Eurípedes Formiga…  Companheiros denodados que sempre colocaram a mediunidade acima de si mesmos; trabalhadores que jamais viram a mediunidade pelo viés financeiro, nunca colocaram um centavo do trabalho em seus bolsos, jamais foram populistas, e nunca se colocaram como marginais aos interesses da Doutrina dos Espíritos, e fizeram da humildade e da simplicidade suas maiores referencias.

16. O que é, pra você, a mediunidade com Jesus?

Resposta – É quando nós, os médiuns, conseguimos enquadrar a mediunidade no maior dos mandamentos, “E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo” (Lucas, 10:27). Mediunidade é amor ao próximo, vibrando nos dois planos da vida.

17. Vimos, no filme Nosso Lar, uma cena em que o Espírito Emmanuel, dirigindo-se ao Espírito André Luiz, o pergunta se deseja utilizar as técnicas tradicionais ou modernas para “ditar” ao médium Chico Xavier, o livro Nosso Lar, aludindo à escrita e, ao que nos parece, a uma máquina de escrever (computador), ou algo a este assemelhado. É verdade que hoje, os espíritos “ditam” suas obras quando o médium está ao teclado de um computador? Em uma palavra: a psicografia já se faz por meio destes instrumentos modernos? Você já viveu esta experiência?

Resposta – Ora, porque os espíritos não haveriam de se adequar a modernidade, até mesmo porque esta representa maiores facilidades. Acho mesmo que se Chico Xavier vivesse nos dias atuais ele com a sua capacidade laborativa teria produzido três vezes mais o volume de obras, porque com as dificuldades que o cercavam ele chegou ao patamar que chegou, principalmente agora quando a modernidade nos trás um conjunto enorme de facilidades.

No meu caso, as coisas são variáveis, por exemplo, o espírito Scheilla determina que a psicografia se dê no método tradicional, lápis e papel, o argumento é o treinamento continuo, afina a sintonia, além de deixar-me preparado para qualquer circunstância em que seja chamado a psicografia. Elizabeth d’Esperance, da mesma forma, prefere o canal tradicional; noto que quando utilizamos outro método nos embaralhamos, perco a sintonia com facilidade, até porque como muitas vezes sou levado a ver as cenas que estão sendo psicografadas, parece que aí está o nó que dificulta a assimilação do conteúdo. No caso de Scheilla e Elizabeth, eu cheguei inclusive a ver os livros que seriam psicografados nas mãos delas, com as capas que eles possuem no mundo espiritual.

Com o espírito Marcelo Rios, fico muito a vontade no computador e minhas mãos ganham uma destreza maravilhosa, mas o mais comum é ele se assentar a minha frente e dizer assim: “… escreve aí”, “acrescenta isso”, “desmancha isso”, “nossa você hoje está difícil”, “hoje estamos bem”…

No caso do espírito Palminha, “Tudo pode esperar” e “Babili”, ele primeiro me contou as histórias, pude ver antecipadamente quase todas as cenas de forma privilegiada, comentou comigo vários pontos, e o porquê elas aconteceram assim, quais os ganhos e quais as perdas, na realidade é sempre um estudo profundo e um rico aprendizado.  Palminha é sempre um grande incentivador, ele constantemente me diz que o nosso treinamento está avançando muito bem, e que mais 400 ou 500 anos, serei um médium confiável e plenamente apto ao trabalho, e fico muito feliz afinal de contas o que são os séculos na ampulheta do tempo? Nada!…

Quando completei 40 anos de mediunidade, ganhei do espírito Bezerra de Menezes uma psicografia com ele. Segundo os espíritos Palminha e Marcelo Rios, isso foi um prêmio de incentivo, duas mensagens tão somente, mensagens estas que me arrancaram lágrimas nos olhos de tanta alegria e de profundo agradecimento, pois são raríssimos os momentos que podemos nos transformar em modestos instrumentos de um espírito tão grande e maravilhoso como Bezerra.

