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Archive for the ‘Artigo Doutrinário’ Category

Divaldo Franco e Joanna de Ângellis

Pode parecer um absurdo espiritizar o Centro Espírita e um tanto paradoxal. No entanto, há Centro Espírita que só tem o rótulo mas não tem espiritismo. Vamos por partes, porque é muito delicado.

Fui convidado a proferir uma conferência em um Centro Espírita no sul do país. Normalmente, quando recebo convite, não atendo, porque pode ser entusiasmo da pessoa. No segundo convite eu digo: “para o ano, volte a escrever.” Isso é para ver se a pessoa está mesmo interessada. Para o ano a pessoa volta a escrever e eu digo: “para o ano, na programação, nós vamos agendar.”

E, naquela Casa, fui postergando por um período de seis a oito anos, por falta de tempo, até que o presidente insistiu tanto que fiquei constrangido e dei um jeito.

Disse-lhe, na carta: “mande-me as datas que lhe são ideais e eu escolherei aquela compatível com minha programação.” Estabelecemos a data e por seis meses correspondemo-nos e tudo foi muito bem.

No dia marcado cheguei à cidade e fui a uma bela instituição. Edifício monumental. Uma grande sala. Quando cheguei à porta, fui recebido por uma comissão muito gentil e estabeleceu-se o seguinte diálogo:

— Senhor Divaldo, o Presidente pede desculpas por não ter podido vir receber o Senhor.

Eu disse: “é muito natural, não há problema.”

— Aqui está o Vice-Presidente, o Secretário, o Tesoureiro, e nós desejamos recebê-lo, porque o nosso Presidente está, no prédio vizinho, fazendo cromoterapia.

— “Eu não sabia que ele era cromoterapeuta,” falei. “Ele é profissional, naturalmente?”

— “Não! Ele é espírita”, responderam-me.

— Deixe-me ver: ele é o Presidente do Centro e é o presidente da cromoterapia? Ele me convidou para vir aqui durante oito anos. Marcou a data e foi fazer a cromoterapia!

— É porque a cromoterapia é muito importante. Está salvando milhares de vida.

— Que graça! Eu sempre pensei que o Espiritismo está salvando milhões de vidas.

Será esta a imagem de um Centro Espírita? Em absoluto.

O Centro Espírita não tem que se envolver com nenhuma terapia alternativa. É até um desrespeito, porque o cromoterapeuta é alguém que estudou. Ele tem sua clínica e o Centro Espírita não se pode transformar numa clínica alternativa. É lugar de transformação moral do indivíduo, onde se viaja ao cerne do problema para arrancá-lo. Se transformarmos um Centro Espírita em uma clínica, para lá vão pessoas aturdidas. Qualquer coisa esdrúxula que anunciemos no jornal haverá uma massa incontável que adere por necessidade de pedir socorro.

Mas o Espiritismo não ilude, não mente e nem posterga a ação, porque ele é herança de Jesus. E Jesus, com todo o amor, dizia a verdade. Seja o nosso falar: sim, sim, não, não, conforme Ele o fazia. Não iremos dizer de forma grotesca ou agressiva, mas iremos dizer de uma forma verdadeira. É melhor, às vezes, perder o amigo agora porque não conivimos e o termos depois, do que o apoiarmos e o perdermos em definitivo, quando ele notar a nossa fraude.

Então, Joanna de Ângelis manda ESPIRITIZAR.

Tenho ouvido oradores em casas Espíritas apresentarem temas maravilhosos, mas que não são nada espíritas. Temas que podem narrar no Rotary, na Maçonaria, no Lions, numa reunião social. Na Casa Espírita pode-se abordar qualquer tema, à luz do Espiritismo. Fazer as conotações espíritas.

Se aconteceu uma tragédia na cidade vamos examiná-la, à luz do Espiritismo. Está no momento da clonagem. Vamos falar sobre clonagem, à luz da Doutrina Espírita. Está nos noticiários a corrupção. Vamos falar sobre a corrupção e a terapia Espírita.

Infelizmente não está ocorrendo isso. Convida-se, às vezes, oradores admiráveis, fascinantes, porém, totalmente deslocados. Palestras que se pode ouvir em qualquer lugar.

Na Casa Espírita vão as pessoas atormentadas, buscando consolação, com a alma despedaçada pela morte de seres queridos e, se ouvem uma coisa que nada tem a ver com a proposta da Doutrina Espírita, saem desoladas. Agindo assim, estaremos fraudando a proposta do Espiritismo.

Temos visto congressos espíritas – não é crítica, é análise – em que se aborda Terapia pela dança. É uma maravilha. Mas não num congresso espírita. Vamos fazer isso num congresso de Yoga, que respeitamos muito, ou num congresso de psicoterapia e então coloquemos música, metais, cristais, mas não num congresso espírita.

Ah! É porque nossos irmãos estão doentes, justificam. Nesse caso, falemos das causas das doenças. Das causas anteriores das aflições. Das causas atuais das aflições.

A terapia da dança podemos encontrar em qualquer setor do mundo social, respeitável e nobre. Mas quando vamos à Casa Espírita, esperamos encontrar a proposta espírita.

O Centro Espírita tem que ser o lugar de Doutrina Espírita.

Daí o Centro Espírita tem que ser espiritizado. É a proposta de Joanna de Ângelis.

A segunda vertente de sua proposta é QUALIFICAR.

Vivemos hoje a época da qualidade total. Qualificação é indispensável. Nós, às vezes vamos à Casa Espírita com nossos hábitos ancestrais, o que é natural. Mas o fato de entrarmos na Casa Espírita não muda nossa existência. Levamos a nossa qualificação muitas vezes empírica, singela, e vamos exercer certas funções para as quais não estamos qualificados.

Vemos, por exemplo, um literato, que não entende absolutamente de contabilidade, sendo o tesoureiro do Centro. Vamos ver o indivíduo aplicando a terapia dos passes, mas que, de maneira nenhuma se preparou para isso. Vamos ver no atendimento fraterno uma pessoa que tem muito bom coração, mas não tem o menor tato psicológico.

Temos que qualificar-nos.

O que é qualificar?

É adquirir características essenciais, típicas das finalidades que vamos exercer na vida prática.

