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Archive for the ‘Chico Xavier’ Category

Revendo arquivos antigos em meu computador, deparei-me com uma mensagem que à época (maio de 2011) eu havia encaminhado ao confrade Jhon Harley, de Pedro Leopoldo(MG), cumprimentando-o pelo lançamento de seu livro “O Voo da Garça: Chico Xavier em Pedro Leopoldo 1910 – 1959”, uma bela e sensível biografia do nosso querido Chico Xavier.

Lembro-me daquela tarde, na Casa de Chico Xavier, em Pedro Leopoldo(MG), cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde comparecemos para o lançamento, pela “Editora Vinha de Luz”, da aludida obra.

Lá adquiri um exemplar da obra e, ansiosamente, ao chegar em casa, já no início da noite, dei início à sua leitura. Não consegui parar. Virei a noite percorrendo aquelas páginas que me remetiam a uma época inigualável do desenvolvimento da mediunidade e dos trabalhos filantrópicos desenvolvidos por Chico e que o marcariam, indelevelmente, para sempre.

Jhon Harley se deteve, como sugere o título da obra, no período em que Chico viveu em Pedro Leopoldo: os anos de 1910 a 1959.

Somente parei ao chegar à última página.

Que experiência fascinante! Lembrando-me, desejei dividi-la com o(a) leitor(a) amigo(a) do Blog Divulgando a Doutrina Espírita:

“Caro Jhon,

Iniciei a leitura do seu livro ‘O Voo da Garça Chico Xavier em Pedro Leopoldo 1910 – 1959’ na segunda-feira, 30 de abril (2011) e somente consegui parar quando cheguei à última página.

Quis escrever-lhe esta carta logo após, mas compromissos profissionais que reclamam nossa atenção me impediram. Contudo, o faço agora e, felizmente, com a tranquilidade exigida.

Primeiro, devo parabenizá-lo por nos brindar com detalhes tão interessantes e marcantes da vida do nosso querido Chico. Atrevo-me a lhe dizer que se o seu objetivo era o de nos fazer conhecer o Chico humano, você logrou êxito parabéns.

 Adentrar ou destacar todos os bons exemplos que nos foram legados pelo Chico e que sua obra retrata de um modo objetivo, mas lúdico, seria, por demais, uma enorme pretensão. Entretanto, peço sua permissão para me deter, em particular, sobre um, senão o mais importante, talvez o mais marcante dos traços da personalidade do nosso querido Chico a sua humildade.

Em várias passagens de sua obra este aspecto vem à tona e de uma forma que nos convida a uma profunda reflexão que, por vezes, nos faz chegar às lágrimas, lágrimas estas que escorrendo por nossa face, lavam nossa alma nos propiciando uma benéfica terapia individual.

Vou me deter sobre o relato da descrição do Chico feita pelo jornalista Clementino Alencar, repórter de “O Globo”, que você transcreve nas páginas 264/266 do livro, a forma que ele, o Chico, se apresenta para o encontro e, sobretudo, o pedido de desculpas dirigido ao repórter e ao coletor da cidade quando percebe que ambos detinham os seus olhares sobre as roupas simples e surrada que envergava naquela ocasião – ‘Desculpem ter eu vindo nestes trajes. Estava trabalhando. A vida tem que ser assim. Trabalhar…’.

Ainda no mesmo capítulo, digno de nota, são as observações feitas por Artur da Távola.

Confesso que ao ler a mensagem de Eça de Queirós, a exemplo do que você já alertava, fui tomado de grande espanto e mesmo de certa indignação, mas que, ao final da mensagem, se desfez.

Impossível não nos emocionarmos com a biografia do Chico.

Tenho a plena convicção de que as futuras gerações se lembrarão de Chico Xavier tal e qual o fazemos hoje nos mirando nos exemplos que nos foram legados por Francisco de Assis Vicente de Paula, quais sejam: a abnegação em favor dos mais pobres e dos desvalidos de toda ordem e a renúncia, declarada e demonstrada em face de qualquer grandeza de natureza material e, portanto, efêmera.

Quanto ao roteiro ‘Caminhos de Luz – Chico Xavier’, por meio de sua pessoa, gostaria também de parabenizar a Comunidade Espírita de Pedro Leopoldo pela feliz iniciativa e desenvolvimento.