18. Como você vê o processo de educação mediúnica?

Resposta – Olha, durante aproximadamente uns 20 anos, meu coordenador mediúnico foi o grande amigo Antônio Marinho, ainda vivo, a quem sempre serei imensamente agradecido por toda a sua contribuição ao médium Jairo Avellar. Foram anos de grandes orientações, pessoa austera, atenta, franco, leal, amigo de todas as horas, um trabalhador incansável, que nunca passava a mão em minha cabeça, sempre exigente com a qualidade, com horário, frequência, dedicação e estudos. E se eu tenho algum mérito foi o de sempre ter sido obediente, saber acatar as determinações, e me colocar estritamente no meu modesto lugar de médium. Com Marcelo Rios aprendi a … “Jairo, ocupe tão somente o lugar de sua insignificância”, entender que a significância do ser está na consciência de sua insignificância. Hoje embora respeite plenamente os praticantes, não gosto destas práticas onde quase se exige diploma, pós-graduação, mestrado, doutorado, para se participar de uma reunião mediúnica. Tenho convicção plena de que o aprendizado da mediunidade em sua teoria e prática deve caminhar junto. Entendo que os dirigentes das reuniões de iniciação devem ser pessoas escolhidas a dedo em função da carga de responsabilidade agregada; deles dependerá muito o médium e a mediunidade no futuro. Tenho também plena convicção, do pensamento do espírito Joseph Gleber de que jamais poderemos ser “os médiuns das mãos vazias”. Todo médium ou candidato a médium antes de tudo deve estar alistado a alguma tarefa social da casa espírita, sem o espírito de trabalho e amor ao próximo não existirá mediunidade equilibrada.

[*] Jairo Avellar é Psicólogo Clínico com consultório em Belo Horizonte e Itaúna. Formado pela FUMEC. É especialista em “Psicologia Cognitiva” e Pós Graduado em “Psicologia Hospitalar”. Trabalha nas áreas da “Psicologia das Relações Afetivas” e dos “Transtornos do Humor”. Foi Diretor de Divulgação Doutrinária do Conselho Regional Espírita de Belo Horizonte (CRE – Zona Metalúrgica) e Presidente da Aliança Municipal Espírita de Belo Horizonte (AME BHte), tendo sido em sua gestão, consolidados o funcionamento das regionais dentro da AME BHte, desmembrada a COMEBHte e desmembrado parte do 10º Conselho Regional Espírita de Belo Horizonte criando-se o Conselho Regional Espírita do Rio das Velhas. Durante alguns anos ministrou o “Curso de Estudos da Mediunidade” da União Espírita Mineira. Há 40 anos atua como médium psicofônico e psicógrafo e há 22 anos é orador e expositor espírita com trabalhos desenvolvidos em quase todo Brasil. Suas palestras são marcadas pelo alto teor doutrinário, mesclado de bom humor e descontração. Atualmente colabora na “Casa de Caridade Herdeiros de Jesus” na qual é membro do conselho gestor e vice-presidente, atuando ainda como passista, médium e dirigente de duas reuniões de estudos. Através da psicografia tem trazido até nós diversas obras de grande importância na divulgação da Doutrina Espírita, tais como: A Noiva, pelo Espírito Elizabeth d’Esperance; Babili e Tudo Pode Esperar, pelo Espírito Palminha; Reencarnação, Divina Benção; A Faxina; O Residente; A Família, Por Entre as Sombras (Série Perante a Eternidade) e Perseverar Sempre, pelo Espírito Marcelo Rios; Tuas Preces, Digna Estrela e Virando Páginas, pelo Espírito Irmã Scheilla. Desenvolve semanalmente o Programa Perante a Eternidade na Rádio Boa Nova, em parceria com Sonia Cota onde são estudados os livros da Série Perante a Eternidade.