Se eu, por exemplo, quero dedicar-me ao atendimento fraterno, devo fazer um curso. Por isso, os Centros Espíritas devem estar vinculados ao chamado movimento organizado, porque as nossas Casas Federativas dispõem de equipes para nos esclarecer, para nos informar, para ministrar cursos.

Quando vemos, por exemplo, a Federação Espírita do Paraná (FEP), oferecer-nos o jornal Mundo Espírita por um preço irrisório, que muitos ainda não pagam, chegar às nossas mãos todo o mês, com pontualidade, trazendo-nos mensagens libertadoras de consciência, comovo-me com esse trabalho.

Se ligarmos o rádio, aí está um programa de orientação espírita, o Momento Espírita, já transmitido por uma cadeia de rádios em várias cidades do País. Seria interessante se cada um dos senhores, nas suas cidades, entrassem em contato com a FEP e, ao invés de fazer programa de rádio sem nenhuma habilidade, sem qualificação, colocassem o programa que é transmitido em Curitiba, que é de excelente qualidade, narrado por pessoa qualificada, desde a voz, uma voz agradável, muito bem empostada. É uma mensagem muito bem trabalhada, apresentando várias conotações para o enriquecimento das pessoas espíritas e não espíritas.

Muitas pessoas confundem qualificação com elitismo. E as pessoas dizem: “está elitizando!”.

Minha mãe era analfabeta e eu dialogava com ela. Qualificamo-la. Ela tornou-se uma excelente bordadeira, uma excelente cozinheira. Conheço tanta gente instruída que não sabe enfiar a linha na agulha e que não sabe pregar um botão.

Daí, meus amigos, qualificar não é elitizar, não é intelectualizar. É equipar de recursos para fazer bem aquilo que gostaria de fazer. Evitar o aventureirismo.

HUMANIZAR – Humanizar é fazer com que nós, de vez em quando, tornemos à nossa simplicidade, ao nosso bom humor, ao nosso lado humano. A vida nos impõe rotinas e, quando menos esperamos, estamos fazendo aquilo rotineiramente, sem emoção. Nós nos transformamos em máquinas.

Visitei uma instituição e uma senhora me disse assim: “Ah! Irmão Divaldo, não aguento mais. Estou cansada de fazer caridade. Eu não aguento mais, é tanto pobre. Eu disse: “minha filha, então deixe”. Ela: “O Senhor está me mandando deixar de fazer a caridade?” Eu disse: “Não, eu estou mandando você descansar, porque a caridade está lhe fazendo mal. Já imaginou a caridade fazer mal a quem a faz? Algo não está funcionando! Ou você está exibindo-se sem o sentido de caridade, me perdoe a franqueza, pois quero lhe ajudar, ou você está saturada. Faça uma pausa”.

Ela: “o que será dos pobres?” Eu: “Minha filha, eles são filhos de Deus. Antes de você chegar Deus já tomava conta. Você está só dando uma mãozinha para você, não para eles, porque, afinal, isso aqui nem é caridade, é paternalismo. Você está mantendo muita gente na miséria, que já podia estar libertada, porque você me disse que já atendeu a avó, a filha e agora está atendendo a neta.

Como é que você conseguiu manter na miséria três gerações? Que a avó e a filha fossem pobres necessitadas, é aceitável, mas a neta já teríamos que libertar da miséria de qualquer jeito. Colocando-a na escola, equipando-a, arranjando-lhe trabalho. Isso não é caridade. Está lá no Evangelho: “Transformai as vossas esmolas em salário”.

Então, repouse um pouco. É uma rotina. Você quer abarcar um número de pessoas que você não pode abraçar. Diminua. Faça com qualidade e procure fazer em profundidade. Faça o bem.

Nós não podemos salvar o mundo e perder a nossa alma. A tese é de Jesus Cristo: “Que vos adianta salvar o mundo e perder-se a si mesmo!” Nós não estamos aqui para salvar o mundo. Estamos aqui para salvar-nos e ajudar o mundo para que cada um nele se salve.

Então, humanizar é neste sentido. É esta proposta de voltarmos a ser gente. Não ficarmos nos considerando muito importantes. O Presidente do Centro, o dono do Centro, o super-médium, a pessoa mais formidável do século. Voltarmos às nossas origens. A simplicidade de coração, a afabilidade, a doçura (textos do Evangelho Segundo o Espiritismo), a cordialidade, o bom trato. Se o doente é insistente, se o pobre é impertinente, nós estamos ali porque queremos. Não foi o pobre que pediu para nós irmos lá. Nós é que nos oferecemos. Então temos a escusa de estarmos cansados, de estarmos irritados. “Eu também tenho problemas”. Então vá resolver seus problemas. Não os traga para a Casa Espírita. E notem que esta tríade está perfeitamente de acordo com o pensamento Kardequiano: trabalho, solidariedade e tolerância.

Qual é o trabalho?

ESPIRITIZAR-SE.

O trabalho de adquirir o conhecimento espírita, de perseverar no estudo. Minha mãe era analfabeta. Eu lia para ela, estudava, comentava. Ela acompanhava. Aprendeu a Doutrina Espírita dentro dos seus limites.

Solidariedade. QUALIFICAR-SE, para servir melhor, para ser mais solidário.

Tolerância: ser mais HUMANO. Quando somos mais humanos, somos tolerantes. E esta tríade não é propriamente de Allan Kardec. Ele a tirou de Pestalozzi, seu professor, que tinha como base educacional três palavras: trabalho, solidariedade e perseverança. Allan Kardec, que foi seu discípulo, tomou a tríade e adaptou-a, substituindo perseverança por tolerância.

Assim, o Centro Espírita é a nossa oficina. Quando nós entramos na Casa Espírita devemos sentir os eflúvios do amor, da fraternidade. Não é o lugar dos conflitos, das picuinhas, das nossas dificuldades, das nossas diferenças, que nós as temos, mas das nossas identidades, das nossas compreensões, do nosso esforço para sermos melhor.

Daí a nova proposta do Centro Espírita: voltar às bases do pensamento de Allan Kardec.

Reviver o trabalho, a solidariedade e a tolerância. Sermos realmente irmãos. Esta é a nossa família ampliada. Se entre aqueles com os quais compartimos ideias, que são perfeitamente consentâneas com as nossas, nós temos dificuldades de relacionamento, como é que iremos nos relacionar com o mundo agressivo, com a sociedade que não nos aceita, com aqueles que nos hostilizam, com aqueles que nos perseguem?