Por fim, gostaria de fazer menção à qualidade editorial da obra: a formatação e a revisão de texto são impecáveis. E, se você ainda me permitir um último apontamento, gostaria de fazê-lo em relação aos recursos iconográficos utilizados: a contextualização histórico-geográfica que você fez, associada aos relatos depoimentos de moradores e contemporâneos do Chico, tornou a obra muitíssimo interessante e agradável de ler.

Parabéns!

Um fraterno abraço!

Belo Horizonte(MG), maio de 2011.”

Fica aqui a sugestão de leitura.

José Márcio

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Chico Xavier

Francisco Cândido Xavier morreu há 15 anos, deixando para trás mais de 412 livros escritos. Mas ele sempre rejeitou a autoria de todos: a obra seria inteira psicografada, ditada diretamente de espíritos que falavam ao médium.

Com o aniversário de falecimento do líder espírita, uma empresa brasileira resolveu investigar a obra de Chico usando inteligência artificial. Ao longo da vida, ele psicografou livros de vários autores diferentes. A ideia era usar todo o poder de computação para responder duas perguntas: esse autores têm cada um seu estilo próprio? Eles são suficientemente diferentes entre si?

A Stilingue, uma empresa que trabalha com análise de textos via inteligência artificial para “resumir a internet”, encontrando tendências nas redes sociais, resolveu testar como as obras psicografadas seriam analisadas por uma técnica de aprendizado de máquinas chamada Deep Learning.

A partir de grandes quantidades de dados, o computador aprende a criar relações entre eles, sem precisar aprender, por exemplo, o que é um verbo, um adjetivo, um substantivo. Se fosse reconstruir a Bíblia, o computador logo ia aprender que precisa colocar um número antes de cada frase, porque o livro é estruturado em versículos.

A mesma técnica também já foi usada para recriar Shakespeare. Depois de ler milhões de caracteres do dramaturgo, o computador era capaz de escrever sozinho “imitando” o estilo do inglês, sem nunca ter passado por uma aula de literatura. Nem sempre as frases fazem total sentido, mas os tempos verbais e a mania de criar palavras novas mudando o final delas ficam reproduzidos, igualzinho.

No caso de Chico Xavier, o estudo da Stilingue selecionou três dos principais autores psicografados pelo médium: Emmanuel, André Luiz e Humberto de Campos.

Para “alimentar” a rede neural artificial, eles selecionaram três livros de cada autor – que precisam ser enormes, porque a técnica Deep Learning exige, no mínimo, um milhão de caracteres por autor conseguir aprender com sucesso. “No caso de Humberto de Campos, sentimos um pouco de falta de mais material. Ele é um autor mais desafiador porque escrevia diferentes tipos de texto [contos, anedotas e poesias]”, explica Milton Stiilpen Jr., fundador da Stilingue.

Devidamente treinado, o computador começou a reproduzir os textos. André Luiz, por exemplo, tinha o hábito de colocar falas espaçadas entre blocos de texto maiores, ao invés de criar longos blocos de diálogos.

André Luiz: entidade espírita vs. bot

Este primeiro texto foi psicografado por Chico Xavier:

Os encarnados presentes viam tão-somente o corpo de Otávia, dominado pelo sacerdote que lhes era invisível, quase a rebentar-se de soluços atrozes, mas nós víamos além. A nobre senhora desencarnada postou-se ao lado do filho e começou a beijá-lo, em lágrimas de reconhecimento e amor. Pranto copioso identificava-os. Cobrando forças novas, a genitora continuou:

– Perdoe-me, filho querido, se noutra época induzi o seu coração à responsabilidade eclesiástica, modificando o curso de suas tendências. Suas lutas de agora me atingem a alma angustiada. Seja forte, Marinho, e ajude-me! Desvencilhe-se dos maus companheiros! Não vale rebelar-se. Nunca fugiremos à lei do Eterno! Onde você estiver, a voz divina se fará ouvir no imo da consciência…

Nesse momento, observei que o sacerdote recordou instintivamente os amigos, tocado de profundo receio. Agora que reencontrava a mãezinha carinhosa e devotada a Deus, que sentia a vibração confortadora do ambiente de fraternidade e fé, sentia medo de regressar ao convívio dos colegas endurecidos no mal.