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Espíritos maus visitam os nossos lares e atrapalham as relações afetivas familiares? Temos médiuns em casa, receptivos a essas entidades? Quem são elas, afinal, e porque nos perseguem? Que podemos fazer para nos proteger de tais investidas? Assista a entrevista concedida pelo médium Jairo Avellar ao site EspiritismoBH e conheça mais o assunto. (Entrevista realizada em 03/02/2012).

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ENTREVISTA COM CLÁUDIO FAJARDO: O ESTUDO DO EVANGELHO PELO ESPÍRITA [*]

01. No capítulo XVII do Evangelho de S. Mateus, está evidente a reencarnação, porque as pessoas não espíritas não concordam?

Resposta: Todos nós, no decorrer de nosso processo evolutivo, criamos pontos de vistas e temos enorme dificuldade de aceitar algo novo, principalmente se nossos interesses mais imediatos são atingidos; mesmo que as coisas se tornem claras insistimos na rebeldia de não enxergar o que é natural. Foi referindo-se a estes, que Jesus disse: “eles vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem, nem compreendem.” (Mateus, 13: 13)

02. O espírita deve seguir apenas a decodificação do Evangelho trazida no Evangelho Segundo o Espiritismo, ou deve procurar ampliar o trabalho começado por Kardec?

Resposta: A Doutrina Espírita é uma doutrina evolucionista, o próprio Kardec deixou claro que a Codificação era o princípio e não o fim. Desta forma, entendo, que não só no que diz respeito ao Evangelho, mas em todos os seus aspectos, devemos ampliar o trabalho do ilustre codificador.

03. Qual a melhor forma para estudar o Evangelho Segundo o Espiritismo?

Resposta: O Espiritismo por ser a chave que nos permite compreender com mais clareza a mensagem deixada pelo Meigo Rabi da Galiléia, deve ser sempre levado em conta no estudo da Boa Nova. Assim, é preciso aplicar seus princípios a nortear-nos no entendimento do texto evangélico. Outra questão importante é realizar esse estudo em grupo para que várias ideias possam ser levadas em conta na interpretação dos textos, pois não podemos fechar questão num único modo de compreender determinada passagem, pois o entendimento se amplia à medida que evoluímos e um grupo de pessoas voltadas para um interesse comum no bem, tem sempre mais a contribuir para um melhor andamento do estudo. No livro Renúncia, do Espírito Emmanuel psicografado por Francisco Cândido Xavier, nas páginas 331 a 333 temos ótima referência de como realizar o estudo do Evangelho à luz da Doutrina Espírita. Ainda podemos sugerir o Livro “Luz Imperecível” editado pela União Espírita Mineira, e um estudo de nossa autoria disponibilizado para download no site do CEPAK, sobre como estudar o Evangelho:

http://br.groups.yahoo.com/group/CEPAK/files/Novo%20Testamento/Evangelho.zip

04. Existem numerosos livros e metodologias de estudo do Evangelho na atualidade. Em sua opinião, quais são mais enriquecedores: aqueles que exploram mais minuciosamente os textos evangélicos ou os que partem da interpretação Kardequiana, expressa na Codificação?

Resposta: As duas formas se completam, como dissemos anteriormente é preciso levarmos em conta os princípios espíritas na interpretação evangélica, e do mesmo modo interpretarmos minuciosamente os versículos, pois como nos diz Alcíone na obra de Emmanuel citada:

“Chegamos à conclusão de que o Evangelho, em sua expressão total, é um vasto caminho ascensional, cujo fim não poderemos atingir, legitimamente, sem conhecimento e aplicação de todos detalhes. Muitos estudiosos presumem haver alcançado o termo da lição do Mestre, com uma simples leitura vagamente raciocinada. Isso contudo, é erro grave. A mensagem do Cristo precisa ser conhecida, meditada, sentida e vivida. Nesta ordem de aquisições, não basta estar informado. Um preceptor do mundo nos ensinará a ler; o Mestre, porém, nos ensina a proceder, tornando-se-nos, portanto, indispensável a cada passo da existência. Eis por que, excetuados os versículos de saudação apostólica, qualquer dos demais conterá ensinamentos grandiosos e imorredouros, que impende conhecer e empregar, a benefício próprio.” (Renúncia, pág. 333)