A Trilogia de Joanna de Ângelis: espiritizar, qualificar e humanizar, por Divaldo Pereira Franco. (Texto recebido pelo WhatsApp.)

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A ideia de uma consciência que sobrevive à morte e reencarna em novos corpos, é tão antiga quanto a fé em divindades e surgiu de formas independentes em inúmeras culturas ao redor do planeta.

Chamada de Palingenesia, a doutrina de vidas sucessivas faz parte dos centros de iniciação e escolas religiosas, a maioria orientais. Reencarnação não é, pois invenção recente e tampouco criação do espiritismo que a reconhece e reapresenta mais desenvolvida, completa, racional, isenta de crendices, exageros e optando por uma análise científica. Historicamente ela está presente na Índia nos Vedas de 6.000 a.C., no Hinduísmo, no Budismo , no Egito, na Pérsia (atual Irã), na Grécia com Pitágoras e Platão,  entre os hebreus com os Essênios, em Alexandria com Plotino (205-270) d. C. , em Roma com Cícero e Ovídio, na Gália (atual França) e com várias citações no Novo Testamento. No Egito encontram-se inscrições de 3.000 a.C. no “Papyrus Anana” e uma outra encontrada pelo pesquisador Picone Chiodo “Antes de nascer a criança viveu e a morte não é o fim. A vida é um evento que passa como o dia solar que renasce”.

ACEITAÇÃO E CONDENAÇÃO

Acredita-se que o jovem Jesus reaparecendo depois na fase adulta,  tenha estado no Irã e na Índia de onde trouxe conhecimentos sobre a reencarnação. Contudo, levar isso de forma clara àquele povo ignorante apegado as leis judaicas, só mesmo da forma que o fez em algumas oportunidades. Não é pois de admirar que a Igreja Romana aceitava e ensinava a reencarnação até maio de 553 d.C., quando o II Concilio de Constantinopla (atual Istambul), a condenou. O autor para a condenação, o imperador Justiniano, ordenou ao papa Virgílio, atendendo ao pedido de sua esposa Teodora que, antes de ser imperatriz foi meretriz. Eliminando a reencarnação, ela não teria de resgatar seus crimes entre os quais, prendendo à força 500 prostitutas, fato que provocou suicídios. Assim se tornou conveniente difundir e ensinar a crença em uma única existência e que a Igreja seria o único caminho para a salvação. A fé pelo medo. Mesmo assim, diversos representantes da Igreja continuaram a esposar ideias reencarnarcionistas no século IV em pleno Vaticano. Entre eles destacou-se o cardeal Nicolau de Cuza com anuência do papa Eugênio IV. Devido a proibição de questionamentos imposta pela “Santa Inquisição”, toda visão filosófica, moral e religiosa no Ocidente ficou subordinada ao poder da Igreja Católica e o conceito da reencarnação revelou-se bastante incomodo para os orgulhosos, poderosos e prepotentes que ambicionavam o poder à custa de muitos crimes e sangue derramados. E com a fórmula mágica das indulgências, tudo era perdoado e o céu estava garantido. Vemos assim que as verdades do cristianismo primitivo foram deturpadas para satisfazer o orgulho, os interesses e o egoísmo dos homens.

NO OCIDENTE

A reencarnação com introdução de métodos científicos por eminentes pesquisadores vem ganhando milhões de adeptos de todas as classes sociais. Está presente em vasta literatura, no cinema, em novelas da televisão e em documentários. Isto explica-se face a crença em uma justiça divina de amor que dá oportunidade a todas as criaturas para saldar seus erros. Pela reencarnação o Ser Supremo não castiga ninguém pois somos nós os causadores dos próprios sofrimentos pela lei universal da ação e reação. Assim, os seres são criados iguais e a todos são dadas as mesmas oportunidades, tantas quantas forem necessárias para resgatar os erros através da evolução espiritual em vidas sucessivas, rumo a perfeição e felicidade final como espíritos de luz. Se a sorte do ser humano fosse inapelavelmente selada após a morte, todos estaríamos perdidos, visto termos sido mais maus do que bons. A ideia, pois de um sofrimento eterno (inferno) não convence. Ademais, se existe um Ser Supremo, Incognoscível, que estabelece leis justas para todos os miríades de mundos habitados, ela criaria um ser inteligente sabendo seu futuro sombrio? E como ficam os casos de deformações físicas em recém nascidos, as vítimas de acidentes, doenças incuráveis, loucura, abandono, esterilidade, miséria e sofrimentos? Tudo isso tem sua origem no passado e só assim, dessa maneira, através das vidas sucessivas, podemos conceber um Ser Supremo que através da lei universal de ação e reação, causa e efeito, harmoniza e equilibra o Universo. Sem ela, está aberta a porta para o materialismo e o ateísmo.

AS PESQUISAS CONTINUAM

As lembranças de vidas passadas estudadas por renomados psiquiatras, psicólogos, pesquisadores da matéria e outras áreas do conhecimento, é um dos métodos mais completos para provar a reencarnação. Crianças até os cinco anos tem a faculdade de recordações espontâneas de outras vidas. Elas abrem um portal, uma janela que permite enxergar fatos da vida passada em locais próximos ou distantes que depois são investigados e se vêem comprovados. É interessante constatar que essas lembranças desaparecem depois. Nas lembranças reencarnatórias, marcas de nascença e digitais sobressaem nas pesquisas do Dr. Hemendra Nath Banerjee da Universidade de Rajastan, Jaipur, Índia com mais de mil e duzentos casos, do brasileiro Dr. Hernani Guimarães e do Dr. Ian Stevenson (1918-2007) que foi Diretor do Departamento de Psiquiatria e Neurologia da Escola de Medicina da Universidade da Virginia, EUA que  viajou para a Índia, Oriente Médio e muitos outros locais, consignando inúmeros casos de crianças que conseguiram lembrar detalhes de suas vidas passadas. É curioso atentar que em algumas partes da Ásia, parentes de falecidos marcam seus corpos com alguma marca na esperança que o falecido reencarne na mesma família o que, muitas vezes acontece. Os pesquisadores Jim Tucker da Universidade da Virginia, EUA juntamente com Jurgen Keil da Universidade da Tasmânia, apresentaram juntos um documento no prestigioso “The Journal of Scientific Exploration” que detalha crianças que nasceram com marcas correspondentes a seus parentes mortos. Outro pesquisador famoso com vários livros publicados, é o Dr. Brian Weiss, presidente do Departamento de Psiquiatria do Mt. Sinai Medical Center, Miami, EUA. A todos os casos estudados existe também a xenoglossia,  quando uma pessoa começa a falar um idioma totalmente desconhecido. As crianças prodígio capazes entre outras de  executar concertos altamente difíceis, é outro fato que chama atenção. No mais, são fatos comprovados que demonstram o retorno do espírito ao plano físico sem ir de encontro de forma alguma as Leis da Natureza.