Já este foi criação da inteligência artificial:

A primeira vez mais providencial de serviço de sua consciência, a Senhora Laura encontrava-se com a presença de alguns, com a sua consciência espiritual e a medicina de amor, acrescentou:

– O controlador de serviço está disposto a escapar com as mesmas expressões de alegria.

A primeira vez mais forte de algum tempo, a senhora de Alexandre prosseguiu a companheira de serviço e considerando a alegria da conversação despediu-se:

– Neste momento, a maioria dos companheiros encarnados estão através de construções destruidoras e desencarnadas. A consciência tem sempre a construção do coração.

Depois de criar três bots capazes de imitar os autores com uma precisão considerável (erro de 22% para André Luiz, 5% para Emmanuel e 32% para o Humberto de Campos), dá para dizer que cada autor tem um estilo razoavelmente marcante e uniforme.

Agora, dá para dizer que eles são diferentes entre si? Ou será que o estilo delata que teriam sido escritos por uma só pessoa? Para fazer o teste, eles decidiram confundir a máquina. Misturaram os textos de diferentes autores. Mandaram o bot do Emmanuel escrever com base na obra do Humberto, o do Humberto imitar o André e assim por diante. Deu errado: a taxa de erro disparou. Os modelos eram incapazes de encontrar os mesmos padrões de estilo de uma entidade espírita nos livros da outra. Os autores são, sim, marcadamente diferentes.

A questão que resta é: há outras formas de explicar o resultado?

Misturar textos de diferentes temas e épocas de um mesmo autor já é suficiente para aumentar a taxa de erro. Mas não tanto assim. “Fizemos um teste com o Paulo Coelho justamente para testar um único autor com diferentes livros e muitos textos. A taxa de erro aumenta – mas mesmo assim continua baixa”, explica Milton. O teste com Paulo Coelho retornou uma taxa de apenas 10%.

Outra possibilidade cética seria a criação consciente e deliberada de Chico Xavier de diferentes personas, uma para cada autor – coisa parecida com o que o escritor Fernando Pessoa fez, com seis heterônimos marcadamente diferentes.

Milton também tinha uma resposta para isso: eles fizeram o teste de Deep Learning também com Fernando Pessoa. “Faltou quantidade de dados suficiente para atender essa técnica”, responde Stiilpen. A Stilingue não conseguiu acesso fácil e digitalizado à quantidade necessária de material de cada heterônimo de Pessoa. Relembrando, o mínimo necessário para a análise usando Deep Learning é de 1 milhão de caracteres o que significa, nesse caso, 6 milhões para uma análise de todos os “autores” em questão. E isso só para aquecer.

Graças a esses resultados, a análise textual deve virar um projeto de pesquisa oficial que vai, inclusive, selecionar outras técnicas mais adequadas a autores como Fernando Pessoa e Nelson Rodrigues. Mas, de tudo isso, qual foi o veredito do estudo sobre Chico Xavier?

A psicografia segue como uma questão de fé. Mas se o estudo atesta algo, é a genialidade do médium. Escrever o volume de texto que ele escreveu, com personas comprovadamente distintas, mas uniformes entre si, não precisa nem ser sobrenatural para ser absolutamente impressionante. Ou, como colocou Monteiro Lobato, “Se Chico Xavier produziu tudo aquilo por conta própria, então ele merece ocupar quantas cadeiras quiser na Academia Brasileira de Letras.”

Esta matéria foi publicada originalmente na Superinteressante.

Por Ana Carolina Leonardi (Publicado em 1 jul 2017, 11h31).

Fonte: http://exame.abril.com.br/tecnologia/inteligencia-artificial-pos-a-prova-psicografia-de-chico-xavier/.

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Pensamento e Vida

1. Trata-se de uma obra do autor espiritual Emmanuel:

Espírito de alta envergadura, colaborador direto e ativo do Cristo na obra da Codificação Espírita (item 11, cap. 11, de O Evangelho Segundo o Espiritismo);

2. Obra psicografada por Francisco Cândido Xavier:

Chico Xavier, a maior antena psíquica que se tem notícia; (data do prefácio de Emmanuel: 11/02/1958 – há pouco mais de 58 anos);

3. A obra é a expressão de uma cartilha falada que Emmanuel utiliza em suas tarefas, junto aos companheiros em trânsito para o berço (que irão reencarnar) e que é utilizada nas escolas do mundo espiritual dedicadas à regeneração entre a morte e o renascimento (quando dos planejamentos reencarnatórios do Espírito);

― O título da obra, Pensamento e Vida, é o mesmo que lhe é emprestado na Vida Maior;

― A obra, dividida em trinta capítulos, é “pequena” do ponto de vista do tamanho (número de páginas, p. ex.), mas “gigante” do ponto de vista do seu conteúdo;

― Somos convidados por Emmanuel a refletir sobre temas como: vontade, fé, trabalho, sugestão, vocação, profissão, hábito, dever, culpa, humildade, tolerância, obsessão, enfermidade, morte e amor, dentre outros.