05. Por que a obra de Kardec é chamada Evangelho “Segundo o Espiritismo”?

Resposta: Na questão 625 de O Livro dos Espíritos, os Espíritos nos afirmam ser Jesus, o Guia e o Modelo mais perfeito para que a humanidade se espelhasse na condução de seu processo evolucional. Na conclusão do mesmo livro, dizem ser a moral espírita e a moral cristã, a mesma. Assim, era preciso estudar o Evangelho, mas não da mesma forma em que ele até então vinha sendo estudado, era necessário dar um novo entendimento ao mesmo usando os avanços da ciência espiritual. Por isso, Evangelho “segundo o Espiritismo”, ou seja, Evangelho segundo a ótica espírita.

06. Se Herodes morreu no ano 4 a.c, isso significa que Jesus nasceu entre o ano 4 e o ano 7 a.c, e morreu entre o ano 26 e 30. Como se explica que no livro Há Dois Mil Anos, Publio Lentulus coloque a data da morte de Jesus no ano 33 (o convencional)? Se ele viveu na época de Jesus, narrando os acontecimentos, jamais poderia errar a data da morte de Jesus.

Resposta: Eu confesso que não sei responder essa questão com a precisão necessária, porém tenho algumas opiniões, opiniões essas que é bom que fique claro, são pessoais. Segundo entendemos, Emmanuel tem uma missão muito grande de evangelizador no Brasil. Conforme palavras do próprio Chico Xavier em entrevista à Folha Espírita, ele foi um dos Espíritos colaboradores na época da Codificação. Sendo assim, Emmanuel não é um Espírito qualquer, e sim alguém não só bem informado, como de boa evolução espiritual. Portanto, Emmanuel sabe quando foi que Jesus desencarnou. Então por que diz ele algo contrário à tendência dos estudos científicos atuais? Como já disse, não sei, porém pensemos:

Pode ter havido erro por parte do médium. Segundo os próprios Espíritos, em matéria de mediunidade, quando o médium é excelente, ele retrata numa proporção de 50% o que o Espírito quer dizer, os outros 50% é por conta do médium. O livro “Há Dois Mil Anos” foi um dos primeiros dos Chico, ele ainda tinha muito a amadurecer. Outra coisa que precisa ser levado em conta, é que nem a Ciência nem os historiadores têm conclusão fechada sobre a morte de Jesus. Dizem alguns que não há nem mesmo prova que ele tenha morrido na cruz. Dizem estes que o corpo não foi encontrado, e se não há corpo, como comprovar a morte? Ou seja, nem eles mesmos se entendem, desta forma, os Espíritos podem estar aguardando, para no momento oportuno revelarem as coisas como realmente aconteceram. Muita coisa poderia ainda ser dita sobre o assunto, mas talvez sem tanta importância. Por isso preferimos priorizar o aspecto moral do Evangelho.

O próprio Emmanuel afirma no prefácio do Livro Paulo e Estevão:

“Desde já, vejo os críticos consultando textos e combinando versículos para trazerem à tona os erros do nosso tentame singelo. Aos bem intencionados agradecemos sinceramente, por conhecer a nossa expressão de criatura falível, declarando que este livro modesto foi grafado por um Espírito para que os que vivam em espírito; e ao pedantismo dogmático, ou literário, de todos os tempos, recorremos ao próprio Evangelho para repetir que, se a letra mata, o espírito vivifica.”

07. Será que eu como simpatizante e participante das palestras de um centro espírita posso estudar o evangelho em casa, sozinha? Se posso, qual o procedimento correto a ser tomado?