A DOUTRINA ESPÍRITA

Ensina que as reencarnações que passamos aqui não são as primeiras nem as últimas; são, porém as mais materiais e distantes da perfeição. Segundo ela, a alma pode viver muitas vezes no mesmo planeta e só pode reencarnar em mundos superiores quando houver alcançado condições suficientes para tal. Espíritos que superam o conhecimento em seu planeta e espíritos superiores podem renascer em outros mundos. O tempo para reencarnar estaria condicionado à disponibilidade, vontade e da evolução de cada espírito. A vida espiritual consoante a missão que for delegada, pode durar um tempo que para nós corresponde a meses, anos  séculos e mesmo até milênios. A alma seria um computador quântico conectado ao Universo? Por enquanto, diante do que foi aqui resumidamente exposto, a postura da ciência é de ceticismo e a maioria dos cientistas trata os relatos de vidas passadas com frivolidade, frutos de auto-indução ou fraudes. Mas é claro, vários abalizados e reconhecidos pesquisadores como vimos, pensam diferente e é possível que a comprovação científica não esteja longe de acontecer. Enquanto aguardamos, ficamos com Allan Kardec, o Mestre Lyonês: “Nascer, Viver, Morrer, Renascer ainda e progredir sempre. Esta é a Lei.”

Vidas sucessivas: uma crença milenar, por Nelson Travnik. O autor é astrônomo, espírita e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.

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Richard Simonetti

Explica Richard Simonetti:

“Espiriteiro é uma palavra nova que não se encontra no dicionário. Ela define as pessoas que se ligam ao Centro Espírita, mas são desligadas das finalidades do Espiritismo. Espiriteiro é o papa passes, que comparece às reuniões apenas para receber sua hóstia depuradora, representada pela transfusão magnética. Frequentador assíduo de consultórios do além, grupos mediúnicos que se formam apenas para receber favores espirituais, não consegue compreender que o Espiritismo não é mero salva-vidas para acidentes existenciais nascidos de sua própria invigilância.”

Richard Simonetti chama atenção para aqueles que acham que Espiritismo é só mediunismo. Que só frequentam a casa espírita para buscar favores do Além. Querem “consultar os espíritos”, mas não buscam consultar o Evangelho antes de tomar uma atitude, nem vivenciá-lo. Buscam cura para o corpo, mas esquecem de que, como disse Bezerra de Menezes, “toda doença tem sua origem na imperfeição do espírito”, ou seja, não buscam prevenir as doenças que estão na alma.

Querem afastar o obsessor, mas não querem saber como os atraímos para perto de nós e o que devemos fazer para que eles não nos persigam.

Buscam o dia do passe, por exemplo, com a finalidade de se beneficiar dele sem buscar conhecer a finalidade do Espiritismo que é “auxiliar o progresso moral da humanidade.”

Eles não se esforçam para se melhorar moralmente domando suas más inclinações.

Mais importante que o passe é o Evangelho que o antecede. Nele aprendemos que a doutrina não retira problemas e dores do nosso caminho, mas explica-nos o porquê das coisas e ensina-nos: como podemos melhorar a nós mesmo para gerarmos efeitos felizes no futuro; como prevenir e resolver problemas espirituais, desde que empreguemos vontade e esforço no sentido do Bem; ou ainda, como superar aquilo que, por ora, não pode ser mudado porque nos serve de expiação ou de prova.

Espíritas, não deixemos desviar a finalidade do Espiritismo.

Lutemos pela fidelidade de seus ensinamentos.

Unamo-nos e busquemos nos instruir.

Espiritismo é sinônimo de trabalho: trabalho em prol do próximo através da caridade e trabalho em prol de si mesmo através da reforma íntima.

Pensemos nisso!

Texto de Rudymara, do Grupo de Estudo Allan Kardec.

(Recebido pelo WhatsApp.)

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A Luz da mediunidade

Na reflexão feita em edição anterior do Correio Fraterno, comentávamos a respeito dos conceitos de naturalidade e natureza na mediunidade com Jesus, sob a chancela da Codificação Espírita. O intento não era fazer racionalismos e lançar novelos retóricos sobre o tema, mas buscar, à luz da instrução, a essência desta faculdade natural ao Espírito humano: a de manifestar no mundo de matéria sua natureza Espiritual.

Desde os primórdios da criação, do átomo primeiro, o Criador nos concedeu, como espíritos, a missão de “espiritualizar” a matéria. O princípio inteligente do Universo, nessa proposta sagrada de evolução, teria na ligação imorredoura com o Criador, pelos laços do espírito, seu roteiro de segurança. Em verdade, caberia ao espírito ser “medianeiro” da vontade do Pai na “cocriação” do mundo das formas. (O Livro dos Espíritos, questões 25 e 132).

Porém, iniciado aos voos conscientes do livre arbítrio, vencendo os limites dos reinos inferiores, o homem, Espírito, ao invés de mergulhar-se na carne para espiritualizar-se, intentou materializar o Espírito. Negando a sua natureza essencial, embotando os sentidos espirituais de ligação com o Criador, imantou-se à escuridão inerte da carne, arraigado aos reflexos da vida animal. Instituiu o homem a vida carnal em detrimento da vida espiritual. Negou a imortalidade para estacionar-se na degradação da matéria. A escuridão, todavia, nunca existiu. Inquebrantáveis mantinham-se os laços do Espírito, elos luminosos de intermediação do Pai junto aos filhos encarcerados na carne. Por essa razão Emmanuel nos fala que a mediunidade foi sempre “a luz a se derramar sobre toda a carne” (O Consolador, q. 382); cordão luminescente de conexão com a nossa essência espiritual e com Espírito do Criador; clarão a derramar-se sobre o materialismo; apelo, constante e luminoso, a lembrar à miséria dos homens de carne: sois Espíritos imortais, filhos de Deus, sois a luz do mundo. Ainda sim persistiu o homem na ignorância, fazendo-se “medianeiro” de suas vontades, intentando, ingenuamente, materializar a luz divina da mediunidade.