4. As profundas reflexões que a obra traz:

― Qual é a força do pensamento?

― Como os pensamentos agem sobre a vida?

― Quais os efeitos que os pensamentos geram na intimidade de cada um e no mundo onde vive?

― Qual a ligação entre as emoções e os pensamentos?

― Tem o Ser, capacidade de gerenciá-las, as emoções e os pensamentos, em benefício do progresso?

5. Como os pensamentos agem poderosamente modelando a vida:

Em Pensamento e Vida, Emmanuel esclarece sobre como os pensamentos agem poderosamente modelando a vida.

Somos hoje herdeiros positivos dos reflexos de nossas experiências de ontem, com recursos para alterar-lhes a direção à verdadeira felicidade.

O nosso pensamento cria a vida que procuramos, através do reflexo de nós mesmos.

A mente é o espelho da vida em toda parte.

O reflexo mental mora no alicerce da vida.

― A mente é o campo de nossa consciência desperta, na faixa evolutiva em que o conhecimento adquirido nos permite operar.

― Emmanuel compara a mente humana, o espelho vivo da consciência lúcida, a um grande escritório, subdividido em diversas seções de serviço:

. Aí possuímos o Departamento do Desejo, em que operam os propósitos e as aspirações, acalentando o estimulo ao trabalho;

. O Departamento da Inteligência, dilatando os patrimônios da evolução e da cultura;

. O Departamento da Imaginação, amealhando as riquezas do ideal e da sensibilidade;

. O Departamento da Memória, arquivando as súmulas da experiência, e outros, ainda, que definem os investimentos da alma.

. Acima de todos eles, porém, surge o Gabinete da Vontade. A Vontade é a gerência esclarecida e vigilante, governando todos os setores da ação mental.

― Emmanuel apresenta-nos ainda as duas asas que conduzirão o espírito humano à presença de Deus: o amor (sentimento) e a sabedoria (razão).

. Segundo Emmanuel, Através do amor valorizamo-nos para a vida. Através da sabedoria somos pela vida valorizados. Daí o imperativo de marcharem juntas a inteligência e a bondade.

Uma ótima leitura a todos!

José Márcio

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Tiradentes

Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes

Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes

Dos infelizes protagonistas da Inconfidência Mineira, no dia 21 de abril de todos os anos, aqueles que podem excursionar pela Terra volvem às ruínas de Ouro Preto, a fim de se reunirem entre as velhas paredes da casa humilde do sítio da Cachoeira, trazendo  a  sua homenagem de amor à personalidade do Tiradentes.

Nessas assembleias espirituais, que os encarnados poderiam considerar como reuniões de sombras, os  preitos de amor são mais expressivos e mais sinceros, livres de todos os enganos da História e das hipocrisias convencionais.

Ainda agora, compareci a essa festividade de corações, integrando a caravana de alguns brasileiros desencarnados, que para lá se dirigiu associando-se às comemorações do proto mártir da emancipação do País.

Nunca tive muito contato com as coisas de Minas Gerais, mas a antiga Vila Rica, atualmente elevada à condição de Monumento Nacional, pelas suas relíquias prestigiosas, sempre me impressionou pela sua beleza sugestiva e legendária. Nas suas ruas tortuosas, percebe-se a mesma fisionomia do Brasil dos Vice-Reis. Uma coroa de lendas suaves paira sobre as suas ladeiras e sobre os seus edifícios seculares, embriagando o espírito do forasteiro com melodias longínquas e perfumes distantes. Na terra empedrada, ainda existem sinais de passos dos antigos conquistadores do ouro  dos seus rios e das suas minas e, nas suas igrejas, ainda se ouvem soluços de  escravos, misturados com gritos de sonhos mortos, do seu valoroso heroísmo. A velha Vila Rica, com a névoa fria dos seus horizontes, parece viver agora com as suas saudades de cada dia e com as suas recordações de cada noite.