Resposta: Pode sim, apesar de que, o estudo em grupo é sempre mais aconselhável. Não existe um procedimento único, correto ou incorreto. É preciso alguns quesitos, porém nada radical, como por exemplo: um estudo constante dos princípios espíritas, uma mente aberta para aceitar o novo, uma boa disposição para o autoconhecimento e para o estudo de obras ligadas ao Evangelho, entre outros.

08. O estudo pelo espírita do evangelho, deve-se apenas proceder através do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”,ou tem algum livro de apoio que servirá de complemento didático para maior fixação do assunto estudado, como no caso de perguntas e respostas de O Livro dos Espíritos?

Resposta: O Evangelho Segundo o Espiritismo é um livro imprescindível no estudo do Evangelho de Jesus, entretanto existem outros também importantes, como a série de Emmanuel sobre o Evangelho, Estudando o Evangelho de Martins Peralva, Jesus Terapeuta editado pela AME de Belo Horizonte, o já citado Luz Imperecível, alguns livros do Djalma Mota Argolo, Vinícius, entre outros; inclusive os 6 Volumes Sabedoria do Evangelho do Pastorino, que infelizmente já se acham entre os livros raros e não mais editados.

09. Como deve ser feito o estudo do Evangelho em grupo?

Resposta: Creio já ter respondido essa pergunta, quando da resposta da questão n° 3.

10. Pode acontecer de haver alguma manifestação espiritual, uma vez que um grupo se reúna apenas para se fazerem estudos através do Evangelho? E já se sabendo de antemão que dentre os participantes desse grupo se encontrem médiuns já desenvolvidos? Uma vez que isso venha a acontecer, e que o médium sinta a presença de um espírito, deve ele deixar que esse se manifeste?

Resposta: Pode acontecer sim, todavia não acho aconselhável. Deve-se deixar manifestações mediúnicas para reuniões específicas dentro da Casa Espírita. A reunião de estudos deve ser só para estudo, apesar de servir de apoio para as próprias reuniões mediúnicas.

11. Por que o Velho Testamento não é abordado no Evangelho Segundo o Espiritismo?

Resposta: Por não ser essa a proposta dos Espíritos codificadores para aquela obra, apesar de nele (ESE), existirem algumas citações do Velho Testamento. Kardec ainda cita o Velho Testamento no Livro dos Espíritos, e faz um estudo mais amplo no livro A Gênese.

12. Acho difícil o Velho Testamento. Por isso me dedico a leitura do novo, onde os ensinamentos de Jesus são melhor absorvidos. Isto está correto?

Resposta: Não é que esteja correto ou incorreto, pode ser um caminho. No Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec fala nas 3 revelações, sendo que a 1a está contida no Velho Testamento. Desta forma é importante estudá-lo; ele é útil até mesmo para compreensão de algumas passagens do Novo Testamento, porém, como você mesmo disse, sua compreensão não é simples, assim podemos num primeiro momento estudar mais o Novo Testamento, e quando estivermos mais preparados, estudarmos o Velho. Há muitos espíritas que têm excelente interpretação dos textos do Velho Testamento, podendo deste modo, nos auxiliarem.

13. Por que Jesus disse a Maria Madalena: “Não me toques, porque ainda não subi ao Pai”? E ainda: Se Maria Madalena o tivesse tocado, o que poderia ter acontecido? Como o espírita deve entender essa passagem?

Resposta: Se me permite, para comentar esse versículo prefiro citar o texto conforme a tradução de Almeida: “Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.” (João, 20: 17).

Pensemos na cena como ela aconteceu segundo a narrativa dos evangelistas.

Jesus, a quem Maria amava, tinha sido sacrificado. Eles, os discípulos, estavam profundamente tristes com a perda daquele que eles consideravam como uma referência, aquele com quem há três anos ladeavam numa ampla relação de amizade. É de se compreender, deste modo, a tristeza que reinava entre eles. Quem já viu um ser amado partir para o além, sabe como é esse momento.