Porém, nas fieiras da evolução, veio, “para o homem”, o Mestre Jesus, o médium por excelência. Aquele que se fez o Verbo encarnado, medianeiro fiel das vontades do Pai, estabeleceu aquilo que seria a glória mediúnica: o restabelecimento integral dos fios luminosos que nos ligam em espírito ao Pai: “Eu e o Pai somos um” (Jo. 10:30);“Eu sou a luz do mundo”(Jo. 8:12); ”Deus é Espírito e em espírito deve ser adorado” (Jo. 4:24). Estabelecia-se o caminho da mediunidade e da vida, que passaram a sinônimos com Jesus. Não mais era possível persistir a divisão entre a vida da carne e a vida espiritual. Não mais era possível servir a dois senhores. Era preciso viver a condição única, essencial e primeira de filhos do Criador: sermos intermediários, instrumentos fiéis, medianeiros da vontade de nosso Pai perante toda a criação.

A Doutrina Consoladora, nos veio mais tarde, relembrar essa esquecida mensagem aos homens. Não materializemos a mediunidade. Não tratemos a mediunidade como fenômeno vulgar a se enclausurar em salas, em reuniões fechadas, em seitas de todos os tempos. Mediunidade é a luz, o fio de conexão que convoca ao homem a relembrar, a cada instante, sua condição de Espírito frente as vicissitudes da carne. Não nos esqueçamos “o espírito é tudo!”. (cap. 9, Missionários da Luz).

Por isso, frente a mediunidade, em qualquer contato com em seus fenômenos diversos no mundo das formas, não nos esqueçamos de observar o Espírito, a luz, o essencial, a natureza daquilo que nos movimenta. Observemos se buscamos, em sinceridade, o Espírito imortal ou se buscamos a mediunidade como mais um fenômeno a nos encantar e favorecer os caprichos da carne; se buscamos, sutilmente, benefícios e favores imediatos ou futuros; se buscamos, despretensiosamente, fazer consultas de toda a ordem sobre assuntos mesquinhos; se buscamos, veladamente, a vaidade de trazer mensagens que não nos cabem o mérito; se buscamos, equivocadamente, fazer caridade aos mortos, esquecidos dos deveres morais para com os vivos; ou se estamos, verdadeiramente, buscando viver como Espíritos; buscando a glória mediúnica, que é efetivamente, se religar ao nosso Pai, restabelecendo os laços primeiros com sua amorosa vontade, seguindo os passos, do caminho, da verdade e da vida, traçados pelo médium por excelência: o Cristo Jesus.

Para encerrar, fiquemos com os fundamentos do Instrutor Alexandre (cap. 9, Missionários da Luz, André Luiz, FCX):

“A possibilidade de comerciar emoções com esferas invisíveis que vos rodeiam não representa, de modo algum, a realização espiritual imprescindível à edificação divina de cada um de nós, porque o problema da glória mediúnica não consiste em ser instrumento de determinadas Inteligências, mas em ser instrumento fiel da Divindade.”

“Colocai as expressões fenomênicas de vossos trabalhos em segundo plano, lembrando sempre que o Espírito é tudo!”

“Por que audácia incompreensível imaginais a realização sublime sem vos afeiçoardes ao Espirito de Verdade, que é o próprio Senhor? Ouvi-me, irmãos meus!…Se vos dispondes ao serviço divino, não há outro caminho senão Ele, que detém a luz da verdade e a fonte inesgotável da vida! Não existe outra porta para a mediunidade celeste…”

A Luz da Mediunidade, por Breno Henrique Leite Cota. Fonte: Jornal Correio Fraterno da CCHJ, nº 80, p. 5. Também disponível em www.cchj.org.br.

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Muitos acreditamos que o fenômeno mediúnico deva ocorrer com a naturalidade do desabrochar de uma rosa, apropriados da figura metafórica de autoria de Emmanuel. Defendemos que a “rosa” da mediunidade desabrocha, tão logo o fenômeno patenteia-se, após superadas as inibições psíquicas. A fala espontânea, a escrita ligeira e a mensagem escorreita  são sinonímias do desenvolvimento da faculdade. E sob este entendimento, eximimo-nos de avaliar de forma aprofundada as comunicações que nos chegam, caligrafadas ou ditadas, por médiuns atuantes e formados em nossas Casas Espíritas, acreditando ser falta de caridade turvar-lhes a “beleza” com análises, bom senso e razão. Chegamos, por vezes, a negar a condição de cursos preparatórios para médiuns, sob o discurso deturbado de que fariam esvaziar as reuniões, retardando o trabalho dos “bons espíritos no socorro aos irmãos do mundo invisível”. Alegamos que a “reforma íntima” e a ”boa vontade” são suficientes para que a “rosa” da mediunidade “enfeite os jardins do mundo”. Preocupados mais com o fenômeno, as voltas de uma mesa ou traçado em uma folha de papel, do que com a capacidade intelecto-moral do médium em experimentar-se na análise criteriosa das inteligências a quem serve nas experiências da vida, relegamos as bases doutrinárias às estantes da biblioteca. E sob este contexto, comum, vemos o superficialismo triunfar nas lides mediúnicas sob o jargão do naturalismo, da trivialidade e das observações simplórias dos conteúdos que chegam: “vede bem que não dizem nada de mal” (ver item 246, Da Obsessão, de O Livro dos Médiuns). Outra menção comum: “não se preocupe, os benfeitores espirituais é que sabem e conduzem os trabalhos”.

Assim, multiplicam-se reuniões mediúnicas para que se deixem desabrochar mediunidades, que por vezes, confundem-se com processos emocionais e espirituais delicados.

Realmente, a mediunidade ostensiva é faculdade natural, orgânica, que não pode ser induzida e incutida naqueles que não a tem.

Assim como a rosa não desabrocha em outras espécies que não a roseira.

E a rosa naturalmente irá desabrochar quer queiramos ou não.