Sem me alongar nos lances descritivos, acerca dos seus tesouros do passado, objeto da observação de jornalistas e escritores de todos os tempos, devo dizer que, na noite de hoje, a casa antiga dos Inconfidentes tem estado cheia das sombras dos mortos. Aí fui encontrar, não segundo o corpo, mas segundo o espírito, as personalidades de Domingos Vidal Barbosa, Freire de Andrada, Mariano Leal, José Joaquim da Maia, Cláudio Manuel, Inácio Alvarenga, Dorotéia de Seixas, Beatriz Francisca Brandão, Toledo Pisa, Luís de Vasconcelos e muitos outros nomes, que participaram dos acontecimentos relativos à malograda conspiração. Mas, de todas as figuras veneráveis ao alcance dos meus olhos, a que me sugeria as grandes afirmações da pátria era, sem dúvida, a do antigo alferes Joaquim José da Silva Xavier, pela sua nobre e serena beleza. Do seu olhar claro e doce, irradiava-se toda uma onda de estranhas revelações, e não foi sem timidez que me  acerquei  da  sua personalidade, provocando a sua palavra.

Falando-lhe a  respeito do movimento de emancipação política, do qual havia sido o  herói extraordinário, declinei minha qualidade de seu ex-compatriota, filho  do  Maranhão, que também combatera, no passado, contra o domínio dos estrangeiros.

― “Meu amigo – declarou com bondade –, antes de tudo, devo afirmar que não fui um herói e sim um Espírito em prova, servindo simultaneamente à causa da liberdade da minha terra.

Quanto à Inconfidência de Minas, não foi propriamente um movimento nativista, apesar de ter aí ficado como roteiro luminoso para a independência da pátria. Hoje, posso perceber que o nosso movimento era um projeto por demais elevado para as forças com que podia contar o Brasil daquela época, reconhecendo como o idealismo eliminou em nosso espírito todas as noções da realidade prática; mas, estávamos embriagados pelas ideias generosas que nos chegavam da Europa, através da educação universitária. E, sobretudo, o exemplo dos Estados Americanos do Norte, que afirmaram os princípios imortais do direito do homem, muito antes do verbo inflamado de Mirabeau, era uma luz incendiando a nossa imaginação.

O Congresso de Filadélfia, que reconheceu todas as doutrinas democráticas, em 1776, afigurou-se-nos uma garantia da concretização dos nossos sonhos. Por intermédio de José Joaquim da Maia procuramos sondar o pensamento de Jefferson, em Paris, a nosso respeito; mas, infelizmente, não percebíamos que a luta, como ainda hoje se verifica no mundo, era de princípios. O fenômeno que se operava no terreno político e social era o desprezo do absolutismo e da tradição, para que o racionalismo dirigisse a Vida dos homens.

Fomos os títeres de alguns portugueses liberais, que, na colônia, desejavam adaptar-se ao novo período histórico do Planeta, aproveitando-se dos nossos primeiros surtos de nacionalismo. Não possuíamos um índice forte de brasilidade que nos assegurasse a vitória, e a verdade só me foi intuitivamente revelada quando as autoridades do Rio mandaram prender-me na rua dos Latoeiros.”

― E nada tendes a dizer sobre a defecção de alguns dos vossos companheiros? – perguntei.

― “Hoje, de modo algum desejaria avivar minhas amargas lembranças. Aliás, não foi apenas Silvério quem nos denunciou perante o Visconde de Barbacena; muitos outros fizeram o mesmo, chegando um deles a se disfarçar como um fantasma, dentro das noites de Vila Rica, avisando quanto à  resolução  do  governo  da  província,  antes  que  ela fosse tomada publicamente, com o fim de salvaguardar as posições sociais de amigos  do Visconde, que  haviam simpatizado com a nossa causa. Graças a Deus,  todavia,  até  hoje, sinto-me ditoso por ter subido sozinho os vinte degraus do patíbulo.”

― E sobre esses fatos dolorosos, não tendes alguma impressão nova a nos transmitir?