Neste clima Maria foi visitar o túmulo do Senhor, e não vendo o corpo no sepulcro chora, pois pensava que tinham roubado o corpo do Rabi. Após uma conversa com dois espíritos, ela viu Jesus e se certificou que ele não havia morrido, apenas mudado de plano, pois a morte não existe. Imagine o que ela sentiu nesse momento. Ela que já estava sensibilizada deve ter transbordado de emoção. Segundo a narrativa de Mateus (Mt, 28:9), as mulheres que visitaram o túmulo abraçaram os pés do Senhor. É aí que ele diz: “Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai.”

Jesus queria dizer que ele já havia cumprido sua excelente missão de educador, cabia a ela, agora, continuar seu processo autoeducativo, ele,a partir daquele momento, realizaria sua missão de um outro modo, não mais da mesma forma que vinha desempenhando no corpo físico.Fica para nós a lição de que não devemos nos vincular às pessoas a ponto de prejudicá-las quando do seu desencarne, retendo-as emocionalmente a nós que aqui ficamos. A separação às vezes é necessária e cada um terá que cumprir sua nova missão, não podendo um prejudicar o outro no andamento natural da vida. Se a vinculação é o meio, a desvinculação é o fim.

14. Nas casas espíritas ouço muito falar sobre “Ensinamento da Doutrina e do Evangelho para as Crianças” mas nunca vi um programa aberto a todos direcionado ao Adulto. No Centro que frequento só pode passar por orientação se achar que necessita, temos as palestra do dia e depois tomamos o passe. Mas sinto falta de ESTUDAR o Evangelho, “A BÍBLIA”, a palavra de DEUS e debatê-las.

Resposta: Você tem razão, Centro Espírita é local de trabalho e de estudo, é preciso que os dirigentes das Casas Espíritas se apercebam disto. Além das importantes palestras, dos passes, e da distribuição de água fluídica, é preciso que se crie nas CEs grupos onde possa ser estudado com mais profundidade os temas doutrinários e evangélicos. Há casas que já os possuem, porém é imperioso que se criem grupos de estudos para que seja estudado o Evangelho de Jesus, pois é nele que temos os fundamentos para nossa reeducação; e o principal objetivo da Doutrina Espírita segundo Kardec e os Espíritos envolvidos na Codificação é a melhoria moral do ser humano.

15. Se o espiritismo não se baseia nos Evangelhos e é aberto a todos as religiões, porque um livro da codificação dedicado somente ao Cristianismo.

Resposta: Os Espíritos Codificadores entendem ser a moral cristã a mais elevada entre todas. Dizem eles ser a mesma, a moral espírita e a moral cristã. Jesus quando nos falou do Consolador disse que ele, o Consolador, nos faria lembrar de tudo que ele estava ensinando. Desta forma, é grande a ligação entre cristianismo e espiritismo. O Espiritismo é uma filosofia cristã, por isso um livro dedicado ao Evangelho. O que é preciso que não se confunda, é o que é cristianismo conforme os ensinamentos de Jesus, e o que os homens fizeram dele. É aí que está a diferença. A missão do Espiritismo é reviver na essência os ensinamentos de Jesus.

16. O estudo da parte histórica dos evangelhos é importante para o espírita?

Resposta: Importante sim, digo mesmo, importantíssimo; porém, não prioritário. Estou com Kardec quando diz que o essencial é o aspecto moral do Evangelho. Devemos no estudo dos textos da Boa Nova buscar sempre o componente reeducacional contido nos mesmos. No entanto, por experiência própria, digo que o estudo da parte histórica, dos costumes, e da geografia do Evangelho ajudam e muito no objetivo maior de melhorar-nos a todo instante.

[*] Fonte: http://casadeemmanuel.org.br/entrevista_claudio_fajardo.html. Cláudio Fajardo é autor dos livros O Sermão do Monte, Jesus Terapeuta I, Jesus Terapeuta II, O Sermão Profético e o Sermão do Cenáculo, todos publicados pela Itapuã Editora.

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