Mas a qualidade da rosa, por mais esteja em sua natureza a beleza e o perfume, dependerá do clima, do solo, dos cuidados e do manejo a quer for submetida, incluindo a poda e o tutoramento.

Abster-nos de adubá-la, e mesmo podá-la ou tutora-la, a pretexto de preservar-lhe o naturalismo seria nos eximir da condição de partícipes da obra divina, negando os dons da experiência e da inteligência.

Assim como a rosa, o crescimento da criança é natural, e em seu espirito estão os germens das mais belas faculdades, mas faculta-lhe Deus os pais e professores para instruí-la, discipliná-la e educá-la na formação de caracteres.

Deixar que tudo e todos simplesmente expressem a sua natureza primeira, sem qualquer cuidado, é negar o dom infinito da evolução que se processa nas interações entre as partes ou condicionar que tudo e todos já somos perfeitos ou acabados.

Se a mediunidade fosse algo que devesse atender a simples questão de naturalidade, com pontos intocados, Kardec não teria analisado, comparado, e enviado a vários médiuns as mesmas perguntas, para com seu bom senso e razão verificar sua coerência, para codificação da nova Doutrina.

Assim também Kardec não teria refutado, sob a chancela da máxima de Erasto, “o que a razão e o bom senso reprovam, rejeitai corajosamente. Mais vale rejeitar dez verdades do que admitir uma única mentira, uma única teoria falsa” (item 230, de O Livro dos Médiuns), as comunicações apócrifas que seguem discriminadas no capítulo 31 de O Livro dos Médiuns, muitas delas escorreitas quanto à forma e com conteúdos filosóficos profundos, sustentados em palavras veneráveis como “Jesus”, “Deus” e “caridade”.

Se pudéssemos nos eximir de uma análise crítica das mensagens que nos chegam São Luís não nos teria feito a exortação expressa no item 266 de O Livro dos Médiuns:

“Qualquer que seja a confiança legítima que vos inspirem os Espíritos que presidem aos vossos trabalhos, uma recomendação há que nunca será demais repetir e que deveríeis ter presente sempre na vossa lembrança, quando vos entregais aos vossos estudos: é a de pesar e meditar, é a de submeter ao cadinho da razão mais severa todas as comunicações que receberdes; é a de não deixardes de pedir as explicações necessárias a formardes opinião segura, desde que um ponto vos pareça suspeito, duvidoso ou obscuro.”

A falta de estudos basilares da essência da mediunidade com Jesus e Kardec, ainda nos faz crer que ser médium seja simples fenômenos de apassivar-se e entregar-se à execução e manifestações de toda ordem, sob a falsa pretensão de serviço caritativo e missão espiritual. Nos alheamos à recomendação de Kardec, manifesta no item 192 de O Livro dos Médiuns:

[…] a facilidade de execução é uma questão de hábito e que muitas vezes se adquire em pouco tempo, enquanto que a experiência resulta de um estudo sério de todas as dificuldades que se apresentam na prática do Espiritismo. A experiência dá ao médium o tato necessário para apreciar a natureza dos Espíritos que se manifestam, para lhes apreciar as qualidades boas ou más, pelos mais minuciosos sinais, para distinguir o embuste dos Espíritos zombeteiros, que se acobertam com as aparências da verdade. Facilmente se compreende a importância desta qualidade, sem a qual todas as outras ficam destituídas de real utilidade. O mal é que muitos médiuns confundem a experiência, fruto do estudo, com a aptidão, produto da organização física. Julgam-se mestres, porque escrevem com facilidade; repelem todos os conselhos e se tornam presas de Espíritos mentirosos e hipócritas, que os captam, lisonjeando-lhes o orgulho.

Essa conduta meticulosa do Codificador, fundamentada na busca pela natureza das manifestações, é corroborada por Sócrates, no item 197 de O Livro dos Médiuns ao afirmar que analisar “esses dois quadros [ a natureza dos médiuns e dos espíritos ] reúnem todos os princípios da Doutrina e contribuirão, mais do que o supondes, para trazer o Espiritismo ao verdadeiro caminho.”

É claro, portanto, que a verdade e o escolho da mediunidade não se encerram na naturalidade, mas na natureza do médium e dos espíritos com os quais se sintoniza, conforme esclarece-nos o espírito Sócrates. Sem recursos para conhecermos a nós mesmos (como já dizia o mesmo sábio na antiguidade), e por consequência aqueles a quem servimos de intermediários, a “mediunidade se perde na inutilidade”. (ver item 197 de o Livro do Médiuns”.)

Em outras palavras: formemos, pois, medianeiros. Não para servirem à naturalidade do fenômeno, mas para reconhecerem, pelo estudo sério, vivência e experimentação, a sua natureza íntima e daqueles com quem se comunicam.

Para tal é preciso o tutoramento do bom-senso, a poda do estudo e da disciplina e o adubo da vivência evangélica, manejados pelo jardineiro Consolador (Doutrina Espírita), sob as luzes do sol do Evangelho de Jesus. Somente assim, verdadeiramente, estaremos sustentados em solo seguro para sermos medianeiros do desabrochar, natural, da perfumosa rosa da mediunidade com Jesus.

Aos que se opuserem a esta forma “fria” de analisar a mediunidade, atentemos para a recomendação dos espíritos no tópico 28, do item 266 de O Livro dos Médiuns:

“Para julgar os Espíritos, como para julgar os homens, é preciso, primeiro, que cada um saiba julgar-se a si mesmo. Muita gente há, infelizmente, que toma suas próprias opiniões pessoais como paradigma exclusivo do bom e do mau, do verdadeiro e do falso; tudo o que lhes contradiga a maneira de ver, a suas ideias e ao sistema que conceberam, ou adotaram, lhes parece mau. A semelhante gente evidentemente falta a qualidade primacial para uma apreciação sã: a retidão do juízo. Disso, porém, nem suspeitam. É o defeito sobre que mais se iludem os homens.

“Mediunismo sem Evangelho é fenômeno sem Amor, dizem os Amigos Espirituais, sem Doutrina Espírita é fenômeno sem esclarecimento. Com Espiritismo, mas sem Evangelho, é realização incompleta […]. Com Evangelho e sem Espiritismo é, também, realização incompleta. Com Evangelho e Espiritismo é penhor de vitória espiritual, de valorização dos talentos divinos. Imprescindível, pois, a trilogia Evangelho-Espiritismo-Mediunidade.” (Martins Peralva, Mediunidade e Evolução, cap. 7.)