E os lábios do Herói da Inconfidência, como se receassem dizer toda a verdade, murmuraram estas frases soltas:

― “Sim, a Sala do Oratório e o vozerio dos companheiros desesperados com a sentença de morte… a Praça da Lampadosa, minha veneração pelo Crucifixo do Redentor e o remorso do carrasco… a procissão da Irmandade da Misericórdia, os cavaleiros, até o derradeiro impulso da corda fatal, arrastando-me para o abismo da Morte…”

E concluiu:

― “Não tenho coisa alguma a acrescentar às descrições históricas, senão minha profunda repugnância pela hipocrisia das convenções sociais de todos os tempos.”

― É verdade – acrescentei –, reza a História que, no instante da vossa morte, um  religioso, falou sobre o tema do Eclesiastes: ―“Não atraiçoes o teu rei, nem mesmo por pensamentos.”

E terminando a minha observação com uma pergunta, arrisquei:

― Quanto ao Brasil atual, qual a vossa opinião a respeito?

― “Apenas a de que ainda não foi atingido o alvo dos nossos sonhos. A nação ainda não foi realizada para criar-se uma linha histórica, mantenedora da sua perfeita independência.

Todavia, a vitalidade de um povo reside na organização da sua economia e a economia do Brasil está muito longe de ser realizada. A ausência de um interesse comum, em “favor do País, dá causa não mais à derrama dos impostos, mas ao derrame das ambições, onde todos querem mandar, sem saberem dirigir a si próprios.”

Antes que se fizesse silêncio entre nós, tornei ainda:

― Com relação aos ossos dos inconfidentes, vindos agora da África para o antigo teatro da luta, hoje transformado em Panteão Nacional, são de fato autênticos esqueletos dos apóstolos da liberdade?

― “Nesse particular – respondeu Tiradentes com uma ponta de ironia –; não devo manifestar os meus pensamentos. Os ossos encontrados tanto podem ser de Gonzaga, como podem pertencer, igualmente, ao mais miserável dos negros de Angola. O orgulho  humano e as vaidades  patrióticas têm também os seus limites… Aliás, o que se faz  necessário é a compreensão dos sentimentos que nos moveram a personalidade,  impelindo-nos para o sacrifício e para a morte.”

Mas, não pôde terminar. Arrebatado numa aluvião de abraços amigos e carinhosos, retirou-se o grande patriota que o Brasil hoje festeja, glorificando o seu heroísmo e a  sua  doce humildade.

Aos meus ouvidos emocionados ecoavam as notas derradeiras da música evocativa e  os fragmentos de orações que rodeavam o monumento do herói, afigurando-se-me  que  Vila Rica ressurgira, com os seus coches dourados e os seus fidalgos, num dos dias gloriosos do Triunfo Eucarístico; mas, aos poucos, suas luzes se amorteceram no silêncio da  noite,  e a velha cidade dos conspiradores entrou a dormir, no tapete glorioso de suas recordações, o sono tranquilo dos seus sonhos mortos.

Tiradentes, pelo Espírito Humberto de Campos, do livro Crônicas de Além Túmulo (cap. 29); psicografia de Francisco Cândido Xavier (21 de abril de 1937).

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Chico "do Amor" Xavier

Chico “do Amor” Xavier

Para celebrarmos os 106 anos de Chico Xavier (1910 – 2016), relembramos uma passagem de sua trajetória que ficou conhecida com “a surra de bíblia” e que foi relatada pelo professor, jornalista, escritor, poeta, conferencista e espírita brasileiro Ramiro Gama (1898 – 1981), em seu livro Lindos Casos de Chico Xavier (cap. 12, p. 35).

Sugerimos, aos leitores do blog Divulgando a Doutrina Espírita, a leitura da aludida obra.

Eis a mesma, reproduzida na íntegra:

“12. A SURRA DE BÍBLIA

Lutando no tratamento das irmãs obsidiadas, José e Chico Xavier gastaram alguns meses até que surgisse a cura completa.

No princípio, porém, da tarefa assistencial houve uma noite em que José foi obrigado a viajar em serviço da sua profissão de seleiro.

Mudara-se para Pedro Leopoldo um homem bom e rústico, de nome Manuel, que o povo dizia muito experimentado em doutrinar espíritos das trevas.

O irmão do Chico não hesitou e resolveu visitá-lo, pedindo cooperação.

Necessitava ausentar-se, mas o socorro às doentes não deveria ser interrompido.

“Seu” Manuel aceitou o convite e, na hora aprazada, compareceu ao “Centro Espírita Luiz Gonzaga”, com uma Bíblia antiga sob o braço direito.

A sessão começou eficiente e pacífica.

Como de outras vezes, depois das preces e instruções de abertura, o Chico seria o médium para a doutrinação dos obsessores.

Um dos espíritos amigos incorporou-se, por intermédio dele, fornecendo a precisa orientação e disse ao “seu” Manuel entre outras coisas:

— Meu amigo, quando o perseguidor infeliz apossar-se do médium, aplique o Evangelho com veemência.

— Pois não, — respondeu o diretor muito calmo, — a vossa ordem será obedecida.

E quando a primeira das entidades perturbadas assenhoreou o aparelho mediúnico, exigindo assistência evangelizante, “seu” Manuel tomou a Bíblia de grande formato e bateu, com ela, muitas vezes, sobre o crânio do Chico, exclamando, irritadiço:

— Tome Evangelho! tome Evangelho!…

O obsessor, sob a influência de benfeitores espirituais da casa, afastou-se, de imediato, e a sessão foi encerrada.

Mas o Chico sofreu intensa torção no pescoço e esteve seis dias de cama para curar o torcicolo doloroso.

E, ainda hoje, ele afirma satisfeito que será talvez das poucas pessoas do mundo que terão tomado “uma surra de Bíblia”…”

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Chico Xavier: o maior brasileiro de todos os tempos

Chico Xavier: o maior brasileiro de todos os tempos

Em 2 de abril de 2015 contaremos o 105º aniversário da encarnação de Chico Xavier.

Desejando algo escrever que celebrasse esta data, recordei-me que, a 1º de maio de 2013, em homenagem ao grande médium mineiro e apóstolo de Jesus, havia publicado, de autoria do confrade Adeílson Salles, o post Carta ao Chico – ver: https://divulgandoadoutrinaespirita.wordpress.com/2013/05/01/carta-ao-chico/.

Com esta sincera motivação e considerando a beleza e a originalidade de seu conteúdo, a publico novamente aqui no DIVULGANDO A DOUTRINA ESPÍRITA, mas não sem antes fazer coro com Adeílson Salles e dizer, em alto e bom tom: “Saudades de você, Cândido irmão, Chico Xavier”.

Ei-la:

Guarujá, 12 agosto de 2009.

Caro amigo Chico, quanta saudade!

Perdoe-me essas mal traçadas linhas.

Como vai você? Já faz sete anos que voltaste para casa; não deu tempo de nos despedirmos.

Lembro-me como se fosse hoje, que você saiu discretamente da Terra.

Aqui no mundo material as coisas andam meio complicadas, mas a gente vai levando.

Estou lhe escrevendo, para amenizar um pouco a saudade que sinto.

Seu exemplo Candido, está gravado na retina dos meus olhos, e certamente, em minha alma.

Há sete anos você voltou para casa após cumprir a sua missão.

Confesso que muitos de nós sentimo-nos um pouco órfãos do seu amor, mas, “E a Vida Continua” e seu exemplo de trabalho, bate a porta de nossas consciências e nos convida a luta. Penso em “Nosso Lar” e agradeço sua “Fonte Viva” de amor. Recordo-me que “Há Dois Mil Anos” o Cristo esteve aqui. Tenho a certeza que preciso de enorme “Renúncia” para vencer a mim mesmo. Sei que onde estás me acenas com o “Sinal Verde”, me dizendo para ter “Coragem”. Peço ajuda a todos “Os Mensageiros” e também aos “Missionários da Luz”, para que um dia minha “Conduta Cristã” torne-se realidade. Devo responder sempre por minha própria “Ação e Reação”, mas teu exemplo é a rota segura. Devo estudar para compreender “Os Mecanismos da Mediunidade” e não necessitar da “Desobsessão”. Obrigado por nos trazer sua “Vinha de Luz” e o “Pão Nosso” para nossas almas. “50 Anos Depois” certamente, ainda estaremos longe de compreender tua missão. “Libertação” através do estudo das obras de Allan Kardec, sempre foi sua proposta.