Naturalidade e natureza na mediunidade com Jesus (e Kardec), por Breno Henrique Leite Cota. Fonte: Jornal Correio Fraterno da CCHJ nº 78, p. 5. Também disponível em www.cchj.org.br.

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Opinião de Emmanuel

Nenhum espírito equilibrado em face do bom senso, que deve presidir a existência das criaturas, pode fazer apologia da loucura generalizada que adormece as consciências nas festas carnavalescas.

É lamentável que na época atual, quando os conhecimentos novos felicitam a mentalidade humana, fornecendo-lhes a chave maravilhosa dos seus elevados destinos, descerrando-lhes as belezas e os objetivos sagrados da Vida, se verifiquem excessos dessa natureza entre as sociedades que se pavoneiam com os títulos da civilização.

Enquanto os trabalhos e as dores abençoadas, geralmente incompreendidos pelos homens, lhes burilam o caráter e os sentimentos prodigalizando-lhes os benefícios inapreciáveis do progresso espiritual, a licenciosidade desses dias prejudiciais opera, nas almas indecisas e necessitadas do amparo moral dos outros espíritos mais esclarecidos, a revivescência de animalidades que só os longos aprendizados fazem desaparecer.

Há nesses momentos de indisciplina sentimental o largo acesso das forças da treva nos corações e às vezes toda uma existência não basta para realizar os reparos precisos de uma hora de insânia e de esquecimento do dever.

É estranho que as administrações e elementos de governos colaborem para que se intensifique a longa série de lastimáveis desvios de espíritos fracos, cujo caráter ainda aguarda o toque miraculoso da dor para aprender as grandes verdades da vida.

Enquanto há miseráveis que estendem as mãos súplices, cheios de necessidades e de fome, sobram as fartas contribuições para que os salões se enfeitem e se intensifique o olvido de obrigações sagradas por parte das almas cuja evolução depende do cumprimento austero dos deveres sociais e divinos.

Ação altamente meritória seria a de empregar todas as verbas consumidas em semelhantes festejos na assistência social aos necessitados de um pão e de um carinho.

Ao lado dos mascarados da pseudo-alegria, passam os leprosos, os cegos, as crianças abandonadas, as mães aflitas e sofredoras.

Por que protelar essa ação necessária das forças conjuntas dos que se preocupam com os problemas nobres da vida, a fim de que se transforme o supérfluo na migalha abençoada de pão e de carinho que será a esperança dos que choram e sofrem?

Que os nossos irmãos espíritas compreendam semelhantes objetivos de nossas despretensiosas opiniões, colaborando conosco, dentro de suas possibilidades, para que possamos reconstituir e reedificar os costumes para o bem de todas as almas.

É incontestável que a sociedade pode, com o seu livre-arbítrio coletivo, exibir superfluidades e luxos nababescos, mas, enquanto houver um mendigo abandonado junto de seu fastígio e de sua grandeza, ela só poderá fornecer com isso um eloquente atestado de sua miséria moral.

Mensagem ditada pelo Espírito Emmanuel ao médium Francisco Cândido Xavier em Julho de 1939 e publicado pela FEB em fevereiro de 1987 na Revista Reformador.

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A palavra exegese é oriunda do grego exegeomai, exegeses. O ex tem o sentido de retirar, derivar, ex-trair, ex-ternar, ex-teriorizar, ex-por; e, hegeisthai o de conduzir, guiar.

Movido por este propósito o exegeta espírita-cristão, quando se detiver sobre o estudo de uma obra que originalmente fora escrita em outro idioma e data recuada no tempo, deve dedicar especial atenção ao exame da tradução da língua-mãe para o vernáculo.

A informação se se trata a tradução de uma tradução literal ou de uma tradução como operação linguística e literária ou ainda como substituição e produção de significados, é importante para situá-lo dentro da obra e lhe permitir uma melhor compreensão do espírito do texto, ou melhor, da ideia que, efetivamente, deseja transmitir o autor.

Não diremos que um ou outro estilo é o melhor ou mais adequado, pois, a bem da verdade, todos o são! Nosso objetivo, com estas breves linhas, é convidá-lo, você leitor amigo e você estudioso que ora nos lê, para, sempre que possível, caso exista, compulsar outra(s) tradução(ões) da obra que pretende examinar. Esta verificação pode contribuir de forma decisiva para uma mais alargada compreensão do tema em estudo.

Ilustrando a tese acima exposta, vejamos, a título de exemplo, a questão número 5, de O Livro dos Espíritos, isto porque algumas traduções, como a de Guillon Ribeiro, utiliza o vocábulo (adjetivo) instintivo, e outras, como as de Salvador Gentile e Herculano Pires, utilizam, no lugar do anterior, o vocábulo intuitivo. Citaremos estas três por considerá-las mais difundidas e utilizadas, sem, em nada, desmerecer todas as demais.

Deter-nos-emos apenas na pergunta, ressalvando que também as traduções da resposta merecem a mesma análise em razão do mesmo princípio.

Primeiro, a tradução de Guillon Ribeiro:

5. Que dedução se pode tirar do sentimento instintivo, que todos os homens trazem em si, da existência de Deus?

— A de que Deus existe; pois, donde lhes viria esse sentimento, se não tivesse uma base? É ainda uma consequência do princípio – não há efeito sem causa.

Por segundo, a tradução de Salvador Gentile:

5. Que consequência se pode tirar do sentimento intuitivo que todos os homens carregam em si mesmos da existência de Deus?

— Que Deus existe; porque de onde lhe viria esse sentimento se ele não repousasse sobre nada? É ainda uma consequência do princípio de que não há efeito sem causa.

E, por terceiro, a tradução de Herculano Pires:

5. Que consequência podemos tirar do sentimento intuitivo, que todos os homens trazem consigo, da existência de Deus?

— Que Deus existe; pois de onde lhes virá esse sentimento, se ele não se apoiasse em nada? E uma consequência do princípio de que não há efeito sem causa.