Acredito que fostes recebido no mundo espiritual por “Paulo e Estevão” dois trabalhadores da “Boa Nova” como você. Vou procurar estudar mais, para penetrar “O Consolador” e compreender “Nos Domínios da Mediunidade”. Vamos seguindo Chico, “A Caminho da Luz” para um dia cumprir a nossa “Agenda Cristã”. Deus te abençoe; você ai e nós aqui; somos os “Obreiros da Vida Eterna”.

Minha profunda gratidão; em todas as minhas preces sempre digo, “Ave Cristo”!

Vou ficando por aqui.

Dê um abraço na turma toda, Emmanuel, André Luiz, Meimei, Maria Dolores, Irmão X, enfim; a esses amados companheiros de jornada evolutiva. São tantos que não daria para enumerar. Fique com Deus e não se esqueça que nós te amamos. Quando puder, de um pulinho aqui no mundo material; certamente um dia você vai voltar.

Já ia me esquecendo, obrigado por tudo.

Apesar da saudade, tenho certeza que estás entre nós, pois como asseverava Jesus: “(…) Meu Pai ainda hoje trabalha (…)”; sei que com você não seria diferente.

Bom trabalho companheiro!

Saudades de você, Cândido irmão, Chico Xavier.

Carta ao Chico, por Adeílson Salles.

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Isso Também Passará

Chico do Amor Xavier

ISSO TAMBÉM PASSARÁ [*]

O médium mineiro Francisco Cândido Xavier contou que, num de seus dias de profunda amargura, solicitou ao benfeitor espiritual que levasse o seu pedido de socorro à Maria de Nazaré, para que ela o consolasse, já que seus problemas eram graves.

Após alguns dias, o benfeitor retornou dizendo-se portador de um recado da mãe de Jesus.

Chico imediatamente pegou papel e lápis e colocou-se na posição de anotar: Pode falar, tomarei nota de cada palavra.

Emmanuel, benfeitor atencioso, lhe falou:

Anote aí, Chico. Maria me pediu para que trouxesse o seguinte recado:

“Isso também passará. Ponto final.”

Chico tomou nota rapidamente e perguntou ao benfeitor: Só isso?

E ele respondeu: É, Chico. A Mãe Santíssima pediu para lhe dizer que isso também passará.

* * *

Como Chico Xavier, muitos de nós, quando visitados pela dor, gostaríamos de receber uma mensagem individual de consolo.

Pensando que fomos esquecidos pela Divindade, rogamos nos seja concedida uma deferência especial por parte dos benfeitores espirituais.

Todavia, Deus tudo sabe e tudo vê. Nada acontece sem Seu consentimento, basta que depositemos confiança em Suas soberanas Leis.

Todas as coisas, na Terra, passam…

Os dias de dificuldades passarão…

Passarão também os dias de amargura e solidão…

As dores e as lágrimas passarão.

As frustrações que nos fazem chorar… Um dia passarão.

A saudade do ser querido que se vai na mão da morte, passará.

Os dias de glórias e triunfos mundanos, em que nos julgamos maiores e melhores que os outros… Igualmente passarão.

Essa vaidade interna que nos faz sentir como o centro do Universo, um dia passará.

Dias de tristeza… Dias de felicidade… São lições necessárias que, na Terra, passam, deixando no Espírito imortal as experiências acumuladas.

Se hoje, para nós, é um desses dias repletos de amargura, paremos um instante.

Elevemos o pensamento e busquemos a voz suave da Mãe amorosa a nos dizer carinhosamente: Isso também passará…

E guardemos a certeza, pelas próprias dificuldades já superadas, que não há mal que dure para sempre.

* * *

O planeta Terra, semelhante a enorme embarcação, às vezes parece que vai soçobrar diante da turbulência de gigantescas ondas.

São guerras, interesses mesquinhos, desvalores…

Mas isso também passará, porque Jesus está no leme dessa nau, e segue com o olhar sereno de quem guarda a certeza de que a agitação faz parte do roteiro evolutivo da Humanidade, e que um dia também passará.

Ele sabe que a Terra chegará a porto seguro porque essa é a sua destinação.

Assim, façamos a nossa parte o melhor que pudermos, sem esmorecimento.

E confiemos em Deus, aproveitando cada segundo, cada minuto, que agora, já não é mais o mesmo de quando iniciamos o programa e o de agora, também passará…

[*] Fonte: Momento de Reflexão. 25/03/2014.

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