Tal cuidado não é simples capricho e tampouco excesso de zelo. É, sim, o produto de um firme e responsável desejo de bem compreender a verdadeira essência do ensinamento transmitido. Ademais, no caso em exame – o estudo sistematizado de O Livro dos Espíritos –, para bem compreender a resposta, indispensável, por óbvio, primeiro, compreender a pergunta: afinal, o que Allan Kardec desejava, de fato, saber? Relembremos a questão número 5: “Que consequência se pode tirar do sentimento ‘instintivo/intuitivo’ que todos os homens ‘carregam em si/trazem em si/carregam consigo’ mesmos da existência de Deus?”.

O Original francês

Busquemos no original francês a redação da aludida questão:

5. Quelle conséquence peut-on tirer du sentiment intuitif que tous lês hommes portent en eux-mêmes de l’existence de Dieu?

— Que Dieu existe; car d’où lui viendrait ce sentiment s’il ne reposait sur rien? C’est encore une suite du principe qu’il n’y a pas d’effet sans cause.

Segundo o dicionário Michaelis da língua francesa, intuitif se traduz por intuitivo. Eis a tradução ipsis litteris:

5. Que consequências podem ser extraídas do sentimento intuitivo que todos os homens se vestirem da existência de Deus?

— Deus existe, porque de onde ele se sentiria se ele não se baseou em alguma coisa? Esta é outra consequência do princípio de que não há efeito sem causa.

A tradução literal dá conta, portanto, de que o vocábulo utilizado por Kardec é intuitivo; já a tradução como substituição e produção de significados, o traduz por instintivo.

A partir deste ponto, a exegese da questão em exame nos remete, dentre outros, ao estudo do significado (semântica) de intuitivo (ou intuição) e instintivo (ou instinto): são palavras sinonímias ou homonímias? Foram utilizadas segundo a conotação ou denotação?

O Significado das palavras intuição e instinto

Vejamos também, para ampliar a nossa análise, o significado dos vocábulos intuição e instinto.

Segundo o dicionário Aurélio, a palavra intuição tem o seguinte significado: s.f. Conhecimento claro, direto, imediato da verdade sem o auxílio do raciocínio. / Pressentimento; faculdade de prever, de adivinhar: ter a intuição do futuro. / Visão clara que os santos têm de Deus; intuitivo: adj. Que se tem por intuição: conhecimento intuitivo. / Dotado de intuição: natureza intuitiva. / Que age por intuição.

Ainda segundo o Aurélio, a palavra instinto tem o seguinte significado: s.m. Impulso natural: instinto de conservação. / Primeiro movimento que dirige o homem e os animais em seu procedimento. / Tendência; aptidão inata. / loc. adv. Por instinto, por uma espécie de intuição; sem reflexão: ele agiu por instinto; instintivo: adj. Que nasce do instinto: movimento instintivo.

Por sua vez, para o Dicionário Espírita, a palavra intuição tem o seguinte significado: Intuição – [do latim intueri + -ção] – 1. Ato de ver, perceber, discernir de forma clara ou imediata. 2. Ato ou capacidade de pressentir. 3. Percepção na sua plenitude de uma verdade que normalmente não se chega por meio da razão ou do conhecimento discursivo ou analítico. Ver: Instinto.

E, ainda segundo o Dicionário Espírita, a palavra instinto tem o seguinte significado: Instinto – [do latim instinctu] – 1. Tendência natural; aptidão inata. 2. Força de origem biológica, própria do homem e dos animais superiores, que atua de modo inconsciente, espontâneo, automático, independente de aprendizado. 3. Intuição; inspiração. 4. Espécie de inteligência rudimentar que dirige os seres vivos em suas ações, à revelia de sua vontade e no interesse de sua conservação. O instinto torna-se inteligência quando surge a deliberação. Pelo instinto, age-se sem raciocinar; pela inteligência, raciocina-se antes de agir. No homem, confundem-se frequentemente as ideias instintivas com as ideias intuitivas. Estas últimas são as que ele hauriu, quer no estado de desdobramento, quer nas existências anteriores e das quais ele conserva uma vaga lembrança.

Se as ideias intuitivas são aquelas que o espírito hauriu em existências anteriores e das quais conserva a lembrança e se o instinto é uma força de ordem biológica em que se age sem raciocinar, qual vocábulo desejou Kardec empregar?

Entretanto, não interessa apenas saber qual o vocábulo quis empregar o Codificador: se intuitivo ou instintivo. Notemos que as traduções mencionadas acima fazem também distinção nos termos trazem em si, carregam em si e trazem consigo e a tradução ipsis litteris, se vestirem.

Sobre estes últimos não nos deteremos por considerar que conseguimos transmitir a ideia do exame minucioso do texto quando destacamos os adjetivos intuitivo e instintivo. Trata-se do mesmo princípio e do mesmo método. Diremos apenas que trazer em si, carregar em si e trazer consigo ou ainda, se vestir pode ensejar múltiplas interpretações. Ao exegeta, atento e cuidadoso, nenhum detalhe deve passar despercebido e não merecer a devida e necessária análise: toda palavra, expressão, o sujeito da ação, os tempos verbal e cronológico, o lugar (espaço geograficamente considerado), etc., devem ser objetos de atenção e cuidadoso exame.

O nosso objetivo com este breve comentário não é o de concluir por uma ou por outra palavra, ou uma ou outra expressão, embora já tenhamos formado a nossa opinião particular. O nosso objetivo, com toda vênia, é o de aguçar, no leitor amigo, o desejo de aprofundar, no maior nível de detalhe possível, o exame da matéria a que se proponha estudar, em especial, da Doutrina Espírita e do Evangelho de Jesus.

Ao exegeta espírita-cristão está reservado, portanto, o papel de buscar extrair o “espírito da letra”, de sair da superficialidade, de mergulhar nas entrelinhas, de ir cada vez mais fundo e de contribuir, assim, para a verdadeira compreensão e para a plena vivência dos ensinamentos transmitidos por Jesus e seus prepostos diretos, os Espíritos Superiores. Em suma: fazer luz sobre a luz!

A Questão da tradução na exegese espírita, por José Márcio de Almeida. Publicado no site do Instituto Espírita de Estudos Filosóficos – IEEF:  http://www.ieef.org.br/wp-content/uploads/2015/04/A-quest%C3%A3o-da-tradu%C3%A7%C3%A3o-na-exegese-esp%C3%ADrita.pdf

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